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Análise do jogo "Tomb Raider (2013)" para X360 escrito por Lusogamer

Escrito por Lusogamer, nota 9 de 10, enviado por friderino,
1996, ano em que o mundo fica a conhecer Lara Croft e a sua série Tomb Raider, um dos maiores ícones da indústria e uma das figuras de entretimento feminina que mais corações arrebatou. Mas, para além de um símbolo feminino, Lara Croft abriu caminho na indústria como um dos primeiros grandes jogos de ação na terceira pessoa. Durante mais de 15 anos a nossa heroína passou por momentos altos e baixos, mas nunca deixou de espalhar charme por esse mundo virtual, onde foi alvo de muita inspiração. 2013 marca a maior viragem na sua longa história, mostrando-nos uma Lara muito mais humana, e conta-nos uma história diferente do que estamos habituados na série. Será o suficiente para conquistar os olhos e os pensamentos dos jogadores? Tomb Raider é um jogo bem mais obscuro, sangrento, violento e macabro do que Uncharted Após os primeiros momentos do jogo toda a gente que teve a oportunidade de experimentar as aventuras de Nathan Drake na série Uncharted na PlayStation 3 e na PlayStation Vita irá sentir um certo sentimento de familiaridade, com o aspeto cinemático do jogo e uma série de acidentes e coisas a cair bem comuns na série Uncharted. Não se deixem influenciar por estas caraterísticas, por várias razões, principalmente porque seguir o exemplo de quem faz as coisas bem feitas não é um defeito, segundo, o Uncharted também se inspirou nalguns elementos de Tomb Raider e terceiro, Lara Croft é bem mais atrativa que Nathan Drake. Mas agora num jeito mais objetivo, este Tomb Raider é um jogo bem mais obscuro, sangrento, violento e macabro do que Uncharted. É uma história de persistência e coragem, onde assistimos ao renascimento da maior heroína da história dos videojogos. Este Tomb Raider é mais uma história de sobrevivência que todos os outros na série. Lara Croft é uma jovem académica, mas quando se vê perante todos os perigos que a ilha lhe põe à frente, a luta pela sua vida e pelos seus amigos é algo que lhe fará ver e perceber o quanto importante é fazer escolhas difíceis. É tocante a forma como Lara lida com todos estes aspetos de sobrevivência, como a primeira vez que mata um veado para comer, porque estava cheia de fome, pedindo desculpa ao animal. Ou o diálogo que mantém com Roth quando fala sobre as primeiras vidas humanas tiradas com as suas próprias mãos. Todos estes elementos ajudam Lara a crescer e a renascer como uma pessoa cheia de força. Mas é no carisma transmitido pela nossa protagonista que percebemos o quando revolucionário é este reboot. Lara Croft pretende deixar o estigma de ser apenas uma cara e um corpo atraente que a Lara que nos foi apresentada neste título, tem tudo para ser ainda mais memorável e poderosa que qualquer outra Lara Croft apresentada até hoje mexe com o imaginário dos jogadores, mas ser uma personagem carismática e ao mesmo tempo graciosa. Lara passa de personagem sensível a pragmática, onde o seu ar jovial esconde alguém que ganhou uma experiência extraordinária durante o período na ilha. Não sabemos o rumo que a série vai tomar em termos de argumento, mas a Lara que nos foi apresentada neste título, tem tudo para ser ainda mais memorável e poderosa que qualquer outra Lara Croft apresentada até hoje. Em jeito de fecho em relação à história é pena que o restante argumento do jogo, principalmente em relação ao que se passa na ilha não esteja ao nível dramático e aventureiro da história principal. A decisão da produtora em colocar este reboot da série numa ilha é genial. Estando num local místico e cheio de segredos é também uma boa maneira de dar inicio à saga aventureira da menina Croft. Aqui novamente iremos sentir a referência Uncharted, com a mistura de misticismo, com o povo Yamatai com construções japonesas da segunda guerra mundial, onde sobrenatural tem um papel mais misterioso que os outros jogos da série. Os cenários da ilha são muito bonitos e a coexistência destas duas eras provocam momentos de grande espetacularidade visual. É também um lugar onde encontramos destroços