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Análise do jogo "Sid Meier's Civilization: Beyond Earth" para PC escrito por IGN

Escrito por IGN, nota 8 de 10, enviado por AlbertZero,
[img]hide:aHR0cDovL2ltLnppZmZkYXZpc2ludGVybmF0aW9uYWwuY29tL3QvaWduX3B0L3NjcmVlbnNob3QvZGVmYXVsdC9iZXlvbmQtZWFydGhfNGZmNS4xOTIwLmpwZw==[/img] A série da Firaxis, Sid Meier's Civilization, sempre foi uma das minhas favoritas dentro do gênero de estratégia por turnos, e uma a que independentemente do cansaço acumulado por longos dias de sessões de jogo, acabava sempre por voltar. O quinto título foi um dos mais completos até à data, depois da inclusão de Brave New World, que se veio juntar ao Gods and Kings. Independentemente da inclusão de novos elementos e por mais que estes alterassem a sinergia estratégica incitada pelo título, é inegável que Civilization hesitava em sair da sua zona de conforto. Era isso que tornava este Beyond Earth tão apelativo à partida, na sua gênese segue os mesmos princípios da série, é um Civilization, mas ao mesmo tempo, abandona toda a familiaridade estética e temática em que a Firaxis sempre se apoiou. A ideia de que estamos destinados a colonizar outros planetas tem sido amplamente explorada pelo entretenimento, e parece voltar a estar mais uma vez em voga, esperamos por exemplo o novo filme com Matthew McConaughey, Interstellar, que assenta no mesmo princípio. Já viram Battlestar Galática? Deviam, é uma série de culto a tocar na mesma temática, excelente por sinal. [t2]"A ideia de que estamos destinados a colonizar outros planetas tem sido amplamente explorada pelo entretenimento"[/t2] Em Civilization Beyond Earth, tudo começa no mesmo pressuposto, com a humanidade a abandonar a terra em busca de novos mundos habitáveis. Facções representativas de várias zonas do globo partem em expedições para o espaço profundo, até que finalmente encontram um planeta com condições de vida. Assim que chegam à "nova casa", podemos ver toda uma flora e fauna que apesar de desconhecidas, são facilmente identificáveis. No planeta vivem formas de vida alienígena, que revelam estar ainda longe de um estado evolutivo que as constitua como ameaça. Isto claro, ao iniciar a partida. Este momento, desde que escolhemos a zona para estabelecer a base de operações, até à exploração do espaço envolvente, é sempre das mais divertidas num Civilization. É uma altura de expansão e afirmação, contrária ao período de gestão de unidades e recursos típicos do mid e end game. [img]hide:aHR0cDovL3N0YXRpYzIuZ2FtZXNwb3QuY29tL3VwbG9hZHMvc2NhbGVfc3VwZXIvNTM2LzUzNjA0MzAvMjcwMTI4NC1jaXZiZV9zY3JlZW5zaG90X2FyaWRfZWFydGhsaW5nc2V0dGxlci5qcGc=[/img] Esteticamente o novo mundo é exótico e exuberante, tornando-se rapidamente reconhecível se conhecem a franquia e desvanecendo-se assim a sensação de novidade. Sinceramente, se me dissessem que Beyond Earth era uma expansão de Civilization V, não estranharia de todo, pelo menos até tomar contacto com a nova rede tecnológica, mas vamos por partes. Quando chegamos ao planeta, estamos aparentemente largados num espaço estranho, sem outras facções para competir connosco, só com o passar dos primeiros turnos é que as representações das restantes regiões da terra começam a embarcar no planeta e a estabelecer contacto para apresentações. Os extra-terrestres substituem-se aos bárbaros como a principal força opositora por esta altura, mas são bastante menos "bárbaros" que estes, com a exceção das Alien Siege Worms, uma minhoca gigante, essas são deveras odiáveis. É por esta altura que começamos a identificar as diferenças que a ficção científica empresta a Beyond Earth, com o estabelecimento posicional de satélites a controlar as áreas em volta do nosso candidato a império, as quests automáticas de escolha múltipla e o sistema de afinidades, um dos elementos mais interessantes de todo o jogo. O objetivo deste sistema é nobre, pretendendo oferecer decisões interessantes aos jogadores, adicionando-lhes uma dimensão de ambiguidade moral. Praticamente todas as escolhas durante a progressão nos levam por um de três caminhos – Harmony, Purity ou Supremacy. O primeiro representa os líderes que desejem desenvolver um novo futuro em harmonia com as formas de vida extra-terrestre previamente instalada, respeitando os seus modos com a crença que existe espaço para ambas as espécies. [img]hide:aHR0cDovL3N0YXRpYzIuZ2FtZXNwb3QuY29tL3VwbG9hZHMvc2NhbGVfc3VwZXIvNTM2LzUzNjA0MzAvMjcwMTI4Ny1jaXZiZV9zY3JlZW5zaG90X2hhcm1vbnlfbWluZGZsb3dlcmVuZGdhbWUuanBn[/img] Purity passa por replicar os hábitos e cultura que a nossa espécie tinha na terra, se isso implicar uma oposição à tecnologia ou estilo de vida dos novos organismos, assim seja. Finalmente, a Supremacy, que visa traçar um novo caminho, uma nova história para a nossa espécie, sem qualquer preocupação com o que tínhamos antes, nem como funciona o mundo atual, o domínio de um novo homem a qualquer preço. Este sistema está desenhado para que possamos caminhar pelas afinidades de modo consciente, apesar de também ser possível assumir posições contraditórias por acidente. Depois de conseguir suficientes pontos de Affinity, podemos personalizar unidades individualmente, escolhendo o caminho mais adequado à estratégia e necessidades na altura. [t2]"As afinidades adicionam uma dimensão de ambiguidade moral à estratégia."