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Análise do jogo "Dishonored" para PC escrito por GameVicio

Escrito por GameVicio, nota 9 de 10, enviado por Geinrendour,
No mundo dos jogos de espionagem, gênero tão massacrado na nossa indústria atualmente, acabamos de ganhar um novo jogo que faz jus à sua descrição: Dishonored. Nnos últimos suspiros da peste negra, numa cidade fictícia inspirada na Londres da época com tecnologia mais avançada do que realmente se tinha, o jogador assume o papel de, até então, um homem comum chamado Corvo. [img]hide:aHR0cDovL2kubWludXMuY29tL2lRYVY4RG9XOVN0YTIuanBn[/img] Ao voltar de uma longa viagem, o personagem se depara com uma tentativa bem sucedida de assassinato, por um grupo de soldados com poderes sobrenaturais, da imperatriz que lidera àquele reino. Partindo daí, o personagem é incriminado e com ajuda externa consegue fugir, saindo em sua jornada em busca de vingança ou de um acerto de contas, isto dependerá das escolhas do jogador. É isso mesmo, temos aqui mais um jogo em que o comportamento do jogador influenciará diretamente no seu destino final no decorrer da trama, seguindo exemplos como Mass Effect. Só que não para por aí, já nas primeiras horas o jogador vai notar uma forte semelhança com outros jogos, tais como Deus Ex, Half-Life e Bioshock, quem sabe até mesmo Splinter Cell. [t1]Jogabilidade[/t1] Logo no começo, o jogador recebe um poder que inova completamente um gênero em que a descrição se faz necessária: Blink. Num piscar o jogador pode se "teletransportar" para uma outra região dentro da sua área de visão por uma distância limitada, e é aí que Dishonored mostra que não é um jogo somente inspirado, mas também inspirador. Pela primeira vez temos um jogo de espionagem/descrição de passo acelerado. Àqueles que não gostem deste gênero, justamente por sua lentidão, pela necessidade de esperar pela hora certa entre as sombras, ficarão gratos por esta habilidade. Este Piscar acelera a jogabilidade, permitindo que o ritmo corra rapidamente e de forma plausível. Você não terá de ficar esperando e esperando por muito tempo, poderá se transportar com agilidade pelo mapa e encontrar novas formas de atingir o seu objetivo. [img]hide:aHR0cDovL2kubWludXMuY29tL2l1WVhxdlN1T0pSb0YuanBn[/img] Além desta mecânica, sem sombra de dúvidas a mais importante do jogo, também temos a Visão Negra (a visão de raio x do jogo), o Enxame Voraz (ratos são invocados e devoram os inimigos), Curva Temporal (o tempo é desacelerado ou mesmo congelado, enquanto o jogador se move), Possessão (autoexplicativa e que inclui animais), a Rajada de Vento além de algumas habilidades que podem ser aprimoradas. O número de possiblidades para concluir os objetivos é incrível, fazendo com que cada jogador possa ter o seu próprio estilo além de experiência única. À parte disto, embora Dishonored tenha sido projetado como um jogo de descrição, nada vai te impedir de sair dando cabo de todo mundo, pois ele oferece esta possibilidade. [youtube]https://www.youtube.com/watch?v=_eqOMI8_txw[/youtube] [i]Vídeo de um jogador italiano botando para quebrar.[/i] O jogo também fornece algumas armas, como a sempre presente espada/adaga, armas de fogo e uma besta com três tipos de dardos, o normal, um que bota seus oponentes para dormir e outro que toca fogo neles. A inteligência artificial do jogo não é nem de longe ruim, mas poderia ser um pouquinho melhor, pois, às vezes, tem-se a impressão que alternar entre as dificuldades do jogo apenas aumenta/diminui a quantia de danos que o jogador recebe. Temos também alguns passatempos muito bacanas para se resolver que vão exigir um pouco mais de tempo e perseverança do [i]gamer[/i] na busca de alguns segredos de cofres e semelhantes que embora não sejam fáceis de desvendar, também não serão muito difíceis. Digamos que neste ponto a