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Análise do jogo "Warcraft III: Reign of Chaos" para PC escrito por Outer Space

Escrito por Outer Space, nota 9 de 10, enviado por Giordano Trabach,
Warcraft 3 é um típico jogo da Blizzard: demorou demais para ser feito e não traz nada de muito original, mas é polido como uma jóia e continua agradando muito. O ponto mais forte do jogo e sua maior vantagem frente a concorrência é a história, com certeza a mais interessante, intrigante e sombria que já surgiu no gênero. Detalhes não podem ser mencionados aqui para não estragar as surpresas, mas aguarde por muita traição, morte, vingança e reviravoltas inesperadas. Posso dizer apenas que o início se dá com a campanha dos humanos, sendo você o príncipe paladino Arthas, que além de lutar contra os sempre rivais Orcs, agora deverá enfrentar o poder das trevas. Pela primeira vez na série os heróis estão presentes, e são eles que dão um brilho extra à jogatina, tornando a história mais profunda e agregando várias características dos RPGs. Ao contrário dos exércitos e outras unidades, esses heróis não são produzidos e vão evoluindo de acordo com o tempo, ganhando experiência, aprendendo magias e carregando itens especiais. O jeito RPG de ser é ainda acentuado com a introdução dos objetivos secundários nas missões (side-quests), que não precisam ser completados mas auxiliam na conclusão das missões principais. [t1]Jogabilidade clássica com belos retoques[/t1] A jogabilidade de Warcraft 3 consegue misturar um balanceamento excepcional, uma curva de aprendizagem perfeita e uma interface simples e intuitiva. As duas novas raças - Undead e Night Elves - têm características distintas e requerem estratégias diferentes. Mesmo os Orcs e os Humanos, que são mais semelhantes, exigem a adoção de algumas medidas peculiares. Ao contrário da maioria dos títulos do gênero, Warcraft 3 não foca na produção em massa de exércitos, muito menos na coleta desenfreada de recursos naturais. Isso o torna ainda mais estratégico e menos frenético, forçando o jogador a dar mais valor a cada unidade e guerreiro produzido. A pouca variedade de matéria prima - apenas madeira e ouro - simplifica o processo de coleta e uma mão de obra pequena. A produção de soldados e trabalhadores ainda é limitada pela quantidade de comida, que no modo de um jogador chega no máximo a 90. Este número pode até parecer uma restrição técnica, para o jogo não ficar lento, mas ele faz com que o jogador dê mais valor aos seus guerreiros, uma vez que a produção desenfreada não existe. A curva de aprendizagem é outro destaque merecedor de menções honrosas. O desafio vai ficando maior a cada fase, até chegar em um nível avançado, sem nunca frustrar. No fim da campanha dos humanos, você (mesmo principiante no gênero) já estará dominando o jogo, ao mesmo tempo em que ele vai estar sugando toda a sua capacidade estratégica. Uma troca mútua. Um tutorial que ensina o básico de um jogo de estratégia, como combates e coleta de recursos, está disponível separadamente, mas as ajudas vão sendo fornecidas durante quase todo o jogo, explicitando características mais detalhadas de personagens e construções. Tudo é sempre mostrado para você com uma interface extremamente amigável para os novatos e prática para os experientes, que espanta a frustração e o excesso de cliques no mouse, e torna o jogo agradável. Todos os acontecimentos durante a jogatina são devidamente sinalizados no mapa, os trabalhadores ociosos aparecem em pequenos ícones e os heróis podem ser localizados com apenas um clique no mouse. Mas a função mais interessante e útil é a mudança rápida de subgrupos. Com ela você pode acessar as especialidades de um mago, por exemplo, sem precisar tirá-lo de um grupo onde tem guerreiros. Pode parecer algo irrelevante, mas no meio de um combate onde seu grupo é composto por vários elementos diferentes, a rapidez em selecionar as habilidades de cada um lhe tomará um tempo bem menor do que se o processo fosse manual. [t1]Tecnicamente, um brinco[/t1] Warcraft 3 proporciona um clima fenomenal com o seu som. Primeiro pelas músicas belas e épicas, depois pelos sons realistas e imersivos, e por último pela vozes, muito bem dubladas e que condizem exatamente com o estilo de cada personagem. O trabalho bem feito da Blizzard perdura na parte gráfica, onde se destacam as animações, que dão muita vida aos cenários. A princípio o visual 3D pode parecer um pouco atrasado, mas é só jogar algumas missões que verá a qualidade aflorando a cada instante, com efeitos novos pipocando quando você menos espera. Essas surpresas e novidades visuais são muito bem vindas e acabam tornando o jogo ainda menos cansativo. A aparência de cada raça é bem distinta. Apesar dos humanos e orcs terem algumas semelhanças, os night elves e os mortos-vivos são muito fortes em personalidade, um com suas construções baseadas em objetos da natureza, e o outro com espectros voadores e unidades negras, que proporcionam uma morbidez bem característica. [t1]O modo multiplayer[/t1] O que era diversão pura em Warcraft 2, continua do mesmo jeito no 3. Os confrontos por Internet têm todas as características - e conseqüentemente qualidades - do modo de um jogador: Os heróis são os elementos principais, o balanceamento entre as raças é nítido e a estratégia nos combates é exigida a todo instante. Uma belezura. [t1]O Veredicto:[/t1] Warcraft 3: Reign of Chaos é um ótimo exemplo de jogo bem idealizado, programado e executado. Ele não traz nada de realmente novo, mas tudo nele é excelente e com certeza honra a tradição da Blizzard no que diz respeito a qualidade. [t2]Prós:[/t2] + Muito bem balanceado e polido; + Tecnicamente impecável; + História de tirar o chapéu; + Modo multiplayer idem; + Jogabilidade clássica da série com algumas ótimas melhorias; [t2]Contras:[/t2] - Não inova em nada o gênero.
Fonte: Outer Space
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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