[/t2] As quests são um pouco mais frequentes e surgem sob forma de objetivos comuns, como eliminar uma Alien Siege Worm, ou escolhas contraditórias, por exemplo, ao encontrar um grupo de refugiados vítimas de mutações, somos confrontados com a escolha de os reverter à forma humana e ganhar pontos de Purity e uma unidade, ou estudá-los e assim conseguir uma tecnologia e pontos em Supremacy. A rede de tecnologias já não é tão restritiva, oferecendo uma montanha de escolhas desde logo ao abrir-se de forma circular. Também não é tão punitiva, no sentido em que recompensa a escolha de diversificar o conhecimento, no lugar de desenvolver um ramo específico. O combate é similar ao que conhecemos de Civ V, no mesmo estilo estratégico de navegação em hexágonos. A maior novidade neste campo são os satélites, que permitem o controle de áreas específicas (inclusive em território "estrangeiro") ao aumentar a capacidade militar das unidades da área ou oferecendo apoio com ataques diretos. Também possuem capacidades utilitárias, como limpar o miasma, uma espécie de gosma venenosa, dos tiles da sua área de ação. Para suportar a utilização destas unidades, Beyond Earth traz a opção de uma vista a partir da órbita, que coloca a câmera num nível superior às nuvens. [img]hide:aHR0cDovL3N0YXRpYzIuZ2FtZXNwb3QuY29tL3VwbG9hZHMvc2NhbGVfc3VwZXIvNTM2LzUzNjA0MzAvMjcwMTI4OC1jaXZiZV9zY3JlZW5zaG90X2thdml0aGFfcHVyaXR5LmpwZw==[/img] A inteligência artificial pareceu-me perdulária nas três partidas que fiz, mas confesso que sou sempre cuidadoso no nível de dificuldade determinado nos jogos da série. Esse sempre foi um calcanhar de Aquiles dos jogos de estratégia, conseguir fazer com que o desenvolvimento do mundo garanta desafio ao jogador, sem que este sinta que a competição está a ser absolutamente injusta. Por esse motivo é que o jogo oferece tantos níveis de dificuldade, já fui várias vezes esmagado, e já venci sem dificuldade partidas de Civilization. O resto de Beyond Earth é extremamente familiar, o jogo foi apresentado com sucessor espiritual de Alpha Centauri, mas como nunca joguei o badalado título de estratégia Sci-fi de Sid Meier, não consigo estabelecer grandes comparações com este. As virtues assumem o pape das políticas sociais ganhas com cultura, os tiles continuam a ser trabalhados da mesma forma por ouro, comida, produção ou energia, e a ciência serve para a pesquisa de novas tecnologias. Vão dar por vocês a lidar com elementos refrescantes como robótica, biologia extra-terrestre e até a procurar pesquisar uma forma de estabelecer contacto com uma consciência artificial, a tentar comunicar com o próprio planeta. O tema, elementos e estética de ficção científica são competentes e e existem mudanças que emprestam alguma frescura à série. Assim, as primeiras partidas vão sempre ser um mar de descoberta e diversão, a questão é que depois de nos habituarmos ao processo, a vontade de repetir desvanece-se. Como diz Raph Koster "a diversão é um processo e a rotina é o seu destino". Foi isso que o jogo me evocou rapidamente, não é suficientemente diferente dos Civilization anteriores, e não possui o charme característico de um título com reflexo histórico, acabando por se transformar rapidamente num processo automatizado de conquista genérica de grupos sobre os quais não nutrimos qualquer sentimento. [img]hide:aHR0cDovL3N0YXRpYzIuZ2FtZXNwb3QuY29tL3VwbG9hZHMvc2NhbGVfc3VwZXIvNDE2LzQxNjE1MDIvMjYzODgxMy1zY3JlZW5fcHJvc3Blcm91c2NpdHlfMDEuanBn[/img] [b]VEREDITO[/b] Beyond Earth é um evoluir da fórmula rainha nos jogos de estratégia por turnos, teve a coragem de sair da sua zona de conforto, mas perde aquela magia particular de jogar com Napoleão e ultrapassar a época dos mosqueteiros, atacar com os tanques alemães da segunda grande guerra ou no nosso caso, controlar D. Maria I na altura das naus que exploraram o mundo, vendo o nosso império a crescer com cidades como Lisboa, Porto ou Braga. Esta familiaridade que ainda tem os detalhes históricos que nos permitem aprender enquanto jogamos, não é fácil de substituir. [b]Positivo[/b] + Exuberância estética + Maior flexibilidade + Ambiguidade moral [b]Negativo[/b] - Falta-lhe personalidade - Facções genéricas [youtube]https://www.youtube.com/watch?v=qtYWqE55s24[/youtube]
Fonte: IGN
AlbertZero
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