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Análise do jogo "Sleeping Dogs" para PC escrito por GameTV

Escrito por GameTV, nota 9 de 10, enviado por KevinsonDemon_,
KevinsonXD: É possível que Sleeping Dogs, o último lançamento da Square Enix, produzido em conjunto com o estúdio United Front Games não tenha chamado a sua atenção. Mesmo com aquela ação de vídeos virais em forma de live action, cheio de cutelos voando e kung-fu quebrando caras, é capaz de você ainda achar que ele não é nada mais que um clone de GTA. Dúvidas pertinentes, e que não serviriam de evidências para um julgamento prematuro de caráter. Os jogos estão caros e é preciso manter-se precavido, sempre. Mas o melhor de tudo isso são essas dúvidas sendo dissolvidas após as primeiras horas de jogo. Sleeping Dogs é apaixonante. Polícia para quem precisa "CD de música, amigo? Tenho as novidades! Comigo é mais barato!" "Ei, jovem bonitão! Não quer comprar umas camisetas? É mais barato que no shopping!" "Aqui tem de tudo, CD de música, de videogame, o que você quiser" Esse é o mercadão noturno de North Point, primeiro bairro a ser explorado em Sleeping Dogs. Ele fica de frente ao Golden Koi (Carpa Dourada), restaurante e também base para as atividades ilegais da Water Street Gang, uma das principais facções da Tríade Sun On Yee. Essas duas áreas são o ponto de partida para as aventuras de Wei Shen, policial de Hong Kong, infiltrado no submundo do crime e disposto a quebrar algumas leis para cumprir a sua missão. O roteiro do game é inspirado em filmes como "Os Infiltrados" e "Caçadores de Emoção", cujo o intuito é mostrar a ambiguidade do que é certo e errado. O que a Square Enix procurou mostrar é que ser um infiltrado não é uma tarefa fácil. Logo de cara entendemos quem somos e o que queremos. Com o passar do tempo, começam a surgir dúvidas em relação as pessoas à sua volta. "Eles são assassinos e traficantes, tenho que prender todos", você obviamente vai pensar no início do game, com todos aqueles chineses tatuados e mal encarados. Com o passar das horas, sempre sintonizado com o protagonista, ambos vão descobrindo uma segunda camada de relacionamento entre capangas, chefes e familiares em geral. O senso de responsabilidade com o próximo, a lealdade e vários outros personagens que, apesar de viverem sob o mesmo teto, não fazem parte da tríade de uma forma mais direta vão se aproximando e, a cada missão, você se distancia mais e mais do seu propósito inicial. É fácil tirar Wei Shen do seu caminho. Está no roteiro. Mas quando essa dúvida acontece também na vida real, aflorada pelo carisma dos "vilões" em contrapartida a frieza e "falta de escrúpulos" dos policiais envolvidos diretamente na trama, percebemos o bom trabalho que a Square Enix realizou em Sleeping Dogs. Ou em algum momento, ao final de "Velozese Furiosos 5", você imaginou o representante da polícia especial, Dwayne "The Rock" Johnson, encarcerando o ladrão expert em corridas de rua, Vin Diesel logo após o mesmo ter recém eliminado o maior traficante do RJ? Atento aos detalhes Desde pequeno, Sleeping Dogs sempre foi comparado ao clássico GTA. Mundo aberto, veículos à disposição, combates armados e desarmados, colecionáveis, missões paralelas e quaisquer outros atributos mais superficiais que você possa se lembrar. A diferença, no entanto, é a profundidade de cada mecânica de jogo aplicada dentro daquela Hong Kong virtual. É como se fossem vários jogos dentro de um, e com a mesmíssima importância. Não desrespeitando o clássico, mas é que tudo em GTA IV funcionava "mais ou menos". Os tiroteios eram maneiros, mas o sistema de cobertura era travado e a mira não era tão ágil. Os combates desarmados eram simplistas demais, com golpes sem graça e repetitivos. As corridas e perseguições eram emocionantes, mas os carros pareciam usar rodas de