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Análise do jogo "Hitman: Absolution" para X360 escrito por Outer Space

Escrito por Outer Space, nota 6 de 10, enviado por Anônimo,
O agente 47 sempre foi um ícone quando o assunto é assassino profissional. Ele se mistura na multidão, mata seu alvo e sai do local sem chamar a atenção, tudo com a frieza de um iceberg. Essa conduta foi um ponto marcante nos títulos anteriores, porém, em sua mais nova missão, o protagonista apresenta traços mais humanos, revelando inesperadamente que tem sentimentos. Mas o que acontece quando se tenta por um coração em um assassino? Obtêm-se um jogo entediante como Hitman: Absolution. O novo episódio da série Hitman traz muita coisa que agradará os jogadores que se divertiram nos títulos anteriores, porém os pontos em que ele tentou inovar acabaram se tornando os defeitos de seu retorno à geração atual. O sem sentimentos agora sente compaixão O problema de Hitman: Absolution começa pela história. Todos os títulos da série tiveram uma trama, mas ela sempre foi algo irrelevante porque o agente 47 é o que há de mais profissional em sua área e não importa se ele está atrás do maior traficante de drogas da América Central ou apenas precisa deter uma vovozinha empanturrando seu neto com açúcar. Ele irá matá-los com a mesma sagacidade e carga emocional nula. Em Absolution, o 47 precisa matar sua auxiliar que sempre o ajudou na organização. Porém, na hora de apertar o gatilho, seu coração amolece. Ele descobre que uma criança que esta auxiliar ajudou a sair da agência está correndo risco de vida, e isso é suficiente para fazer o mais durão dos assassinos se voltar contra a agência com o intuito de ajudar a pobre garota. Para piorar, em diversos momentos do jogo a trama parece perder totalmente o sentido. A jogatina é interrompida por gigantescas cenas de corte de diálogos tediosos, onde muita coisa interessante poderia ser adicionada. Liberdade assistida Uma das coisas mais legais de Hitman era a liberdade de suas fases. Elas eram grandes e nada lineares, permitindo que o jogador encontrasse a melhor forma para furar o cerco e eliminar seu alvo. Isso mudou um pouco em Absolution e, como é de se esperar, mudou para pior. Todas as fases ainda dão inúmeras oportunidades de eliminar seu alvo, o que é ótimo. É possível atirar com um rifle de precisão na cabeça da vítima, envenená-la ou até empurrá-la penhasco abaixo. O problema é que na maioria das missões o caminho até o alvo é bastante linear. Invadir uma mansão, por exemplo, pode significar caminhar por um longo túnel de esgoto e depois andar por extensos corredores que ligam alguns cômodos. Claro que é possível voltar para o cômodo anterior – e o jogo te dá essa liberdade –, no entanto é inútil voltar para qualquer local que já foi explorado. Não é como em Blood Money, por exemplo, em que o agente pode entrar em uma parte do prédio, matar todos, voltar e invadir o outro lado e seguir anônimo graças aos disfarces. Aqui um setor que passou é um setor a menos e bola para frente. Por sorte, algumas fases são longas o suficiente para terem locais amplos no centro. Em uma delas, por exemplo, é possível visitar um reduto chinês: uma ampla praça repleta de pessoas e policiais onde o jogador pode explorar inúmeras formas de abater o alvo, sempre tentando chamar o mínimo de atenção possível. É interessante ressaltar que todas as fases possuem um contador de pontuação que começa zerado. Completar um objetivo pode dar pontos positivos, enquanto matar um civil que não tem nada a ver com a história dará vários pontos negativos. Algumas ações como pacificar um capanga (fazê-lo desmaiar) dará uma leve pontuação negativa que é equilibrada com o esconder o corpo, zerando o ato ruim. Tudo isso vai para um ranking global dos maiores assassinos, ou seja, indiferente das intenções do jogador, ele sempre estará concorrendo com outras pessoas do mundo todo. A dica é sempre tentar ser o mais furtivo possível. Existe uma novidade que deverá ser um ponto positivo para os novos jogadores, porém negativo para os veteranos da franquia: a barra Instinct. Ao pressionar um botão, tudo fica preto e branco e o agente 47 consegue ver inimigos atrás das paredes, para qual lado eles estão olhando e o caminho que farão de um ponto a outro. É praticamente uma premonição, um sexto sentido. Este poder foi exaustivamente mostrado nos vídeos do jogo como uma nova função de ataque que facilitaria a vida dos jogadores, mas acaba sendo um recurso que anula um dos pontos altos da série, que é o bom nível de desafio. Para os veteranos, há a opção de remover o auxílio do Instinct totalmente, mas isso só é possível jogando no modo mais difícil, chamado Purist. Mas se por um lado torna o jogo um pouco fácil demais, o Instinct também rende situações divertidas de se ver. Assim como em outros jogos de furtividade, ao usar esta opção o jogador entra em uma espécie de bullet time que paralisa o tempo e permite marcar os alvos que serão eliminados assim que o tempo acabar. No final, 47 dispara certeiramente na cabeça de cada um, o que garante imagens chocantes. Além da facilidade do Instinct, a inteligência artificial precária é um item ainda mais preocupante. Quando um inimigo vai atrás do protagonista, mesmo que ele esteja em um corredor reto, basta entrar em um buraco qualquer que estará tudo bem. Ele desistirá de procurar, mesmo que ele esteja atrás de alguém que matou 300 pessoas e deixou os corpos delas espalhados pelo saguão para qualquer um ver. O modo online O modo Contracts é o que mais divertirá aqueles que buscam a velha experiência furtiva crua e básica, além de elementos multiplayer interessantes. Enquanto um modo mata-mata nunca daria certo como multijogador, Contracts transforma o singleplayer em um desafio interessante para os amigos da sua lista. Ele funciona assim: você cria uma fase e escolhe quem será o alvo, que habilidades/armas poderão ser usadas, etc. Depois é só concluir a fase no menor tempo possível e compartilhar com os amigos. Como o próprio nome diz isso se tornará um contrato e eles deverão tentar bater o seu tempo e pontos (lembra-se da pontuação das fases? É a mesma) executando a mesma missão com os mesmos requisitos. O divertido desta modalidade é descobrir que às vezes alguém pode dar uma de azarão e acabar se saindo melhor do que o super assassino. Enquanto fulano executa a missão cuidando para não ser visto, agindo rápido e eliminando o alvo enquanto ele está distraído, o ciclano achará mais fácil chutar a porta e meter logo uma bala no alvo. Por sorte e rapidez, a pontuação do tempo somada com a eliminação certeira e sem a morte de civis renderá mais pontos que o contratado anterior. No fim, o que vale é explorar as possibilidades. Hitman: Absolution é um jogo divertido como todos os outros da série, mas suas inovações são poucas e nem sempre boas. Associar uma história dramática a um personagem que se destacou pela frieza só serviu para descaracterizá-lo, tirando sua personalidade e aquele sentimento de assumir um matador perfeccionista que havia nos outros jogos da franquia. A alta dificuldade de outrora também foi substituída por uma versão bem mais fácil de Hitman graças à invenção do Instinct, que deve frustrar os veteranos desta série. Mas pelo menos o modo Contracts é algo bem feito e capaz de segurar, por um tempo, o interesse por Hitman: Absolution.
Fonte: Outer Space
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