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Análise do jogo "The GodFather 2" para PS3 escrito por Uol Jogos

Escrito por Uol Jogos, nota 3 de 5, enviado por Giordano Trabach,
Em 2006, a Electronic Arts adaptou o clássico do cinema "O Poderoso Chefão" em um ambicioso jogo de ação 3D que seguiu de perto o enredo do filme e aproveitou algumas de suas lacunas para inserir o protagonista controlado pelo jogador. Tal fidelidade - contando, inclusive, com muitas vozes do elenco original - e novidades interessantes adicionadas a um esquema similar ao de "Grand Theft Auto", como a extorsão de comerciantes e o controle de pontos estratégicos pela cidade contra as famílias rivais, tornaram o projeto um grande sucesso. Uma inevitável continuação entrou logo em produção, mirando na expansão de eventos inéditos na trilogia cinematográfica e novos elementos para tentar se afastar ainda mais da sombra do blockbuster da Rockstar. Infelizmente algo parece ter dado errado durante o projeto, que teve seu lançamento adiado por algumas vezes, apresentando um produto bem inferior ao original, desenvolvido a partir de algumas idéias pobres e acabamento desleixado. [t1]"Você partiu meu coração"[/t1] Um dos maiores problemas de "The Godfather II", ao menos para aqueles que são fãs da trilogia, está em seu roteiro. Aqui a história toma várias liberdades em relação ao longa-metragem de 1974, alterando desde atitudes de personagens a sequências inteiras, o que vai de encontro à proposta do game anterior, que apenas tentou complementar o que foi visto no cinema. Não há menção ao jovem Vito Corleone e aos flashbacks. Aqui a história se foca nos planos de Michael Corleone para a família, em especial a expansão das atividades relacionadas a cassinos e jogos de azar em Las Vegas e outras regiões, por intermédio do gângster Hyman Roth. O jogo começa no trecho em Cuba, entre o aniversário de Roth e o Réveillon, quando estoura o golpe liderado por Fidel Castro e todos os estrangeiros são obrigados a fugir desesperadamente do país. Neste ponto a história do videogame se intromete, colocando Aldo, o protagonista do primeiro jogo, junto aos Corleone em Havana. Ele acaba tomando a postura cautelosa que, no filme, seria a de Michael apenas para ser assassinado nos primeiros minutos, sem nenhuma cerimônia. Assim, o caminho fica aberto para seu braço direito, Dominic, que passa a cuidar dos negócios de Aldo em Nova York enquanto o resto da família se volta para outros problemas. A mudança de atitude de Michael não é a única coisa que muda em relação ao visto no cinema. A revelação da traição de Fredo, por exemplo, acontece em um momento totalmente diferente e acaba perdendo todo o impacto, assim como a participação de Tom Hagen, enfiado na história de maneira brusca como se fosse sua primeira aparição na saga. Pode parecer preciosismo, mas não há nenhuma reviravolta maior ou evento que justifique tais alterações. Então qual o motivo de querer dizer que segue o roteiro do filme? E ainda, para amarrar todas essas escolhas lamentáveis, há uma série de diálogos absurdos que não se encaixariam bem nem uma adaptação de um filme de Chuck Norris. [t1]"Mantenha seus amigos perto e seus inimigos mais ainda"[/t1] O esquema do jogo permanece basicamente o mesmo do anterior, com algumas adições importantes. Quem não jogou o original, deve se preparar para correr pelos cenários em busca de comerciantes para extorquir até o completo domínio dos bairros, expulsando as famílias rivais do território. A diferença é que agora as ações são um pouco mais estratégicas. Ao controlar pontos de atuação semelhante - como tráfico de armas ou prostituição - você forma cartéis que garantem bônus interessantes, como coletes à prova de balas ou carros blindados. Seus inimigos também contam com algumas dessas vantagens, então também se torna necessário controlar capangas para vigiar suas propriedades. Tudo isso pode ser gerenciado em uma nova tela chamada "Don's Vision". Ali é exibido o status de sua organização, inclusive o ranking dos membros dela. Isto é importante para manter o controle do grupo, uma vez que agora se torna necessário contratar guarda-costas para as investidas. Há médicos, incendiários e engenheiros - entre várias outras especialidades - prontos para seguir seu passos e atuar em momentos bastante específicos. Caso alguém não dê conta do serviço, é possível também melhorar suas características. Tudo isso é bem interessante e cria uma maior profundidade na ação, que sempre pareceu um pouco repetitiva no original. ?? bastante divertido ver rivais perdendo terreno e ter uma visão global de seu território. Pena que vários problemas tirem um pouco do brilho das novidades. Os inimigos são como zumbis que correm em direção aos tiros inimigos e as ações das famílias rivais nunca parecem contundentes - há um atentado aqui ou ali, mas nada que seus homens não possam resolver facilmente. Os itens extras também não parecem nunca fundamentais para o desenrolar dos acontecimentos. Seus soldados chegam a dar pena quando não conseguem atravessar uma porta aberta ou não conseguem andar sem esbarrar em algum canto do cenário. Tecnicamente o game também não é dos mais impressionantes, principalmente quando lembramos que se trata de um título de ponta. Mesmo com um maior número de cenários e mais coisas a fazer, boa parte dos gráficos parecem ter vindo do jogo anterior, com poucos retoques e alguns efeitos especiais mais bonitinhos. Nada foi devidamente polido, o que se torna mais evidente ao encontrar problemas de colisão bizarros como corpos que afundam no chão. Em nossos testes o aspecto multiplayer também não pareceu muito bem finalizado. Com alguma lentidão e problemas de controle, foi bem difícil mirar e atirar em alvos fáceis. Há ao menos alguns modos interessantes a serem explorados caso tais defeitos sejam corrigidos logo, como a disputa entre chefões por território e os mata-mata entre times de especialistas. [t1]Considerações[/t1] "The Godfather II" é uma continuação decepcionante do sucesso de 2006. Apesar de expandir as ações de controle de território e adicionar um divertido componente estratégico, o jogo parece ter sido finalizado às pressas e sem muito capricho. A inteligência artificial é fraca e os gráficos não chamam a atenção, o que é agravado pela narrativa que altera momentos cruciais do filme. O charme da franquia ainda deverá ser capaz de atrair alguns fãs, mas o potencial desperdiçado é frustrante.
Fonte: Uol Jogos
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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