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3.5

Análise do jogo "Saw" para PS3 escrito por Uol Jogos

Escrito por Uol Jogos, nota 3.5 de 5, enviado por Giordano Trabach,
Tão certo quanto o Natal ou o Carnaval, um novo filme da série "Jogos Mortais"chega aos cinemas no fim do ano. Em 2009 é a vez de "Jogos Mortais VI" e, para aproveitar a campanha promocional do longa, a Konami resolveu finalmente lançar o atrasado "Saw: The Videogame", uma espécie de capítulo perdido da franquia feito sob supervisão de James Wan e Leigh Wannell, criadores da saga. O game é uma aventura 3D que pretende se tornar uma nova referência no gênero de horror de sobrevivência e fazer par com "Silent Hill", outra grande marca da empresa japonesa. Assim, a mecânica mistura combates e resolução de enigmas, com muitos sustos e coleta de pistas para se chegar ao final da jornada, com direito até a múltiplos finais. [t2]Nostalgia do terror[/t2] O roteiro volta ao passado da mitologia e recorre ao detetive David Tapp, interpretado no primeiro filme por Danny Glover. O ator, famoso por sua parceria com Mel Gibson na série "Máquina Mortífera", não participou da produção do game e foi substituído pelo razoável Earl Alexander, veterano de jogos como "Left 4 Dead". Já Tobin Bell, intérprete do maníaco Jigsaw, participa do jogo e brilha com sua voz onipresente, tanto em sinistras narrações de eventos quanto em descrições de armadilhas. Tapp, que leva um tiro no cinema e depois é dado como morto, reaparece preso em um asilo abandonado. O local foi totalmente reformulado por Jigsaw para abrigar várias armadilhas fatais. Outras vítimas presas no antigo hospital estão ligadas a máquinas sádicas (como a famosa armadilha de urso reversa) e são levadas a caçar o policial depois que o vilão informa que uma chave-mestre está escondida em seu corpo. O detetive precisa então enfrentar os desesperados que saem de todos os cantos enquanto busca pistas a respeito do passado do maníaco e resgata outros prisioneiros - incluindo personagens dos filmes, como Amanda, a ex-viciada em drogas que tem papel proeminente nos primeiros exemplares da série cinematográfica. O enredo segue as mesmas reviravoltas, convenções e tiques dos últimos exemplares para cinema da série. Há um esforço tremendo para encaixar todas as marcas registradas da franquia em uma história compacta, de clima exageradamente sério, o que deixa tudo um pouco confuso para aqueles que não são familiarizados com a mitologia. Já os fãs devem se divertir bastante com algumas pistas extras dadas pelo script que fortalecem eventos somente citados na tela grande. Na parte técnica, as coisas são menos equilibradas. Encarar armadilhas e buscar respostas para enigmas é um trabalho interessante e que mantém o suspense em alta, afinal, você nunca sabe se uma porta pode esconder uma escopeta capaz de explodir os miolos de seu personagem. Com a música alta, cenários escuros e desafios bem posicionados, o jogo consegue recriar fielmente o clima dos filmes, ainda que alguns gráficos de personagens e texturas não pareçam muito realistas, com exagerada repetição de certos elementos gráficos. A mecânica se divide basicamente em duas partes, com minigames que servem para desarmar as armadilhas menores, em eventos que pedem raciocínio lógico, a exemplo daquele de encaixar as válvulas para levar água de um ponto a outro da tela em "Bioshock". As maiores funcionam com os chefes de fase e requerem mais atenção, com um nível de complexidade (e sadismo) maior. A segunda parte da mecânica, o combate, é o calcanhar de Aquiles do jogo. Os controles são ineficientes e os movimentos de Tapp nunca são espontâneos. O sujeito se arrasta para defender e desferir seus dois tipos de ataques básicos, o que piora quando ele se apodera de armas como bastões e canos. Com vítimas desesperadas voando para cima do herói de forma voraz, tal comportamento parece adequado para criar suspense, mas com o tempo se mostra frustrante. [t2]Considerações[/t2] "Saw: The Videogame" está longe de se tornar um clássico, mas ninguém espera isso de um jogo baseado em filme. Na verdade, para este tipo de produto, esta adaptação de "Jogos Mortais" surpreende pela fidelidade ao material original e pela produção competente, que cria bons momentos de suspense e horror com suas armadilhas sádicas e vilão carismático. Pena que nem sempre os gráficos consigam manter o clima sério que a saga tenta impor no cinema e os combates derrapem feio nos controles. De qualquer forma, é um bom capítulo alternativo que deve satisfazer os fãs.
Fonte: Uol Jogos
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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