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Análise do jogo "The Witcher 2: Assassins of Kings" para X360 escrito por Outer Space

Escrito por Outer Space, nota 8 de 10, enviado por Pedro Hick,
The Witcher 2 Assasins of Kings: Enhanced Edition, é antes de tudo, um jogo grandioso. O RPG de ação trata ambiciosamente de temas complexos, é tecnicamente primoroso em sua execução e apresenta uma história repleta de momentos instigantes e memoráveis. Quase um ano após o lançamento da versão para PC, que contabilizou mais de um milhão de cópias vendidas, a edição para Xbox 360 chega ao mercado com conteúdo adicional, principalmente no que se refere a missões extras. Embora apresente ainda alguns defeitos, trata-se de uma experiência audiovisual interativa extremamente recomendável. [b]O Assassino de Reis[/b] The Witcher 2 é baseado na série de livros de fantasia medieval homônima escrita pelo autor polonês Andrzej Sapkowski. O universo criado pelo escritor é um fenômeno pop no país europeu, e desde o lançamento nos anos 90 já foi adaptado para séries televisivas, quadrinhos e cinema. O protagonista do jogo é Geralt de Rivia, o tal feiticeiro do título. No mundo do jogo, vive-se uma Idade Média povoada por criaturas fantásticas como elfos e anões, além de magia e monstros de variadas estirpes. Nesse ambiente, os feiticeiros são caçadores de monstros que desde a infância passam por um treinamento especial nas artes marciais e espirituais, a fim de torná-los peritos assassinos. O grande diferencial de The Witcher 2 é o tom pesado com que a história é narrada. No mesmo embalo do seriado Game of Thrones (da HBO), todos esses contornos de fantasia, que poderiam propiciar uma experiência colorida e escapista, são aqui manchados por sexo, sujeira e violência. Aliás muito sexo, sujeira e violência. Claro que The Wichter 2 não é o primeiro jogo a tratar de temas como assassinatos de nobres e disputas políticas. Final Fantasy Tactis do PSone, por exemplo, já falava do assunto de maneira que não subestimava a inteligência do jogador, mas em Witcher, até pela capacidade gráfica da geração atual de consoles, é difícil não ficar chocado por alguns acontecimentos da trama. Trama essa que começa com Geralt prisioneiro. No calabouço, o protagonista é interrogado por Vernon Roche, agente especial do recém falecido Rei Foltest. A partir dessa conversa vão sendo mostrados os acontecimentos que levaram Geralt a essa situação. Espécie de guarda-costas e amuleto da sorte de Foltest, Geralt acompanhava o Rei de Temeria na batalha de La Valette, estado que promovia uma revolução contra a coroa usando os filhos bastardos de Foltest como ferramenta política. Durante o assalto, Geralt e Foltest são separados do restante do exército e, num grande momento do jogo, o Rei é assassinado por um misterioso Witcher, que escapa e deixa Geralt como principal suspeito do crime. Solto por Roche, que acredita na versão de Geralt, a missão do feiticeiro é limpar seu nome encontrando o verdadeiro culpado. Assim, Geralt ficará livre para viver na companhia de sua amante Triss Merigold. Claro que isso não será coisa simples, e pelos próximos três longos capítulos, Geralt se meterá em conflitos políticos, matará centenas de inimigos e fará bastante sexo. [b]Mundo empolgante, combates nem tanto[/b] A apresentação do mundo de Witcher 2 é soberba. Os pântanos, torres, cavernas e florestas estão dispostos com muita naturalidade, dando uma sensação de realidade convincente. Os gráficos da RED Engine levaram o Xbox 360 ao limite de sua capacidade e constantes loadings são o preço a se pagar por essa beleza. Inclusive o jogo sugere a instalação no HD do console para uma melhora visual e diminuição dos tempos de carregamento. O capricho no visual não fica somente nas paisagens. Todos os personagens são muitíssimos bem animados e detalhados. O corpo coberto de cicatrizes de Geralt dá a impressão que cada marca foi conquistada numa batalha mortal. O mesmo pode se dizer do figurino dos personagens. No continente pobre em que vivem, as armaduras dos nobres são elegantes e bem construídas, enquanto um soldado raso mal veste um pedaço de ferro batido. Outras raças também têm roupas e comportamentos únicos e bem construídos. Tudo baseado numa combinação de fantasia com realismo histórico. A trilha sonora, apesar de não comprometer, também não empolga. Ouve-se muito aquele fundo musical genérico de guerras ou mistérios, porém é difícil se encantar por algum tema específico, como acontecia com freqüência nos bons tempos dos JRPGs. Toda essa qualidade técnica não serviria de muita coisa se The Witcher não fosse também bom quando jogado. E a produção entrega uma jogabilidade bem feita, que frustra o jogador