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Análise do jogo "Gravity Rush" para PSVITA escrito por Outer Space

Escrito por Outer Space, nota 7 de 10, enviado por Pedro Hick,
Assim como sua mecânica básica de jogo, que envolve inverter a gravidade, Gravity Rush pode servir para alterar radicalmente a imagem que se tem do PS Vita no mundo. O portátil até hoje foi notícia mais pelo seu desempenho comercial pífio que por bons jogos, mas ao jogar esta aventura desenvolvida pelos estúdios da Sony no Japão será difícil não simpatizar com algumas coisas, como a ideia de ter jogos muito bem produzidos -- que poderiam muito bem existir em um console como o Playstation 3 -- rodando em um portátil. [b]Subindo pelas paredes[/b] É fácil, por exemplo, simpatizar com Kat, a protagonista do jogo, que, como os melhores super-heróis, tem poderes incríveis, mas demonstra suas imperfeições como a timidez e a carência afetiva. O jogo começa com ela acordando e tentando entender quem é e onde está. Logo, ela e o jogador descobrirão seu principal poder, o de alterar a gravidade, fazendo com que "caia" para o teto ou para as paredes ao lado. Alterar a gravidade é a função de um gato preto misterioso que acompanha a heroína por todo tempo. Para o jogador, basta mirar onde deseja que a gravidade atue -- com o preciso giroscópio do Vita ou o stick analógico --, apertar um botão e ver a personagem voar em alta velocidade até lá. Essa alteração gravitacional, porém, tem peculiaridades: ela atua em um campo restrito, afetando Kat e quem estiver em um raio próximo, e misteriosamente não interfere nos cabelos, que são puxados pela gravidade natural e servem para orientar o jogador. O truque também não é infinito, e um medidor na tela irá mostrar por quanto tempo Kat consegue desafiar as leis da física. Poder alterar a gravidade e voar pelo cenário é divertido, visualmente interessante e muito conveniente no ambiente do jogo, uma linda e grande cidade aberta que flutua no espaço. Levar Kat de um ponto a outro da cidade, portanto, não precisa envolver subida de escadas e caminhar por um labirinto de ruas e becos. Basta apontar onde quer "cair" e ver a personagem voar até lá. Embora muito bem bolada e original, a mecânica de alterar a gravidade é mal usada durante o combate do jogo. No começo, Kat poderá se valer de chutes simples para derrotar seus inimigos, mas logo eles terão seus pontos fracos localizados em partes altas demais para serem chutadas, como as costas ou na cabeça de um bicho grande. Aí é necessário alterar a gravidade para levitar, mirar no ponto fraco e realizar um "chute gravitacional". Soa simples, mas ter que levitar e mirar em alvos em movimento é uma rotina chata e muito imprecisa, que desgasta o jogador mais que o satisfaz. Além disso, o combate no jogo parece mais um tapa buraco que algo coerente dentro da história. Em algumas missões não haverá sequer um inimigo, mas em outras eles irão aparecer e simplesmente travar o progresso na fase, demandando a eliminação de todos para prosseguir. Há também chefes de fase que oferecem combates mais difíceis e longos, mas igualmente burocráticos. A ideia de alterar a gravidade também é aproveitada intensamente em algumas fases, quando Kat terá que voar por corredores apertados e deslizar por túneis onde é difícil saber onde está o chão e onde está o teto. Um cenário em particular propõe o desafio de navegar entre paredes em chama, o que é um tanto confuso e desgastante. Para facilitar a vida nos momentos de encontra com monstros, existem poderes especiais devastadores que podem ser acionados de tempos em tempos. Gravity Rush pode ser classificado como um RPG de ação. Há muitos momentos que exigem habilidade com os dedos, mas eles são intercalados por muita história, exploração e desenvolvimento de personagem. O jogador encontrará pedras espalhadas pelo cenário que poderão ser convertidas em melhorias para diversas habilidades, como a força dos golpes, o tempo em que é possível alterar a gravidade ou a resistência física. E como se trata de um jogo japonês, não podia faltar a opção de colecionar e trocar as roupas da protagonista. Assim como o elemento da gravidade, que oscila entre momentos brilhantes e outros nem tanto, o roteiro de Gravity Rush reúne as virtudes e defeitos de um jogo tipicamente japonês. Os personagens, por exemplo, são humanos, bonitos e carismáticos; o cenário da aventura é lindo e surreal; e situações de puro nonsense obviamente são muito comuns. As missões são sempre bastante curtas, como é comum em jogos para portáteis, e começam com tarefas bastante mundanas, como Kat tendo que achar um lugar para tomar banho. Em seguida ela deve encontrar móveis para decorar sua casa, que fica no esgoto da cidade, e logo depois ela estará seguindo um velho estranho que se diz o criador do mundo. Deste ponto, o jogo se desenvolve sem muita coesão por momentos surreais de história e objetivos que não atiçam tanto a curiosidade. [b]Que me desculpem os jogos feios...[/b] Progredir pela história de Gravity Rush vale mais pela beleza que pela história, que é contada de forma muito interessante por quadrinhos que são deslizados com o dedo na tela. O visual cel-shaded apresentado aqui pode ser considerado o mais bonito desde Zelda: Wind Waker, e ver algo deste nível em um portátil é surpreendente, mesmo em comparação com o que há de melhor no iPad. A arquitetura art nouveau, o desenho de Kat, a animação dos personagens e o efeito que transforma objetos distantes em linhas desenhadas são incríveis do ponto de vista artístico e também técnico. Não há jogo mais bonito no PS Vita, nem tantos com a mesma competência artística em plataformas mais habituadas a jogos AAA. A trilha sonora criada por Kohei Tanaka, autor de músicas para inúmeros filmes e animes, mantém o alto nível dos visuais com belas peças clássicas e composições de jazz. Também vale a pena destacar as legendas em muito competente português brasileiro. Gravity Rush é uma agradável surpresa no cenário árido dos lançamentos para PS Vita até hoje. O combate burocrático e o nonsense das missões prejudicam o desenvolvimento do jogo, mas há muito para se gostar aqui, como os belíssimos visuais, a protagonista carismática e a mecânica original de alterar a gravidade. Enfim, um jogo para injetar um pouco de... hmm... vida no PS Vita. Prós:[list] Alterar a gravidade é divertido e prático; Gráficos lindos; Personagens carismáticos; Ótima trilha sonora. [/list] Contras:[list] Combate burocrático; Missões meio chatinhas. [/list]
Fonte: Outer Space
Pedro Hick
Enviado por Pedro Hick
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