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Análise do jogo "Max Payne 3" para X360 escrito por Outer Space

Escrito por Outer Space, nota 7 de 10, enviado por Pedro Hick,
Max Payne veio a São Paulo trazendo uma camisa com estampas tropicais, típica de um turista em busca de diversão no Brasil. Mas aqui o herói irá descobrir que o Bahamas fechou, o sanduíche de mortadela ficou caro e um monte de gente está disposta a tornar sua estadia na terra da garoa ainda pior que seus dias em NYC. A mudança do cenário é um privilégio para os brasileiros, que poderão rir dos palavrões em português e finalmente ver um lugar familiar em um jogo de videogame, desta vez sem os estereótipos absurdos que costumam ser associados ao país. Há, sim, algumas incoerências na recriação da capital paulista em Max Payne 3, mas a Rockstar mostrou mais uma vez que criar personagens realistas e embutir boas referências culturais em jogos é uma arte que ela parece dominar sozinha nesta indústria. [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=pY1JJlPSiXY&feature=player_embedded[/youtube] [b]Max Payne é o car****![/b] A Rockstar fez bem o dever de casa na hora de recriar São Paulo. Peculiaridades da cidade, como o trânsito intenso de helicópteros, o horizonte dominado por prédios, a arquitetura feia e, principalmente os contrastes entre pobreza e ostentação são mostrados logo na primeira cena, quando Max observa a cidade do alto de um prédio e introduz ao jogador seu patrão, Rodrigo Branco, um rico empresário do setor de construção, casado com uma alpinista social, irmão de um político e de um playboy. Na sequência, Max também conhece o estilo de vida do paulistano indo à "balada" de helicóptero e ao estádio do Corinthians, ou melhor, do Galatians. O passeio obrigatório pela favela, mais tarde, é o ponto alto do jogo, não apenas por conta do tiroteio, que se torna mais interessante, mas pela recriação impecável do cenário, que é um dos mais bem feitos vistos nesta geração. As situações que Max presencia na comunidade, como um assalto, traficantes soltando rojão para sinalizar a chegada de intrusos, moradores fechando as janelas com medo, e até um encontro cômico com um americano que frequenta um puteiro local -- por ser o mais barato de São Paulo -- são realmente espectaculares e fiéis à realidade. Sem querer estragar mais surpresas, neste momento é possível ver que o pessoal da Rockstar estudou muito bem o Brasil, colhendo referências em filmes como Tropa de Elite às páginas policiais, como no caso do traficante Elias Maluco. Naturalmente, há mais palavrões em Max Payne 3 que em toda pornochanchada dos anos '80, portanto que esperava ouví-los pode ficar tranquilo e se preparar para rir bastante. Os méritos da Rockstar na dublagem e recriação dos ambientes superam facilmente suas falhas corriqueiras. Além da licença poética em vários momentos, como em uma perseguição pelo rio Tietê que parece ser no rio Amazonas, a produtora deixou escapar alguns defeitos que devem chamar a atenção do público brasileiro, como a camisa do fluminense em plena favela de São Paulo, algumas pessoas falando português robótico e correto demais e até um ou outro momento em que se ouve português com sotaque de Portugal. Em outra ocasião, Max também comete uma gafe, dizendo que remédio para Malária seria mais útil que seus corriqueiros "health packs", sem saber que essa doença está praticamente extinta em São Paulo há décadas. A trilha sonora, onde os jogos da Rockstar sempre se destacam, também é excelente em Max Payne 3. Além de boas músicas incidentais para aumentar a tensão, é possível escutar sambas em rádios vindos de uma casa na favela e o hip-hop do Emicida, que inclusive escreveu uma música especialmente para o jogo. [b]Eu sou brasileiro e não morro nunca[/b] Alguma coisa acontece quando Max Payne cruza a Ipiranga e a Avenida São João, e geralmente é um tiroteio. Mesmo com ambições muito maiores que nos jogos anteriores, Max Payne 3 não é um "reboot" para a série, muito menos uma tentativa da Rockstar de transformá-lo em mais um mundo aberto no estilo de GTA. A produtora manteve o tiroteio como o único elemento da jogabilidade, e não abandonou características clássicas dos anteriores, como o hoje fora de moda efeito "bullet time". Como todo jogo de tiro pós-Gears of War, a ação em Max Payne 3 se baseia em