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8.5

Análise do jogo "Far Cry 3" para PC escrito por GameTV

Escrito por GameTV, nota 8.5 de 10, enviado por Anônimo,
[img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy8yMzc4NTUzLWZhcl9jcnlfM19zdG9yeV90cmFpbGVyXzIuanBn[/img] Sobreviver nunca foi uma tarefa fácil. A lei do mais forte, que prega apenas a sobrevivência dos mais aptos tenta se fazer presente em todo o momento da experiência de Far Cry 3, o último dos grandes de 2012. Uma ilha gigantesca, um grupo de playboys californianos, piratas mercadores de escravos, um tantinho de drogas, alucinações, animais selvagens e você no meio de tudo isso. Belezas naturais Imprevisibilidade. A sensação de não saber o que vai acontecer entre a caminhada da vila Rakyat mais próxima até o seu ponto de destino é de colocar qualquer um na beirada do sofá. Rook Island, localizada no pacífico, é palco de uma vasta vegetação, terrenos irregulares e animais selvagens, muitos deles. De cobras a "ursos zumbis", esteja preparado para o inesperado. A sua missão pode ser prejudicada por causa de um tigre ou de um tipo sem noção de avestruz carnívoro que resolveu aparecer no campo de batalha e se arriscar em um self service de carne humana. A ilha é dividida em dois grandes blocos, sendo um deles liberado ao jogador apenas depois da metade do jogo. A vegetação tropical não interfere muito na mecânica de jogo. Não vão existir cipós para serem cortados, plantas venenosas e nada do gênero. Mas prepare-se para uma exploração como poucos jogos podem oferecer. Montanhas, encostas, oceanos, lagos, cachoeiras e cavernas escondidas estão à sua disposição. Como fica claro logo no início da aventura, a locomoção pela ilha pode ser bastante perigosa aos menos preparados. Da mesma forma como aconteceu em Far Cry 2, a ilha de Rook conta com veículos que podem ser utilizados a qualquer instante. É possível escolher entre carros velhos, quadriciclos, buggies de corrida, barcos e até asa deltas. E não há complexidade alguma na pilotagem dos mesmos. Acelerador, ré e freio de mão (para os veículos) e você vai conseguir subir até as montanhas mais íngremes com jeitinho. Para os barcos, se encalhar em alguma pedra ou banco de areia, basta descer e dar um empurrãozinho mágico. O esquema de pilotagem segue a linha do seu antecessor, sem melhorias. Herói bunda, vilão maneiro Através dos olhos de Jason Brody, um coxinha viciado em esportes radicais, você vai vivenciar momentos de muita tensão, principalmente quando estiver frente a frente com Vaas Montenegro, rapaz simpático, líder dos piratas da ilha e com um pouco de dificuldade em se importar com o que é errado e o que é muito errado. Jason e seus amigos foram capturados pelo grupo de Vaas, que pretendia arrecadar o dinheiro do resgate para si e depois vender a galerinha saudável a quem quisesse pagar mais. Devido a alguns problemas de logística (e capangas incompetentes), Jason e seu irmão mais velho conseguem escapar da jaula que os prendia, arriscando suas próprias vidas pela liberdade. Infelizmente, apenas um deles consegue fugir - e a crueldade de Vaas dá as caras de forma competente na sequência que dá início ao jogo. Salvo por Dennys, um dos moradores da ilha, Jason tentará, com todas as suas forças, resgatar seus amigos e seu outro irmão das garras dos piratas. Para isso, ele contará com a ajuda dos nativos da tribo Rakyat, cheios de tatuagens em seus corpos, cujo intuito delas é extrair seus "poderes dormentes". Esse também será o elo de ligação com Citra, líder do clã, personagem misteriosa apresentada com o decorrer da trama e com um interesse peculiar em Jason. A narrativa tenta localizar o jogador sempre que possível. Mas por se tratar de um jogo em mundo aberto, facilmente sua atenção pode vacilar e, ao invés de correr contra o tempo para salvar sua namorada, você pode preferir caçar um Tapir para costurar uma bolsa nova para suas coisas. Prioridades, prioridades. As atuações competentes dos dubladores também chamam a atenção. A preocupação do encaixe da fala com a boca do personagem agrada bastante, assim como a escolha dos atores para as vozes. Buck, por exemplo, com seu sotaque londrino, Dennys com um inglês enrolado e, claro, Vaas, que se esforça em demonstrar toda a sua insanidade com gritos, sussurros e passagens como o monólogo referente a insanidade, já destaque em alguns trailers do game. As legendas em português estão muito bem colocadas. Com suas devidas adaptações em relação ao palavreado de baixo calão, a maioria das ofensas proferidas durante a trama estão presentes, devidamente traduzidas. O maior problema fica por conta do ritmo dos textos, que não obedecem a regra das legendas dos filmes (número 'X' de caracteres, duas linhas por fala, etc). Em diálogos mais logos, os quais o suspense é fundamental, a tradução está aparente desde a primeira fala, estragando um pouco a surpresa. A história foca no desespero dos jovens, em como o herói precisa mudar para sobreviver e também em uma busca interior repleta de alucinações e sentidos figurados. A tentativa foi boa, mas olhando para a obra como um todo, a transformação do herói proposta pelo jogo acontece apenas em alguns momentos isolados da trama e que não dão a ênfase necessária para um dos finais do game (o bad ending). A importância do vilão principal perde-se em uma escolha duvidosa de continuidade do roteiro por parte dos desenvolvedores, mas discutir além disso seria expor quem quer que esteja lendo esse texto a spoilers indesejados. Um