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Análise do jogo "Deus Ex: Invisible War" para PC escrito por Uol Jogos

Escrito por Uol Jogos, nota 5 de 5, enviado por GameVicio,
[i]"Não espere ter a opção de escolher entre Bem e Mal."[/i] Decisões. A vida está cheia delas, e para cada porta aberta, outras tantas são fechadas. Quem joga videogames raramente tem a oportunidade de experimentar essa sensação no mundo virtual: a maioria dos games força as pessoas por um corredor estreito, quando muito oferecendo duas portas claramente marcadas. "Deus Ex", o ambicioso RPG de ação de Warren Spector ("System Shock"), jogou essa mecânica pela janela em 2000. Agora, a continuação tenta se aproveitar de três anos de avanços técnicos para oferecer um mundo ainda mais complexo. Para quem não jogou o primeiro game, "Deus Ex" colocava jogadores no papel de um agente cibernético, J.C. Denton (as iniciais não são coincidência), descobrindo enormes conspirações e tendo de tomar uma grande decisão que afetaria o futuro do planeta. Apesar de oferecer finais bastante diferentes (sem economizar nas catástrofes), a continuação - ambientada 20 anos depois - tenta manter suas opções abertas: algumas telas de loading explicam um pouco de Denton e do grande Colapso. O mundo está tentando se reconstruir, mas diferentes facções religiosas e comerciais não interrompem suas tentativas de dominar tudo e destruir umas às outras. [t1]Escolha seu herói (ou heroína)[/t1] Jogadores controlam Alex D., que pode ser tanto um homem como uma mulher, durante seu treinamento como agente especial na academia Tarsus. Depois de ataques que destroem a cidade de Chicago e um atentado de um grupo religioso à sede de Seattle, Alex começa a desconfiar de tudo e todos. Fugindo do prédio, suas habilidades especiais (devidas em grande parte à adição de implantes cibernéticos escolhidos pelo jogador) atraem o interesse de diferentes grupos que lutam para tê-la como mercenária. Assim é apresentado o aspecto mais importante de "Invisible War": não espere ter a opção de escolher entre Bem e Mal... quase todas as facções ou indivíduos que oferecem missões têm intenções próprias e pouco claras. Em meio a tantas conspirações, jogadores são forçados a escolher aliados mais por intuição ou gosto do que por razões morais. Apesar de ser possível tentar agradar a todos no começo (algo importante para juntar recursos), aos poucos as missões começam a se tornar exclusivas: um grupo pede para você proteger algo que o outro quer destruído. [t1]Escolha seu caminho[/t1] O grande leque de opções é abençoado por outro aspecto do design do jogo: quase todas as missões podem ser resolvidas de dezenas de maneiras diferentes. Apesar de abandonar o sistema de habilidades individuais de "Deus Ex", "Invisible War" ainda conta com os poderes cibernéticos conferidos por nano-máquinas. Na hora de limpar um armazém poluído com lixo tóxico, o jogador com resistência biológica pode simplesmente atravessar a sala sem preocupação e ativar o ventilador. Um hacker pode controlar um robô e usá-lo para o serviço. Um personagem mais voltado para ação poderia correr pelo corredor de acesso (lutando com um robô de segurança no caminho), passar pela sala infectada o mais rapidamente possível, levantar uma caixa pesada que está no caminho e arrancar o código de um funcionário preso do outro lado. Os mais observadores podem encontrar um duto de ventilação escondido atrás de um engradado... em suma, cada problema parece ter infinitas soluções. Pensamento criativo e uso das habilidades é recompensado a cada segundo, e a estrutura aberta do jogo permite que os poderes sejam usados até fora das missões: alguém com link cibernético poderia possuir uma metralhadora de segurança de um caixa eletrônico e explodir um cofre próximo para conseguir uma grana extra, por exemplo. "Invisible War" é um dos jogos mais abertos desde "Ultima VII", só que totalmente 3D. O mecanismo utilizado tenta reproduzir um sistema físico realista, sem muito sucesso. Quase todos os objetos podem ser manipulados, mas muitas vezes reagem de maneira um tanto duvidosa. Esse tipo de defeito não seria tão perceptível se o game não tivesse criado um mundo tão profundo para se mergulhar - tornando suas falhas ainda mais óbvias. Da mesma forma, a existência de vários itens úteis espalhados pelos cantos (e até em baús trancados em locais bizarros como becos sem saída) é vital para manter o ritmo do game, mas acaba com a suspensão de descrença. [t1]Não escolha os defeitos[/t1] No departamento técnico, o jogo tem um visual bem acabado. Os ambientes apresentam uma lógica realista e são todos bem sinalizados (para não deixar o jogador perdido e louco), e tanto a música quanto a dublagem são excelentes. A interface foi bastante simplificada em relação ao original, mas a lógica de colocar indicadores em um círculo dificulta na hora de acessar rapidamente uma informação importante como energia. Mas os dois piores defeitos são uma performance ruim do jogo - que engasga na taxa de quadros, e na animação dos personagens. Nas partes de ação, é fácil ignorar os problemas. Mas durante conversas, todos os modelos parecem ter olhos exageradamente arregalados e corpos tensos - os braços afastados do peito os fazem parecer espantalhos, principalmente as mulheres. O jogo oferece muitos motivos para ser jogado repetidamente. Além de poder testar outros poderes, outras soluções e outras alianças, o game tem finais diferentes dependendo das decisões tomadas nas suas últimas horas. A aventura em si dura boas 15 horas, menos que um RPG tradicional, mas o suficiente para explicar a história sem enrolar demais ou entediar por repetição da ação. Quem procura um RPG tradicional ou um jogo de tiro em "Invisible War" vai ficar decepcionado. Mas quem sente que os games tradicionais são claustrofóbicos por exigir que você siga um caminho predestinado, assim como os fãs de tramas de conspiração, não podem perder essa chance de lutar pelo futuro (ou o fim) da Humanidade.
Fonte: Uol Jogos
GameVicio
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