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Análise do jogo "Batman: Arkham Knight" para PS4 escrito por IGN

Escrito por IGN, nota 9 de 10, enviado por ShadowsGamer,
[b]CALADA NOITE PRETA[/b] Santa recauchutagem, Batman! Na nova geração de videogames, o Cavaleiro das Trevas chega chutando a porta com os dois pés, dando um soco na boca do estômago de capangas desavisados e ainda tem tempo para dar um rolê por Gotham City em seu batmóvel, uma das novidades de Batman: Arkham Knight. O game é intenso. O teste do jogo foi realizado no Xbox One e não foram encontrados problemas como os da versão de PC. O jogo não traz inovações quando o compararmos com os três títulos anteriores da franquia da Warner Games. Entretanto, ele se utiliza dos melhores elementos de gameplay criados para a franquia e os aprimora, colocando-os em um ambiente extremamente detalhado, fruto das capacidades gráficas do PC, Xbox One e PS4. A soma disso tudo é um game do Homem-Morcego robusto, com muito conteúdo para explorar em um mundo aberto e com uma história excelente, que me "obrigou" a esquecer as dezenas de boas missões secundárias apenas para saber o que iria acontecer em seguida. É o game que todo o fã da série Arkham esperou, além de ser um título digno da nova geração de consoles. [b]Tá a mando do Bátima?[/b] Em Batman: Arkham Knight, o herói está bem mais experiente depois dos eventos do primeiro e do segundo jogos da franquia -- e também se contrapõe ao personagem no início de carreira de Arkham Origins, a "prequel" da série. Você já começa o game poderoso, repleto de habilidades dos títulos anteriores, como o propulsor do bat-gancho para poder planar por mais tempo e o lançador de cabo, para atravessar uma corda entre dois pontos e dar uma vantagem estratégica no combate. E, claro, há o batmóvel, que funciona mais ou menos como um acessório do cinto de utilidades do personagem, sobre o qual falarei mais adiante. O nível de detalhamento do Cavaleiro das Trevas é incrível. O uniforme é repleto de apetrechos e, já que não para de chover em Gotham City, o traje está sempre molhado -- o efeito usado para mostrar as gotas da chuva na capa é perfeito. Assim como nos títulos anteriores, a roupa do Morcego começa a ficar toda marcada, cortada e esburacada como resultado das centenas de batalhas durante toda a aventura. A sensação é a de que eu realmente estava assistindo a um filme, tamanha a complexidade visual. [img]hide:aHR0cDovL2ltLnppZmZkYXZpc2ludGVybmF0aW9uYWwuY29tL3QvaWduX2JyL3NjcmVlbnNob3QvZGVmYXVsdC90aHUtanVuLTI1LTE0LTQxLTExLXV0Yy0wMzAwLTIwMTVfYzh3bi4xOTIwLmpwZw==[/img] Contra os capangas, os movimentos do herói são sempre os mesmos, e as lutas coreografadas exigem pressionar os botões de ataque e de contra-ataque nos momentos certos para criar longos combos. Em Arkham Knight, os combates não mudam de modo significativo. Há, no entanto, maior fluidez de movimentos e maior precisão na hora de selecionar os inimigos a serem atacados. Há um novo movimento que permite nocautear até quatro inimigos rapidamente e sem ativar o alerta quando uma barra especial fica preenchida -- lembrando que o Batman não mata ninguém. É um bom modo de entrar em uma área difícil de ser atravessada. Estão de volta os combates dentro de ambientes, que permitem usar recursos do Homem-Morcego para deixar os adversários com medo. O gameplay não mudou, e você ainda terá de usar o gancho para mudar de posição no alto do cenário a todo o instante, mas o design destes níveis é outro. Há locais com menos lugares para se esconder e outros em que os inimigos estão tão bem posicionados que é difícil traçar a estratégia para eliminá-los. Por conta desse novo design, fiquei um pouco confuso em saber o que fazer, algo que não se tornou problema ao jogar o game por mais tempo. A curva de aprendizado é boa: quem já tem experiência na série não terá dificuldade alguma e quem é novato tem um excelente título para começar. Quem sabe a Rocksteady não decide lançar uma versão remaster com os três games anteriores para você curtir toda a saga? Claro que, conforme se completa missões principais, secundárias e outros objetivos, o jogador ganha pontos para aprimorar habilidades e bugigangas do herói. Novos acessórios também aparecem conforme a aventura avança, o que "obriga" o jogador a voltar em áreas anteriores para desbloquear extras do jogo e novos objetivos. Também está de volta um modo bem interessante de Arkham Origins: a reconstrução da cena de crimes usando recursos virtuais que recriam a cena. Batman mostra porque é o maior detetive do mundo, buscando pistas que são difíceis de serem vistas sem toda a tecnologia do personagem. É