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Análise do jogo "Splatoon" para WiiU escrito por IGN

Escrito por IGN, nota 9 de 10, enviado por inuyasha302,
A Nintendo assumiu vários riscos quando decidiu apostar no pequeno "projeto" que Shintaro Sato, um dos programadores da Nintendo EAD, criou em 2013. Convenhamos admitir que o conceito era interessante, uma mistura de Paintball com os modos de jogo de conquista e defesa territorial típico dos shooters, apimentado, neste caso, por um toque de marcação canina e a linha estética in-house da marca nipónica. Em teoria parece uma ideia perfeita para encaixar numa coletânea de minijogos, talvez existisse espaço para um jogo independente, mas a Nintendo teria que encontrar forma de oferecer variedade dentro do mesmo conceito, para não arriscar aborrecer os jogadores com a temida repetitividade, com vários mapas ou modos de jogo por exemplo. [img]hide:aHR0cDovL3Byb3hpbW9uaXZlbC5wdC93cC1jb250ZW50L3VwbG9hZHMvMjAxNS8wNC9zcGxhdG9vbi1ub3Zhcy1pbWFnZW5zLWFicmlsLTIxLXBuLmpwZw==[/img] Outra solução seria colar-lhe suficientes valores extrínsecos, vocês sabem, sistemas de progressão, armas mais eficazes ou um ranks que permitissem mostrar ao Zé do bairro, que pertencemos a um estrato superior. Claro que teriam também de ter em conta que se trata de uma consola sem uma impressionante base instalada (Wii U), é de um shooter maioritariamente online que estamos a falar, um género que depende da continuação e compromisso dos jogadores. esconder profundidade num jogo superficialmente simples... Felizmente havia ainda uma terceira hipótese, mais eficaz por sinal, que passava por esconder profundidade num jogo superficialmente simples, ou seja, o tal conceito teria de ser divertido antes de tudo, mas com espaço para os jogadores desenvolverem competência no trato com o gameplay e regras de jogo. Claro que esta brincadeira não diz respeito a hipóteses, mas antes às formas que a Nintendo escolheu para enriquecer/esconder uma condição de vitória que é excelente, mas aparentemente simplista. Antes de olharmos para cada uma individualmente, uma menção à ótima escolha de nome, uma amálgama das palavras "Splat" (esborrachar?) e "Platoon" (pelotão), apresenta uma nova propriedade intelectual (não vemos disto todos os dias), assente num conceito que desafia um dos géneros mais estabelecidos da indústria. Somos um Inking (rapaz ou rapariga), um humanóide que é também parte lula (Squid), podendo alternar de forma com a simplicidade e rapidez do pressionar de um botão. Vivemos em "Inkopolis", cidade satélite, ameaçada pelos Octarians, que desejam a sua fonte de eletricidade. Na prática esta funciona como uma "hub", de onde iniciamos as várias actividades, divididas entre campanha, multijogador local (Battle Dojo 1 v 1) e os confrontos online (regulares e ranked), que são o cerne de Splatoon. [img]hide:aHR0cDovLzIuYnAuYmxvZ3Nwb3QuY29tLy1kRWRQMlBoZ1hRYy9WUXJfLURoSWxOSS9BQUFBQUFBQW80Yy9mdmpXSVJiYkN2Zy9zMTYwMC9DQWRLaWNJVklBQWcya1kuanBn[/img] O nosso propósito é simples, cobrir o máximo de espaço com tinta. É tão demente como parece... A não ser que tenham vivido no deserto durante o último ano, saberão que o jogo funciona num registo muito distante dos shooters tradicionais, quer dizer, enquanto humanóides carregamos uma arma para as arenas de jogo, mas o objectivo ou condição de vitória são muito diferente do que seria de esperar. Não precisámos de eliminar mais oponentes que a equipa adversária, nem salvar a nossa base dos mísseis inimigos, o nosso propósito é simples, cobrir o máximo de espaço com tinta. É tão demente como parece, pensem numa partida de paintball, mas no lugar das balas de tinta, as armas são capazes de jorrar, literalmente, tinta por todos os lados. Simultaneamente, em forma de lula, podem mergulhar nas cores da vossa equipa, conseguindo cobertura, velocidade redobrada e acesso a áreas inacessíveis de outro modo. Se o conceito vos parece uma receita para o caos, parabéns, têm toda a razão. A rapidez e urgência da ação são imediatamente percetíveis, antes mesmo de termos qualquer noção do formato dos mapas circunscritos ou das habilidades especiais dos Inklings. Começando pelo modo a solo, que é a melhor forma de desenvolver competências para enfrentar depois o multijogador, depois de recrutados pelo simpático e igualmente lunático Cap'n Cuttlefish, vestimos um fato de herói e assaltamos Octo Valley, umas instalações flutuantes, que curiosamente se situam no subsolo, é daquelas coisas. O nosso principal objetivo passa por recuperar os "Zapfish" perdidos, lâmpadas responsáveis pelo fornecimento de electricidade. Para alcança-los, teremos de ultrapassar uma série de obstáculos, algures entre o jogo de plataformas e os shooters mais "tradicional" (nada é realmente tradicional em Inkopolis). [img]hide:aHR0cDovL2ltZy5pYnhrLmNvbS5ici8yMDE1LzA0LzA5LzA5MDk0MDE0ODAyMTA3LmpwZw==[/img] Vejo a campanha como uma espécie de "Tech Demo", que nos demonstra até onde pode ir Splatoon. Os confrontos 4 v 4 online, conhecidos como Turf Wars, são aparentemente simples, mas depois de ultrapassar Octo Valley, percebemos até onde pode ir a nossa competência com o Inkling, e o que será possível montar em termos de modos de jogo e novos mapas, que