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Análise do jogo "Xenoblade Chronicles X" para WiiU escrito por IGN

Escrito por IGN, nota 9 de 10, enviado por inuyasha302,
Desde o anúncio de Xenoblade Chronicles X que este se revelou num dos projetos mais ambiciosos da Wii U, numa parceria estabelecida entre a Nintendo e a Monolith Soft. Depois do sucesso do primeiro título com o mesmo nome, X trata-se do sucessor espiritual do protagonizado por Shulk e companhia, com uma estrutura de jogo completamente diferente e com uma avidez de levar ao extremo. A Monolith, pela mão do diretor Tetsuya Takahashi, não se limitou a replicar os méritos do antecessor, mostrando uma maturação de um projeto que, em certa medida, remonta ao primeiro Xenogears. Repleto de expectativas, partilhadas com os fãs e no seio de uma comunidade cada vez mais fervorosa, o risco de desilusão encontrava-se numa fasquia demasiado alta. No entanto, o que os produtores japoneses alcançaram, liderados pela escrita de Takahashi, ultrapassou essas mesmas expectativas, criando um dos JRPG mais gigantescos, fascinantes e profundos dos últimos anos, com um design notável e um brilhante sentido de exploração. O resultado final é, de certa forma, híbrido. Enraizado no tradicionalismo japonês, Xenbolade Chronicles X abraça traços menos radicais e mais devotados aos estilos ocidentais, espelhados nas personagens e banda sonora, tentando agradar a todos através de uma personalidade artística distinta e conceptual, brincalhona e única. A narrativa demonstra linhas bastante clássicas no início, ganhando corpo lentamente, de forma inesperada e robusta. Passa por uma abordagem aos extremos/limites, acelerando os pressupostos da ética e da moral. A humanidade vê-se envolvida num conflito interplanetário, sendo forçada a deixar o lugar a que sempre chamou de casa. Apenas uma única nave espacial, a White Whale, consegue sobreviver ao ataque, aterrando no planeta a que os humanos apelidaram de Mira. É aqui que inicia a derradeira batalha para a sobrevivência da humanidade, com a criação de um herói, do seu aspeto, voz e nome. Mira é formada por cinco continentes, com a única semelhança presente na extensão capaz de deixar qualquer um estupefacto, tal como acontecera com Xenoblade Chronicles e a impressionante Bionis. As semelhanças com o planeta Terra são visíveis, com terrenos acidentados, cavernas, ilhas, rios, mar, combinado com grandes estruturas de pedra que pairam sobre as nossas cabeças. A verticalidade do cenário é brutal, fazendo com que estas estruturas sejam, na nossa mente, impossíveis de alcançar. Desenganem-se. Todo este planeta é habitado por fenomenais criaturas, todas elas com um estilo muito próprio e que nos relembram o mítico parque de Steven Spielberg. Através de uma cápsula embutida na nave espacial, o núcleo duro dos sobreviventes consegue aterrar em segurança no planeta, e é nela que se ergue a NLA, a sigla para New Los Angeles, o novo ponto de partida para a raça humana. É a partir de aqui que começam as expedições para a procura de outros sobreviventes da batalha e recursos de subsistência. É graças a estes grupos que, o nosso herói, é salvo, pela inevitável Elma. Passamos diretamente para a ação, onde nos é mostrado um pouco da estrutura do jogo, os primeiros passos no sistema de batalha e o planeta Mira. O primeiro impacto não é traumático, mas sim um vislumbre do gigantesco trabalho na criação do ecossistema. Posto isto, somos nomeados parte da BLADE, a unidade militar que lida com a defesa da raça humana, quer em termos de combate como exploração, através de várias divisões. No total são oito, pelo que a nossa escolha pode sempre ser repensada mais tarde. Temos, entre elas, a divisão que trata da recolha de recursos, outra que protege NLA das criaturas ou mesmo uma que se preocupa com a colocação de sondas de reconhecimento territorial. Acabamos por ser um elemento polivalente, independentemente da nossa escolha. Pelas várias missões, a equipa que começou com dois elementos rapidamente aumenta para quatro, sempre com a capacidade de trocar os membros, sejam elas parte integrante da narrativa ou exploração. Os combates podem acontecer a qualquer momento, quer com criaturas ou indígenas, quer por iniciativa nossa ou dos oponentes. É importante