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Análise do jogo "Sly Cooper: Thieves in Time" para PSVITA escrito por Lusogamer

Escrito por Lusogamer, nota 8 de 10, enviado por LusoGamer,
Em todas as plataformas da Sony existe pelo menos uma personagem que ficará para sempre ligada à história dessa consola. Se na PlayStation 3 tivemos o aparecimento do caçador de tesouros à la Indiana Jones, Nathan Drake, na PlayStation 2, o mestre ladrão Sly Cooper foi uma das personagens que mais tempo passou debaixo das luzes da ribalta. Já lá vão oito anos desde o seu último aparecimento em público e muita coisa mudou. Com a Sucker Punch completamente dedicada à série InFamous, a Sanzaru Games, responsável pela versão em alta definição da trilogia da PlayStation 2, tem agora o seu primeiro grande teste: voltar a colocar Sly na posição de destaque que em tempos ocupou. A premissa de Sly Cooper: Thieves in Time é bastante simples. Sly encontra-se a desfrutar da sua reforma na companhia da bela agente da Interpol, Carmelita Fox. No entanto, sem que nada o fizesse prever, Bentley e Murray interrompem as férias em Paris de Sly com notícias perturbadoras. Páginas inteiras do Thievius Raccoonus, livro que contém as maiores façanhas e técnicas de toda a linhagem Cooper, estão a desaparecer e a única solução é regressar ao passado, salvar os antepassados de Sly que se encontrem em apuros e travar o vilão que está a colocar em causa a todos os registos da família dos maiores ladrões da história. Se não jogaram nenhum dos títulos anteriores da série, não se preocupem, pois o jogo faz um bom trabalho em colocar o jogador a par de todos os incidentes da vida deste gangue. Tal como foi dito anteriormente, a história de Thieves In Time é simples. Não estejam à espera de um enredo muito complexo, repleto de reviravoltas pois não o vão encontrar aqui. Aquilo que torna a narrativa interessante são as personagens que nos guiam através dela: Sly Cooper, Bentley, Murray e Carmelita Fox, sem esquecer os vilões e os antepassados de Sly. As personagens são o foco principal de um jogo em que o humor, para além de estar sempre presente, desempenha um papel fundamental. Não importa a quão má a situação em que se encontram seja, Sly terá sempre uma piada seca para amenizar o ambiente, Murray estará sempre pronto para o combate, bem como para comer uma pizza, enquanto Bentley, cérebro de todas as operações do grupo, procura manter o grupo focado na sua missão. A relação amorosa difícil entre Carmelita e Sly é também um foco de atenção permanente durante toda a campanha. A jogabilidade de Thieves In Time permanece fiel ao passado, dividindo-se em três elementos principais: plataformas, ação furtiva e combate. O nosso protagonista, como mestre ladrão que é, faz uso das suas capacidades de carteirista para roubar os guardas, conseguindo adquirir moedas e artigos únicos sem que estes se apercebam do que se está a passar em seu redor. Mas é necessário ter cuidado. É imperial evitar as correrias a alta velocidade perto dos guardas ou até mesmo entrar em modo destruição de objetos em busca de moedas. No entanto, a inteligência artificial dos inimigos é um pouco fraca, originando situações em que parece que os guardas têm palas nos olhos e apenas conseguem ver o que está mesmo à frente deles, sem nunca sequer se preocuparem em vigiarem a sua retaguarda. Ainda assim, se preferirem manter-se incógnitos, então a melhor tática é sem dúvida fazer uso da técnica e do enorme equilíbrio de Sly para trepar, saltar e explorar os vastos cenários longe do olhar dos guardas. Sly é capaz de interagir com todos os objetos que brilhem de azul, sejam estes cordas, plantas ou saliências. Tudo é feito com a maior das suavidades, sendo muito raras as situações em que o protagonista ignora as nossas indicações e salta para o local errado. Como seria de esperar de um mestre ladrão que procura permanecer indetectável durante a maioria do tempo, as capacidades de combate corpo a corpo de Sly são bastante reduzidas e compreende-se que assim o seja. O jogo procura obrigar deliberadamente o jogador a pensar bem antes de agir, uma vez que optar por abrir caminho até ao objetivo resultará muitas vezes na morte do artista. Este é um jogo em que a estratégia de maior sucesso é abordar os inimigos pelas costas e eliminá-los com uma projeção surpresa. Simples e eficaz. Apesar de Sly ser o grande protagonista de Thieves In Time em termos narrativos, a Sanzaru Games fez um óptimo trabalho ao garantir uma enorme diversidade na jogabilidade com a introdução de várias personagens jogáveis pelas quais o tempo de jogo é dividido de forma equitativa. Cada uma das personagens tem o seu próprio estilo e abordagem, fazendo uso de diferentes habilidades especiais, como por exemplo escalada, tiros com enorme precisão e movimentos ninja, evitando assim que se caia na monotonia