procurar cobertura, mirar e atirar. Essa mecânica é repetida à exaustão por longas sequências de tiroteio, intercaladas entre as cenas de corte características dos jogos da Rockstar. Os controles respondem muito bem e a jogabilidade é aquela típica de outros jogos neste estilo: boa em um momento, porém limitada e repetitiva demais com o passar do tempo. Max terá um arsenal um tanto limitado à sua disposição, com variedades de metralhadoras, rifles, escopetas e revólveres que pouco alteram a forma com que ele elimina seus inimigos. Eventualmente, o herói terá uma pistola silenciada, um fuzil de precisão e até um lança foguetes em suas mãos. Essas seriam oportunidades para a jogabilidade mudar para o "stealth", o tiro preciso ou a explosão de tudo no cenário, mas isso não acontece e tudo permanece no velho tiroteio. A existência do "bullet time" quebra um pouco a rotina no combate. Sempre que o medidor de adrenalina de Max está carregado é possível colocar a ação em câmera lenta para disparar tiros mais rápidos e certeiros, ou dar um salto cinematográfico para se esquivar. Esse recurso permite sair por um momento da cobertura e confrontar os inimigos, desde que o cenário permita uma movimentação maior. Porém, na maioria das vezes, o jogador estará buscando um lugar para se esconder e limpando a tela, um inimigo de cada vez. Uma boa inteligência artificial permite que os inimigos mudem de posição, tentem cercar o jogador e assumam posturas mais ou menos agressivas. É comum ser surpreendido por um inimigo vindo pelos flancos, e algumas sequências são especialmente complicadas pela dificuldade de conter a movimentação dos marginais. Porém, a maior virtude dos algozes de Max não está no cérebro, mas sim na incrível capacidade de absorver tiros sem tombar. Os corintianos aqui são durões, capazes de levar um tiro de escopeta no peito e sequer cambalear. O jogador terá que descarregar um pente de balas inteiro para eliminar um capanga, ou esperar que um tiro bem no meio da testa seja fatal. Quando rolarem os créditos, o jogador terá a sensação de ter matado meia torcida do Corinthians, sempre da mesma forma. Falta variedade e progressão na jogabilidade de Max Payne 3. O jogo apresenta a mesma situação de tiroteio, com a mesma intensidade, da primeira à última missão, às vezes com uma ou outra batalha mais difícil, mas sem uma evolução balanceada no desafio. [b]Perdeu preiboy[/b] O multiplayer de Max Payne 3 ocorre nos mesmos locais da história principal. As modalidades não se diferem muito das encontradas em outros jogos de tiro em terceira pessoa, a não ser pelo "Gang Wars". Neste, os jogadores formam equipes e ao invés de saírem se matando, precisam completar determinados objetivos. O interessante é que tudo isso segue a história do modo principal, o que acaba servindo como uma espécie de modo cooperativo e competitivo ao mesmo tempo. Outra novidade curiosa é a implementação do "Bullet Time" nas partidas online. Ninguém imaginava como a possibilidade de retardar o tempo funcionaria com vários jogadores, e a verdade é que isso funciona melhor na teoria do que na prática. Reduzir a velocidade do tempo afeta todos durante a partida, o que é chato para quem não este realmente envolvido com a ação no momento da câmera lenta. Por sorte, o uso do "Bullet Time" foi muito reduzido nas partidas multiplayer, tornando-o uma habilidade especial muito parecida com os "perks" dos jogos de tiro em primeira pessoa. Max Payne 3 se sobressai em itens que a Rockstar já provou que domina -- como a ambientação e a construção de personagens --, mas se mostra um jogo bastante repetitivo e ultrapassado na jogabilidade. A recriação de São Paulo é muito bem feita e há momentos realmente marcantes e que seguram a atenção, como a parte em que Max vai à favela. Porém a ação se alinha com os monólogos depressivos do protagonista, apresentando um único tom que se repete por tempo demais. Prós[list] Ótima reprodução de São Paulo; Personagens interessantes; Palavrão à vontade; Visual incrível nas partes mais caprichadas; Jogabilidade sólida.[/list] Contras[list] Mas um tiroteio muito repetitivo; Várias armas, mas pouca mudança na prática; Momentos frustrantes; Desafio não evolui de forma balanceada.[/list]
Fonte: Outer Space
Pedro Hick
Enviado por Pedro Hick
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