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Análise do jogo "Malicious" para PSVITA escrito por GameTV

Escrito por GameTV, nota 8 de 10, enviado por Anônimo,
Com quase dois anos de atraso, o cultuado jogo, antes exclusivo da PSN japonesa, Malicious, finalmente chegou a parte ocidental do planeta, agora disponível na loja virtual da Sony dos Estados Unidos. Trazendo uma mistura de estilos bastante interessante, mais um capítulo na eterna luta contra as forças do mal não poderia vir em melhor hora, já que grandes títulos distribuídos digitalmente costumam chegar de baciada nessa época do ano. Apesar de ser um jogo relativamente curto (é possível terminar a campanha em menos de uma hora), os embates contra criaturas monstruosas se mostra obrigatório para os fãs de um bom jogo de ação, pois além de apresentar um visual deslumbrante, traz uma jogabilidade inovadora e instigante. Receptáculo de Espíritos vs Criaturas Malignas A trama de Malicious não procura ser muito profunda e muito menos ter algum tipo de primeira importância no jogo como um todo. Na história, assumimos o papel do Spirit Vessel – que pode ser homem ou mulher – ser este detentor de um grande poder e que logo a princípio assume-se executor das criaturas possuídas por forças malignas, aqui conhecidas por Malicious. Um grupo de anciões ancestrais instrui o herói e expõe a triste realidade do mundo: se ele não acabar com o inimigo, não haverá amanhã. Depois de um tutorial completamente chato e enfadonho, podemos escolher um dos cinco cenários disponíveis para se aventurar. Um dos maiores problemas de Malicious está na forma como ele se apresenta: a jogabilidade é complexa e distinta o suficiente para que seja requerido um certo tempo de aprendizagem para dominá-la, tempo este que não será compensado lendo os diversos quadros de instruções dos controles. Já que não há como saber por onde começar ou o que fazer, o negócio é escolher qualquer uma das fases e ir experimentando qual delas é a mais fácil para começar. Malicious pode ser associado à Shadow of the Colossus, por exemplo, por não trazer cenários ou estágios que devem ser concluídos para se alcançar um chefe de fase e assim dar continuidade a trama. O que temos aqui são cinco locações completamente diferentes umas das outras (seis, se contarmos o último chefe) que trazem um monstro principal e diversas criaturas menores que o protegem. Então o negócio é bem direto: entrar numa fase, derrotar o monstro e partir para a próxima. O poder do Manto de Hulha Betuminosa Como na série Mega Man, após derrotar cada maligno-mor o herói recebe habilidades que dizem respeito aos principais poderes do monstro. De início, podemos selecionar entre socos e projéteis, os quais são formados às sombras do manto que recobre o personagem – aqui chamado de Mantle of Cinders, cuja tradução livre está no subtítulo, que você acabou de torcer o nariz ao ler. Isso traz um visual bacana ao personagem que, no conjunto da obra, é peculiar o suficiente para ser comparado a títulos do gabarito artístico de El Shadday. As armas, infelizmente, são poucas e não fogem muito de espada, lança e das que já acompanham o heró de início. Os cenários são vastos e ricos em detalhes, mas, infelizmente, isso não vem sem custo: por vezes, e não raro, fui vítima de quedas bruscas de animação quando um número grande de inimigos tomava a tela. Mesmo assim, é impressionante ver Malicious por esse ângulo, pois se trata de um jogo via download extremamente competente visualmente e que consegue compor uma identidade própria e se sobressair sobre a maioria. Como havia dito anteriormente, a curva de aprendizagem de Malicious pode ser cruel e isso não só se atribui a dificuldade elevada do jogo (mesmo quando o modo fácil é escolhido), mas também aos controles complexos e pouco convencionais. A movimentação do personagem é flutuante e pode ser realizada também na vertical, sendo fácil assim alcançar qualquer local dos castelos, palácios, fortalezas ou máquinas de guerra. Portanto, um ajuste de câmera é rotina a cada investida inimiga. O receptáculo não pode efetivamente voar, mas melhorias nos pulos e queda acompanham a evolução do personagem. O sistema de dano é contabilizado também de maneira incomum, pois você não encontrará aqui barras de vida ou algo do tipo. Conforme o herói recebe dano, suas partes do corpo desaparecem, até que ele é reduzido a um tronco e cabeça. Além disso, a imagem como um todo se torna mais turva, aumentando o estado de emergência causado no jogador. Salvar a humanidade não é para os fracos Já que morrer é uma constante em Malicious, aprender os movimentos dos chefes é de primeira importância. Como a aventura é curta, foi inteligente por parte dos desenvolvedores aumentar consideravelmente a dose da dificuldade. Não dominar os controles é certeza de punição, já que os monstros batem forte e tem táticas variadas, gerando uma inteligência artificial bastante satisfatória. Os "continues" ou "vidas" de seu personagem