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Análise do jogo "Super Mario Sunshine" para GC escrito por Outer Space

Escrito por Outer Space, nota 9 de 10, enviado por Giordano Trabach,
Quem não se lembra de Mario 64, lançado em 23 de Junho de 1996 para o Nintendo 64? O título foi a primeira incursão do bigodudo no universo dos jogos 3D e causou um frenesi em toda a indústria. A genialidade de Shigeru Miyamoto transformou a aventura do encanador italiano em um dos melhores, mais revolucionários e mais copiados jogos de todos os tempos. Lançar outro jogo de Mario com as sempre altas expectativas em cima da série não é tarefa fácil e a Nintendo sabe disso. Tanto que demorou 6 anos para conceber um sucessor à altura, que tinha o objetivo de trazer de volta todo o encanto e magia para seu novo console, o GameCube, e ajudá-lo a se destacar perante os concorrentes Xbox e Playstation 2. [t1]Férias frustradas[/t1] Super Mario Sunshine foge à tradição da série no tocante à história, que desta vez não se passa no célebre Reino dos Cogumelos. O enredo do jogo é mais ou menos esse: Em suas merecidas férias, Mario está viajando em companhia da Princesa Peach e seus asseclas (aqueles cogumelos com cara de gente), e decide parar para curtir as delícias da Ilha Delfino, um resort completo com comida típica, parque de diversões e muito sol de verão. Seu avião desce na ilha e, é claro, as coisas começam a dar errado. Um vilão cheio de más intenções, disfarçado de Mario, está espalhando a poluição pelo paraíso tropical, e Mario é injustamente acusado de estar ocasionando o problema, sendo julgado e condenado a limpar a ilha até que toda a sujeira vá embora. A história, como não poderia deixar de ser, serve apenas como um pretexto para a ambientação do jogo e ao tema escolhido pela equipe da Nintendo. [t1]Mario 64 2[/t1] Muito se falou e se especulou sobre Super Mario Sunshine. Antes de ser lançado, alguns disseram que ele seria uma cópia de Sonic Adventure, outros chegaram a sugerir que o jogo seria tão revolucionário que utilizaria imagens estereoscópicas (como nos cinemas 3D da Disney e Universal) para chamar a atenção dos jogadores. O fato é que nada disso aconteceu. SMS é uma continuação natural de Mario 64, utilizando-se da base do antigo jogo para N64 para construir o novo mundo ensolarado e virtual desta aventura. A estrutura é a mesma, com fases não lineares que podem ser acessadas via portais, como acontecia com os quadros de Mario 64. Você volta às fases diversas vezes, e para cada missão completada, ganha uma "shine sprite", o equivalente às estrelas da aventura de 1996. A ilha que você está (Isle Delfino), que corresponde à parte principal do mapa, é o equivalente ao castelo da versão para o N64. E, talvez numa referência implícita ao seu predecessor, SMS possui 8 fases, cada uma com 8 desafios. Multiplicando 8X8=64. Ato falho, coincidência ou homenagem ao jogo que mudou o gênero de plataforma para sempre? [t1]Competência myiamotiana[/t1] A grande inovação de Super Mario Sunshine está na água. Logo no início do jogo, Mario conhece o seu companheiro inseparável na aventura, uma bomba de água robótica chamada F.L.U.D.D. Ela te dá dicas para progredir no jogo e é o principal insumo no quesito jogabilidade. Com F.L.U.D.D. você pode bombear água para limpar paredes, acertar o inimigo ou até mesmo dar pequenos vôos quando ela está na posição "hovercraft". Mais para frente, outros bocais para F.L.U.D.D. ficam disponíveis, e você poderá subir aos céus como um foguete ou chegar a super velocidades. ?? impressionante como a Nintendo se preocupa em tornar cada jogo seu uma experiência mágica para o jogador, unindo diversão, qualidade, atenção aos detalhes e variedade, atendendo a todos os estilos e gostos. Mario Sunshine é um daqueles jogos feitos para toda a família mesmo, em que qualquer um, como um mínimo de paciência e boa vontade, pode se divertir por horas a fio. Você poderá até ficar frustrado às vezes, por não ter habilidade o suficiente para passar de algum lugar ou por não descobrir como chegar ao objetivo da fase. Mas, certamente, reclamar do controle é uma grande heresia. SMS é perfeito e preciso na jogabilidade e design das fases, e está anos-luz à frente da concorrência no gênero plataforma. Um exemplo clássico do que a equipe da Nintendo é capaz são os chefes de fase. Os existentes em Mario Sunshine esbanjam carisma e o método para se dar cabo deles é sempre muito inteligente e divertido. Todos imitam, mas nenhuma produtora hoje no mundo sabe fazer chefes tão bacanas. O design das fases também é muito bem elaborado. Ao jogar SMS, fica claro que a equipe que fez o jogo foi dividida em sub-grupos para compor, separadamente, cada fase. ?? uma maneira, bem típica de Shigeru Miyamoto, de estimular a criatividade e competição entre seus comandados, e implementar novas e empolgantes idéias no jogo. O resultado final, feito com uma coordenação brilhante de nosso guru, é sempre excelente. [t1]Planeta água[/t1] Já se falou muito do visual de Super Mario Sunshine. Uns gostaram, alguns