acerto aqui, um erro ali O que começa como um jogo inspirado basicamente no estilão sobrevivência (poucas armas, itens e munição), aos poucos vai se transformando em um jogo de ação normal, com mais liberadade e menos aquela sensação de "escolha errada" e peso na consciência. Jason inicia a aventura com uma pistola simples e logo de cara precisa eliminar todos os piratas de um posto de comando avançado. A tensão de manter-se escondido, eliminando um a um os adversários com suas balas contadas é regra apenas na primeira hora de jogo. Isso por causa do sistema de evolução de equipamentos de Far Cry 3, mal distribuído pela campanha principal. Para carregar mais armas (quatro no total) é preciso caçar certos tipos de animais e confeccionar seus respectivos coldres. O mesmo vale para sua mochila de itens, granadas, munição e até mesmo o seu dinheiro. Acontece que é possível - e sem muito esforço - alcançar o nível máximo de cada um dos seus pertences antes da metade do jogo. Bem antes. Depois disso, a caça de animais deixa de manter um propósito na história - além da arrecadação de grana por suas peles. E a medida que você vai encontrando certas antenas espalhadas pela ilha, escalando e desligando cada uma delas (liberando parcialmente a visibilidade do mapa), todo o arsenal da loja vai se tornando gratuito, fazendo com que seu dinheiro seja gasto apenas com munição ou apostas em jogos de azar. A inteligência artificial do jogo não é tão marota também. O game vai sim, lhe porporcionar uma experiência desafiadora como um todo, mas ao caçar uma pantera negra por exemplo, basta subir em uma rocha que ela não o incomodará. Acertar um inimigo com uma sniper e não matá-lo no primeiro tiro também não disparará o alarme de um posto de comando avançado. A menos, é claro, que ele consiga descobrir a sua posição. O melhor são os inimigos deliberadamente enfileirados, de costas para você e na exata medida para uma sequência de mortes com seu facão (uma habilidade chamada Chain Kill). O sistema de ervas para a criação de seringas especiais o coloca numa posição de vantagem em relação ao restante dos moradores da ilha. Tudo que você precisa para a elaboração de uma seringa que cure seus ferimentos é uma folha verde. Além dela, existem folhas amarelas, vermelhas, brancas e azuis, cada uma responsável por um tipo de coquetel. Seringas de adrenalina, que aumentam a sua percepção e habilidades de combate, repelem animais, deixam você ficar mais tempo embaixo d'água, elas podem ser criadas em qualquer lugar, basta que você tenha espaço em sua bolsa. O arsenal à sua disposição é bem diversificado e engloba as principais ferramentas de causar dor já famosas em outros FPS. Muitos tipos de SMG, LMG, rifles, bazucas e até um ferro de solda que garante um troféu, se for usado de maneira indevida (é, acerta a cabeça de alguém). É possível ainda a personalização de cada uma das armas com miras, pentes e tinturas. Não há atualizações para o combate melee fora da árvore de habilidades do personagem. Definitivamente, o pior de Far Cry 3 são as batalhas contra chefes. Não são muitas, e com exceção de uma, tudo não passa de um QTE chatíssimo e que destrói por completo a imagem de vilão 'pica grossa' que o jogo passa. Tudo se resume a uma conversa fiada, algumas alucinações e uma sequência de botões entediante. Visualmente muito bonito, mas uma falha abissal, principalmente quando os vilões são tão importantes dentro da história do game. Por fim, o sistema de evolução das habilidades do seu personagem facilita bastante a sua vida na floresta. Aumento da vida, habilidades stealth, corrida infinita, mergulhos mais prolongados,'loot' duplicado e maior resistência contra os ataques de animais estão entre os upgrades. Dessa vez não houve deslizes, e é possível uma constante atualização das habilidades de Jason durante a história, sem que soe muito apressado como no caso do seu equipamento. No multiplayer, a Ubisoft cuidou para que a experiência fosse a mais interessante possível. Para o co-op temos uma história paralela com novos personagens, que acontece seis meses antes de Jason e seus amigos chegarem à ilha. O modo conta com capítulos próprios, sistema de nível dividido com o multiplayer competitivo e a possibilidade de dividir a tela com um amigo offline. No modo competitivo, além do criador de mapas, a novidade fica por conta do sistema de humilhação dos derrotados. A cada partida, os primeiros colocados da bateria se unem para escrotizar o último colocado. Assim como acontece quando Vaas tortura e humilha seus cativos, o multiplayer de Far Cry 3 dá a chance de você também torturar os derrotados da partida. E vale tudo, soco na cara, cuspe, espancamento e 'tea bagging'. Desnecessário? Talvez. Mas muito divertido. E é preciso lembrar que essa humilhação deve ser contextualizada à experiência, caso contrário sua visibilidade torna-se negativa e não é a ideia que o jogo quer passar. Quem nunca enfrentou um adversário que no final do round veio tirar uma com a sua cara? E quem nunca fez isso, mesmo entre amigos? Far Cry 3 é uma boa surpresa de fim de ano. Trabalha muito bem os aspectos de mundo aberto, conta com bons mecanismos de exploração e deixa o jogador bastante confortável em relação a isso. Apesar de algumas escolhas erradas no andamento da trama, definitivamente, Vaas, Hoyt e Citra devem se tornar personalidades famosas no mundo dos games. E o Jason, charmoso herói, será esquecido facilmente, certeza.
Fonte: GameTV
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