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Análise do jogo "The Last of Us Remastered" para PS4 escrito por IGN

Escrito por IGN, nota 9 de 10, enviado por iamwhoiam,
NOTA: Review do IGN Portugal - Edição Portuguesa! A PlayStation 4 está prestes a receber a sua própria versão do aclamado jogo da Naughty Dog, The Last of Us, numa versão remasterizada, que eleva a qualidade das texturas, das sombras, das luzes, do rácio de fotogramas, enfim, uma total injeção de esteroides que vêm ainda acompanhados dos conteúdos adicionais da versão original, incluindo o fantástico Left Behind e o modo de dificuldade Grounded. Não há muito a dizer sobre The Last of Us, na minha opinião, o melhor jogo do ano passado, de longe. No entanto, também não há como contornar o facto de esta versão ser basicamente um "port", independentemente do minucioso trabalho colocado nele. E nem sequer estamos a falar de um clássico com décadas, que pode misturar nostalgia com um salto tecnológico. O original é de junho de 2013, esta remasterização tem apenas mais um ano. Isto para dizer que se já o jogaram, dificilmente provocará o mesmo sentimento "wow" da primeira vez. Sim, o salto na qualidade visual é francamente notório, mas esse já era um aspeto surpreendente na versão original. Ao mesmo tempo, continuo a achar que qualquer amante de videojogos deveria jogar The Last of Us, e sendo esta a melhor versão, é obrigatória para quem possui uma PS4 e não conhece Joel e Ellie. Estes são a estrela da obra, é no compromisso emocional que o jogo nos convida a desenvolver com eles que está o segredo do título da Naughty Dog. ​Joel é o exemplo de alguém que perdeu tudo o que tinha antes do caos, um homem perturbado, destruído pelas vicissitudes da sua condição, da condição do mundo e dos eventos do prólogo. Ellie por outro lado, é uma criança que só conhece o mundo depois do Apocalipse, aquilo é a norma para ela. É também um importante exemplo do porquê das crianças serem a nossa principal esperança enquanto espécie, mas isso terão que explorar vocês próprios. A evolução individual e relacional de ambos é subtil, mas profunda ao mesmo tempo, fazendo-nos mergulhar lentamente na ambivalência da condição humana e das suas motivações altruístas e egoístas. Isto é algo que muitas vezes falha nos videojogos focados na componente narrativa, as personagens mantêm-se demasiado iguais de início ao fim do jogo, e eu só me importo com os eventos, se me importar com a personagem. Estruturalmente o jogo é cheio de pontos baixos, compensados por momentos de climax, onde as resoluções são demarcadas pelas mudanças de estação. São como um suceder de mini estruturas de três actos, onde a equipa de produção conseguiu misturar a emoção do drama, com a interactividade de um jogo de topo. Esse lado "videojogável", apesar de não trazer nada de particularmente novo, é o típico de shooter na terceira pessoa, tem um alto padrão de qualidade, de modo a tornar a experiência o mais simbiótica possível. Já o achei extremamente polido na versão original, ainda mais agora que se deram ao trabalho de rever o jogo de ponta a ponta. Não possui grande fator de escolha associado, mas faz um excelente trabalho em criar a ilusão de escolha, digamos que vale mais pela navegação e participação do pela possibilidade de manipular os factos ao nosso redor. Essa ilusão aproveita um excelente design de níveis, que orienta a nossa ação sem que fiquemos com a sensação de que a força. Temos a sensação de agenciamento, de sermos quem tem o poder de decidir, quando surgem os momentos em que podemos optar pela abordagem furtiva ou mais incisiva, mas a verdade é que o caminho pela história está definido desde o início. Sentimo-nos como coautores de uma história onde ao mesmo tempo que decidimos como avançar, damos por nós a prever o que irá acontecer de seguida. O toque "survival-horror" é mais notório com a subida do nível de dificuldade, onde a escassez de recursos impõe já uma abordagem diferente a cada momento, e onde temos semore aquela sensação de que o nosso poder é inferior às forças que enfrentamos. ​Como saberão, o jogo passa-se vinte anos no futuro, com o mundo completamente destruído, depois do aparecimento de uma variação humana do fungo conhecido por Cordycep. Este espaço devastado e invadido pela natureza é onde o ampliar de resolução é mais claro, os caminhos pouco convencionais de uma outrora próspera cidade, agora apenas um amontoado de sucata e ruínas que acabaram por ruir sobre as estradas, forçadas pela lenta força da natureza. Esteticamente é uma excelente reprodução do que uma zona abandonada deve ser, e tecnicamente está ainda melhor nesta versão remasterizada. A melhoria do rácio de fotogramas eleva ainda mais aquilo que era já o melhor exemplo de linguagem corporal dos atores, nos inúmeros diálogos em que participam enquanto decorre a ação. Existe o multijogador que todos conhecerão da há um ano para cá, com a vantagem de incluir o conteúdo adicional adquirido se decidirem fazer a atualização de versões. Neste modo é onde a framerate fará mais diferença, se são daqueles que ainda mantinham a PS3 ligada à tv pelo multijogador de The Last of Us, chegou o momento de transitar definitivamente de geração.​ Enfim, é impossível não me perder em elogios a The Last of Us Remastered, é a mesma obra-prima que surpreendeu a indústria no ano passado, e atualmente o jogo mais bonito da PlayStation 4, que nos deixa com uma enorme expectativa para ver o que a Naughty Dog fará ao longo da vida da consola​. Veredito Resumindo, é uma experiência muito cinemática, não só na sua componente visual, mas em termos de forma também, vamos explorando os protagonistas, conhecendo mais do seu passado e das suas motivações, o que amplia a importância das nossas ações. Sentimos o que estes sentem, sentimos no lugar deles, Joel e Ellie vão ficar na história dos videojogos como exemplo de umas das personagens mais autênticas do meio, e por isso é que até vão transitar brevemente para o cinema.
Fonte: IGN
iamwhoiam
Enviado por iamwhoiam
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