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Análise do jogo "inFAMOUS: Second Son" para PS4 escrito por Lusogamer

Escrito por Lusogamer, nota 7 de 10, enviado por friderino,
Uma nova geração de consolas, nem sempre significa novas franquias e sim por vezes uma adaptação de franquias de sucesso a uma máquina mais poderosa e que permite maior liberdade e é a partir dessa premissa que a Sucker Punch lançou inFamous: Second Son. inFamous: Second Son tem inicio sete anos após os acontecimentos de inFamous 2, onde Cole MacGrath ativou o RFI para destruir John White, também conhecido como "A Besta". Após a explosão pensou-se que tinham sido mortos todos os condutores ao redor do mundo, mas aqueles fora do raio de explosão ou com uma resistência natural acabaram por sobreviver. Com o medo a se instalar após esse evento, foi criado o Departamento de Proteção Unificada (DPU) e agora todo e qualquer condutor é visto como um bioterrorista e caçado a todo custo. No jogo vamos estar na pele de Delsin Rowe um jovem de 24 anos quer pertence a comunidade de Americanos Nativos Akomish e vive uma vida totalmente descontraída a mostrar a sua habilidade artística (grafiti) por todos os cantos sempre a ser travado por Betty e o seu irmão e xerife local, Reggie Rowe. No entanto num dia aparentemente calmo essa paz é abalada por um até então misteriosos acidente com um caminhão da DUP que transportava condutores. A partir dai a vida de Delsin e todos aqueles ao seu redor muda drasticamente. A historia apesar de ter inúmeros elementos para se produzir algo incrível infelizmente acaba por ser o ponto mais fraco de inFamous: Second Son. Delsin é sem duvida alguma um personagem muito mais completo e interessante do que Cole, mas em poucos momentos realmente o jogador vai se identificar com ele ou com a sua aventura. O inicio da historia é muito bem construída e faz o jogador ter grades esperanças sobre como vai se desenrolar a historia entre Delsin, Reggie e a antagonista Augustine, mas em poucos momentos a historia realmente faz o jogador ter um sentimento mais explosivo (para bem ou mal) é sempre muito medíocre e sem emoção e até mesmo no ponto alto da historia onde tudo poderia ser perdoado, acaba por ser concluído a deixar uma sensação de que faltou algo mais. Talvez o grande destaque na verdade fique por parte de Betty e do próprio Reggie, que apesar de serem o lado mais fraco dessa confusão toda, possuem características que fazem o jogador se identificar muito, e pessoalmente senti falta de uma maior presença em toda a historia da próprio Betty que poderia ser muito bem aproveitada para lembrar a Delsin os motivos que o levaram a Seattle, principalmente quando se opta por um karma positivo. Um dos motivos para a historia ser medíocre é o facto das missões principais raramente envolverem uma historia complexa e bem trabalhada, muito pelo contrario, as missões principais são divididas na obtenção dos poderes de Delsin (com exceção do ultimo poder) e apenas a primeira e ultima missão de cada poder possui uma historia as restantes são basicamente ir do ponto A ou ponto B, absorver a fonte de energia e experimenta com os soldados que surgem convenientemente para que o jogador possa descobrir como utilizar o poder. As missões secundárias, não estão diretamente ligadas a historia apesar de em algumas situações ser necessário concluir uma ou mais delas para ter acesso a missão principal. Essas missões estão divididas em Grafiti, Registro Áudio, Agente Secreto, Comando Móvel, Posto de Análise, Câmara de Segurança, Dispositivos de Interferência, Dronte Detetor, Câmara Escondida, Confronto no Bairro e Trafico de Drogas. Essas missões vão servir para limpar uma zona do controlo da DUP, desbloquear um novo casaco para Delsin e mostrar no mapa os locais onde podem encontrar os drones. Por último existe as missões através do site inFamous: Paper Trail, sendo essas por acaso as missões mais surpreendentes pois se nota que a Sucker Punch se esforçou ao máximo para entregar missões com uma excelente historia, elementos incríveis de investigação e uma boa interação tanto com a história do jogo, como com o próprio jogo. O mais estranho é que essas missões estão tão bem feitas que deixam apenas uma dúvida, porque as missões principais do próprio jogo não receberam a mesma atenção e complexidade. Ao contrário de Cole, Delsin não tem apenas um poder e sim quatro poderes diferentes com cada um deles a exigir uma abordagem diferente. O fumo por exemplo