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9.5

Análise do jogo "Max Payne 3" para X360 escrito por GameTV

Escrito por GameTV, nota 9.5 de 10, enviado por Pedro Hick,
[img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9tYXhwYXluZTEuanBn[/img] O bom e velho Max Payne passou nove anos longe do mundo dos games e retorna agora, sem grandes ousadias, mas com violência e tiros de sobra e uma trama cheia de reviravoltas. O ex-policial, ainda desiludido com a vida e meio sem esperança depois das duas últimas aventuras, vai morar em São Paulo a convite do camarada Raul Passos, que ofereceu um trabalho a ele como segurança particular da família do empresário Rodrigo Branco. Em uma das festas regadas a champagne importado, a esposa do cara, Fabiana, é sequestrada pela gangue Comando Sombra, liderada pelo traficante Serrano. O cara é um casca grossa famoso por executar seus inimigos sem dó nem piedade (e olha que a gente já viu essa história na vida real - ponto para Rockstar). A partir daí, o objetivo de Max é resgatar a garota - nem tanto porque ele recebe dinheiro da fampilia Branco para fazer seu trabalho direito, mas para tentar provar para si próprio que ele não é tão fracasso quanto acha que é - e quem jogou os dois primeiros Max Payne sabe do que eu estou falando. E um dos inúmeros pontos que a Rockstar executou com maestria exemplar em Max Payne 3 é justamente esse: o jogador desavisado e que ignora completamente a franquia Max Payne conseguirá ficar a par da situação particular do cara com a maior facilidade. Álcoolatra, cheio de problemas e com enorme sentimento de culpa por tudo que ocorreu no passado (e eu não vou contar nada aqui para não estragar a surpresa de quem não sabe a trama ainda), Max tinha tudo para ser mais um imprestável por aí, mas é uma das personalidades mais intrigantes do mundo dos games. Fiquei com pena dele, de verdade. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9tYXhwYXluZTIuanBn[/img] O fato das cut-scenes serem curtas (e um detalhe: não há legendas em inglês para as falas em português) e da ação não parar em absolutamente nenhum momento cria o melhor clima possível. Não existe - ou pelo menos não dá para perceber - loadings entre as sequências de ação e os trechos não jogáveis, e as transições são suaves até demais. Realmente, é um dos jogos que mais consegue capturar aquele estilo de "filme que você joga" que a indústria tanto vem perseguindo na última década. O resultado é espantoso e diverte pacas, até por conta de algumas sacadas que a Rockstar teve - após acabar com o último inimigo de cada trecho, rola um close da cena em câmera lenta para você ver a bala perfurando a cabeça do indivíduo. A cutscene com Max chegando à favela de Nova Esperança ao som de Emicida, por exemplo, é de cair o queixo. É pobreza, criançada sem rumo, venda de DVD pirata no meio da rua, gente sem futuro usando droga e consumindo bebida. Como membro da classe que ignora os menos favorecidos e acha que tá tudo bem com a cidade, não sei exatamente o que se passa em uma favela real, mas batendo o que nós vemos nos telejornais e o que Max Payne 3 apresenta, deve ser isso mesmo (e incluindo o baile funk - em São Paulo rola funk até em balada de playboy, por quê não rolaria na favela?). É possivelmente a melhor e mais bem feita crítica à desigualdade social já feita em um vídeogame. Há muitos exageros, como perseguição de lancha no rio Tietê e um climão típico de morro do Rio de Janeiro nas favelas, mas quer saber? Nada ali parece inverossímil demais. Mostrar execuções à queima-roupa e a bandidagem comendo solta podem até soar violentos demais para os gringos, mas é aceitável em um país onde notícias de pessoas morrendo aleatoriamente viram assunto de ontem com a maior rapidez. Se alguém falar que Max Payne 3 passa uma imagem negativa de São Paulo, a vontade, depois de terminar o jogo, é responder "mas é isso aí mesmo". Bom, de quebra, ainda gradam os pequenos detalhes que a Rockstar buscou trazer: tem coxinha na delegacia de polícia, novela com climão de produção mexicana, mas tem também um retrato bem paupável de toda segregação socioeconômica inerente à cidade, como as festas de gente rica em coberturar milionárias, mas com a vista, lá no fundo, para uma enorme favela. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9tYXhwYXluZTMoMSkuanBn[/img] Levar Max no meio dessa confusão todavserá um deleite, já que o sistema de cobertura é super simples e funciona muito bem. Com X (testamos a versão do Xbox 360), Max encosta em algum obstáculo, e ele pode sair de lá apenas movimentando o direcional analógico esquerdo ou ao apertar do X novamente. O bullet time também não tem segredo - ao acioná-lo, a câmera fica lenta e abre uma janela para o jogador detonar os miolos de uns três ou quatro inimigos. Dá para usar também o comando de "mergulho no ar" com bullet time, útil para acabar os caras e ainda cair em algum ponto próximo de algum lugar que pode ser utilizado como cobertura. Nestes pontos, nada a reclamar. Se há algo que pode comprometer a diversão e a tensão dos jogadores é o grau de dificuldade, que fica um pouco alto demais em algumas passagens das últimas missões. Depois de jogar várias vezes o mesmo trecho, fica a sensação que a detecção de colisão das balas poderia ser melhor: você tem certeza de que acertou a cabeça do maluco, mas ele simplesmente levanta e continua atirando de volta. Não compromete quem é chegado num desafio extra, mas o ponto é que a dificuldade deveria ser mais uniforme, e não alternar entre picos de "estou matando geral, que fácil" e "não acredito que morri pela décima vez aqui". Para não frustrar os mais novatos, o jogo vai dando novas doses de remédios para Max (e é sempre bom lembrar: Max não restaura energia sozinho e precisa dos bons e velhos itens para recuperar vida) quando o personagem começa a morrer demais. Quer dizer, jogador sabe que o sofrimento vai ser passageiro, porque na dificuldade normal, a maior parte das partes difíceis podem ser superadas com quatro ou cinco remédios, no máximo. Relevando os picos de dificuldade, é tiroteio frenético da mais alta qualidade, e a boa experiência é complementada pela trilha sonora, composta pelo grupo californiano Health: todas as faixas são de altíssima qualidade e compõem perfeitamente a ambientação do jogo. Além do Health, o rapper paulitano Emicida assina quatro músicas que estão na trilha também, todas com críticas sociais e boas verdades sobre a realidade da cidade. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9tYXhwYXluZTQuanBn[/img] No multiplayer, a Rockstar preparou modos simples, com os clássicos Deathmatch e Team Deatchmatch, além de um inovador e curioso Gang Wars: com ponto de partida em cima dos próprios eventos do jogo, as duas gangues devem cumprir objetivos específicos em cada mapa, como manter algum jogador vivo durante toda a partida por exemplo, enquanto o outro time tenta justamente acabar com ele. Como o game oferece inúmeros itens desbloqueáveis, "perks" e opções de personalização, o Gang Wars oferece uma vida útil das maiores, mesmo depois de completar dezenas de vezes os mesmos objetivos e fases. Além do multiplayer, Max Payne 3 ainda oferece o modo arcade, dividido entre New York Minute e Score Attack. Este último é auto-explicativo e envolve pontuar o máximo possível dando tiros na cabeça e matando o maior número de inimigos. O New York Minute é mais ou menos como um time trial: em cada capítulo, o jogador tem sessenta segundos para levar Max até o fim da fase. A cada inimigo abatido, o jogo concede alguns poucos segundos a mais, e o relógio fica congelado durante as cutscenes. Com os rankings online (e dá para filtrar por lista de amigos e membros de gangue), é difícil não se sentir atraído pelo sentimento de "vou tentar mais uma vez só para ver se eu abaixo o tempo". Max Payne 3 é um caso raro de continuação que não necessariamente exige que o jogador tenha experimentado os games anteriores, e isso é fruto do exemplar trabalho da Rockstar nas cutscenes e na forma de contar a história. É tanto tiroteio, mas tanto, que depois de acabar o jogo eu até fiquei sentindo falta disso. E aí tive de começar de novo. A campanha, por sinal, tem 14 capítulos, que passam voando porque quando o jogador menos espera, rola uma reviravolta na história e Max já aparece em outro lugar - em lembranças, o protagonista se envolve em trocas de tiros em seu passado em Nova York e no começo dos trabalhos com Rodrigo Branco em viagem ao Panamá, e o jogo sempre dá um jeito de não parecer repetitivo, mesmo sendo tiro atrás de tiro. O cenário vai mudando, pessoas importantes vão morrendo, pessoas que devem morrer acabam fugindo, e de repente, tudo está pegando fogo e o objetivo é só sair vivo. Demais. Apesar da sensação de que rola um ou outro probleminha técnico com a detecção de colisão de alguns tiros (ou era só raiva por eu ter ficado empacado em uma parte no final do jogo?) e de uma ou outra textura meio feia (e isso já é culpa do hardware dos consoles de hoje em dia e que não deve acometer quem preferir a versão de PC), Max Payne 3 é demais: a história das mais legais, o tiroteio franco, a jogabilidade agradável e os bem vindos modos multiplayer e as duas modalidades do Arcade o credenciam a candidato fácil a melhor jogo de ação do ano.
Fonte: GameTV
Pedro Hick
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