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Análise do jogo "Final Fantasy XIII-2" para PS3 escrito por GameTV

Escrito por GameTV, nota 10 de 10, enviado por Anônimo,
[img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9mZnhpaWlhbmFsaXNlMi5qcGc=[/img] Ao alcançar o futuro, às vezes caímos no passado Lembro de ter ficado um tanto quanto irritada ao ver o anúncio de Final Fantasy XIII-2. A ideia que os anúncios pintavam soava como um jogo voltado inteiramente para um estilo fanservice, o que me fez esperar encontrar a Lightning com uma roupinha de Hatsune Miku pulando por aí. E aí começou a piorar: descobri que nenhum personagem da equipe original de FFXIII estaria disponível para as batalhas, apenas a insossa e indefesa Serah e um novo personagem "misterioso". Fez muito sentido terem enfiado um novo personagem - como que Serah conseguiria segurar um enredo sozinha? Por uma completa ironia do destino, Final Fantasy XIII-2 me fez calar a boca. Os planos para a aventura de Serah baseavam-se em limar todos os problemas que FFXIII teve, e vejam bem, eu não enxerguei problema nenhum em FFXIII. A galera chiou com reclamações sobre cenários lineares demais e a falta de exploração geral dentro do título, mas as 60 missões paralelas que exigiam um bocado de estratégia não me soaram nada lineares. O problema ficou mais na preguiça geral de quem jogou, deixando de acompanhar a história para soltar conclusões precipitadas. Em FFXIII, a Square Enix tomou a decisão de criar um ambiente com problemas políticos, em que o inimigo, por mais que ainda fosse algo físico, na forma humana, estivesse mais presente na mente nas pessoas. Quem já leu Astro Boy, do gênio Osamu Tezuka, sabe que esse lance de criar um mundo flutuante e utópico acima de um lugar inexplorado e selvagem é um paralelismo perfeito para reflexões do mundo atual. A divisão entre Cocoon e Pulse criada nesse universo foi algo tão intrínseco dentro do jogo que até certas informações chegam a soar parciais, quase confusas sobre o que realmente é certo e errado. A trama se desenvolveu de maneira fantástica, com direito a dramas, mentiras, revelações e um final trágico sobre sacrifício em busca de um bem maior. É fato que a motivação inicial de Lightning e Snow foi salvar Serah, mas com o desenrolar da história, é quase como se isso fosse um bônus por ter conseguido salvar o mundo. E então, temos Final Fantasy XIII-2, que promete dar um jeito nesses erros abstratos que os fãs enxergaram no jogo inicial. Devo dar o braço a torcer e entender que Final Fantasy XIII-2 realmente conseguiu adicionar ainda mais polidez ao sistema de batalha, adicionar mapas ainda mais bonitos e cheios de detalhes. São muitos elementos novos em FFXIII-2, que aparecem com uma fluidez impressionante, sem soar como algo fora de lugar; é apenas uma sequência natural da história de Lightning. E a linha do tempo tem um nó a menos O título começa com uma batalha entre Lightning e o exército de Caius Ballad, o novo vilão do título que, ao contrário de Barthandelus, é bem tangível e "Final Fantasiesco". Com um cabelo coloridão cheio de badulaques a lá Jack Sparrow, e uma espada gigantesca que lembra a Soul Edge, Caius soa malicioso e destinado. É o pacote completo. Lightning, munida de seu próprio exército e seu summon Odin, encara Caius, em uma luta de proporções épicas. O evento ocorre em Valhalla, uma dimensão alternativa, feita de cristal, no meio de Gran Pulse. É a casa de Lightning após os eventos confusos do final de FFXIII, que fez com que um paradoxo no tempo surgisse e levasse a guerreira para longe do suposto momento de paz da salvação de Cocoon. Então, o novo personagem do título, o viajante do tempo Noel, que surge do nada, ganha a missão de trazer a irmã da heroína para Valhalla, sendo presenteado com um Moogle/Arma, como se Lightning já soubesse direitinho o que fazer. Durante a batalha, um elemento importante do jogo já é posto em cena: as ações cinemáticas. Sinceramente, as experiências que isso trazem remetem a um estilo entediante, em que você apenas enxerga o personagem pular e rodar enquanto tudo que é necessário é apertar um botão, semelhante ao que ocorria em alguns chefões de God of War. O elemento entrou em Final Fantasy de um jeito um pouco diferente, em que é mais como se você se sentisse parte da ação do que o contrário, graças às ações perfeitamente coreografadas dos personagens. Funciona muito bem e as animações são bastante caprichadas. Já deu para perceber que as mudanças tão prometidas pela Square Enix não seriam nem um pouco amargas. Ao final da introdução, já obtemos o controle de Serah e temos de enfretar hordas de inimigos que surgiram juntos de um meteoro que atingiu New Bodhum, em Pulse, o novo lar de