já agora, a Nintendo prometeu disponibilizar regularmente. O modo ranked explora um pouco esta parte com as Splat Zones e o Tower Control, mas facilmente imaginamos outras hipóteses, como corridas verticais, jogos de apanhada, ou modos de jogo com regras mais aproximadas dos shooters tradicionais, enfim, a imaginação é o limite. Finalmente, onde a Nintendo espera que os jogadores invistam realmente, as Turf wars até nível 10, e batalhas ranked de seguida. É simples e rápido aceder a estes modos, até porque estão colocados numa posição central em Inkopolis, enquadrados pelas Squid Sisters, duas irmãs que gerem as notícias da cidade. Estas são responsáveis por informar quais os mapas disponíveis na rotação regular e ranked, e serão também a gerir os eventos. Estes vão variar dependendo do território em causa, convidando os jogadores a escolher entre duas hipóteses, os exemplos dados são de algo familiar para todos, como a escolha entre cães vs gatos, ou música rock vs pop. Stage News parece-me subaproveitado, mas tem um inegável potencial para a interação com a comunidade De momento, o Stage News parece-me subaproveitado, mas tem um inegável potencial para a interação com a comunidade. Fiquei um pouco com a mesma sensação com o canal televisivo embutido no mundo de Sunset Overdrive por exemplo, mas achei a coisa ainda mais simplista neste caso, sem interação e com pouca relevância. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5nYW1lcmVhY3Rvci5wdC9tZWRpYS8zNi9zcGxhdG9vbl8xNDEzNjU0Yi5qcGc=[/img] Algo que a Nintendo deverá alterar com o tempo, é a variedade de cenários, não apenas o número global que estará disponível no lançamento, mas os que são disponibilizados na rotação. É compreensível começarem devagar, de modo a garantir que em nível 10, os jogadores possuem já um aceitável nível de habilidade com o jogo, especialmente se já ultrapassaram a campanha. Os confrontos são divertidos, porque o gameplay é intrinsecamente agradável e a rapidez da acção impõe, debaixo de um cronómetro, um sentido de urgência às partidas. Este depende da arma que escolhemos, um Charger vai sempre obrigar a uma abordagem mais cuidadosa devido ao poder que tem à distância e à vantagem que retira dos pontos mais elevados. O Shooter é um tipo de arma de assalto mais tradicional, e finalmente o Roller, que é um rolo de tinta imparável a cobrir o chão com as nossas cores e implacável no corpo-a-corpo. Para complementar a arma principal, temos ainda uma habilidade secundária, que pode ser um chuveiro de tinta ou uma mini granada, e ainda a habilidade especial, essa sim, capaz de causar grandes estragos na pintura da zona. Eliminar os oponentes cobrindo-os de tinta envia-os de volta à correspondente extremidade do mapa, garantindo-nos tempo adicional para jorrar cor ou preparar uma emboscada, sim, porque o regresso do adversários será rápido, seja ao saltar para a posição de um colega, ou numa veloz mariposa pelas suas cores. O GamePad é bastante útil porque é lá que vemos as posições dos nossos companheiros e o atual estado rupestre do mapa. Apreciei a limpeza dos visuais na televisão, onde só a cor e o caos importam, mas isso tem o preço da dificuldade em acompanhar dois ecrãs em simultâneo, num título que nos transmite a sensação de estarmos sempre a perder qualquer coisa, se ficarmos parados. Finalmente a progressão, que é em certa medida, um elemento alienígena para os títulos first party da Nintendo. O nível não representa um incremento direto de poder, mas um meio para aceder a novas armas e adornos, que trazem associados dois tipos de considerações, a estética e umas pequenas vantagens (perks), que a Nintendo tentou que impusessem escolhas difíceis, estilo entre o bom e o agradável. Estas armas e peças de vestuário podem ser adquiridas nas lojas de Inkopolis, onde atuam outras criaturas marinhas, que não sendo lulas, escolheram dedicar a vida ao comércio. As habilidades que as peças escondem podem ser um aumento de velocidade em forma de lula, resistência aos disparos inimigos, rapidez ao recarregar o depósito de tinta, a possibilidade de alertar os colegas para a posição dos oponentes na hora da morte, uma série de habilidades escondidas num sistema de progressão ligeiro, que garante que o jogo não é demasiado duro com os novatos. O charme estético nas formas e cores do jogo são percetíveis na futurista visão de Inkopolis, nos protagonistas antropomórficos, nas referências difíceis de ignorar a Garfield (Judd, o gato mal disposto das indicações), Nemo (o anormal do peixe piolho), nas All-Star nos "pés" de um robô/polvo gigante, mas também no humor dos diálogos, que definem a personalidade de cada figura em Splatoon. VEREDITO Não é fácil apresentar uma nova propriedade intelectual, que de uma assentada, vira um género de "pernas-para-o-ar", apresentando um conceito claro e simples de comunicar, mas que esconde uma profundidade minuciosamente desenhada e enriquecida por um single-player que nos prova até onde é possível ir. Splatoon entra directamente para os obrigatórios da Wii U, uma consola que insiste em navegar contra a corrente da forma mais inteligente, com qualidade.
Fonte: IGN
inuyasha302
Enviado por inuyasha302
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