Resident Evil 5: Análise

Distribuidor: Capcom

Programador: Capcom

Categoria: Ação

Data da Análise: 11/03/2009

Autor: Bruno Abreu – Outer Space

O cenário ensolarado da África, sem um momento de noite sequer, a ausência de mortos-vivos e a presença de uma escolta para o jogador combinam pouco com uma série que já foi sinônimo de “horror de sobrevivência”, mas é bem isso que Resident Evil tem a oferecer como inovação para sua estréia na nova geração de consoles.

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Não sobra quase nada fora do molde de Resident Evil 4 usado para essa sequência, e mesmo que um grande risco tenha sido assumido ao levar a série para o continente negro e assumir definitivamente o estilo de ação, Resident Evil 5 ainda pode ser considerado um dos jogos menos inspirados e mais conservadores da série. Mas, para toda crítica de falta de originalidade que ele merece, e pela rejeição da idéia de um protagonista branco atirando em africanos (injusta), há para contrabalancear o fato de que ele copia um dos jogos mais brilhantes já feitos.

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Uma skin de zebra para Resident Evil 4

Basta observar que Chris Redfield, do primeiro Resident Evil, se transformou em um fisiculturista em Resident Evil 5 para saber que a aventura agora é baseada em tiros e virilidade, e não mais em horror de sobrevivência. Alguns poucos elementos deste último estilo ainda aparecem, como a munição que nunca vem em quantidades exageradas e a narrativa da história acontecendo muito mais via bilhetes encontrados no cenário que pelos interlúdios cinematográficos, mas em comparação ao que se viu até antes de Resident Evil 4, a oferta de “bangs” é bem maior que a de “boos”.

A tendência para a ação já se manifestava bem em Resident Evil 4, mas deu um salto ainda maior agora. E mesmo que isso possa ser visto como desvirtuamento pelos admiradores do horror original, é certo que houve uma evolução proporcionalmente grande no quesito jogabilidade. Resident Evil 5 é tão incrível de se jogar como o anterior, e traz a vantagem de poder ser apreciado no modo cooperativo, online ou offline.

O modo cooperativo é, de fato, a maior contribuição deste episódio para a série. Ele funciona muito bem quando se tem um humano no controle de Sheva, a agente que acompanha Chris o tempo todo como se fosse sua sombra, mas é uma presença descartável ” ou até incômoda ” quando se joga sozinho. Na jornada de um jogador Sheva está lá para dar mais sentido à história e oferecer um rostinho mestiço bonito e politicamente correto para o público, mas como item de jogabilidade ela é irrelevante ” ajuda pouquíssimo, mas também tenta não atrapalhar. Suas maiores virtudes nesse caso são saber evitar encrenca muito bem e curar o jogador sempre que preciso, e seus maiores defeitos são não usar munição e ervas medicinais com inteligência. Como ela gasta tudo que está em seu inventário sem dó, a melhor idéia então é usá-la apenas para guardar itens secundários, que se usa ocasionalmente, como granadas e as ervas, e se possível colocar em sua mão uma arma de choque que não consome munição. Ã possível ordenar a ela duas posturas básicas: uma de cobertura e outra mais proativa, que fará que ela entre em combate sempre, mas o ideal é deixá-la o mais discreta possível, pois é o que o balanceamento do jogo demanda principalmente em relação à quantidade de munição disponível.

Uma vez que o jogo tenha sido terminado como “single-player”, a possibilidade de jogar cooperativamente se torna bem mais atraente, e o recurso serve tanto para a aventura principal quanto para o modo Mercenaries, espécie de “time trial” herdado de Resident Evil 4. Ã possível inclusive juntar-se a um jogo em curso pela Xbox Live e deixá-lo quando quiser.

A herança de elementos de Resident Evil 4 é o grande ponto de interrogação aqui. Por um lado, ele copia um dos melhores jogos de todos os tempos e um que até hoje não tem clones e que mantém uma idéia razoavelmente fresca; por outro, os quatro anos que o separam do anterior precisavam ser melhor aproveitados com criatividade e evolução de coisas como o controle “tanque” que sempre foi limitado.

Nenhuma evolução foi feita (a não ser pelo visual em HD). Pelo contrário, Resident Evil 5 vive na sombra de Resident Evil 4 em todos os aspectos possíveis, desde o balanceamento (o jogo é fácil em alguns momentos, como nos chefes de fase) ao design de inimigos. Todo inimigo presente em Resident Evil 5 é uma versão africana dos Ganados de Resident Evil 5, e aí estão incluídos aquele que carrega uma moto-serra e é mais resistente, aqueles que se esquivam dos tiros e até uma versão quase idêntica de El Gigante, um dos chefes de fase mais famosos do jogo anterior. A mecânica do controle também é a mesma, apesar de haver uma configuração que inclui esquivar-se (strafe) e um layout próprio de jogos de tiro. Enfim, praticamente tudo que existia em Resident Evil 4 aparece de alguma forma em Resident Evil 5, e não é um exagero absurdo dizer que se trata do mesmo jogo com uma skin africana.

Resident Evil Sunshine

Pode ter faltado criatividade, mas o talento artístico da equipe da Capcom se fez notado mais uma vez. Resident Evil 5 é, ao lado de Gears of War, o jogo mais avançado tecnicamente desta geração, e pode ser considerado o mais impressionante do momento ao aliar seu sistema gráfico de ponta a uma monumental qualidade artística. O cenário africano do jogo é impressionante e muito variado, e vai de favelas a partes mais selvagens, como cavernas, sempre muito bem desenhado e acompanhado de efeitos de iluminação realistas.

A belíssima skin subsaariana só não é eficiente para criar medo ” quesito em que Resident Evil 5 é tão eficiente quando um Cooking Mama. E entre o horror de antes e atmosfera de filme de ação, a maioria do público que se interessa pela série deve preferir sempre a primeira, portanto é bom observar o caminho que a Capcom seguirá após pôr tanto sol e tiros em seu survival-horror.

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O Veredicto:

A única maneira de se decepcionar com Resident Evil 5 é por superestimá-lo e não ver correspondidas expectativas de que, depois do enorme salto dado por Resident Evil 4, a inspiração em renovar a série continuasse a pleno vapor. O que se tem aqui é mais de Resident Evil 4, mas em um cenário bem diferente e com um ótimo modo cooperativo para dois jogadores. O visual africano é incrível, e a jogabilidade idêntica à do jogo anterior ainda é especial o suficiente para eclipsar os defeitos.

Prós:

– Os melhores gráficos desde Gears of War;

– Jogabilidade de RE4 ainda é bom negócio;

– Modo cooperativo para dois;

– Boa variedade de cenários.

Contras:

– Inspiração exagerada em RE4, jogo que ele não consegue superar;

– Controle estilo tanque;

– Inventário chato de organizar;

– Chega de quebração de barril.

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