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A Guerra Está Esquentando

Enviado por RipadorBR, , 0 visualização, 0 comentários
Esta coluna vai tratar de assuntos normalmente controversos no mundo gamer, ela não vai se propor a impor a opinião ou bandeira do colunista, o conteúdo real será fazê-lo pensar e tirar suas próprias conclusões, mostrando os fatos de forma imparcial e sempre duvidosa, boa leitura.

Tempos atrás criamos uma grande polêmica na GameVicio Brasil, ao decidirmos reduzir o número de palavras de baixo calão em nossas traduções oficiais. Na época, houve uma guerra no site dentro do universo de nossos usuários, com opiniões a favor e muitas contra, pois alguns queriam o jogo no seu conteúdo original e, em contrapartida, recebíamos cartas de pais pedindo que melhorássemos o linguajar nas traduções.

Bem, o assunto é bem mais polêmico e profundo que a simples inserção de um "palavrão" em uma frase de jogo. Estamos acompanhando nos EUA uma verdadeira batalha judicial, digna de roteiro de um bom jogo. Essa briga está sendo travada entre os governos estaduais, promotores públicos e os fabricantes de games, que tem como pano de fundo: requintes de conspiração, tramóias judiciais, decisões governamentais, medidas liminares e muitas outras artimanhas jurídicas que fariam parte de um ótimo roteiro de jogo com atributos de conspiração nacional contra o desenvolvimento das indefesas crianças americanas. Que game hein!!!

A violência sempre existiu, mas com o advento de GTA " Grand Theft Auto em sua quinta edição, que na opinião da maioria talvez seja o jogo mais violento já criado, não somente pelo estilo, mas pelo conteúdo e também pelo que ensina durante seu desenvolvimento, as relações entre os fabricantes de jogos e os governos se tornaram muito instáveis. Visto que, os governos enxergam pelas urnas e os fabricantes pelo bolso e nem sempre essa união urna"bolso/bolso-urna é estável, nossos políticos brasileiros que o digam.
Não bastasse a recente condenação à morte de um jovem que assassinou 3 policiais e que baseou sua defesa no conteúdo de jogo, justamente GTA. Nesse momento pipocam na Justiça Americana, milhares de processos indenizatórios, que vão desde pais com filhos em idade inferior a exigida pelo jogo até senhoras com idade superior aos 70 anos, pedindo reparações incabíveis de olho na decisão da corte americana de que alguém pode morrer por influência de um simples jogo de vídeo game. Por causa disso, alguns estados americanos estão tentando se resguardar de processos proibindo os jogos muito violentos e de pouco cunho cultural. Acredito, que mais pensando nos apelos judiciais do que no real bem estar da população, imaginem os valores que podem chegar processos judiciais na Califórnia o estado mais rico da América. Penso que foi com base nisso que o famoso governador, o ator de filmes violentos e futuro presidente dos EUA Arnold Schwarzenegger, resolveu proibir a venda de alguns jogos naquele estado. Tendo em vista que, nos EUA, quando um cidadão entra na Justiça contra uma companhia as suas chances de vitória são acima de 70%, porque processam tanto as companhias quanto os governos e os efeitos da decisão começam a criar um clima desconfortável entre os fabricantes de games e vários governos estaduais americanos (Vejam notícia abaixo).
"Dois grupos da indústria de videogames processaram o estado norte-americano da Califórnia depois que o governo estadual aprovou uma legislação que proíbe a venda de jogos violentos para menores.
Tribunais federais decidiram contra a proibição da venda de videogames violentos no Estado de Washington e em algumas cidades dos EUA. Eles afirmaram que a medida viola garantias de liberdade de expressão." " Fonte Baboo " [url]hide:aHR0cDovL3d3dy5iYWJvby5jb20uYnI=[/url]

Aqui no Brasil, o jogo GTA 3 teve sua comercialização liberada alguns dias atrás, não apenas ao normal atraso nos processos de liberação brasileiros, mas principalmente por causa de seu conteúdo.
Já há algum tempo, comentamos entre os gamers que os conteúdos das histórias e roteiros dos jogos estão muito semelhantes e sem criatividade, pois custa surgir algo realmente novo, isso sem contar no conteúdo apelativo. Os títulos de maior sucesso não são os novos e sim os de excelentes jogos do passado, como Doom, Half Life e Quake todos de meados da década passada. Para os fabricantes ficou nítido que os jogos que vendem mais são aqueles com tiros, violência, sexo, guerras, conspirações com conteúdo ilícito como roubo, furto e assassinato, ou seja, quanto mais sangrento e fora da lei mais dinheiro na conta deles.

Meu primeiro contato com jogos foi na década de 80, por volta de 1983, para os que têm dúvida sempre tivemos os tiros, mas as mensagens subliminares eram menos agressivas que as de hoje em dia. Na verdade, agora não temos mais censura sobre o conteúdo dos jogos, basta colocar um selo na caixa dizendo "Conteúdo Livre" ou "Inadequado para menores de 16 anos" e dentro, pode conter o que o fabricante quiser. Isso aliado à falta de acompanhamento dos pais, que preferem ver seus filhos dentro de casa em frente ao seu seguro PC ou Console, que nas calçadas e praças em busca de más companhias. Mal sabem eles que, às vezes, o inimigo pode estar ali no quarto ao lado dentro de uma linda caixinha colorida.

Resta para nós "tupiniquins" na indústria dos games, ou melhor, país quase fora do mapa dos fabricantes - que temos aqui no Brasil apenas a Eletronic Arts e Atari que tem coragem de lançar títulos em português - esperar para ver o que vai acontecer por lá. Normalmente, sempre ganha aqui ou lá, não importa onde na verdade, quem tem mais dinheiro e pode pagar os melhores advogados, para mim a luta está ganha para o lado dos fabricantes, mas é sempre bom acompanhar e formar opinião. As cartas estão na mesa vamos ver quem leva dessa vez, em minha opinião vença quem vencer quem realmente perderá, mais uma vez, somos nós os consumidores.

Está na dúvida??? Tira suas conclusões...
RipadorBR
Enviado por RipadorBR
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48 anos, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
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