sabonete, juntamente de uma suspensão absurdamente irritante (no início, pelo menos). Não é uma tentativa de conceituar pejorativamente o game, mas são coisas que vamos percebendo com o passar dos anos em que continuamos a jogá-lo (e o jogamos até hoje, tenha certeza disso). Dá para perceber uma preocupação maior nesse tipo de detalhe pelas mãos da United Front Games e da Square Enix London Studios na elaboração dos combates e demais mecânicas de jogo. Por outro lado, é impossível mesurar o envelhecimento de Sleeping Dogs. Será que o mesmo resiste aos castigantes ventos da mudança e será jogado da mesma forma daqui a alguns anos? O combate não é só "mais um elemento", exigindo um domínio maior de todas as técnicas de Shen. Seguindo (muito) de perto as lutas encontradas nos novos games do Batman, é preciso sempre ficar atento à sua volta. E prepare-se, pois o mano a mano não faz parte do vocabulário da Tríade. São sempre três (ou mais) contra você, e é preciso atacar para todos os lados e desviar com a ajuda de um 'counter', tudo ao mesmo tempo. Por sorte, não é necessário manter-se de frente ao oponente para o contra-ataque, nosso querido policial Wei Shen é um especialista na arte de causar dor - influenciado, principalmente, pelos movimentos absurdamente maneiros de Tony Jaa (segundo o time de desenvolvimento da United Front). A lista de combos é robusta e só aumenta com o passar das horas jogadas. Movimentos de agarrão, arremessos e combos com timings diferentes, tudo muito bonito e prático de verdade. A ideia é evitar o famoso 'button masher' e forçar o jogador a experimentar táticas diferentes em inimigos que agem de forma distinta. Tem uns defendem demais, outros não se deixam agarrar e encontramos até mesmos os mais 'ninjas' que conseguem aplicar counters iguais aos seus. E, claro, cuidado redobrado contra chaves de roda, facas e cutelos. Uma grande novidade para o combate desarmado dentro de Sleeping Dogs é a utilização do cenário como arma. Entre um soco e outro, é possível agarrar o oponente e esmurrá-lo com a porta corrediça da lojinha da esquina, ou arremessá-lo de encontro a um aquário gigantesco dentro de uma balada. As 'execuções' de cenário variam entre as mais tranquilas, batendo com a cabeça do infeliz no capô de um carro, até as mais violentas, como enfiar a cabeça do pobre chinês dentro de um incinerador e apreciar o resultado. O melhor é que a mesma preocupação vista no combate desarmado, é encontrada nos tiroteios. Diretamente de Max Payne (para citar o mais recente), uma câmera lenta é acionada sempre que você desliza por um balcão, carro ou muro, e sai disparando projéteis nos seus inimigos. Além disso, um botão exclusivo para o sistema de cobertura, disparos às cegas e técnicas especiais de desarmamentos. Apesar das armas parecerem o melhor negócio para os combates, é um tanto quanto complicado manter-se armado em todos os momentos do jogo. O foco ainda é o bom e velho Kung-Fu. No traslado de uma localidade para outra, você pode optar pelo taxi, útil para quem não gosta de perder o foco naquele mundão aberto, ou passar em alguma garagem pública e acessar seu veículo. Diferentemente de GTA IV, não é possível adquirir novos automóveis roubando-os e guardando-os. Você vai precisar destravar as lojas/lojistas e comprá-los com seu dinheiro. Carros, esportivos e motocicletas podem ser compradas em um primeiro momento. Os veículos são rápidos e respondem bem, alguma coisa entre um Need for Speed clássico e a série Midnight Club. Temos ainda um botão para drift e outro que empurra o adversáro, danos visíveis e um sistema bastante interessante que possibilita roubar um carro em movimento. É bem parecido com o que acontecia em The Wheelman, jogo produzido e protagonizado por Vin Diesel, que não fez tanto sucesso (ACREDITE!). Para completar, rádios que tocam músicas