alguns residentes de Cocoon - bem semelhante ao antigo lar das irmãs Farron. Claro que Serah, no seu papel de inocente e mulher de cara fortão, demora um belo tempo para agir, o que faz com que Lebreau, a mocinha da equipe NORA, dê um belo sermão na nossa nova protagonista. Pelo visto, não fui só eu que me senti irritada com a falta de atitude de Serah. Noel surge logo em seguida, entregando o Moogle/Arma na mão de Serah, convidando a moça para ir em busca de sua irmã, o que acende uma chama de altruísmo quase que de maneira imediata nos olhos da protagonista. Historia Crux, encruzilhada do tempo Alguns acontecimentos estranhos começaram a ocorrer em Pulse e Cocoon, como monstros gigantescos em ruínas e espíritos frustrados vagando sem rumo, que chegaram junto do meteoro em New Bodhum. É por aqui que Serah e Noel começam sua aventura, indo em busca de respostas e soluções para os tais acontecimentos, que, como o jogo explica, são paradoxos temporais. Caso já tenha assistido De Volta para o Futuro, você deve saber que grandes poderes trazem grandes consequências: modificar o futuro muda o passado. Como explorar ambientes já existentes, sem cair na saturação? Como criar novas áreas, um novo enredo, uma ambientação no futuro, sem cortar a conexão com o jogo original? A resposta para tudo mora no lance de viajar no tempo. Oerba, a casa de Vanille e Fang, foi retratada de uma maneira apocalíptica quando a visitei anos após os acontecimentos de Cocoon. Por mais que fosse o mesmo ambiente, com os mesmos detalhes (inclusive o robozinho construído em FFXIII), Oerba agora possui um plano de fundo meio místico, como se flutuasse no meio do universo. É uma visão de encher os olhos. FFXIII-2 pensou em cada detalhe, desde missões que exigem que você visite o mesmo local em tempos diferentes até finais alternativos, causados por decisões erradas - mas não precisa entrar em pânico, pois não dá para encontrar um final errado sem querer. Avançar no enredo soa um tanto quanto complicado, mas a história vai se desenvolvendo de maneira bem pouco confusa, soltando mistérios no ar mas, não deixando espaço para dúvidas sobre seu próximo passo. É, basicamente, explorar um local, achar novos portais e ganhar acesso a novos lugares. As viagens no tempo usam o Historia Crux como porta, um sistema bem intuitivo, resumindo cada local. O Historia Crux também permite que locais sejam "anulados", caso você tenha feito algo errado no passado que altere o futuro. Conforme você anda em direção ao futuro, é preciso olhar para trás A minha dúvida constante sobre Serah aguentar o peso de um enredo tão complexo foi respondida durante os primeiros minutos que gastei com a sequência. Ela pode ser indefesa, pode ter colocado silicone de um título para o outro, mas ela consegue se safar da imagem inicial de sonsa e delicada demais. O objetivo inicial, o estopim da aventura de Noel e Serah, é a ideia de alcançar Lightning em Valhalla, sabe-se lá por quais motivos. Felizmente, assim como no enredo de Final Fantasy XIII, existe algo ainda maior para servir de motivação. No caso, um fim do mundo iminente, mostrado aos olhos de Noel para Serah, é o fator mais constante na aventura. Um dos elementos novos, a opção de selecionar o que responder em eventos chamados Live Trigger, me fez transformar Serah de uma personagem sem sal em uma mulher altruísta e esperta. De vez em quando, é preciso escolher como tratar de assuntos variados, fazendo perguntas pertinentes ou se afastando quando o assunto não for da sua conta. Dessa maneira, um pouco da inocência de Serah pode ser transformada, dando ar a uma personagem mais altruísta. Podemos não ter os personagens carismáticos e tão bem desenvolvidos em FFXIII-2, mas eles continuam lá. A presença de Vanille e Fang, como as grandes salvadores de Cocoon, é citada com certa frequência. Sahz e seu filho, dois dos personagens mais tocantes do enredo, não aparecem, mas são citados e lembrados com um carinho que consegue traduzir muito bem o papel deles na trama, seja quando um Chocobo filhote é visto no Casino ou quando Hope faz menção a ambos. Inclusive, ver Hope como um completo adulto, disposto a desvendar os mistérios da humanidade, é um tanto quanto gratificante após acompanhar a jornada do garoto. Snow decidiu sair em busca de Lightning, já que ele foi um dos únicos a acreditar na certeza de Serah de que sua irmã não estava morta. A primeira aparição de Snow no título é um pouco demorada, o que traz a tona uma sensação esquisita de que Noel pode estar jogando todo seu charme de viajante do tempo na nossa protagonista. Uma pequena distração, mas FFXIII-2 está cheia delas. Já que Final Fantasy XIII-2 decidiu colocar mais pessoas em suas cidades, elas não poderiam apenas