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Análise do jogo "Sacred Citadel" para X360 escrito por Lusogamer

Escrito por Lusogamer, nota 5 de 10, enviado por friderino,
Sacred Citadel é o último jogo da Deep Silver e um título que claramente pisca o olho a uma era dourada de side-scrollers. Quem gosta de clássicos como Streets of Rage não pode deixar de ficar curioso quando sai um título deste tipo. Sacred Citadel é um beat-'em-up jogado num plano lateral com profundidade com alguns elementos típicos de um RPG. Mas não pensem que vão ter por aqui muita personalização ou até algo que influencie muito o jogo, pois não é o caso. Quando iniciamos o jogo pela primeira vez, e não podemos deixar de referir isto, ficamos algo apreensivos ao ver que a linguagem usada era português do Brasil. Lá fomos às opções mas… Nada. Tem vindo a ser um acto recorrente dos estúdios escolher a língua do jogo partindo das definições da consola. Nada contra, é uma boa função, mas ainda assim não devia ser a única opção. Podemos querer jogar o jogo na língua original e sabemos que essa informação está no jogo, porque não ter um menu para fazermos a nossa escolha? Mas aqui o verdadeiro problema é escolherem uma língua que não a nossa só por ser parecida. Sim, é muito semelhante, mas não deve ser forçada. Durante o jogo vão encontrar várias secções em que é usado calão e não podemos deixar de torcer um nariz ao ver um "ocê", por exemplo. Mas adiante. Aconselhamos vivamente que não joguem a campanha sozinhos, uma vez que podem jogar co-operativamente. Há quatro personagens jogáveis que podem escolher, cada uma com diferentes características e jogabilidade. Uma das coisas que salta à vista em Sacred Citadel é o estilo de arte usado, sendo que achamos este um dos pontos fortes do jogo. Os cenários estão muito bem desenhados, assim como os vários inimigos e personagens, com especial menção aos bosses. As animações pareceram-nos um bocado "secas" por vezes, mas graficamente estamos perante um jogo muito apelativo. Acabam-se no entanto aqui os grandes apelos… Mesmo com belos gráficos, o jogo não consegue atrair. Os personagens não têm muita personalidade, a história não tem nada de especial e não há nada que chame realmente à atenção. Sacred Citadel é um jogo que não faz nada notoriamente mal, mas falha em ser bom. A música usada é uma clara homenagem aos antigos jogos arcade, mas torna-se muito repetitiva e mesmo irritante nalguns momentos, o que mostra que algo está mal. Passando à jogabilidade, ficamos francamente desiludidos. Um beat-'em-up tem que ser fluído, queremos correr os nossos inimigos à pancada num frenesim de ataques, mas Sacred Citadel teima em não deixar. Achamos que os comandos foram muito mal aproveitados, sendo que passamos a maioria do jogo a fazer os mesmos ataques com o quadrado e o triângulo. Como o desenrolar do jogo isto vai melhorando, uma vez que vamos desbloqueando novos combos e ataques, mas o combate devia ser muito mais fluído e intuitivo. Existem uma série de inimigos mas rapidamente se vão aperceber que são versões repetidas das mesmas coisas, com uma inteligência artificial que não apresenta desafio. O ponto positivo vai mesmo para as batalhas com bosses, que conseguem ser divertidas, variadas e deslumbrantes. Os inimigos deixam frequentemente cair armas, que podem ser apanhadas pelo nosso herói. Diferentes personagens usam diferentes armas, havendo várias espadas, maças, arcos, entre outros. Algo que sentimos é que, relativamente a cada personagem, apanhar diferentes armas não tem muita influência na jogabilidade e serve basicamente para aumentar o dano causado. Durante a seleção de níveis podem também aceder a pequenas cidades, onde é possível fazer compras. Estas não têm grande influência no jogo e podem muito bem passar o jogo todo sem lá ir. Dão jeito se tiverem empancados nalgum nível e precisarem de comprar poções, e podem também fazer apostas, que são umas espécie de desafios. Se é verdade que o jogo melhora com o passar do tempo, o que é certo é que passado algum tempo o jogo acaba. Sacred Citadel é um jogo bastante curto, com cerca de 4 horas, e com muito pouco "replay-value". Apenas se jogaram sozinhos terão este "replay-value", uma vez que jogar em co-op torna o jogo bastante mais interessante. É também possível jogar online. Sacred Citadel é um jogo que não faz nada notoriamente mal, mas falha em ser bom. Conclusão Sacred Citadel deixa-nos com um sabor amargo na boca. Se por um lado consegue fazer algumas coisas bem, não consegue fazer nada muito bem e faz muitas coisas mal. Parece-nos acima de tudo um título desinspirado. Falta-lhe alma. Se estavam à espera de um bom beat-'em up arcade, lamentamos dizer que vão ter que continuar à espera. Sacred Citadel é um título completamente passável, que podia ser muito mais.
Fonte: Lusogamer
friderino
Enviado por friderino
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