.

Magna Carta: Tears of Blood

Enviado por sargitary, , 253 visualizações, 0 comentários
As produtoras sul-coreanas já são grandes potências no mercado de jogos online, como a pode ser atestado no caso de "Ragnarök Online", da produtora Gravity Corporation. Mesmo no mundo dos consoles, as softhouses do país asiático estão ganhando cada vez mais força. A Phantagram, por exemplo, já tem uma série bem famosa, "Kingdom Under Fire", e trabalha em "Ninety-Nine Nights" para Xbox 360, junto com o criador japonês Tetsuya Mizuguchi.

"Magna Carta" também nasceu da colaboração entre japoneses e coreanos, e a influência de ambos os povos pode ser vista no resultado final. A premissa básica parece ter sido adicionar e misturar todas funcionalidades conhecidas dos RPGs japoneses, sob o visual dos artistas coreanos. E essa miscigenação rendeu alguns bons frutos, e outros, nem tanto.

"Ligue djá!"

Quem vê a introdução e os momentos iniciais de "Magna Carta" provavelmente achará que se trata de algum novo episódio de "Final Fantasy", pois dividem o mesmo clima fantasioso e o capricho no visual. Estão aí a introdução com ares de épico, um mundo dominado pela espada e a magia, e a tela de deslocamento é muito similar ao clássico da Square Enix.

Logo depois de uma breve introdução - o seu personagem é membro de uma organização mercenária -, que relembra as tragédias de sua infância, o jogador é colocado no quartel-general da Tears of Blood, o nome da organização. O que se vê é Calintz andando pelo cenário com visões pré-estabelecidas e um minimapa indicando os locais de acesso. Mais uma vez, o que vêm à cabeça são os últimos episódios de "Final Fantasy".

Mas, logo nos momentos iniciais, o jogador já é bombardeado por uma grande quantidade de informações, indicando que não se trata de um game para iniciantes. De fato, quase todos os sistemas inventados para um RPG parecem estar nesta obra.

Para começar existe uma espécie de dispositivo fixo de comunicação, que parece uma bola de cristal. Ã como se fosse um telefone, que permite conversar com diversas pessoas e extrair informações. Além disso, mais para frente, será usada para trocar a formação de seu grupo.

Depois, o jogador é apresentado aos quiromantes, que possuem diversas funções. Eles podem, por exemplo, melhorar (ou piorar) temporariamente a capacidade dos guerreiros - aparecem ícones como sol, chuva e raios. O resultado só depende da sorte e custa dinheiro. Se não gostar do resultado, basta pagar novamente para desfazer o "trabalho".

Os adivinhos também fazem o importante trabalho de analisar os itens. Os objetos descritos por pontos de interrogação são desconhecidos pelo jogador e sua utilidade só pode ser revelada pelas mãos desses profissionais esotéricos, em troca de uma módica quantia, é claro. Por fim, eles também conseguem combinar uma espécie de símbolos, a fim de criar novos itens.

Além disso, nas cidades é possível encontrar ferreiros, que melhoram seus equipamentos, e academias, onde os guerreiros podem aprender novos estilos de luta. Nada disso é obrigatório, mas quem quiser fortalecer seus personagens ao máximo, precisará passar por esses desafios. O sistema de jogo pode ser um tanto complicado, mas o andamento do roteiro é totalmente linear.

Olhe por onde anda!

Durante o deslocamento entre as cidades, a chamada tela de campo, aparecem algumas novidades. Aqui, o jogador pode escolher entre correr e andar. Mas, agora, não se trata apenas da velocidade dos personagens.

O modo de vigília amplia o campo de visão, permitindo enxergar inimigos e baús num raio muito mais extenso. Ao avistar o oponente, é possível chegar perto sem ser notado e acertá-lo com um golpe de espada, o que garantirá uma rodada extra de vantagem, isto é, o jogador atacará primeiro.

Já se estiver correndo, o campo de visão é bem reduzido - o inimigo só será visto quando já estiver bem perto e a chance de sofrer um ataque surpresa é grande. Há um terceiro modo também, que deixa os personagens de joelhos. A vantagem é poder recuperar a energia, mas também estarão à mercê dos inimigos.

No caminho há lâmpadas mágicas, que afetam as características do local. No game existem nove tipos de Chi e dependendo da lâmpada pode haver mais ou menos Chi de um determinado tipo. Essas lamparinas podem ser modificadas com itens especiais e também são chaves para diversos quebra-cabeças.

O Chi possui um papel importante nas batalhas, pois todos os golpes dependem dessa energia. Assim, as lâmpadas podem ajudar a trazer vantagens para o jogador. Por exemplo, se o inimigo possui um ataque de água poderoso, talvez seja bom acender o dispositivo com elementos baseados em fogo. O resultado faz diminuir o Chi da água e, conseqüentemente, os oponentes poderão usar menos esses golpes.

Vale-tudo com espadas e magias

Como se pode notar, o sistema de batalha é um tanto complicado e até estranho, às vezes. Para começar, há os mencionados nove tipos de Chi. Os combates são basicamente por turnos, e uma barra que progride com o tempo indica quando se pode fazer uma ação. A sua "vez" pode chegar mais rápido se estiver em maior número que os oponentes e quanto maior for a afinidade entre os integrantes do grupo.