ter falas de desespero ao serem avistadas, como ocorria no antecessor do jogo. Pensando nisso, cada personagem com balãozinho de fala na cabeça que você encontra andando por aí, tem algo interessante para dizer e é daí que surgem a maioria das missões paralelas de FFXIII-2. Além de Noel, a vendedora ambulante Chocolina e o Moogle, o presente de Lightning para Serah, são dois dos novos personagens do jogo. Ambos possuem uma certa particularidade, um certo conhecimento a mais sobre o controle do tempo em si. Chocolina está em todos os cenários, pronta para vender seja lá o que for para você, com a animação usual. O Moogle, por sua vez, é apresentado apenas como um mascote fofinho, usado com frequência na hora de achar itens distantes ou escondidos. Acontece que - surpresa - o fofíssimo Moogle fala, com direito a uma vozinha estridente. É fato que uns 80% das falas do mascote são "Kupo!" e suas variantes, mas, de vez em quando, ao encontrar algum mistério, o Moogle parece saber muito mais do que os protagonistas. O tempo flui sem pausas As mudanças do sistema de batalha são sutis o bastante para manter a mesma interface, mas mudar o ritmo do jogo de maneira brusca. Por exemplo, na hora de trocar de Paradigms, não existem mais as animações coloridinhas, a troca é instantânea. Inclusive, ritmo parece ter sido a palavra-chave na hora de decidir como reformar os elementos de FFXIII. Muitos devem lembrar de como era trabalhoso ir em busca de Crystarium Points para conseguir alcançar novos papéis para seus personagens. Já que em Final Fantasy XIII-2 os únicos personagens controláveis são Noel e Serah, é só upar o Crystarium uma vez para poder abrir novos papéis, aumentar sua barra de ATB ou sua capacidade para usar acessórios. Para melhorar, upar Crystarium também não é um trabalho tão colossal, já que os monstros oferecem bastantes pontos e as habilidades custam menos pontos, permitindo que você fique tão forte quanto quiser. Outra mudança na batalha é que os inimigos não ficam mais espalhados pela tela. Ao topar com um monstro, um relógio aparece na parte inferior da tela, indicando que você precisa dar uma espadada no monstro antes do tempo acabar, para entrar com Premptive Strike, podendo atacar primeiro. Diferente de seu antecessor, FFXIII-2 retirou o sistema de já por a barra de Stagger no máximo quando se entra em batalha com Premptive Strike, mudança muito bem-vinda. Para ocupar a terceira vaga da sua party, você pode escolher um monstrinho. Pela lógica, quanto mais forte um monstro, melhor. Soa simples, não? Por sorte, não é um sistema tão superficial assim, o que adiciona um nível extra de profundidade no sistema de batalha. Além de cuidar de Noel e Serah, você terá de escolher bem qual monstro usar, já que cada um possui um papel diferente (como Ravager, Saboteur etc) e seu próprio Crystarium. Não funciona com o método padrão, os monstros precisam de itens específicos de Poder, Mana e mais, vendidos na lojinha da Chocolina ou dropados durante as batalhas. É semelhante ao extinto método de upar armas, que também usava itens. Você pode personalizar o seu Bahamuth, dando um nome para o novo integrante da sua party e colocando algumas firulas como lacinhos e chapéus. De início, não parece muito que eles poderão substituir uma pessoa, mas é tanto tempo gasto montando o grupo perfeito, com Medics potentes ou Ravagers poderosos, que eles acabam criando uma proximação semelhante a de um bichinho de estimação. 'Fragilidade é a grande fraqueza da humanidade... nós preferimos a felicidade do passado a incerteza do futuro' Caso a história de FFXIII-2 tivesse sido contada com a mesma fórmula que usaram em FFXIII, colocando a experiência da história na frente da exploração, o jogo poderia não ter funcionado tão bem. Com o enredo complexo, pesado e dramático de FFXIII, a Square Enix introduziu uma lenda fantástica aos jogadores, mas acabou, de fato, deixando o jogo fácil demais. Em FFXIII-2, você terá de usar estratégia se quiser pegar todos os artefatos, terá de mudar o método "ficar apertando X" com uma party de Ravager, Commando e Ravager. Mais monstros são suscetíveis a efeitos como Poison, o que já abre portas para novos métodos de abordagem. Junto das viagens no tempo, a possibilidade de enfrentar monstros mais fortes do que você na hora errada também aparece, o que traz um senso de saber que se está no lugar errado. Por mais que o conceito de ir e vir como bem entender na linha do tempo pareça dar a ideia de falta de lineariedade, FFXIII-2 é um jogo completo, no sentido de possuir um enredo consistente e um nível grande de variedade de ambientes, tudo isso fechado em um pacotinho especial para os fãs.
Fonte: GameTV
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