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Análise do jogo "Killer 7" para PS2 escrito por GameVicio

Escrito por GameVicio, nota 8 de 10, enviado por Anônimo,
Muitos atualmente devem conhecer o nome Suda51 (Suda Goichi) graças a jogos como No More Heroes, Shadows of the Danmed e o mais recente jogo Lollipop Chainsaw. Entretanto, muitos gamers da Nova Guarda certamente não conhecem o jogo que tornou o nome de Suda famoso no mundo. [img]hide:aHR0cDovL3VwbG9hZC53aWtpbWVkaWEub3JnL3dpa2lwZWRpYS9lbi90aHVtYi9kL2Q0L0tpbGxlcjdib3huZXcuanBnLzI1MHB4LUtpbGxlcjdib3huZXcuanBn[/img] Lançado em 2005 pela CAPCOM, Killer7 é um jogo que, embora não tenha feito sucesso (na verdade ele é um jogo Cult), certamente entra na lista dos "Games que são Obras de Arte". Com uma jogabilidade estranha, aliado a uma excelente trilha sonora, uma direção de arte única e uma história tão bizarra, surreal e perturbadora capaz de deixar David Lynch orgulhoso, Killer7 certamente é um jogo que deve estar na sua coleção de jogos de PS2. Em Killer7, uma nova ordem mundial foi criada em 1998. Para acabar com a onda de terrorismo, todas as linhas aéreas e tráfego de rede assim como o uso de energia nuclear foram cessados e banidos e todos os mísseis destruidos durante o período de 2 anos. O mundo viveu em paz durante este tempo. Entretanto, em 2003, durante a cerimônia de assinatura de um tratado de segurança nacional das Nações Unidas, um grupo terrorista que vieram a ser conhecidos como "Heaven Smiles" atacou o evento em um atentado suicida. Com a sombra do terrorismo pairando sobre o mundo novamente, os líderes governamentais chamaram o único grupo que pode ser capaz de deter esta ameaça. No jogo, você controla Garcian Smith que é o mais fiel servo de Harman Smith (conhecido como "O Assassino de Deuses"), o líder paralítico do grupo Killer7 que enfrenta os Heaven Smiles, que são nada menos que zumbis invisíveis que se auto-destroem, liderados por Kun Lan (conhecido como "A Mão de Deus"). [t1]Gráficos[/t1] O que mais choca neste jogo a primeira vista são os gráficos. Nada de texturas detalhadas ou personagens com muitos polígonos. Para garantir o teor surreal e noir do jogo, os gráficos são em estilo Cel Shadding, sem textura alguma (exceto talvez pelos Heaven Smiles e alguns membros do Killer7), sombras blocadas e constante uso de cores em gradiente nos cenários. Isso aliado a perfeitos enquadramentos nas várias cutscenes e um belo uso de luz e sombra. Entretanto, durante as cutscenes de algumas missões, o Cel Shading dá lugar a dois tipos de animações, uma ocidental e outra oriental (o choque da cultura Japonesa e Americana são um dos vários temas abordados no jogo). [img]hide:aHR0cDovL3d3dy52Z2NoYXJ0ei5jb20vZ2FtZXMvcGljcy83MjY1ODA3YWFhLmpwZw==[/img] [t1]Sons[/t1] A trilha sonora de Killer7 é variada. Começando desde uma música Techno estilo anos 90 (Rave On) chegando até a uma aconchegante música ambiente. Há outras músicas e efeitos sonoros que dão um toque a mais no clima insano e perturbador do jogo. O destaque neste quesito entretanto é focado na dublagem dos personagens que é simplesmente um dos melhores que eu já vi até agora. A Grasshopper não hesitou em contratar pessoas conhecidas como Dwight Schultz, que fez o personagem Mad Murdoc do antigo seriado "Esquadrão Classe A", para dublar Harman Smith além de outros dubladores conhecidos como Tara Strong (Twilight Sparkle de My Little Pony) que dá voz a KAEDE Smith e Clam Carke (Liquid Snake de Metal Gear Solid) que dubla Ulmeyda por exemplo. Uma curiosidade é que as vozes de vários personagens secundários que você encontra durante as fases são apenas ruidos estáticos misturados com uma palavra concreta em um efeito bem mais convincente do que o "Engrish" usado na versão japonesa do jogo. [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=HP13vhIzpeA[/youtube] [img]hide:aHR0cDovLzI3Lm1lZGlhLnR1bWJsci5jb20vdHVtYmxyX2x4bXY5ejNXWnoxcWZuaTlnbzFfNTAwLmpwZw==[/img] [i]Na maioria das fases você encontrará Susie que lhe dará um anel com poderes elementais que ajudarão durante o percurso do jogo. Entretanto, mais interessante do que o fato de Susie ser nada além de uma cabeça decepada falante, são as histórias perturbadoras que ela conta. E repleta de emoticons. \(^_^)/[/i] [t1]Jogabilidade[/t1] Muitos torceram o nariz para a jogabilidade de Killer7 pois ele é uma mistura de FPS, Rail Shooter e Survival Horror em sua essência mais básica. A liberdade de movimentação não pertence a você em Killer7. Usando apenas dois botões, você avança ou dá uma meia volta percorrendo pelos cenários e quando você chega a uma bifurcação um menu estilizado dá a você as opções sobre qual caminho seguir. Nas várias fases do jogo você deverá resolver alguns enigmas bem no estilo de Resident Evil 1 para poder encontrar itens chamados Soul Shells. Tais itens são cruciais para o progresso do jogo pois é apenas coletando