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Análise do jogo "The Legend of Zelda: Majora's Mask" para N64 escrito por IGN

Escrito por IGN, nota 9 de 10, enviado por inuyasha302,
[img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5cmVwbGF5LmNvbS5ici93cC1jb250ZW50L3VwbG9hZHMvemVsZGEtbWFqb3Jhcy1tYXNrLXBsYXlyZXBsYXkuanBn[/img] A fórmula de resistência ao envelhecimento é um mistério para os videojogos, o que torna um título ou uma série intemporais? São as mecânicas, um bom enredo, ou o facto de se afirmar na história como o primeiro a fazer algo de novo, inovador? Um pouco de tudo isto talvez, mas a verdade é que as coisas só são certas, quando surgem nas alturas certas, que o digam os inventores do tablet anterior ao iPad. The Legend of Zelda: Majora's Mask (Zeruda no Densetsu: Mujura no Kamen) é um destes exemplos, apesar de possuir hoje uma aura peculiar, foi um dos jogos mais mal-amados da série, não sei se por ter sido jogado por poucos, pela sua ambiguidade, ou por ter corrido tantos riscos na época do lançamento original na N64, apostando na utilização de uma fórmula tão diferente e tão à frente do seu tempo. As teorias que Majora's Mask alimentou Em termos cronológicos o jogo passa-se depois dos eventos de Ocarina of Time, mas não temos Navi, nem Epona, nem sequer Hyrule para explorar. Vamos parar a Termina, um mundo que pode ser visto como um reflexo antagónico do que conhecemos da série, condenado a ser destruído por uma lua invocada pelo ladrão da máscara de Majora. Ou terá sido uma retaliação dos deuses? Esta é uma pergunta que não tem resposta, aliás, existem dezenas de teorias a este respeito, que envolvem uma simbologia ligada ao confronto de deuses contra os gigantes, a explicação da diversidade do mundo, a possibilidade de tudo não passar de um sonho, ou claro, a criação da torre do relógio, que ousou desafiar os deuses, despoletando a sua ira. Para Link, o dono original da máscara é o vendedor ambulante ("happy mask salesman"), que lhe devolve a forma original e o encarrega da missão de recuperá-la de Skull Kid. É uma figura estranha no mínimo, reclama que a máscara embebe o seu possuidor com um poder demoníaco, no entanto, era o anterior dono. Depois diz-nos que terá de partir dentro de três dias, exatamente antes da hora fatídica de Termina, suspeito digo eu. O seu comportamento errático desde Oracle of Ages intriga os fãs da série, o facto de ser capaz de desaparecer e aparecer do nada apontam para que seja uma figura ligada a algo sobrenatural, que veio interceder no destino de Termina, ou terá sido ele a provocar os tumultos? Finalmente, é difícil não reparar nas semelhanças desta figura com um jovem que conhecemos no final, mas isso vou deixar para vocês descobrirem. "Esta história vem de há muito tempo atrás, quando as pessoas não estavam separadas em quatro mundos como estão agora. Nesses tempos, todos viviam juntos em harmonia e os quatro gigantes viviam entre nós." - Anju's Grandmother [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5zaWxpY29uZXJhLmNvbS93b3JkcHJlc3Mvd3AtY29udGVudC91cGxvYWRzLzIwMTQvMTEvemVsZGFfbW0zZF8wN190aHVtYi5qcGc=[/img] O mundo de Majora's Mask é imensamente mais circunscrito do que o que se poderão recordar dos restantes jogos da série, contrariando de certa forma a filosofia central que define The Legend of Zelda, exploração e descoberta. Mas não é só o espaço que é confinado, o próprio conceito de tempo tornam-no circunscrito, os eventos do jogo estão limitados a três dias, apenas isso, setenta e duas horas é tudo o que temos para parar Skull Kid e mudar os desígnios de Termina. Isto obriga-nos a utilizar a velha ocarina, presente da princesa zelda, que permite invocar a deusa do Triforce, para interceder, recuando o tempo até ao ponto inicial. Mantemos parte dos itens conseguidos na aventura, mas tudo o resto regressa à condição original, incluindo personagens e eventos. A grande exeção é o responsável pelos nossos depósitos de Rupees, uma espécie de banqueiro em Majora's Mask, esse não se deixa enganar, nem pelo tempo. Ao reiniciar o tempo e ultrapassar tudo de novo, vamos juntando as peças aprendidas com as passagens anteriores, aperfeiçoando o método e avançando