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Análise do jogo "Tom Clancy's Ghost Recon: Future Soldier" para X360 escrito por Outer Space

Escrito por Outer Space, nota 8 de 10, enviado por Pedro Hick,
A série Ghost Recon sempre buscou um caminho diferente dos outros shooters deixando o tiroteio desmiolado de lado e apostando em estratégias militares descritas nos livros de Tom Clancy. Future Soldier, o mais novo episódio, não foge da regra e entrega uma jogabilidade estratégica onde nem sempre sair correndo e atirando é a melhor alternativa. Ghost Recon: Future Soldier se passa em um futuro próximo, ainda neste século, mas sem alterar a proposta de todos os jogos anteriores. As batalhas continuam a ser decididas no empenho da equipe, mas desta vez o time poderá contar com novos e modernos armamentos de combate. [youtube]http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=pjZJnM8nP6w[/youtube] [b]Uma equipe de verdade[/b] A campanha de Future Soldier pode ser experimentada no tradicional modo solo ou cooperativo para até quatro pessoas online ou duas no multiplayer local. Graças à boa inteligência artificial dos companheiros da equipe solo, os jogadores solitários não ficarão decepcionados caso não tenham aliados reais para embarcar na aventura – um componente raro nos lançamentos atuais. O mais interessante é ver como o título faz o jogador se sentir parte de uma equipe ativa e que sempre busca uma estratégia racional antes de partir para o combate desmiolado e arriscado como em outros títulos. Ao entrar em uma possível região de conflito, o jogador terá a possibilidade de bolar uma estratégia antes de apertar o gatilho. Para isso, ele dispõe de um interessante sistema de marcação de alvos. Pressionando um dos gatilhos do controle, o soldado pode marcar até quatro inimigos (um para cada integrante do grupo) para um ataque em equipe. Ao pressionar o gatilho, todos do time atirarão no mesmo instante e, caso esteja jogando com amigos, um efeito de slowmotion garantirá o "timming" necessário para que a ação tenha um resultado imediato. Na primeira missão que esta técnica é apresentada, o jogador já terá consciência da importância dela e passará a usá-la até o final do jogo. Aos poucos as noções estratégicas ganham mais força na campanha e os combates brutais acabam sendo evitados na maioria das vezes. Geralmente eles só ocorrem quando o exército adversário já está ciente da presença dos aliados ou quando algo sai errado como um corpo descoberto ou um tiro sem silenciador corta o sossego. A jogabilidade conta, porém, com um problema persistente: os companheiros ausentes nas partidas off-line. Em determinados momentos do jogo será preciso reunir os quatro soldados em locais pré-definidos para que uma ação como abrir uma porta ou resgatar um refém seja tomada em conjunto. Tudo ocorreria bem se volta e meia um dos NPCs não se recusasse a entrar na formação necessária. Como uma vez dentro da marcação o jogador não pode mais sair, a ausência de qualquer integrante acaba travando todo o andamento do jogo obrigando a recomeçar desde o último ponto salvo. É um bug chato e que ocorre com frequência na atual versão do jogo. [b]O futuro e suas armas de alta tecnologia[/b] As armas do futuro são todas de alta tecnologia, ou seja, tudo envolve alto poder de processamento. Droides, camuflagens digitais, misseis teleguiados por câmera e robôs com inteligência artificial fazem parte do arsenal disponível em Future Soldier. Para acomodar todos aqueles medidores que sempre encontramos na tela dos jogos como número de balas, mapas, radares, etc, os produtores investiram em um visor especial que indica tudo isso e ainda distingue amigos de inimigos. Outros recursos trabalham em parceria com esta visão especial, como uma bola que identifica todos os inimigos em um raio de distância e ainda cria imagens virtuais deles, mesmo ao se esconderem atrás de paredes. Um desses "brinquedos" merece atenção especial: o droide. Ele é um pequeno robô que pode voar livremente pelo cenário buscando identificar potenciais inimigos. Se preferir, o robozinho também pode andar como um carro rádio-controlado, disparando descargas capazes de interromper o funcionamento de dispositivos elétricos. Por fim, mas muito importante quando o assunto é o armamento do futuro, está a camuflagem digital que permitirá andar bem próximo dos inimigos sem ser descoberto. Ela, assim como os demais itens descritos, acaba se incorporando a jogatina de forma orgânica, tanto que na fase em que o sistema sofre com uma interferência e é desligado, percebemos como estes itens nos ajudavam ao longo da jornada. A adição destes armamentos fez Future Soldier parecer uma sequência bem diferente dos episódios anteriores, mas sem perder a alma militar da série. [b]Calado é um poeta[/b] Visualmente Ghost Recon: Future Soldier chama a atenção pela beleza de seus gráficos "in-game" e pela feiura dos interlúdios em computação gráfica. É estranho ver um jogo onde o que é gerado em tempo real é mais belo do que aquilo que foi previamente renderizado. Para piorar, não é possível pular a história que acontece entre os capítulos. Durante a jogatina, os produtores foram felizes ao aplicar filtros de câmera de acordo com as diferentes situações climáticas. Ao passar por uma tempestade de neve, a tela é tomada por pequenas partículas de pó que grudam no vidro sujando a lente. Quando se passa por uma incessante chuva, pingos escorrem pela tela. São pequenos detalhes bem vindos. Future Soldier é uma viagem ao redor do planeta. A primeira fase se passa em uma favela boliviana que lembra demais as brasileiras. Logo em seguida já caímos em um pântano na América Latina, derrubamos um avião no árido terreno africano e até andamos pelos telhados paquistaneses. A diversidade de cenários disponíveis é um bom diferencial para quem quer um shooter completo. Os diálogos também acompanham o ritmo militar do jogo, mas com alguns deslizes. A maior parte deles é bem escrita e interpretada, e também bem diferente do que se escuta na maioria dos shooters. Ao invés de soldados emotivos gritando palavrões, neste jogo qualquer dialogo é restrito a conversas que se limitam a estratégias de combate. A preocupação em manter a disciplina é tanta que em determinado momento os soldados começam a brincar com a nacionalidade de um deles, por exemplo, e rapidamente são reprendidos pelo coronel que pede para acabar com a conversa. Infelizmente a dublagem deixa a desejar nos papéis dos figurantes. O espanhol boliviano e o português dito na Zâmbia são horríveis, e fica na cara que não foram dublagens feitas por profissionais. Ghost Recon: Future Soldier conseguiu se sobressair em um gênero onde existem toneladas de concorrentes. Ótimos gráficos, armamento futurista e inúmeras possibilidades de se avançar em cada fase são um conjunto ainda incomum neste estilo de jogo, mas não estranhos o bastante para alterar a essência da série. Apesar de ser muito interessante na campanha solo, o jogo brilha mesmo no cooperativo com outros jogadores, onde o trabalho em equipe é fundamental. Quem busca um bom jogo militar com viés tático, e é capaz de ignorar os CGs horrendos e alguns bugs, vai encontrar o que quer em Ghost Recon: Future Soldier. Prós[list] Belos gráficos e cenários variados; Equipamento futurista interessante e divertido; Cooperativo abusa do trabalho em grupo; Boa dose de estratégia nos combates.[/list] Contras[list] A computação gráfica é sofrível; Problemas no reagrupar dos NPCs durante o singleplayer; Dublagem precária dos figurantes.[/list]
Fonte: Outer Space
Pedro Hick
Enviado por Pedro Hick
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