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Análise do jogo "Persona 4: Golden" para PSVITA escrito por GameTV

Escrito por GameTV, nota 10 de 10, enviado por Anônimo,
[img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9wNGcxLmpwZw==[/img] A série Persona, que teve início como spin off de Shin Megami Tensei, foi criada pela Atlus com o intuito de representar a sociedade jovem atual do Japão de uma maneira mais "leve" que os títulos da franquia principal - quem já passou por Nocturne e Digital Devil Saga sabe bem qual é o tipo de leveza a que me refiro. A premissa inteira da série é criar laços com os jogadores, construir personagens e desenvolver situações corriqueiras. Não duvide: todo seu universo vai bater de frente com muito do que os jogos apresentam e o termo "leve" ganhou aspas merecidas. Persona 4, lançado no PlayStation 2 em 2009, segue a tradição de seus antecessores e contorna seu próprio contexto simples ao apresentar uma psicologia pesada por trás de sua temática. Muito do que o psicólogo Jung fala sobre as tais facetas que usamos ao levantarmos de manhã para irmos para o trabalho ou à escola é explorado de maneira profunda no enredo. No console da Sony, o jogo virou uma espécie de cult, graças a combinação de personagens contemporâneos com as mecânicas complexas que são típicas de Shin Megami Tensei. Persona 4 Golden propõe colocar a série em voga outra vez, mas em versão portátil. "Scooby-Doo direto do Japão" Na pacata cidade de Inaba, onde o nosso protagonista silencioso precisa passar o ano, alguns desaparecimentos e assassinatos macabros começaram a acontecer. Cabe ao grupo formado pelos colegas de classe de nosso protagonista desvendar os crimes que atordoam a paz da cidade rural que dá pano de fundo para o enredo. Os acidentes estão atrelados a um rumor sobre o aparecimento das vítimas em um canal de televisão, que exibe imagens somente a meia-noite e apenas em dias chuvosos. A premissa é tão surreal que lembra um pouco a fantástica animação Paprika, de 2006, que brinca com mistérios que ocorrem em um mundo paralelo. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9wNGcyLmpwZw==[/img] A trupe formada pelo silencioso Yu Narukami (nome dado ao protagonista na adaptação do título para anime) e seus amigos do colégio precisará entrar neste universo dentro da televisão para solucionar os desaparecimentos de uma extensa lista de personalidades. Os elementos que misturam psicologia com jogo são aplicados neste âmbito, dentro do mundo paralelo da televisão, e é aqui que os personagens sequestrados mostram seu lado escondido e pessoal. Você não ia gostar de ter sua sexualidade explorada forçadamente. Você não ia gostar de falar, em voz alta, que não gosta de verdade da sua família ou de seus amigos. E, principalmente, você não iria gostar de ter que se assistir fazendo tudo isso, se enxergar soltando sentenças grotescas na frente de desconhecidos. A desmoralização da situação é traduzida de maneira simbólica: ao enfrentar o seu "eu verdadeiro" dentro das dungeons de Golden, os personagens precisam assumir que aquela representação defeituosa e distorcida faz parte de seu próprio ser e, para o caso dos companheiros de Yu, um Persona é liberado, uma representação física dessa segunda face que pode agir nas batalhas. [youtube]http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=WkL4GXJRMJY[/youtube] Modernização do que já era bom A estrutura do jogo, tanto na exploração das dungeons quanto na administração do tempo livre gasto após as aulas no colégio, possui vertentes o bastante para agradar dos mais ávidos jogadores até os que estão curtindo o título puramente pelo enredo. A versatilidade dos estilos e ritmos possíveis é ressaltada com a adição das dificuldades Very Easy e Very Hard. Graças a elas, será possível passar infinitas horas explorando as dungeons ou apenas passar correndo pelas mesmas, tudo a escolha dos próprios jogadores. Os Social Links, uma espécie de tabela para a evolução do relacionamento do protagonista com seus amigos, ganharam duas adições inéditas: Adachi, o policial parceiro de Ryotaru Dojima e Marie, uma mocinha babaca que responde pelo estereótipo agressivo, que nunca havia dado as caras de maneira extrema em meio das manias japonesas do roteiro. Ambas as novas interações rendem uma quantidade considerável de conteúdo para a história, o que já justificaria a existência do título no PlayStation Vita, mas, por sorte, a lista um tanto quanto exagerada da Atlus não parou por aí. A melhor palavra para descrever Persona 4 Golden é polidez. Todos os sistemas foram revisados e soam mais consistentes. Fundir Personas continua viciante e Golden adiciona mais criaturas a extensa lista do compendium da versão para PlayStation 2. Após algumas batalhas é possível entrar em uma espécie de mini game com cartas especiais que adicionam Personas ao seu próprio catálogo ou outros bônus e não é mais necessário ficar acompanhando a carta desejada rodar por aí para selecionar a correta, basta escolher a opção em uma lista. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9wNGczLmpwZw==[/img] A adição mais notável, mesmo com a existência dos novos Social Links, novos eventos, nova dublagem e afins, são as mecânicas online. Golden permite que os usuários chequem o que outros jogadores fizeram pelo depois da aula ou a noite em uma tela especial, chamada Vox Populi, que informa se a maioria optou por estudar ou se a opção foi comer uma tigela de carne no Aya. Nas dungeons, a funcionalidade aparece em forma de pedidos de ajuda. Caso você esteja com pouco SP e precise avançar para o próximo andar, mandar um SOS para outros jogadores pode ser bem útil: basta apertar um botão para receber um bônus de HP/SP e é igualmente simples dar uma mãozinha para os outros. A dedicatória especial para os fãs da série é um canal especial, o TV Listings, em que é possível assistir vídeos de shows dos responsáveis pelas introduções da série, ter algumas aulas sobre os conceitos da franquia, ouvir músicas ou rever as animações de Golden. É conteúdo o bastante para agradar os fãs e despertar o interesse de que não jogou os títulos anteriores. Não importa se você jogou Persona 4 a exaustão no PlayStation 2 ou se nunca nem relou em um Shin Megami Tensei. Na verdade, não importa nem se você não gosta de RPGs ou de cultura japonesa. Persona 4 Golden atingiu um certo nível de singularidade como jogo que vale a pena mesmo para quem passa batido do gênero - em suma, qualquer um precisa por as mãos na pérola da Atlus e não existe momento melhor do que agora, com o remake para o portátil da Sony. O produto final entregue pela produtora não só traz a glória do título em gráficos HD como adiciona uma avalanche de conteúdo adicional e refinamentos para mecânicas.
Fonte: GameTV
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