tradicionais chinesas, pops locais e claro, internacionais. Mas, sem sombra de dúvidas, é muito mais interessante trafegar pela cidade ao som de alguma música repleta de instrumentos diferentes aos nossos ouvidos e uma língua belíssima que a gente não entende praticamente nada, ao invés de algo mais tradicional aos nossos ouvidos. O maior problema da dirigibilidade em Sleeping Dogs é essa quase indestrutibilidade dos automóveis. Demora demais para que seu veículo fique em pedaços e exploda de uma vez. Com as motocicletas, você só é derrubado se bater de frente em outro carro igualmente rápido. Tem hora que parece até a moto do Batman usando paredes para fazer curvas, mas nada que estrague a experiência. Bem vindo à Hong Kong O mapa de Sleeping Dogs não é tão extenso, mas proporciona algumas horas de exploração. Becos, avenidas, vias expressas, parques, mercados e lojas espalhadas pelas quatro regiões principais do jogo. Nesse quesito, GTA IV ainda é superior, com um mapa sem tantas áreas vazias e minuciosamente detalhado. Não sei dizer também o quão real ficaram as localidades. Com a recente experiência encontrada em Max Payne, dá para sacar que as desenvolvedoras exploram o que é mais característico de cada lugar e colocam no game - regra aplicada a quase todas as cidades mais "exóticas". O que dá para perceber, no entanto, é que existem poucas pessoas nas ruas, o que facilita o seu trabalho na hora de uma perseguição (atropelar inocentes faz você perder pontos). Não é sempre que se pode entrar em uma residência ou edifício, mas quando é possível, há uma preocupação em criar um ambiente cheio de obstáculos, pontos de cobertura e locais de interação com o cenário. Nesse aspecto, Sleeping Dogs perde feio para seu irmão mais velho, cheio de lojas, casas, apartamentos e escadarias de incêndio a serem descobertas. E parece até que Bruce Wayne em pessoa emprestou seu celular para Sheng. Ele pode fotografar, acessar e-mails e hackear sistemas diversos. Essa parte de invadir sistemas é bastante interessante, já que varia em mais de um tipo de mini game. Aquele tradicional dos novos jogos do Batman, que utiliza ambos os analógicos para encontrar a frequência de rádio certa, um que necessita um toque mais sutil para descobrir a combinação de cofres e outro que trabalha uma sequência de números certos e poucas tentativas. Outros minigames não requerem o celular, mas sim a sua habilidade na utilização de um grampo no arrombamento de portas. Excelentes e muito bem usados durante a aventura. O game divide sua experiência em três pontos fundamentais: Tríade, Polícia e 'Face', um tipo de moral das ruas. Cada um dos atributos lhe concede benefícios específicos, como novos golpes, melhor manuseio de armas e novas táticas de combate. O 'Face', no entanto, é evoluído à parte, basicamente com missões paralelas. Um namorinho aqui e ali pode lhe render pontos de habilidade para aumentar a sua moral, assim como encontrar as estátuas de Jade dos doze animais do zodíaco chinês (que também lhe bonifica com novas técnicas de combate) ou realizar favores a certas personalidades (marcadas em dourado no mapa). Sleeping Dogs é bastante divertido. Deixe de lado o seu preconceito em relação a ele ser "mais um clone de GTA" e dê uma chance a esses chineses malvados de coração puro. O elenco de dubladores contratados para interpretar os personagens é bastante impressionante, com nomes como Will Yun Lee (Marek, no novo Total Recall, será o Silver Samurai no novo filme do Wolverine e o Ermac no MK Legacy), Robin Shou (Liu Kang, no clássico Mortal Kombat), Tom Wilkinson (Carmine Falcone, em Batman Begins) e até mesmo Emma Stone (Gwen Stace, em O Espetacular Homem-Aranha) fazendo uma ponta. Ele tem alma, tem carisma e você devia experimentá-lo.
Fonte: GameTV
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