Arkane Studios soube produzir algo na medida certa. No mais, seja em meio a esquinas e becos perigosos infestados de gente morrendo devido à peste ou avançando, sobre telhados, na busca da melhor posição para eliminar ou neutralizar um inimigo, Dishonored se mostra um desafio muito bom. Cheio de livros e artifícios que trazem satisfação ao jogador. Para os amantes de descrição, terminar uma missão sem ser detectado é algo a se orgulhar, sem contar que você tem a possibilidade de terminar o jogo sem cometer nenhum assassinato, ser praticamente um ninja, um fantasma naquele mundo. [t1]Apresentação[/t1] O ambiente e atmosfera criados pelo mesmo designer do aclamado Half-Life são originais e conviventes. Tratamos aqui também de uma sociedade com tecnologia muito à frente de seu tempo, muito diferente do que realmente era, mas em momento algum nada do que vem à tela parece forçado, conferindo uma verossimilhança para a obra. Graficamente os desenvolvedores não buscaram padrões realísticos, usando do já batido motor Unreal 3, buscaram algo mais personalizado, longe de ser estilizado como a franquia Borderlands, mas distante do mais realístico Gears of War que trabalham sobre o mesmo motor. [img]hide:aHR0cDovL2kubWludXMuY29tL2liYUl3SnhQMzRnV2t6LmpwZw==[/img] Aproveitam-se de efeitos de luzes e de visuais distantes para conferir ao game a sua própria beleza, mas deve ser dito que, em alguns momentos, o jogador ficará desejando que os gráficos fossem mais pomposos, o que nos mostra que a geração atual já está nos fatigando neste quesito. O som do jogo é robusto, convincente e colabora muito para entregar o efeito da atmosfera que os desenvolvedores buscavam, mas você não terá como desfrutar disso sem um bom equipamento de áudio ou headset, o que não tira o mérito da obra. Como já foi dito, o jogo se inspira muito em jogos como Bioshock, fazendo coisas que os fãs deste vão identificar em diversos instantes, como ao notarem os tocadores que disparam gravações com relatos dos personagens, assim como também vão se lembrar de Deux Ex: Human Revolution, ao verem os vários "livros" e notas espalhadas pela história que revelam e corroboram com a experiência. [t1]Pensamentos Finais[/t1] O jogo pode parecer curto, na minha experiência ele foi completado em 18 horas, mas vejo claramente que o mesmo pode ser feito entre 10h a 12h, caso o jogador não queira explorar muito o ambiente, mesmo assim, num ano um tanto fraco na indústria de jogos, com muitos desses que prometiam muito, mas que acabaram por decepcionar, Dishonored é uma grata surpresa. Fugindo das novas experiências que cercam a indústria atualmente, aquelas que se focam em uma experiência mastigadinha, cenas épicas e retirada do controle do jogador, chega Dishonored que vai na contramão, com foco na jogabilidade, sem deixar de oferecer uma história interessante ou, eu deveria dizer, várias delas, já que o enredo deverá ser diferente para cada um de nós. [img]hide:aHR0cDovL2kubWludXMuY29tL2ltY3VqT1FsY3RYNXouanBn[/img] Você pode decidir por assassinar um guarda que está te atrapalhando e, enquanto procura o lugar perfeito para efetuar o ataque, acaba por ouvir algo dele e decidi que o mesmo merece ser poupado, ou o contrário, você pode estar só querendo passar o mais rapidamente possível por um lugar e ouvir algo que te faça querer dar cabo de um guarda imediatamente. Essas coisinhas, esses detalhes fazem deste jogo algo único com uma experiência igualmente assim. Dishonored é um jogo para quem gosta de jogos e não gosta de algo que, conforme o termo popular, precise de "desligar o cérebro" para ser proveitoso e divertido. Por isto pode-se afirmar que, até agora, Dishonored é umas das melhores experiências para quem curte jogos em 2012.
Fonte: GameVicio
Geinrendour
Enviado por Geinrendour
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