instigante procurar por evidências e, em uma cena específica, ver como um determinado personagem consegue escapar de um acidente. [b]Este documento não prova nada[/b] Dizem que sou um cara que conta "spoilers" demais. Por isso, vou evitar falar muito sobre o enredo do game aqui. Direi apenas que Batman estava em mais uma típica noite de combate ao crime quando fica sabendo que o Cavaleiro de Arkham (a tradução de Arkham Knight) quer a sua pele. O personagem-título é um ser misterioso que já tem um passado com o herói e está aliado ao Espantalho -- esse, por sua vez, um vilão que combina com o clima da nova história. [img]hide:aHR0cDovL2ltLnppZmZkYXZpc2ludGVybmF0aW9uYWwuY29tL3QvaWduX2JyL3NjcmVlbnNob3QvZGVmYXVsdC9iYWtzc2hvdDE0MGpwZy05NjdiNTRfN2J5ay4xOTIwLmpwZw==[/img] Um disco de missões aparece quando se pressiona o direcional da direita, permitindo selecionar o que fazer em seguida e, desse modo, obter uma indicação no mapa. Você pode fazer apenas a missão principal, no topo deste disco, ou tentar algumas do Charada, do Azrael e de outros personagens, salvar bombeiros em perigo, fazer missões de realidade aumentada (que dão mais pontos de experiência e liberam novos atributos para o herói e seus gadgets) ou até resolver crimes paralelos. Há ainda bombas para desarmar e, conforme se intercepta o rádio da polícia ou dos inimigos, surgem objetivos curtos e rápidos para se cumprir, como impedir um roubo, por exemplo. São estes elementos a mais que expandem a vida útil do jogo. O interessante é que, toda a vez que o jogador seleciona uma missão, o Batman faz um comentário específico, inclusive na versão dublada, trazendo o herói para mais perto do jogador. Gotham City está bem detalhada e o efeito das luzes dos neons dos prédios na "lente" da câmera do game são bem intensos, criando um ar decadente mas ao mesmo tempo futurista para a ambientação. Ainda sinto falta dos cidadãos andando livremente pela cidade, mas, assim como nos outros games, o contexto da história -- no caso deste jogo, a metrópole está em estado de sítio -- tira as pessoas das ruas, que ficam dominadas por vilões. [b]A dupla dinâmica?[/b] O modo chamado de dual play tem sua estreia em Arkham Knight e, embora seja muito bom ao permitir que joguemos com outros personagens além do Batman, ele não é inovador e não acrescenta na jogabilidade. Em determinados momentos e em certas missões, algum personagem irá interagir com o herói e os dois terão de enfrentar uma boa quantidade de capangas. Com isso, ao pressionar LB (no Xbox One, ou L1 no PS4), o jogador pode trocar de personagem e ter seu controle, conhecendo golpes e habilidades de Mulher-Gato e Robin, por exemplo. O jogo indica os momentos em que a troca é possível e quando ataques em dupla acontecem, no melhor estilo "tag team" do wrestling da WWE ou do TNA. São momentos visualmente incríveis, mas você pode ficar apenas jogando com o Batman que não haverá nenhuma mudança na partida. O camburão está esperando Desde os primeiros testes do jogo que incluíam o batmóvel, ficou claro que, ao mesmo tempo em que o veículo seria uma tentativa de inovar a franquia, poderia ser um tiro no pé. A inclusão muda o gameplay, oferecendo combates contra tanques e helicópteros, o que é muito legal e empolgante, mas quebra toda a mecânica da stealth, marca registrada da série. O veículo também faz o jogador usar menos o "voo" de Batman por cima dos prédios, já que a locomoção é mais rápida, mas menos divertida. Além disso, com ele, os inimigos que estão nas ruas fogem, e você perde as lutas que garantem pontos de experiência. Para dar mais ênfase à introdução do veículo no jogo, o estúdio o tratou como se fosse mais um acessório do bat-cinto de utilidades do herói. Ele é usado para resolver algumas das centenas de quebra-cabeças espalhadas por parte de Gotham City em que o game acontece. O carro tem um gancho com um cabo que derruba paredes ou puxa o asfalto para criar rampas e até desativar bombas. O gancho também conduz eletricidade, gerada quando o jogador acelera o motor do veículo, para desarmar bombas, uma das missões secundárias do título. O fato de se poder controlá-lo remotamente também abriu um leque de possibilidades aos desenvolvedores de criar quebra-cabeças de fritar o cérebro. Batman pode estar longe e seguro enquanto o veículo enfrenta ameaças ou até abre caminho para o herói. Quando você o controla nesse modo, no entanto, a tela fica mais turva e com uma leve estática na imagem, justamente para diferenciar o visual de quando Batman está no volante. O estúdio Rocksteady optou por fazer do batmóvel um tanque de guerra, mas os controles poderiam ser mais amigáveis. Não