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Análise do jogo "Guacamelee!" para PS3 escrito por Lusogamer

Escrito por Lusogamer, nota 9 de 10, enviado por LusoGamer,
A produtora Drink Box Studios não é inocente e Guacamelee! não é um acidente. Depois da surpreendente série Tales from Space, a produtora suscitou a curiosidade da comunidade de jogadores. O novo jogo da produtora canadiana desde cedo começou a gerar um burburinho entre os apreciadores de jogos de plataformas, que passaram mais de um ano a espreitar imagens e vídeos. O resultado dessa espera é Guacamelee!, um jogo claramente inspirado no passado sem viver nele. A personagem principal do jogo é Juan, um agricultor mexicano que se transforma em lutador de luta livre quando a sua amada é raptada por Carlos Calaca. Logo nos primeiros minutos de jogo, Juan só precisa de levar um golpe para morrer. Ressuscitado do mundo dos mortos por uma máscara com poderes especiais, é-lhe dada uma segunda oportunidade para perseguir, lutar e explorar em nome do amor. Olhando para o argumento na teoria, parece mais um caso de vingança amorosa. Contudo, o jogo trabalha muito bem os clichés, assumindo-os e parodiando-os antes que o jogador tenha oportunidade de o fazer. As referências a outros jogos e até aos "memes" mais populares da internet – sim, o jogo tem um poster alusivo ao Grumpy Cat – são tantas, que o jogador não sente estar a viver um argumento gasto por outros jogos anteriores. Facilmente perceptível pelos nomes Juan ou Carlos Calaca, a inspiração de Guacamelee! é a luta livre mexicana. Apesar de não ser algo completamente novo – convém não esquecer que a mesma inspiração levou à produção de Nacho Libre, filme protagonizado por Jack Black – a atmosfera do jogo é incrível. Desde as personagens às várias áreas de jogo, que vão desde aldeias tipicamente mexicanas a florestas, passando por desertos e templos, tudo transpira autenticidade. Os modelos das personagens também não foram deixados ao acaso. Não seria muito difícil dar especial destaque ao herói e vilões. Mas Guacamelee! eleva a fasquia: seja na aldeia principal ou no lugar mais recôndito do tempo, a atenção dada ao detalha convence qualquer um. Falar da jogabilidade de Guacamelee! é falar dos clássicos 2D como Super Metroid ou Castlevania – o novo jogo da Drink Box tem o mesmo sangue a correr-lhe nas veias. Quando começam o jogo, têm à vossa disposição socos e pontapés. Inúmeros jogos sucumbiram a uma jogabilidade repetitiva e superficial, portanto, a vossa estadia no jogo não demora muito a exigir a expansão dos movimentos da vossa personagem. Felizmente, é exatamente isso que acontece. O primeiro movimento a expandir a lista de movimentos é o "uppercut", um soco de baixo para cima. O jogo recompensa os jogadores com mais alguns movimentos, como por exemplo o "headbutt". Cada um destes movimentos está associado a uma cor, o que simplifica a identificação do golpe a usar para quebrar o escudo que alguns inimigos têm. Mas nem só de golpes de luta vive Guacamelee! . Vão aprender a agarrar-se às superfícies ou o duplo salto, enfim, quando terminarem o jogo têm à vossa disposição um Juan completamente diferente daquele com que o começaram. Além de variar a jogabilidade, estes movimentos estão intrinsecamente associados à maneira como exploram o mapa do jogo. Em determinadas áreas existem blocos que cingem a exploração. À semelhança do que acontece com determinados inimigos, estas barreiras também têm uma cor, ou seja, usem o movimento que representa essa cor e têm uma nova área de jogo para explorar. Pode parecer penoso ter que revisitar estas secções para aumentar a percentagem de área explorada, porém, o jogo introduz um sistema de teletransporte que se revela bastante útil. Apesar de não ser uma regra, praticamente todas essas áreas escondem um tesouro. Se o abrirem, receberão moedas ou uma parte de uma figura que representa a energia ou a resistência. Quando reunidas as partes todas, estas caraterísticas aumentam. Contudo, a maneira tradicional para fortalecerem a personagem é parando numa das inúmeras lojas espalhadas pelo jogo. Além do que já foi referido, podem adquirir outras facilidades, como por exemplo a redução do tempo que demora o segundo jogador a ressuscitar ou a maneira como a resistência é reposta. São pormenores que à partida parecem insignificantes, mas que todos juntos são uma ajuda significativa à vossa prestação no jogo. Falei no início da análise que Juan é ressuscitado do mundo dos mortos. Todavia, o que ainda não foi dito é que Guacamelee! alterna entre esse mundo e o dos vivos. Inicialmente esta alternância só é possível em determinadas zonas do cenário, porém, na segunda metade do jogo, Juan desbloqueia esta habilidade e entrega a sua utilização a dois botões no comando, sendo possível alternar entre os mundos sempre que o jogador quiser. A mecânica de alguns puzzles assenta que nem uma luva a esta particularidade. Como algumas colunas e superfícies apenas estão visíveis num ou outro mundo, cabe ao jogador saltar e alternar o mundo do jogo rapidamente. Parece algo banal até o design dos níveis se tornar mais e mais complexo e exigir ao jogador que faça quatro ou cinco modificações consecutivas. Infelizmente, esta alternância é um dos pontos negativos do multijogador. Vamos por partes: pouco depois do jogo começar, Guacamelee! suporta um segundo jogador. Se tiverem um amigo interessado em explorar o mundo dos "luchadores", pode entrar e sair da vossa sessão de jogo sempre que quiserem, apenas têm que pressionar um botão. Infelizmente, o multijogador é apenas local, o que é uma enorme oportunidade desperdiçada. O outro problema com o multijogador é a maneira como as mecânicas de alternância entre os mundos está feita. Exige uma coordenação mais impiedosa do que a exigida aos trapezistas do Cirque du Soleil. A frustração não demora muito a instalar-se e a solução é um dos jogadores sair da sessão de jogo, deixar o outro passar sozinho estas complicações e regressar em segurança quando tudo estiver mais calmo. Tal como já mencionámos, a atmosfera do jogo é incrível, o que advém muito dos capítulos técnicos. Além do grafismo imaculado, é imperativo mencionar a sonoplastia. Apesar das personagens não falarem, a música ambiente envolve o jogador na temática mexicana, complementando irrepreensivelmente a experiência como um todo. Estamos perante um caso que nos faz querer visitar aqueles locais, conviver com aquela gente, preferencialmente mais tempo do que demora Guacamelee!, que faz jus à velha máxima "o que é bom acaba depressa." Jogando normalmente, misturando o avançar da história com alguma exploração e a conclusão de alguns objetivos secundários, o jogo não durou muito mais do que quatro horas, o que é um verdadeiro lamento. A manter a arquitetura do jogo, conseguíamos jogar mais duas ou três horas sem nos cansarmos. Guacamelee! é uma das agradáveis surpresas deste início de ano. Os produtores parecem ter um respeito enorme pelo panteão dos jogos clássicos, o que se traduz numa inspiração comedida dessas pérolas. A contrariar a frustração de algumas áreas em modo cooperativo e uma longevidade escassa, ficam duas boas notícias: caso comprem o jogo na PlayStation 3 ficam com a versão PlayStation Vita gratuitamente e é possível partilharem o ficheiro com o vosso progresso no jogo entre as duas versões.
Fonte: Lusogamer
LusoGamer
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