raramente. Isso acontece, em geral, quando é preciso achar o ponto exato para acionar o comando de subir alguma escada ou examinar um determinado item. Mas é no combate que reside o tema mais polêmico do jogo. Geralt simplesmente não luta o bastante. Até por ser baseado numa série de livros, e ter um gigantesco volume de texto a ser assimilado, Witcher 2 passa tanto tempo em conversas, diplomacias e exploração de ambientes que não é de se espantar se o feiticeiro passar meia hora sem tirar a espada da bainha. E isso é uma pena, já que Geralt carrega duas enormes espadas que mereciam cortar mais. Uma, de aço, é usada para inimigos humanos, e outra de prata para o combate de criaturas fantásticas. Além dessas armas, Geralt conta em seu arsenal com um grupo de cinco feitiços, bombas e armadilhas, além de armas arremessáveis. Parece bastante coisa, e realmente é. Mas muitas lutas são resolvidas simplesmente com a alternação entre ataque forte, ataque rápido e bloqueio. Um ponto extremamente bacana e criativo é o uso de poções por parte do jogador. Ao invés de ser um antídoto para alguma mudança de status ou para recuperar energia, Geralt usa as poções antes dos combates, que lhe darão algum determinado bônus, ou até mesmo a capacidade de enxergar no escuro. O poder de fabricar essas poções é uma boa sacada do jogo, mas ter que ficar colhendo as ervas necessárias a todo tempo é um tanto maçante. O pior de tudo é que assim como poções, Geralt também pode fabricar equipamentos em ferreiros, mas isso te obriga a fazer um chatíssimo gerenciamento de inventário. O jogador vai recolhendo os itens espalhados pelos cenários, mas com freqüência tem que ficar escolhendo quais itens e em que quantidade vai descartá-los. Parece mais um fator realista do jogo, mas no fim é só perda de tempo. Outro ponto que vale a consideração é o sistema de upgrades do personagem. Assim como em vários RPGs ocidentais (Skyrim, Fallout) fica por conta do jogador decidir entre quais benefícios escolher ao subir de nível. Mas o problema é que os bônus não são muito palpáveis. Depois de arduamente terminar uma missão, ficar na dúvida entre melhorar em 5% sua capacidade de desviar de flechas, ou em 1% sua capacidade de matar subitamente um inimigo, não tem graça. A evolução de Geralt não costuma aparecer nitidamente. Se em antigos JRPGs você observava que do nível 1 ao nível 70 o dano e a vitalidade do personagem aumentavam estratosfericamente, aqui Geralt já surge como um veterano de batalhas muito poderoso, que vai ser basicamente igual ao fim de quarenta horas de jogo. [b]Entre um dialogo e outro, muito a se fazer[/b] A possibilidade da escolha do jogador ditar os rumos do jogo, uma característica comum aos RPGS ocidentais, é muito presente em The Witcher 2. A cada decisão (que em geral não são tão maniqueístas) tomada, um caminho é aberto e outro é definitivamente fechado. Uma escolha específica ao fim do capitulo 1 muda completamente o que será o jogo em diante. Muito do valor de "replay" aqui está na possibilidade de fazer as coisas diferentes e ver a história por outro ângulo. Enquanto não avança com a história principal do jogo, Geralt tem bastante o que fazer nas vívidas cidades que visita. Caçar monstros por recompensa, matar tempo no bar, participar de inúmeras sidequests ou explorar ambientes selvagens. Sem graça mesmo só os jogos de dados, e os minigames de queda de braço ou de luta livre. Esse, apesar de bem coreografado, rapidamente fica repetitivo. Os momento de stealth, em que Geralt precisa passar despercebido, empolgam. Uma mudança bem vinda depois de horas de conversa ou duelos de espada. --- A saga de Geralt é um convite extremamente imersivo a um conto maduro em que sexo, política e violência ajudam a contar a história, e não estão lá somente para chamar a atenção. Witcher 2 é um jogo que se sustenta principalmente pela ambientação fantástica e atraente, e pela magnífica forma como é executado. Desde pequenas detalhes visuais, como as folhas bem modeladas numa árvore, até o ótimo trabalho de dublagem. Um combate ou outro pode ser repetitivo ou algum ponto na mecânica talvez não agrade. Mas esses não são motivos para afastar o jogador, que se tiver paciência vai acompanhar um ótimo RPG, repleto de personalidade. [b]Prós[/b][list] A história madura e envolvente; Execução técnica, gráfica e sonora muito competente; A possibilidade de escolha, levando a diferentes caminhos; Há muito que fazer, e o conteúdo gigante convida o jogador a uma segunda partida.[/list] [b]Contras[/b][list] Gerenciar o inventário é chato; Longos intervalos sem batalhas; Minigames sem graça;[/list]
Fonte: Outer Space
Pedro Hick
Enviado por Pedro Hick
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