A estranheza vem do fato de o relógio ser o mesmo para todo mundo de seu grupo. Então, quando chega a sua "vez", você escolhe o personagem que quer usar. Enfim, é possível passar a batalha inteira usando apenas um guerreiro. Existe também um componente de estratégia, já que é preciso deslocar seu personagem para dentro do raio de ação de seus golpes. Mas, enquanto se mexe, o seu relógio fica parado.

Na hora de atacar, mais complicação. Cada lutador tem, pelo menos, um estilo de luta, que pode ser com armas ou magias. E, dentro de cada estilo, pode haver até três modos de combate. O primeiro, o Standart, é o mais simples, bastando pressionar ritmicamente uma seqüência de três botões indicados na tela. Os botões usados são sempre o círculo e o X. Ã como um jogo musical simplificado.

Conseguindo a avaliação Great em cada aperto de botão, o golpe sai mais forte, além de poder liberar novos movimentos, que vão até quatro por estilo. A classificação Good também é aceitável, porém menos potente, e, se errar o tempo, a sua vez é desperdiçada. Outra vantagem do modo Standart é que os personagens ganham uma proteção extra.

Já o modo Combo permite danos maiores, mas o jogador precisará apertar uma seqüência maior de botões. Nesse caso, a demonstração do golpe é bem mais caprichada. Por fim, há o modo Counter, que, como o nome diz, é preciso esperar uma ação dos oponentes para usá-lo. Aqui, é preciso adivinhar a seqüência de botões do inimigo e, se feito corretamente, ativa um contra-ataque fulminante. Esse modo pode ser vantajoso se os adversários são muito mais rápido que o seu grupo.

O sistema pode ser complicado no início, mas uma vez costumado, poderá notar que são bastante fáceis, sendo raros os momentos de aperto. Talvez o inimigo mais difícil seja a câmera, que insiste em ficar sobre a vegetação, escondendo os lutadores. E não há como controlar a visão. Novos estilos de luta podem ser aprendidos com pergaminhos ou nas academias espalhadas pelas cidades.

Como dito, a afinidade entre os guerreiros é fundamental para aliviar a espera entre um ataque e outro. Para melhorar o relacionamento entre eles, é possível, durante a tela de camping - onde também se ativa a opção de save - conversar entre os integrantes. O jogador escolhe entre duas respostas e uma delas geralmente faz a afinidade aumentar. Ãs vezes o processo pode se complicar quando um terceiro integrante resolve participar da conversa, quase sempre com uma opinião conflitante. Aí, o jeito é se conformar em fazer alguns desafetos dentro do grupo.

Visual épico, som, nem tanto

O visual de "Magna Carta" parece ter se inspirado nos RPGs japoneses top de linha, com uma produção caprichada e um visual bastante detalhado. Os cenários são bem variados e contam com um projeto de fases e texturas inspiradas. Algumas cenas parecem escuras demais, como se que quisessem esconder alguma imperfeição, mas isso não compromete o resultado final.

O destaque fica mesmo para os personagens, que mostram um pouco do jeito coreano de fazer arte. Todos eles possuem características próprias, tanto no visual como em sua personalidade, e sua modelagem é toda intrincada, com vários acessórios e figurinos mais que detalhados e vivamente coloridos. Bom, algumas roupas podem parecer esquisitas, mesmo para os padrões dos videogames.

Toda essa sofisticação resultou num indesejável efeito colateral. O tempo de carregamento das cenas não-interativas, batalhas e mapas está um pouco mais longo que seria o desejável. Isso é um defeito de muitos RPGs, mas "Magna Carta" traz um pouco mais de frustração nesse quesito que seus pares.

A equipe fez um bom trabalho em transportar o estilo do desenhista Kim Hyeong-Thae para os modelos 3D, mantendo todas as suas características, inclusive o jeito andrógino da maioria dos personagens masculinos, como próprio protagonista Calintz. Ele é daqueles que você fica em dúvida sobre seu gênero, até que comece a abrir a boca. Mas, depois de um tempo, a distinção fica mais fácil, pois as mulheres de "Magna Carta" são... bom, digamos que passariam no teste para participar do seriado "S.O.S Malibu".

Por outro lado, a Softmax errou a mão na produção sonora. A nova música de abertura é insossa, daquelas canções que pretendem ser épicas, mas é um soco no vazio. Quase consegue estragar a bela apresentação do game. Já a trilha musical durante o jogo é bastante agradável, mas não espere ouvir nada memorável.

Memorável mesmo são as dublagens, mas no mau (péssimo, aliás) sentido. Trata-se de um dos trabalhos mais terríveis de todos os tempos. Tirando as falas de Calintz adulto, todas as vozes têm tempo de texto ruim e inflexão risível. Canastrice total, pior que modelos atuando em novelas. Ã a prova que, às vezes, o barato sai muito caro, e as dublagens são um trágico contra-ponto de "Magna Carta".

RPG com tudo dentro

"Magna Carta: Tears of Blood" parece ter apostado no quanto mais coisas, melhor. O resultado é um jogo complexo, à prova de novatos. Quem conseguir passar pelos primeiros desafios poderá encontrar um bom enredo, visual bem caprichado, numerosas missões e muitas horas de divertimento. No geral, o game é bom, apesar de algumas idéias não serem tão eficientes e outras, apenas estranhas. Enfim, vale a pena se dedicar.
sargitary
Enviado por sargitary
Membro desde
46 anos
label