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Análise do jogo "Terraria" para PC escrito por Lusogamer

Escrito por Lusogamer, nota 8 de 10, enviado por LusoGamer,
Ali estava eu. Alguns metros abaixo do solo, rodeado numa claustrofobia digital, à espera do que viria a seguir, sempre na esperança de encontrar algo novo, talvez uma caverna, talvez um mineral raro, talvez nada de novo. Ali estava eu. E naquele momento, a curiosidade não me deixava abandonar a exploração. Bem-vindos ao Terraria. O jogo da Re-Logic lançado no PC em maio de 2011, acaba de chegar ao Xbox LIVE Arcade pela mão da 505 Games e nós já fomos explorar. Os primeiros parágrafos do texto são um bom testemunho da essência do jogo. Depois de personalizarem a vossa personagem, o jogo pergunta-vos qual é o tamanho do mundo de jogo que querem: pequeno, médio ou grande. Daqui para a frente, a aventura é vossa, podem fazer dela o que pretenderem, quando pretenderem. Na teoria, Terraria centra-se num trio de pilares: explorar, construir, lutar. Colocar na teoria o que se passa no jogo é uma tarefa infrutífera. Porém, o apelo do jogo está cravado na condição humana. Desde criança que o humano morre de curiosidade para saber o que está depois da esquina, o que está no desconhecido. Terraria é tão simples quanto isso: o que está onde não vemos? É para lá que queremos ir, é lá que queremos estar. Para chegarmos ao desconhecido vamos escavando, escavando, perfurando o solo até deixarmos a superfície com mais buracos que um queijo suíço. E toda esta exploração, alimento da curiosidade, não é infrutífera. Ao usufruirmos da liberdade dada pelo jogo estamos, muitas vezes involuntariamente, a solucionar os outros pilares da obra: a construção e os confrontos com os monstros que coabitam a área que nos é destinada. Vamos por partes. Como praticamente tudo no mundo de Terraria é destrutível, vocês ficam com os despojos do que forem transformando, por exemplo, terra, pedra, madeira, enfim, ficam com o material que desfizerem. Com esse material vão construir bens vitais para a vossa aventura. Com a madeira podem construir casas, com o metal poderão elaborar uma armadura, começam a perceber o procedimento. Estas mecânicas eram bastante simples se ficassem por aqui. Todavia, as profundezas escondem materiais raros que, obviamente, serão usados para construir itens melhores. O processo de transformação da matéria-prima em objeto não é direto, ou seja, exige algum conhecimento por parte do jogador. É preciso, por exemplo, derreter os metais para os transformar. Para isso terão que construir primeiro uma fornalha. Para transformar madeira numa porta ou numa mesa, ou para criarem velas ou livros, terão primeiro que construir uma banca de trabalho. O processo parece bastante complicado na teoria e, verdade seja dita, na prática não é acessível ao jogador que não tenha conhecimentos prévios. Felizmente, uma das novidades na versão Xbox 360 do jogo é a inclusão de um tutorial onde qualquer jogador pode aprender os vários processos de sintetização de materiais. Este processo pode parecer cansativo e aborrecido, mas não é. Funciona quase como uma equação matemática: A+B = C; C+D=E e por aí fora. Isto fortalece o sentimento de progressão e quando começam a chegar aos materiais mais raros. Um bom exemplo disso é comparar o Hellforge que só pode ser adquirido no submundo e é obrigatório para transformar, por exemplo, Hellstone. Outra parte da diversão advém da combinação de materiais. Num exercício idêntico a seguir uma receita culinária, o jogo encarrega-se, mais uma vez, de recompensar os jogadores mais exploradores. A experiência básica não é alterada face ao jogo original, porém, existem algumas modificações nesta versão destinada às consolas, nem todas positivas. Como é fácil de imaginar, com o decorrer da vossa estadia no mundo de Terraria, os materiais vão-se acumulando, alargando os espaços preenchidos no vosso registo. No PC, com a ajuda do rato e do teclado, aceder e navegar por tudo aquilo que a vossa personagem transporta, era fácil e bastante intuitivo. Foi essa dinâmica que se perdeu na adaptação aos comandos. A agravar a situação, enquanto estiverem