dizem que o jogo não tem nada demais e outros sempre se referem a ele como Mario 64 em alta resolução. Estas denominações são injustas com o trabalho artístico e técnico feito pela Nintendo. Os gráficos e animações são até parecidos com os de Mario 64 sim, mas é claro, o hardware do GameCube dá vida a diversos efeitos espetaculares e um ambiente muito mais vasto, detalhado e bonito, em alta resolução. Não há aqui texturas fotorealísticas, exuberância de efeitos especiais de luz ou a tentativa de se copiar a realidade, mas Mario Sunshine tem seu estilo próprio, ambientado em locais vastos e ensolarados, sempre com muita água por todos os lados. Apesar de parecer um detalhe bobo, as diversas maneiras com que Mario utiliza o poder da água fazem toda a diferença no jogo. A criatividade dos designers da Nintendo, assim como o líquido, parece não se esgotar. E graças ao poder do hardware do GameCube, somos brindados com os efeitos de água mais realistas já vistos em um videogame. ?? ver para crer. O GameCube também propicia novas formas de jogabilidade e diversão, antes impossíveis no Nintendo 64. A física, por exemplo, é sensacional, e deve consumir boa parte do processamento do console. Ver o jogo em movimento é um colírio para os olhos. Tudo é muito coerente com a proposta do jogo. [t1]Músicas e lições[/t1] As músicas de Mario Sunshine são no velho estilo Mario, adaptadas ao ambiente tropical. Temos uma mistura de ritmos muito bem dosados, com salsa, jazz e pitadas de samba, sem contar com a excelente música tema da série, que foi totalmente rearranjada e que evoca nostalgia nos mais velhinhos. Outra característica que merece menção é a preocupação constante de passar uma mensagem para a criançada. Como, por exemplo, na fase em que Mario deve usar sua bomba d'água F.L.U.D.D para limpar os dentes de uma enguia que é o chefe da fase. Com o objetivo cumprido e o monstro derrotado, o jogo deixa o recado: "Lembre-se de escovar os dentes sempre!". Até mesmo o objetivo principal, que é limpar a sujeira, tem seu papel educativo. [t1]A parte ruim[/t1] A Nintendo parece ter se adaptado aos tempos modernos, onde um jogo não deve ficar mais de 2 anos em desenvolvimento consumindo muito dinheiro e grande parte de sua equipe. Por causa desta aparente nova filosofia, Mario Sunshine tem lá os seus defeitos, destoando um pouco do perfeccionismo da empresa. O maior exemplo disso é a câmera, que pode ser rodada livremente pelo jogador, mas que em algumas localidades, te deixa em uma enrascada, bloqueando sua visão com polígonos e não permitindo que você veja adequadamente o cenário e os inimigos. Nitidamente, vê-se que não houve tempo para consertar este problema, que incomoda muitas vezes. Outra observação de menor importância refere-se a alguns bugs detectados durante a nossa jogatina, raros em jogos da Nintendo. De repente, por exemplo, a câmera começa a girar sozinha e temos que reinicializar o console para sanar o problema. Mas o ponto mais polêmico de Super Mario Sunshine é a dificuldade alta, que não faz sentido em um lançamento direcionado para todos os tipos de público. Há algumas fases que são extremamente difíceis de serem transpostas, tamanha a precisão dos movimentos, inteligência dos puzzles e a paciência que você deve cultivar. O fator frustração, mais uma vez, está presente em larga escala. Certamente, uma criança não conseguirá evoluir satisfatoriamente no jogo. A impressão final que Super Mario Sunshine deixa é que o seu lançamento foi adiantado para ajudar na consolidação do GameCube em todo o planeta. Pela falta de tempo, nota-se que boa parte das idéias foi roubada de Mario 64 e aperfeiçoada com a experiência e a tecnologia mais avançada. Mas de qualquer forma, isso não tira o brilhantismo da equipe da Nintendo, que mais uma vez mostra ao mundo o seu talento e competência na arte de fazer jogos divertidos e com amplo uso de massa cinzenta. [t1]O Veredicto:[/t1] Tem pontos fracos, mas no gênero plataforma não existe e nem existirá tão cedo nada mais belo, inteligente, criativo e divertido do que Super Mario Sunshine. Este jogo exala qualidade em todos os elementos de sua construção e é melhor do que o clássico Mario 64 em todos os aspectos possíveis e imagináveis. Sua futura influência na indústria gamística, entretanto, estará muito aquém da que teve Mario 64 seis anos atrás. [t2]Prós:[/t2] + Gráficos e animações excelentes e coerentes com a proposta do jogo; + O trabalho artístico da Nintendo é excelente; + Mensagens propositivas e lições de moral para crianças e adolescentes; + Uso da água é soberbo; + A velha e excelente jogabilidade da Nintendo; + Design das fases; + Controle é perfeito; + Cheio de segredos; + Chefes muito bacanas. [t2]Contras:[/t2] - Câmera apresenta problemas sérios em algumas partes do jogo; - Muitas idéias foram copiadas de Mario 64; - Dificuldade elevada pode afugentar os mais novos; - Frustração altíssima; - "Bugs".
Fonte: Outer Space
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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