depois de algumas horas de jogo. Como se isso não fosse suficiente, a própria estrutura das missões apresenta uma variedade gigantesca, capaz de fazer inveja a muitos jogos com maior destaque. Tirar fotos de reconhecimento, permanecer indetectáveis durante longas sessões de plataformas e até mesmo sessões de treino dignas de um filme do Rocky são alguns exemplos das tarefas que terão para cumprir. Os colecionistas deverão ficar felizes em saber que Sly Cooper: Thieves In Time oferece um número gigantesco de colecionáveis, sendo que todos têm o seu próprio incentivo para que mesmo os jogadores mais preguiçosos se sintam tentados a explorar ao máximo os níveis de jogo. Se por ventura deixarem escapar alguns colecionáveis, algo que acontecerá com toda a certeza, não entrem em stress, uma vez que o título permite repetir missões quando quiserem e regressar a locais já explorados uma segunda vez. Os níveis de Thieves In Time são consideravelmente grandes para um título deste género e podem contar com muitas horas de jogo para conseguirem explorar cada um dos cinco cenários diferentes a 100%. Ao longo da campanha, Sly vai desbloqueando fatos que lhe permitem usufruir de novas habilidades que permitirão aceder a áreas restritas, havendo inclusive algumas secções dos primeiros níveis que só podem ser explorados após adquirirem fatos noutros níveis mais avançados. Para além dos fatos, também podem utilizar o serviço GatuNet para adquirir habilidades utilizando as moedas que forem amealhando durante a campanha. Tudo isto contribui para uma diversidade na jogabilidade ainda maior. Infelizmente, nem tudo funciona da melhor maneira em Thieves In Time. Em várias das tarefas da campanha, serão impedidos de progredir e obrigados a iniciar um minijogo. O que poderia ser uma boa alternativa em relação à jogabilidade normal acaba, no entanto, por se tornar na fonte dos maiores momentos de frustração e de aborrecimento, em especial naqueles que fazem uso do sensor dos movimentos da consola. Acredito que o objetivo da produtora fosse dar uma maior dificuldade a estes minijogos, mas existem formas mais felizes de o conseguir. O mesmo pode ser dito em relação às batalhas finais de cada nível, nas quais a única dificuldade é decorar o padrão repetitivo de ataques dos inimigos principais. Em termos gráficos, o quarto título da série não apresenta um grande avanço em relação ao estilo clássico da trilogia da PlayStation 2. Contudo, fica bastante clara a maior atenção aos detalhes e texturas que provêm do trabalho de produção para uma consola tecnologicamente mais avançada. Onde o departamento gráfico de Thieves In Time brilha é na enorme diversidade de cenários oferecidos pela própria narrativa do jogo. Cada nível é preenchido com inimigos totalmente únicos, bem como objetos caraterísticos de cada época retratada no título, entre as quais está o Japão Feudal. Em suma, cada nível desperta uma sensação diferente no jogador e isso é algo bastante positivo. Durante a minha experiência deparei-me com alguns problemas ocasionais de framerate, mas nada capaz de impedir o jogador de desfrutar deste jogo. O mesmo já não pode ser dito sobre os ecrãs de carregamento. Para além de serem bastante frequentes, ocorrem sempre que há uma mudança de área de jogo e são extremamente longos. Fazer o jogador esperar cerca de trinta segundos sempre que mudamos de cenário prejudica em muito a fluidez da experiência. Ainda assim, é importante realçar que esta análise foi escrita tendo como base a versão PlayStation Vita de Sly Cooper: Thieves In Time. Tais problemas poderão não suceder na versão PlayStation 3. No que diz respeito à sonoplastia, Thieves In Times entrega uma experiência sólida. A banda sonora assenta que nem uma luva ao estilo de jogo, adaptando-se aos diferentes períodos históricos, tornando fácil a identificação de determinada época apenas pela música de fundo. Para além disso, o jogo encontra-se localizado totalmente em português, com os atores de voz a realizarem um bom trabalho capaz de nos fazer relembrar os tempos de infância a ver desenhos animados. Em jeito de conclusão, aquilo que há a reter de Sly Cooper: Thieves In Time é que oferece uma experiência muito divertida e interessante, repleta de humor e que permanece fiel aos seus tempos gloriosos na PlayStation 2. Com alguns problemas que o impedem de atingir um patamar de qualidade mais elevada, o quarto título da série não desfraldará as expetativas dos seus fãs mais devotos, nem daqueles que procuram algo diferente à grande maioria dos títulos que têm sido lançados para o mercado. Sly Cooper está de regresso e recomenda-se. Convém também lembrar que o jogo suporta funcionalidades Cross-play, sendo que quem adquirir a versão PlayStation 3 receberá gratuitamente a versão portátil.
Fonte: Lusogamer
LusoGamer
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