tem como principal foco a imobilização e destruição maciça de tudo que estiver ao redor, já o Neon vai exigir do jogador uma abordagem mais furtiva com desaceleração do tempo para atingir pontos específicos que vão influenciar o Karma e a movimentação rápida. Justamente por Delsin ser uma esponja de poderes ele acaba por não ter total controlo sobre todos eles, sendo assim ele não é capaz de alternar naturalmente entre esses quatro poderes, sendo necessário o jogador absorver novamente um poder para o utilizar. Para cada poder vão haver golpes únicos e um golpe especial que vai depender da barra de karma, mas a diferença se justifica já que ao utilizar esse golpe é praticamente certo que os inimigos vão ser derrotados imediatamente. A jogabilidade é o ponto forte do jogo, ninguém que jogou aos anteriores jogos da série inFamous terá dificuldade, é basicamente apanhar o comando e começar a se divertir desde os primeiros segundos de jogo. Aqueles que estão agora a se aventurar por esse universo, também não vão enfrentar grandes dificuldades, a única coisa que é preciso saber é que o impossível no jogo é fácil e as coisas mais básicas como subir locais ou atravessar uma porta por vezes se torna uma tarefa frustrante, e isso já vem desde os primeiros jogos. Uma das grande novidade é a utilização do painel táctil do DualShock 4 para diversas ações desde drenar fragmentos até explodir com as unidades moveis, algo que dentro da mecânica do jogo foi muito bem aplicado e mais uma vez sem qualquer dificuldade tanto para os veteranos, como para quem acabou de chegar nesse universo. O Karma assim como nos jogos anteriores está de volta,infelizmente com pouca influencia no jogo e a sua jogabilidade. Delsin com um karma positivo mostra que apesar da sua imaturidade é uma pessoa extremamente boa, principalmente se estiver calado, pois quando abre a boca…quem jogar vai perceber onde quero chegar. Quem optar pelo lado negativo vai com toda certeza odiar Delsin com todas as forças pois toda a sua imaturidade acaba por sobressair ainda mais e se tornar uma personagem desagradável em todos os sentidos e isso é algo positivo para a Sucker Punch pois se a intenção é ser ruim então porque não testar o nível de moralidade e maturidade do próprio jogador. O ambiente do jogo é incrível, Seattle possui um clima bem diversificado com momentos de sol intenso, chuva constante, nublado e noite. Infelizmente até o momento em que essa análise foi escrita ainda não havia a possibilidade de alterar o clima e o momento do dia manualmente, entretanto a Sucker Punch já confirmou que isso será possível em breve. Graficamente o jogo está incrível, com principalmente a cidade de Seattle e os seus monumentos icónicos como o Space Needle a receberem uma atenção incrível por parte da Sucker Punch, claro que não é 100% fiel a verdadeira Seattle mas ainda assim o estúdio não dececiona em momento algum e quem nunca teve a oportunidade de viajar até a cidade poderá o fazer com grande felicidade no rosto através do inFamous: Second Son. Algo que pode surpreender pela negativa na cidade são os cidadãos que apesar de em muitos momentos gritarem ou terem ações especificas de acordo com o Karma escolhido, na grande maioria dos momentos não se destacam, com movimentos e ações robóticas que fazem o jogador não se importar minimamente em utilizar os seus poderes sem muito controlo ou prudência. A nível de som não há o que criticar, tudo funciona perfeitamente bem no jogo, com especial destaque para os momentos do grafiti e absorção dos poderes, que é justamente quando o DualShock 4 volta a surpreender com sons específicos a preencherem o local onde estiver a jogar através do altifalante com cada poder absorvido e movimento com a lata de grafiti. Outro destaque a nível de som é a dobragem, que apesar de pequenas falhas, mais uma vez veio mostrar que os videojogos podem muito bem abrir espaço para grandes profissionais mostrarem aquilo que são capazes em projetos diversificados. Em resumo, inFamous: Second Son é um jogo obrigatório para qualquer jogador que tenha a PlayStation 4, mas se está a procura de uma história bem construída talvez venha a se arrepender, se procura gráficos espetaculares esse é o seu jogo e se procura um jogo para passar boas horas de diversão nem precisava ler essa análise, poderia ter ido logo correr a loja mais próxima e comprar sem receios.
Fonte: Lusogamer
friderino
Enviado por friderino
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