é nenhum problema poder usá-lo para destruir drones terrestres e aéreos do Cavaleiro de Arkham usando um canhão ou uma metralhadora, mas é o modo como o jogador ativa este recurso que atrapalha. Ingenuamente, talvez, foi escolhido que pressionar e segurar o gatilho da esquerda seria o comando para que o carro mudasse de forma e se torne uma máquina de guerra. Entretanto, este é o comando de 99% dos jogos de corrida, o que provoca uma série de erros por parte do jogador nos momentos mais cruciais. O botão X (quadrado no PS4) é o freio, enquanto o gatilho da direita é o acelerador. A opção foi por criar um estilo de controle similar aos dos FPS, em que o gatilho da esquerda ativa a mira do carro. Na minha opinião, seria melhor e mais intuitivo pressionar o X para ativar e desativar o modo de combate. A boa notícia é que você pode mudar esse esquema. Depois de ir à sede da polícia da Gotham pela primeira vez, vá aos menus e mude a opção Battle Mode Toggle, fazendo o RB (ou R1) ser o botão que ativa a mudança do carro para tanque, tornando o gatilho da esquerda o freio. Mas mesmo assim, o controle do carro deixa a desejar. Os combates com o Batmóvel têm bons efeitos visuais -- as partículas e faíscas voam pelos ares -- e parece que estamos dentro da armadura do Homem de Ferro: aparecem traçados dos tiros dos adversários, o que permite poder desviar deles, pistas a serem seguidas e o caminho para se chegar à missão. Mas mesmo com dezenas de veículos para abater, os combates se tornam repetitivos e, mais pra frente no game, usei o batmóvel apenas quando fui obrigado. Preferi ficar voando com o morcegão. [b]Modere o seu linguajar, por favor[/b] É inquestionável que o uso dos dubladores oficiais dos super-heróis nos desenhos e filmes em vez de atores, cantores ou humoristas aumenta muito a qualidade do que ouvimos no game. É muito bom ver adaptações de termos e brincadeiras do que apenas uma tradução simples, sem nenhuma entonação ou emoção. Se eu tivesse que dar um exemplo do que é uma bom trabalho neste quesito para alguém, mostraria Arkham Knight, Arkham Origins e Injustice. img]http://im.ziffdavisinternational.com/ign_br/screenshot/default/thu-jun-25-14-44-49-utc-0300-2015_tfbu.jpg[/img] Experiente, o dublador Ettore Zuim retorna ao papel depois de fazer a voz de Christian Bale na saga Cavaleiro das Trevas no cinema e o próprio Homem-Morcego em Batman: Arkham Origins. Minha impressão é a de que ele mudou um pouco o tom do herói, sendo mais parecido com seu trabalho em Injustice: Gods Among Us do que em Arkham Origins, que ficou mais parecido com a dublagem da trilogia de Christopher Nolan. Márcio Simões volta como o Coringa, dando aquele ar de louco que só ele sabe fazer desde que dublou o Gênio no desenho Aladdin. A química entre os dois é perfeita e fica bem distante de se estar assistindo à Sessão da Tarde. O novo jogo lembra mais um filme da Tela Quente ou do Telecine Pipoca. [b]O baile dos enxutos[/b] Com tudo o que o jogo oferece de conteúdo, de história -- e pelo menos para mim, de visual --, Batman: Arkham Knight tem um bom custo-benefício pelos R$ 250 que a Warner Games cobra. Caso você goste deste tipo de jogo e da série, você terá muito o que fazer por um longo tempo explorando a cidade e realizando missões paralelas -- e o pacote já traz a história paralela da Arlequina. Jogar com ela é uma experiência muito legal e diferente do herói e ficamos sabendo de algumas coisas que não são tão bem explicadas no enredo principal. No mais, Arkham Knight é um game que todos os fãs da série certamente vão gostar, mesmo com seus pequenos deslizes. Fica difícil imaginar o que mais vão inventar para explorar a franquia no futuro. [b]Para quem é este jogo[/b] Quem gosta de games de ação e pancadaria, curtiu os títulos anteriores, é fã de Batman ou quer um bom game para seu videogame de nova geração deve jogar Batman: Arkham Knight. Se você se enquadra em algum desses quesitos, não vai se arrepender. [b]O VEREDICTO[/b] Melhorando as mecânicas conhecidas da série, usando visual de nova geração e com uma história intensa, Batman: Arkham Knight traz todos os elementos que se esperava e ainda consegue surpreender, mesmo que o batmóvel quebre um pouco da parte furtiva do título. Os jogadores acompanharão o enredo vendo o herói se fortalecer ao longo da história, enquanto tentam segurar seus queixos a cada cena e a cada combate, que tem mais fluidez ao ser comparado com os títulos anteriores. Para incrementar o pacote, a dublagem em português supera a do título anterior da franquia, só aumentando o valor agregado.
Fonte: IGN
ShadowsGamer
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