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8.5

Análise do jogo "Majin: The Fallen Realm" para X360 escrito por GameTV

Escrito por GameTV, nota 8.5 de 10, enviado por Anônimo,
[img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9mdG9fZnQxXzg2OTY3LmpwZw==[/img] A valente softhouse Game Republic resolve tentar mais uma vez com Majin and the Forsaken Kingdom, nova aventura para Xbox 360 e PS3, lançada pela Namco-Bandai. "Tentar mais uma vez" porque quem é que conhece a Game Republic? Quem já jogou Folklore ou Brave Story? A produtora do ex-Capcom e pai de Street Fighter Yoshiki Okamoto, infelizmente, nunca conheceu o apreço e respeito que merece. Tal qual Folklore, Majin and the Forsaken Kingdom é uma pérola que permanecerá escondida por muito tempo, até que um curioso jogador perdido por aí a encontre. Em meio a tantos jogos medíocres, parecidos e repetitivos, Majin merecia sim um pouco mais de respeito. A trama acompanha um jovem sem nome que nasceu em meio à natureza. Órfão e crescido como um bravo guerreiro, ele resolve descobrir porque o mundo onde vive está sofrendo as drásticas transformações que vêm acontecendo. A natureza está morrendo, os animais desaparecendo, os bravos guerreiros que abandonam suas famílias e tribos e buscam a verdade, nunca mais retornam Tudo parece coberto por trevas. Neste cenário, o jovem aventureiro encontra uma estranha criatura, aprisionada e chorosa. Após resgatá-la, um vínculo entre os dois acontece imediatamente. O monstro se apresenta como Majin, e nomeia o até então sem nome herói como Tepeu. Tepeu, desde pequeno, tem a capacidade de conversar com os animais, e, ao perceber que consegue conversar com Majin, nota que ele tem algum tipo de ligação com as forças da natureza. Assim, aceita a ajuda do gigante abobado e os dois partem em busca da recuperação dos poderes de Majin, para assim conseguirem derrotar as forças das trevas. A história é bastante chavônica, mas funciona bem. Uma bela fábula, diria, com um desfecho espetacular. Fumito Ueda ficaria orgulhoso A jogabilidade está toda voltada para a interação entre Tepeu e Majin, a tal ponto que é difícil conseguir derrotar um inimigo caso você esteja sozinho. Sim, você aí que jogou Ico ou acompanha os vídeos de The Last Guardian já deve ter notado que existem semelhanças entre os dois jogos, mas os produtores dizem que o jogo já estava em desenvolvimento bem antes das primeiras informações sobre o novo jogo da Sony virem à tona. De início, Tepeu tem à disposição um acervo limitado de ordens à Majin. "Siga-me", "pare", "abaixe-se" e "grite" são muito úteis e servem para todos os momentos. Gritar faz com que Majin atordoe por um tempo todas as criaturas que estão ao seu redor. Abaixar faz com que Tepeu consiga subir nas costas do gigante, alcançando assim lugares mais altos. Há também comandos específicos para interação com o cenário, como destruir uma pedra que bloqueia o caminho ou acionar uma catapulta. Conforme os dois amigos progridem, cristais azuis e vermelhos são coletados. Ou derrotando alguns inimigos ou encontrando um baú escondido no cenário. Os azuis são uma espécie de ponto de experiência que favorecem os atributos de Tepeu, como força, agilidade e habilidades acrobáticas. Já os vermelhos fortalecem a amizade entre os dois protagonistas, e assim novas ordens se tornam disponíveis no acervo de Tepeu. Mas o que na verdade faz a aventura se desenvolver são as raras sementes, sempre difíceis de serem coletadas. Majin se alimenta delas, e assim adquire novos poderes que remetem aos elementos da natureza, como vento, fogo e eletricidade. Isso faz com que o famoso "backtracking" – amado por uns e odiado por outros (famoso em séries como Metroid e os mais recentes Castlevania) – seja parte importante do desenrolar do jogo. Locais inalcançáveis nos primeiros cenários se tornam acessíveis depois que Majin adquire determinada habilidade. Assim, você pode livremente percorrer por todos os locais por onde já passou. Para progredir, é necessário destruir espantalhos estrategicamente posicionados de forma que, para alcançá-los, você terá que fazer uso de seus mais novos poderes. O sistema de batalhas é bastante simples e limita-se a um único botão de ataque, que se combinado com o botão de salto aciona um ataque mais poderoso, muito útil para derrubar os inimigos. Conforme as coisas evoluem – devido a aquisição dos já mencionados cristais - Tepeu realiza golpes com a ajuda de Majin, e esses são os ataques mais fortes do jogo. Os elementos de plataforma se destacam e os puzzles são variados e muitas vezes complexos, mas sempre divertidos. Por vezes você terá que subir em um barril suspenso por um corrente e pedir para Majin usar seu poder de vento para ajudá-lo a cruzar até o outro lado, por exemplo. Não serão poucas as vezes que você terá que deixar o monstro para trás para conseguir esgueirar-se por uma fenda para assim encontrar uma alavanca que acionará algo. E nesses momentos solitários, a solução para Tepeu é atacar os inimigos de forma sorrateira, um a um. Um fator bem interessante do jogo é que há a passagem em tempo real de dia para noite. Os cenários e monstros de cada lugar - assim como a música - se alteram bastante dependendo do horário. Isso implica em uma quantidade enorme de itens colecionáveis espalhados pelos cenários, sejam equipamentos de Tepeu, sejam "resquícios" da memória de Majin. E falando nisso, a memória do gigante é o pano de fundo primordial para narrativa do jogo, e é contado em animações simples, mas artisticamente belas, como se estivéssemos lendo um livro infantil. A trilha sonora é um destaque por si só. A sensação de imersão em um mundo fantástico é intensificada ainda mais por conta das brilhantes músicas que acompanham os eventos do jogo. E os momentos altos estão nas batalhas contra chefes. Algumas são épicas, diria. Toshihiko Sahashi, célebre compositor de diversas séries de animação japonesa, como Gundam Seed e Hunter X Hunter, não poderia ter feito melhor. Quem resolver dar uma chance a Majin and the Forsaken Kingdom não vai se arrepender. Desprovido de méritos técnicos e originalidade, mas cheio de carisma e jogabilidade decente, as aventuras de Majin e Tepeu sem dúvida serão lembradas pelos fãs de Zelda e Okami por bastante tempo.
Fonte: GameTV
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