por tudo quanto é lugar, lembrando as lendas do Triângulo das Bermudas. Navios, veleiros, aviões, encontramos tantos destroços ao longo da nossa aventura que percebemos que a ilha esconde algo. E depois a frase que iremos encontrar em quase todo o lado onde "depois de entrar, não tem saída". Onde o que antes era o foco de resolver puzzles é agora a ação.Tomb Raider com o seu aspeto cinematográfico em associação com esta variedade de cenários e de misticismo aproveita para criar tensão, onde desde os bunkers em ruínas, cheios de entulho e de lixeira, às habitações dos Yamatai em completa degradação, as cavernas cheias de símbolos de cultos e inúmeros cadáveres seja ao ar livre ou encolhida dentro de uma caverna, Lara Croft está sempre em alerta, onde as anteriores resoluções de puzzles deixam de ter o papel principal para se focarem mais no aspeto de aventura. Não que seja uma má decisão, mas certamente será uma decisão discutível, porque os puzzles continuam presentes e alguns bem interessantes. Estes puzzles são encontrados em missões não centrais, que podemos muito bem passar ao lado sem os resolver, e é aqui que o conceito Tomb Raider perde um pouco o seu misticismo. Por exemplo, o próprio Uncharted possui sempre uma série de puzzles, mas fazem sempre do foco central do jogo. Aqui, bem, podemos dizer que houve uma inversão de papéis. Onde o que antes era o foco de resolver puzzles é agora a ação. Novamente é uma decisão perfeitamente compreensível tendo em conta que Lara Croft luta pela sobrevivência e não por desvendar um segredo escondido há milhares de anos, que por acaso existe. A ação ganha particular interesse depois de começarmos a utilizar as armas presentes no jogo. Começamos por utilizar o arco e flechas, onde encontramos uma Lara faminta e que se vê obrigada a caçar, para se alimentar. Aqui por exemplo estamos perante um elemento negligenciado. Apesar da necessidade de Lara se alimentar nesta fase do jogo, é algo que nunca mais somos obrigados a fazer, nem existe nenhuma referência ao facto da nossa heroína estar com fome ao longo de todo o jogo, sendo esta situação apenas uma mera introdução à primeira arma. Contudo voltando às armas e à ação, estamos perante o elemento mais explosivo do jogo. A ação é caótica, as armas têm um efeito violento nos nossos inimigos, provocando por vezes mortes extremamente viscerais. Os tiroteios são um dos momentos altos do jogo, e dos momentos mais divertidos. Os nossos inimigos não são muito burros e sabem procurar cobertura e analisar opções de flanqueamento. É verdade que por vezes ficam atrás de coberturas mesmo a jeito de apanharem com o tiro na cabeça. Outro ponto menos credível é o facto dos tiroteios não oferecerem um grande desafio. Para uma pessoa que nunca tinha morto outro humano na vida Lara Croft sai da ilha com um currículo de mortes assustador. Sendo a ação o momento mais explosivo do jogo, é a opção ou não por esses momentos que tem mais interesse. Na generalidade das situações podemos deixar o papel de presa para assumir a pele de predador. Procurar coberturas, pontos de vantagem e analisar a área e perceber por onde andam os nossos inimigos é extremamente gratificante. Lara move-se com uma subtileza genial e fidedigna, provocando nestes momentos uma diversão acrescida, em que a calma é o nosso objetivo. Ir por detrás dos nossos inimigos e executá-los de uma forma violenta, ou estarmos em cima de um penhasco e aproveitar a nossa vantagem para eliminar os nossos inimigos um a um. Infelizmente é outro elemento mal aproveitado do jogo, onde o incentivo às ações furtivas partem de nós próprios e não é o jogo que nos obriga. podemos deixar o papel de presa para assumir a pele de predador A forma como Lara se movimenta e as animações associadas a cada um destes tipos de movimentos são muito mais realistas que os de Drake. O que o jogo nos obriga é a exploração dos cenários, subir, escalar, trepar, cair, saltar, tudo aquilo que tornou Lara Croft numa atleta eximia ao longo de mais de 15 anos continua em foco. Lara é uma ginasta autêntica com um portefólio de habilidades impressionante e é neste aspeto que vemos uma fluidez maior que