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Análise do jogo "Lollipop Chainsaw" para X360 escrito por Outer Space

Escrito por Outer Space, nota 6 de 10, enviado por Pedro Hick,
Falar de um jogo do designer japonês Suda 51 é deitar e rolar em clichês. Não tem como deixar de fora adjetivos como "bizarro", "estranho" e "único". Lollipop Chainsaw é mais um jogo que reforça a imagem de "doidão" de 51, tendo como premissa uma cheerleader que gosta de caçar zumbis com uma motosserra. Mas apesar de apresentar uma protagonista tipicamente norte americana e um tema que pode agradar ocidentais, a jogabilidade e o enredo mostram fortes características dos jogos japoneses. [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=UQGuI3hbppA&feature=player_embedded[/youtube] [b]Bonitinha, mas ordinária[/b] Lollipop Chainsaw gira em torno das aventuras de Juliet, uma líder de torcida que vê a cidade sendo atacada por zumbis exatamente no dia em que ela comemora 18 anos. Por um mero acaso rotineiro na vida de uma adolescente, a garota vem de uma tradicional família de caçadores de zumbis e, por isso, não tem medo algum destas mal-amadas criaturas. A história começa a ser contada em meio ao ataque de zumbis, justamente quando seu namorado está esperando-a em uma praça perto da escola e ela precisa ir o mais rápido possível resgatá-lo. Ao chegar ao local, Julie encontra seu amor sendo devorado pelos inimigos. Para evitar que o vírus o transforme em uma criatura maligna, a ninfeta protagoniza o inesperado: um ritual mágico onde ela arranca a cabeça do coitado e passa a usá-la como talismã pendurado em sua curta saia. Após esse evento revelador, ela e a cabeça do amado decidem enfrentar os diversos espíritos malignos libertos por um emo pervertido que estudava na mesma classe e que pretende acabar com o restante da humanidade. Para colocar sua vingança em prática, Juliet sairá decepando cabeças com seus pompons de "cheerleader" e uma estilosa motosserra rosa decorada com corações. Por algum motivo surreal, toda essa loucura descrita aqui parece que faz muito sentido na cabeça de Suda 51 e misteriosamente se encaixa perfeitamente no jogo. Na verdade, os problemas do título desta vez estão ligados à jogabilidade e não ao roteiro que, de certa forma, é um tanto divertido. [b]Socos, pulos e uma motosserra descontrolada[/b] Toda maluquice de Lillipop Chainsaw seria ótima se a jogabilidade não fosse exaustivamente repetitiva. Inicialmente o jogador tem apenas os dois golpes mencionados para escolher: os pompons ou a serra elétrica. Os golpes de pompom são de médio alcance, o que permite defender-se de um inimigo mais rapidamente enquanto a serra elétrica, aparentemente, serviria para atacar em curto alcance. Isso na teoria, porque na prática, bem como na vida real, tudo é facilmente resolvido com meia dúzia de serradas. A serra elétrica tem o poder de decepar membros e é a responsável pela finalização dos mortos-vivos, então atacar com os pompons é uma ação mais estética do que funcional. Isso se descobre facilmente após jogar a primeira fase e descobrir que os socos não estão surgindo o efeito esperado. No decorrer das fases o jogador encontrará as maquinas de conveniência que vendem desde roupas (ou menos roupas... você compreendeu) até novos combos para as batalhas. Ao adquirir os combos, novas sequências de golpes são disponibilizadas e agora Juliet não fica apenas nos socos e serradas, mas também consegue dar chutes no ar seguidos de rolamentos e, claro, finalizando com um golpe da serra elétrica. Só que tudo isso é lindo para os olhos e indiferente para a jogabilidade. No desespero, sair apertando o botão da serra enquanto anda na direção dos inimigos funcionará muito bem. Quando se está cercado basta apertar a esquiva e recomeçar o processo. Volte e meia os produtores tentaram (sem sucesso) dar um descanso para a jogabilidade problemática adicionando alguns eventos diferentes, mas essas mudanças são pouco atrativas. Seja pilotando sua motosserra como se fosse uma moto ou apertando botões aleatórios no melhor estilo QTE, as tentativas de inovar acabaram divertindo pouco e o ataque fica na mesmice até o fim da história. [b]Olha a boca, menina![/b] O mais divertido de Lollipop Chainsaw são os diálogos recheados de sacanagem e duplo sentido ou, até mesmo, sem pé nem cabeça. Ao longo da jogatina, Juliet mantém uma conversa animada com seu namorado que rende momentos hilários. Os chefes de fase, por sua vez, deixam o duplo sentido de lado e apelam para palavrões que farão sua avó questionar a educação que seus pais lhe deram. Neste ponto é bom ressaltar o empenho da equipe responsável pelas legendas em português brasileiro. Algumas expressões de baixo nível em inglês não teriam um significado compreensível ou com o mesmo impacto em português e, por isso, foram substituídas por xingamentos semelhantes que mantém o mesmo nível da podridão gringa. Os estudantes da escola de Juliet garantem momentos únicos quando são resgatados pela líder de torcida. As frases vão de agradecimentos emocionados até comentários tolos e estereotipados como "Espera, precisamos encontrar meu brilho labial". A parte gráfica é bonita e nostálgica. Logo de cara somos tomados por uma sensação gostosa, como se estivéssemos ligando uma versão turbinada do Dreamcast. Os gráficos super coloridos mesclados com a ação típica dos jogos japoneses garantem um ambiente agradável até mesmo no cenário linear de beat'em up que o título apresenta. Como todo bom roteiro japonês em que a protagonista é uma mulher, Lollipop Chainsaw esbanja sensualidade. Juliet sempre está vestindo o mínimo possível de roupas e tudo que é situação em que ela se mete gera algo constrangedor, como a cara de alguém socada no meio dos peitos dela ou uma mordida na bunda dada pelo namorado. Assim como em Catherine e Bayonetta, grande parte do apelo do jogo vem da heroína e, sem medo de errar, é possível dizer que ele não teria metade da graça se fosse um jogador de futebol usando uma motosserra. --- Suda 51 teve mais uma boa ideia e conseguiu mostra-la com maestria na composição dos personagens e do enredo, porém não soube desenvolver a jogabilidade de forma menos repetitiva e mais original. Matar os zumbis é uma tarefa enfadonha de esmagar botões que requer tanta atenção quanto respirar. Porém, ainda é possível dar boas risadas graças às situações absurdas que Juliet se mete, e os diálogos entre ela e seu namorado são de grande valia durante a jogatina. [b]Prós[/b][list] Personagens carismáticos e divertidos; Diálogos engraçados; Enredo divertido mesmo sem pé nem cabeça.[/list] [b]Contras[/b][list] Batalhas se resumem a esmagar botões; Habilidades inúteis.[/list]
Fonte: Outer Space
Pedro Hick
Enviado por Pedro Hick
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