na história. Existem condições que só podem ser cumpridas em determinada hora, da mesma forma que apenas podemos interagir com certas personagens depois de completar uma tarefa no "futuro", assim, não só é necessário perceber o que fazer, mas também quando o fazer. O tempo confunde-se, mas o nosso conhecimento cresce. Esta originalidade tem no entanto um preço, que está ligado com o facto de sermos constantemente forçados a repetir os mesmos padrões. Também isto vai contra a configuração normal da série, muito fundada em liberdade, novidade e descoberta. Com três dias para completar as dungeons tradicionais da série, há um sentido de urgência invulgar nos jogos Zelda, mas que garante frescura a Majora's Mask, mesmo nos dias de hoje e nesta nova versão. Outro elemento absolutamente central em Majora's Mask são as máscaras, também elas parte integrante do gameplay. Estas são um elemento importante na cultura de Termina, muitas são decorativas, outras alteram a própria forma de link e as habilidades ao seu dispor, mas mais importante, é o modo como a resposta do conteúdo modifica dependendo da máscara que utilizamos. As máscaras transformadoras têm uma ligação direta com as criaturas vivas, com a diversidade de Termina. Link sempre interagiu com as diferentes raças ao longo da série, com os Goron, grandalhões das montanhas, os Zora, humanóides que dominam as águas, ou os Deku, uma espécie exótica das florestas tribais. A máscara garante-lhe a possibilidade de fazer mais do que apenas interagir, permite-lhe ver o mundo pelos seus olhos. Estes deixam de o ver como um forasteiro, tratam-no como um semelhante e as suas acções no jogo mudam de modo correspondente. Esta janela para a diversidade cultural das raças de The Legend of Zelda é única na série, é como um retrato metafórico da diversidade do mundo real e permite-nos enfrentar os desafios de um Zelda por novas lentes. O jogo perde um pouco do "feel" mais negro que o consagrou com o claro aumento da qualidade visual, mas compensa sobremaneira no caso das figuras e principalmente das animações. Se colocarem as duas versões lado-a-lado, poderão perceber a distância de fidelidade visual e credibilidade motora das figuras. Isto faz diferença em particular com a utilização do efeito 3D, sinceramente nem consigo imaginar como seria esta funcionalidade na versão original. Esta não é uma capacidade consensual da protátil da Nintendo, mas funciona particularmente bem no interior da cidade do relógio, a tal onde descansa a torre, devido à sua natureza geométrica. [img]hide:aHR0cDovLzA1MTlmMTcwYTI3MzE2NDNjMGE5LWVjNDVlZTNjYjExODkyMWNmNTc1OGQzYTNkYjc3NWI3LnI4My5jZjEucmFja2Nkbi5jb20vNWNiNzBkMDIyNzkzNzFmOGI1MjJlMGZkNzdjZWRiYzcxYWE5MmZkOS5qcGdfXzg0NngwX3E4MC5qcGc=[/img] é um remake respeitoso com o legado deixado pelo original da Nintendo 64. Esta versão, que por coincidência (ou não), chega ao mercado juntamente com a nova New Nintendo 3DS, é um remake respeitoso com o legado deixado pelo original. Traz alguns ajustes ao jogo da Nintendo 64, incluindo a possibilidade de gravar o progresso quando desejarmos, um livro de apontamentos afinado, que regista as figuras novas que conhecemos, objectivos por completar e outras pistas que nos dão uma direção para progredir. A maior mudança está ainda assim na reestruturação dos bosses e outras nuances do gameplay, estes foram na altura denominados como um dos pontos fracos do jogo, aumentados pelo facto de termos apenas quatro dungeons dignas desse nome. Sim o jogo é mais pequeno que um The Legend of Zelda comum, mas o seu design é mais metódico e convida a imensa tentativa/erro. VEREDITO Confesso que nunca joguei a versão de Ocarina of Time 3D, mas ainda assim, penso que este é um ressuscitar muito mais relevante para a série, até porque o original surgiu num tempo em que a Nintendo 64 já estava em declínio. Apesar de ser jogável em qualquer das versões da mais recente portátil da Nintendo, a forma superlativa como o efeito 3D funciona na New 3DS, juntamente com a conveniência do c-stick nos jogos em três dimensões, tornam-no mais agradável na nova iteração.
Fonte: IGN
inuyasha302
Enviado por inuyasha302
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