são limitados e, a princípio, não passam de três. Conforme o jogo nota sua disfunção, ele estende a mão amiga e oferece uma quantidade maior deles, diferente de outros títulos que incentivam o jogador a diminuir a dificuldade como um todo. O interessante é considerar que, caso os continues acabem, é game over e ponto. É possível voltar seu save com aquele último continue restante, mas você provavelmente não irá fazê-lo, especialmente se ainda restarem várias criaturas antes do confronto final. No profundo sistema de batalha, todas as formas do manto podem ser acionadas de maneira fraca ou mais forte, afim de desencadear sequências muito semelhantes a outros jogos de ação. O que gera uma certa estranheza a princípio é uma mecânica de alvo existente caso os projéteis sejam selecionados. Associar tal sistema a títulos com Zone of the Enders ou até mesmo Rez e Child of Eden é pertinente, já que a mira deve ser transcorrida sobre os monstros para ser assim travada, podendo escolher diversas criaturas de uma só vez. Cadenciar ataques entre suas diferentes armas também é possível a qualquer momento, já que o direcional pad traz atalhos bem-vindos para cada armamento. Dominar o sistema de defesa e esquiva também tomará um certo tempo, pois há um pouco de profundidade aqui: defender no exato momento do ataque é abrir a guarda do monstro por completo, sendo fácil assim soltar toda sua fúria em seguida. Há no jogo o requisitado sistema de lock on, muito recorrente ao gênero. Apesar de eficaz, pode vir a ser extremamente confuso selecionar o alvo certo com muitos inimigos se movimentando ao mesmo tempo. Os monstros menores, por mais fracos que possam ser, são muito irritantes quando em grupo e podem causar problemas, além de investirem das mais variadas direções. Famigerados QTEs também estão presentes, mas de forma diferente do que vemos por aí: cada chefe tem uma fraqueza a determinada arma, então é interessante descobrir qual seria e isso é feito de maneira mais fácil ao contra-atacar a investida inimiga. Quando dois botões surgirem na tela acusando um golpe poderoso em resposta ao do chefe, isso quer dizer que você está no caminho certo e utilizando a arma correspondende. Isso não significa que outros poderes não sejam eficazes, muito pelo contrário, mas é bom causar um dano extra sempre que possível - além de habilitar uma animação bem legal. Derrotar criaturas que não o chefe de fase aumenta seus pontos de Aura, elemento importantíssimo para incrementar o poder de seus golpes. Com o botão L1 pressionado, estas auras passam a ser utilizadas, engrandecendo consideravelmente o dano e também alterando as animações realizadas. Ao alcançar um nível considerável - sendo o máximo 9999 - é de primeira importância elevar seu poder a até o terceiro nível, causando assim danos devastadores. Utilizar golpes enquanto do uso deste recurso desencadeia combos contados que, no final, geram um melhor resultado na avaliação de rendimento. O ranking vai de E a S e elementos como número de monstros derrotados, partes do corpo perdidas e tempo contam bastante. É possível também recuperar a vida - ou os membros - de seu personagem dispensando pontos de aura no processo, então é muito importante não ser ousado e bater em retirada quando as coisas esquentarem. Lembre-se que seus continues são limitados e você precisará deles para o embate final, que é nada além de épico e de proporções grandiosas - além de muito difícil. É muito importante preparar-se antes de enfrentar o chefe do cenário, que sempre encontra-se atuante durante todo o embate. Conseguir uma considerável quantidade de Aura e também checar se todas as suas apêndices estão no lugar é recomendado. Vale dizer que alguns deles mantém uma escala considerável, não chegando ao nível de um Asura's Wrath, mas certamente fazendo frente a God of War. Tempo é algo muito importante em Malicious, já que o receptáculo só suporta tamanho poder por meia hora, ou seja, é matar o chefe antes disso ou morrer. Rankings altos e um tempo total bom habilitam novos modos de jogo, como o Free Mode e Time Trails. No primeiro, é possível enfrentar os chefes a esmo já completamente evoluído, afim de conseguir rankings mais altos, já o segundo é mais para você mostrar ao mundo o quão bem joga Malicious. Malicious impõe respeito no jogador desta maneira, com chefes ameaçadores e dificuldade alta e crescente dependendo da ordem escolhida, somado a uma quantidade elevada de inimigos que avançam a todo momento sobre você como um pelotão furioso. Por mais que seus sistemas sejam complexos o suficiente para afastar o jogador menos esforçado, sua arte única e jogabilidade muito distinta fazem com que se destaque em meio aos diversos lançamentos recentes. Malicious é altamente recomendado para os aficionados por jogos de ação como Bayonetta e Madworld, porém, vá avisado: trata-se de uma aventura breve e ríspida, mas extremamente recompensadora.
Fonte: GameTV
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