todos eles que você poderá ter acesso aos chefões das fases. Além de Garcian Smith, você poderá controlar mais 6 personagens embora alguns deles não possam estar disponíveis no início de cada fase. Cada um deles com uma característica distinta: Dan Smith é o mais equilibrado do jogo em termos de atributos e é capaz de usar um tiro carregado especial, o cego Con Smith usa duas pistolas automáticas e é capaz de se esgueirar por espaços pequenos além de poder correr a uma velocidade absurda. O ladrão Coyote Smith pode destrancar cadeados além de poder saltar alto para alcançar os telhados das casas. KAEDE Smith é a única mulher do grupo e usa uma pistola com mira de longo alçance. Kevin Smith é um assassino especializado em facas de arremesso e além de não ter de ficar perdendo tempo recarregando como os outros, tem a habilidade de ficar invisível passando entre os Heaven Smiles e pelo sistema de segurança a laser. MASK de Smith é um antigo lutador de luta-livre que é capaz de destroçar qualquer um usando dois lança-granadas. Por fim, o próprio Garcian tem a capacidade de reviver os membros mortos. E se por alguma razão Garcian morrer, é fim de jogo. [img]hide:aHR0cDovL2ltYWdlcy53aWtpYS5jb20va2lsbGVyNy9pbWFnZXMvMi8yNS9LaWxsZXJfN18tX1NjcmVlbnNob3QuanBn[/img] As coisas ficam ainda mais esquisitas (como se Killer7 não fosse esquisito o bastante) quando o assunto é o combate. Durante a exploração do cenário, ao ouvir um riso (coisa que indica que um Heaven Smile está por perto), você deve apertar o botão L1 para que você entre em visão em primeira pessoa. Mas isso não basta já que eles são invisíveis... Para ver os Heaven Smiles, você deve usar a função de "Scanning" com o L1 enquanto mantem pressionado o botão R1 para que eles fiquem visíveis e você possa matá-los (e ouvir suas gargalhadas ensanecidas quando morrem). Dependendo de como você mata eles, você pode ganhar tanto sangue ralo quanto sangue viscoso. Sangue ralo é adquirido ao matar inimigos normalmente e é usado para poder curar seus personagens ou usar tiros especiais. Já o Sangue Viscoso é adquirido ao acertar o Heaven Smile em seu ponto fraco que é indicado por um brilho amarelo em alguma parte de seu corpo e é usado principalmente para aumentar os atributos de seus personagens. Aparentemente este sistema de combate, aliado a uma exploração em 3ª pessoa, não faz muito sentido mas aliado ao clima surreal e perturbador do jogo, isso pode deixá-lo tenso e até mesmo paranóico, entrando em primeira pessoa e ficar escaneando a área sem parar a procura deles. O confronto com os chefões são bem variados e criativos também. Cada um deles tem uma maneira totalmente única de serem eliminados. Começando desde um simples tiroteio em que você deve atirar mais vezes que seu inimigo no período de 1 minuto chegando até a uma dupla de chefões em que você deve atirar na gravata de um inimigo quando tiver oportunidade para que o outro arrume ela, ficando de costas para você e exibindo seu ponto fraco. [t1]Narrativa[/t1] A característica mais marcante de Killer7 é sua história e narrativa repleta de temas políticos, religiosos e filosóficos além da cultura pop entre os Estados Unidos e o Japão. Tal narrativa não é fácil de se compreender e mesmo que você jogue de novo e de novo para compreender melhor sua história, quanto mais você encaixa as peças de sua narrativa mais complexa ela fica... Para que você possa realmente compreender (em teoria) um pouco do universo de Killer7 é interessante ter um pouco do conhecimento sobre a cultura política japonesa e americana além de prestar atenção nos mínimos detalhes nas passagens do jogo. [t1]Pontos Negativos[/t1] Se existe algo que pode ser considerado negativo neste jogo são alguns slowdowns que acontecem em determinadas áreas. A primeira ocorrência deste slowdown se dá logo na primeira fase do jogo quando você visita a biblioteca. Outros podem considerar como negativo as constantes conversas com os spectros durante o progresso de uma fase já que eles podem dar a sensação de "quebra de rítmo". [img]hide:aHR0cDovL2ltZy5waG90b2J1Y2tldC5jb20vYWxidW1zL3Y3MjcvS0pDYXNleS9EVkRWUiUyMEdhbWluZyUyMFBvbGwlMjAtJTIwMTI4LWJpdC8zNDAwMjkta2lsbGVyNy1nYW1lY3ViZS1zY3JlZW5zaG90LXRoaW5ncy1nZXQtd29ua2llci10aGUtaGlnaGVyLnBuZw==[/img] [t1]Conclusão[/t1] Killer7 é o típo de jogo em que ou você ama ou você odeia. Sua história e temas são bastante maduros e complexos o que torna Killer7 um jogo genuinamente para adultos. O jogo é um belo exemplo de originalidade e arrisco dizer que Killer7 é um daqueles jogos que está além do seu tempo não apenas durante a geração PS2 mas também nesta geração graças ao seu design único, sua história e por ser um jogo que ofereçe não apenas arte mas também substância. Em nome de Harman. [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=KyQ8nGMTuqY[/youtube]
Fonte: GameVicio
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