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Análise do jogo "Sine Mora" para X360 escrito por GameTV

Escrito por GameTV, nota 9 de 10, enviado por Anônimo,
[i]Ousadia impera no shmup dieselpunk da Grasshopper[/i] [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9zaW5lbW9yYTAuanBn[/img] Em tempos de publishers que fazem de tudo para ouvir os jogadores e até cogitam mudar o final de Mass Effect 3, é uma surpresa ver que um jogo aparece sem se prender a conceitos pré-definidos e, mais do que isso, não faz esforço nenhum para agradar ao grande público. Sine Mora é todo falado em húngaro (influência do estúdio Digital Reality, parceiro da Grasshopper no desenvolvimento), tem personagens no mínimo bizarros, uma história confusa, é difícil e não oferece nem a chance do jogador recuperar um save caso perca todos os continues. Não é para quem é mimado nem para quem quer moleza. Na essência, é mais um shoot'em up em rolagem lateral, aquele gênero sem lançamentos inéditos há um bom tempo (alguém lembra qual foi o último?) mas com um design dieselpunk único e intrigante, meio paleofuturista e cheio de chefões lindos (e assinados por Mahiro Maeda, desenhista de Neon Genesis Evangelion) feitos de lata e movidos a combustível fóssil. Os cenários são vastos e, antes de cada batalha com um subchefe, a câmera gira em torno do avião e mostra como as fases são enormes e ricas em detalhes. É tudo muito lindo de se ver. A trama envolve um grupo de pilotos de aviões de guerra (que, interessantemente, possuem a habilidade de mexer com o tempo) movidos por vingança em uma luta contra um ditador que pretende tomar o controle de um lugar tal que é longínquo e habitado por criaturas que não são nem gente, nem animais, mas que falam húngaro fluentemente. É complicado, mas dentro do esperado para uma obra de Suda51. Como é um grupo de pilotos, em cada fase o jogador controla um avião diferente, cada um com uma arma secundária diferente. Só dá para escolher o piloto e o avião no modo Arcade e depois de encarar a história. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9zaW5lbW9yYTEuanBn[/img] O fato da trama ser contada apenas com texto parado e em pequenas cut-scenes com balões de diálogo com as cabeças dos personagens ajuda a não quebrar muito a ação, mas acaba fazendo falta algo mais elaborado. Invariavelmente, você vai acabar tendo que se perguntar "mas o por quê eu estou aqui mesmo?" e, na maioria das vezes, vai ficar sem resposta. O que rola é "nossa, te odeio!" e depois um "ok, vamos acabar com eles!". Algumas cenas tentam dar dramaticidade, mas, no geral, é até bom o ato delas serem curtas mesmo. Mais que isso já seria encheção demais. Por falar em diálogo, a recomendação é jogar em inglês mesmo, porque a tradução, que é em português de Portugal, veio com alguns erros que cortam o clima. Se a história confunde, o lado bom é que a parte de ação não decepciona nem um pouco. Sine Mora tem um lance da energia do seu avião ser baseada em tempo, então não há barra de vida, nem aquele velho esquema de "levou tiro, morreu": encostando em algo ou sendo atingido, você perde não só alguns segundos, como também um item de poder de fogo, que diminui a eficácia dos tiros primários - e são nove níveis no total. Eles ficam pairando pelo cenário e dá para pegar de volta, mas tente fazer isso com a tela cheia de tiros e inimigos para todo lado... E o game é cheio dos artifícios típicos dos "Bullet Hell shooters", aquela vertente de títulos que preenchem a tela com tiros e deixam o jogador sem ter muito para onde fugir. Tem aquela velha situação de vir um míssil (um com sorte, porque geralmente são mais do que isso) na sua direção e, ao atingi-lo, ele libera pelo menos uma dezena de tiros que continuam indo na sua direção. Por falar em tela cheia, vale um parágrafo para a proporção dela, que é em widescreen anamórfico 2,39:1 - isso quer dizer que a largura da tela é 2,39 vezes maior que a altura, e isso deixa grandes barras pretas nas seções superior e inferior do display. É mais do que widescreen. Frescura? Pode ser, porque você sente que a seu televisor grandão faz a tela do jogo parecer menor do que é. Mas quando a tela fica cheia de inimigos e você absolutamente não consegue se concentrar em mais de uma seção da tela por causa disso (porque você precisa ver a barra de energia do chefe do lado direito da tela e lidar com os tiros dele na sua posição do outro lado), tudo faz sentido. E o resultado final fica legal mesmo, porque lembra aqueles filmes em 2,39:1. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9zaW5lbW9yYTIuanBn[/img] [t2]O tempo está ao seu lado. Ou não...[/t2] O tempo em cada uma das sete fases é escasso. Cada inimigo abatido dá alguns segundos extras, mas cada vez que seu avião for atingido, o tempo diminuirá. É não ser atingido, para o tempo não acabar, e fazer de tudo para detonar com os inimigos, para o tempo não acabar também. O sistema é possivelmente a manobra mais genial e a maior inovação já feita desde que o mundo conheceu o gênero de shoot'em up. Quem se acostumou com a avalanche de checkpoints dos jogos da geração atual vai levar uma surra de Sine Mora caso escolha a dificuldade mais elevada, já que na Normal há muitos trechos tranquilos. Mas uma surra daquelas bem gostosas, diga-se. Outra novidade é que no Story Mode é possível utilizar uma habilidade que faz o tempo correr mais devagar - um bullet time, na verdade. O artifício é limitado e deve ser guardado para batalhas com os chefes ou nos momentos mais difíceis, quando realmente não dá para ver saída no meio de tanto tiro rolando ao mesmo tempo. No Arcade Mode, uma outra habilidade permite retroceder no tempo caso seu avião seja abatido. Mas vale lembrar que nada disso faz o jogo ficar mais fácil. É coisa para guardar para quando for necessário mesmo, pois são recursos bem escassos. De resto, há o modo Boss Batle, que permite enfrentar de novo os chefes que já foram abatidos, enquanto que o Arcade Mode deixa escolher personagens e armas antes de entrar nas fases que já foram liberadas. No Score Attack, o objetivo é óbvio, mas divertido, já que vai ser preciso muita luta e sangue frio para conseguir uma pontuação no mínimo razoável (e ver as pontuações do topo do ranking só faz você achar que não sabe jogar mesmo). Mas a longevidade do jogo está justamente nestes extras, porque a campanha é bem curtinha e dura umas duas horas, chutando alto. E não há multiplayer. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9zaW5lbW9yYTMuanBn[/img] [t2]Pode mandar bala[/t2] Sine Mora é incrível e vai parecer mais incrível ainda para quem é órfão do gênero - quer dizer, não é o que tem para hoje, é mais do que qualquer um poderia pedir. Os gráficos, a ambientação, a bela trilha sonora assinada por Akira Yamaoka, o design e o ousado sistema de tempo em vez de barra de energia já são atrativos suficientes para o game merecer pelo menos uma olhada mais minuciosa. O melhor é que mesmo sendo de um gênero meio esquecido hoje em dia, tudo isso que está no parágrafo acima tem toda cara de ser coisa nova. Não é nada reciclado do passado, não é nada feito para ter cara de jogo dos anos 90. É um shoot'em up contemporâneo de verdade, feito como muito esmero e que faz os 1.200 Microsoft Points pedidos pelo download soarem como uma pechincha. Aliás, o game já está disponível na Xbox Live Arcade brasileira. A campanha é curta mesmo, mas o verdadeiro desafio está em encarar os modos Arcade e Time Attack. Quanto mais você fica perambulando neles, mais viciantes eles ficam. Rola todo aquele aprendizado do tipo "desta vez eu vou conseguir fazer diferente" e chega uma hora que você realmente decorou a ordem das coisas e já descobriu como fazer seu avião ter menos chances de ser abatido.A sensação é que é impossível tirar rank A em todas as fases, mas é justamente isso que vai fazer os mais masoquistas não largarem o game tão cedo. Eu, que curto levar uma surra, ainda vou passar muito tempo jogando Sine Mora. [i]Daniel Mello[/i] [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=DaO1djQMhF4[/youtube]
Fonte: GameTV
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