entretidos a tentar consultar os itens, o jogo não pára, o que por vezes resultou em encontros imediatos dispensáveis. Em relação aos controlos usados para escavar e atacar os inimigos, felizmente a produtora parece ter arranjado uma solução que evitou um verdadeiro desastre. O analógico esquerdo serve para a apontar onde queremos escavar, cortar árvores ou atacar. Contudo, na hora da construção, a precisão tem que ser à quadrícula, o que é praticamente impossível de ser feito com o analógico referido. A solução foi a transferência desta precisão para o analógico direito. Quando pressionado, o movimento da retícula passa a ser feita quadrícula a quadrícula. Não é tão fluido como é com o rato, mas a experiência de jogo não é afetada. Finalmente, o último pilar do jogo: a luta contra os monstros. Se a produtora não tivesse incluído criaturas pouco amigáveis, provavelmente a maioria dos jogadores nem sequer construía um abrigo. Começavam a escavar e só descansavam quando encontrassem a China. Ciente disso, a Re-Logic criou esta ameaça para que o jogador crie raízes no jogo. Através de um ciclo dia/noite progressivo, é possível saber perfeitamente quando é altura de parar a exploração e regressar a casa. Quando essa temporização não é feita da melhor maneira, podem sempre enfrentar os inimigos, porém, o sistema de combate não é muito aprofundado e está assente em movimentos mínimos. Não só é extremamente aborrecido como resulta maioritariamente na perda total da vossa energia. A versão para consola inclui novos monstros e novas armaduras, contudo, não é uma revolução e para aqueles que já tiverem gasto dezenas ou centenas de horas na versão PC, não serão estas novidades a motivarem uma segunda cruzada. Se a vossa morada for suficientemente interessante e bem construída, outras personagens irão viver com vocês. Há algo de recompensador, uma palmadinha nas costas por um trabalho bem feito quando vemos o interesse e a visita dessas personagens. Mas não pensem que basta colocarem duas paredes e um telhado, normalmente, essas visitas requerem vários andares, um recheio interessante e até acessibilidades aos pisos superiores. O benefício de ter estas personagens por perto são as suas habilidades de cura ou de vendas de itens. Outras das novidades é a inclusão de uma ferramenta que revela o mapa-múndi do jogo, o que torna a exploração da área do mesmo muito mais intuitiva, sobretudo porque permite ter uma percepção do que andaram a explorar e qual é a vossa posição em relação à área de jogo. E já que estamos a falar de novidades, o multijogador foi refeito. Para jogarem com outro jogador na versão PC, era praticamente necessário terem um curso de redes. Os jogadores PC habituaram-se ao método tortuoso, mas tais complicações não eram compatíveis com o mercado das consolas. Agora, à distância de um botão podem jogar em local dividido com até quatro jogadores, ou se preferirem o Xbox LIVE, a quantidade de jogadores ascende aos oito em simultâneo. A experiência de jogo só tem a ganhar quando compartilhada com os vossos amigos. Tecnicamente, Terraria tem um charme muito próprio. O grafismo é um dos pontos que mais celeuma levantou, mas a opção de apresentar o jogo num universo mais retro é algo que torna a experiência mais única. O campo sonoro é algo limitado, a variedade de efeitos sonoros é algo limitada e nem mesmo a inclusão de uma música nova criada pelo compositor ajuda substancialmente à melhoria, mas está lá para dar ambiente e serve o seu propósito. Tal como puderam ler, Terraria não é o jogo mais simples ou fácil de iniciar. A adição de tutoriais que explicam os básicos faz com que não tenham que recorrer à internet, mas ainda assim as primeiras horas podem afastar os jogadores mais impacientes. Quando o jogo permite finalmente ao jogador começar a recolher aquilo que andou a semear, a experiência começa a ganhar sentido e quando se aperceberem já minaram meio mapa e estão curiosos para saber o que esconde a outra metade. O tamanho do ficheiro – uns míseros 33MB – é irónico e prova que às vezes os jogos mais aliciantes precisam de tão pouco.
Fonte: Lusogamer
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