notar que cada oponente possui símbolos que nos podem ajudar na tomada de decisão, pois alguns deles serão pacíficos, outros atacarão ao depararem-se connosco e outros reagem ao barulho que fazemos. Para além disso, tanto o nível a que se encontram como o tamanho (e acreditem que existem uns quantos gigantescos) são fatores a ter em conta na decisão de lutar ou fugir. O sistema de combate é de fácil utilização, mas necessita de algum conhecimento, das nossas habilidades e dos restantes elementos da equipa. Podemos alternar sempre que desejarmos para armas de longo ou curto alcance e os ataques básicos são feitos automaticamente. Existem habilidades que provocam um certo efeito nas criaturas ou infligem mais dano se forem realizados por trás, e na falta de um item curativo, a atenção para os QTEs, que surgem num determinado momento do combate, é decisiva para curar os vários elementos da equipa. Estas habilidades estão disponíveis através de uma palete no canto do ecrã e podem ser personalizadas ao nosso gosto. Para progredir em Xenoblade Chronicles X, é necessário atingir um equilíbrio entre as missões narrativas e secundárias, juntando uma boa dose de batalhas, não só para evoluir de forma satisfatória o nosso personagem, e angariar os vários recursos disponíveis, mas porque a envolvência e a exploração do título é a única maneira de, aos poucos, entendermos tudo aquilo que tem para oferecer, uma vez que a ausência de um tutorial mais aprofundado nos deixa meio perdidos em Mira. Este equilíbrio, no entanto, acaba por nos ser incutido com os vários requisitos para avançar na história. Há medida que avançamos, e como é normal num RPG, vamos adquirindo vários materiais e armamento que melhoram o nosso personagem. O nível global aumenta, bem como a classe com que lutamos, uma vez que podemos escolher entre uma classe geral e uma de três específicas, cada uma com as suas próprias habilidades. No entanto, o momento alto de Xenoblade, em relação ao equipamento, chega com a compra do nosso primeiro Skell, que pode demorar mais de 30 horas. Estes exoesqueletos, para além de inevitáveis máquinas de combate, transformam-se em veículos, à la Transformers, ideais para explorar Mira. Visualmente magníficos e cada um com o seu próprio estilo de condução, são totalmente personalizáveis esteticamente e a nível de armamento. A gestão da integridade do Skell e do combustível que consome passará a ser mais um indicador a ter em conta. As batalhas que se realizam nos céus do planeta são fantásticas, e o título ganha, a partir desta altura, mais uma excelente razão para nos manter de GamePad na mão. Já falamos da beleza e extensão conseguida pela equipa de Takahashi na conceção do planeta, e certamente que a enorme proporção de terreno é suficiente para nos perdermos a cada momento. É aqui que entram as funcionalidades do GamePad da Wii U, com um mapa detalhado e de simples acesso, dividido por hexágonos, onde podemos gerir os recursos recolhidos pelas sondas plantadas e avançar para determinados pontos do mapa de forma cómoda e rápida. Estes pontos de viagem instantânea estão habilitados depois da colocação da sonda e, os restantes, depois de preencher certos requisitos naquele hexágono em específico. De notar que, ao contrário do que aconteceu com o primeiro Xenoblade, Chronicles X não possui vozes japonesas. Podemos escolher entre vários estilos de vozes dentro do género feminino ou masculino, mas apenas na língua inglesa e para o nosso protagonista. A banda sonora não chega perto sequer da escolhida para acompanhar Shulk nas suas aventuras, mas não deixa o gigante mundo de Mira envergonhado. VEREDITO Xenoblade Chronicles X acaba por ser uma experiência incrível, majestosa, rica e deslubrante. Num planeta visualmente esplêndido, a raça humana encontra-se novamente no início da sua Evolução, perdida num mundo repleto de criaturas que lembram os primatas. Com mais de uma centena de horas e uma narrativa muito bem escrita, escolhe o momento exato para renovar o gameplay com a introdução do Skell, elevando o patamar da nova entrega da Monolith Soft. A Wii U ganha músculo com X, num dos títulos que devia figurar nos nomeados de melhor do ano.
Fonte: IGN
inuyasha302
Enviado por inuyasha302
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