a de Nathan Drake em Uncharted. A forma como Lara se movimenta e as animações associadas a cada um destes tipos de movimentos são muito mais realistas que os de Drake. Ao longo da aventura, Lara irá descobrir algumas ferramentas que a irão tornar ainda mais versátil e mais exploradora. Para além dos assaltos aos túmulos é neste campo que este Tomb Raider mais se assemelha ao passado da série e de que maneira. São estas ferramentas que complementam a habilidade natural de Lara que nos permite explorar a ilha de uma forma não linear. E essa não linearidade é ajudada pelo espírito explorador de Lara. A ilha está cheia de segredos, de raridades e de montes de coisas para encontrar. Somos "convidados" a voltar a pontos anteriores da nossa aventura ao nos sentarmos à fogueira. Uma vez que vamos encontrando uma série de ferramentas ao longo da aventura, permite-nos atingir outros pontos no mapa, anteriormente inacessíveis. Onde podemos encontrar tanta coisa, diários, tesouros, plantas e alguns desafios que nos permitem ganhar experiência. Experiência essa que é utilizada para evoluir a nossa Lara, tornando-a ainda mais eficaz na sua missão. Tendo em conta que para a missão ser ainda mais fácil temos que evoluir também as nossas armas com a "moeda" do jogo que pode ser encontrada ao saquear corpos de inimigos, animais e montes de caixas espalhadas pelos cenários. Fruto da necessidade de ter tornado o jogo mais cinemático, nem sempre temos o controlo de Lara, o que é uma pena, tendo em conta o que foi enumerado no ponto anterior. Iremos passar por inúmeros momentos de QTE (quick time events), que por um lado aumentam o sentimento dramático da sequência que estamos a passar, mas por outro tira-nos o controlo sobre Lara, algo que os fãs da série não estão habituados. Mas mesmo que se goste destes momentos, não oferecem um grau de dificuldade e são sempre pouco complexos. Claro que no ponto de vista visual e de entretenimento são um espetáculo, mas fica um amargo na boca, de querermos mais. Tomb Raider é uma das melhores aventuras do ano e deverá ser obrigatório a qualquer pessoa que se ache gamer Visualmente o jogo está soberbo. Não é tão vivo e detalhado como os mundos de Uncharted, mas não deixa de ser um trabalho impressionante e belo. Os cenários estão fantásticos, a quantidade de sangue e de feridas acumuladas por Lara dão-lhe um toque mais humano, criando uma experiência visual de topo nesta geração de consolas. Em termos sonoros um destaque muito especial para a Camila Luddington que dá voz a Lara pela primeira vez e o resultado final é música para os ouvidos. O único senão no aspeto sonoro tem a ver com algumas linhas de diálogo menos fluídas. A banda sonora também está fantástica contribuindo e muito para o ambiente no jogo. Pela primeira vez na série temos uma componente multijogador, que nunca consegue captar o mesmo entusiasmo que a campanha a solo. Por vezes sente-se um pouco metido no jogo para preencher uma vez que não trás nada de francamente novo e interessante. Aliás, corrijo, mandar uma flecha e acertar com ela em cheio no pescoço de um adversário é extremamente gratificante. Mas no geral é um elemento que se vive bem sem ele e francamente não acrescenta nenhum valor ao pacote final. Desde a apresentação deste Tomb Raider que as comparações com Uncharted estiveram sempre presentes. É de facto verdade que isso acontece, e não é por isso que é uma coisa má. Uncharted é uma das melhores séries desta geração de consolas e buscar inspiração a uma série que se inspirou em Tomb Raider não é erro nenhum. Alguns fãs das primeiras aventuras de Lara Croft vão-se sentir um pouco como peixe perto da praia, não se vão sentir seguros. Mas se levarmos em conta que este jogo é o início de uma nova série o futuro é extremamente brilhante para a menina Croft. Ainda estamos em março, e 2013 promete ser um ano muito animado na indústria com enormes pesos pesados a serem lançados, mas de uma coisa podemos ter a certeza: Tomb Raider é uma das melhores aventuras do ano e deverá ser obrigatório a qualquer pessoa que se ache gamer.
Fonte: Lusogamer
friderino
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