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Análise do jogo "Dust: An Elysian Tail" para X360 escrito por GameTV

Escrito por GameTV, nota 9 de 10, enviado por Anônimo,
[i]Análise feita por Makson Lima [/i] [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9kdXN0XzAxLmpwZw==[/img] É incrível pensar que Dust: An Elysian Tail, último lançamento da série Summer of Arcade, é feito por um único sujeito. Sim, temos muitos exemplos de esforços colossais de produtoras-de-um-homem-só por aí, mas não é todo dia que vemos um jogo com tanto conteúdo, tanta profundidade e identidade partindo de uma única mente desde seu primeiro esboço. Não apelei para o emocional logo de cara para tentar corromper sua opinião própria para Dust, mas sim para constatar um fato que deve ser levado em consideração. De qualquer maneira, o que temos aqui é um jogo de plataforma 2D muito competente, com um excelente sistema de batalha e vários elementos de RPGs tradicionais que se encaixam muito bem na proposta. Dust lembra muito jogos da japonesa Vanillaware, como os maravilhosos Princess Crown e, especialmente, Odin Sphere. No entanto, compará-los não me parece certo, já que é notória a tentativa do criador em homenagear franquias que admira e tentar elevar suas jogabilidades e sistemas a um nível próprio, já que não é sempre que um jogo tão bem feito e que faz tão bem tudo aquilo que se propõe aparece no seu console. [t2]O despertar de Dust e o encontro com Ahrah[/t2] Por mais simples que a trama de Dust comece, com o herói que dá nome ao título acordando em uma clareira sem lembranças de seu passado, é surpreende como a narrativa consegue levar a si mesma tão a sério e alcançar uma profundidade tão boa. E isso afeta o jogador também, feito esse que nem sempre acontece. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9kdXN0XzAyLmpwZw==[/img] Dust tem uma proposta dragon questiana de desenvolver seus personagens: são pequenas histórias que, juntas, formam uma enorme rede de eventos. A primeira interação do herói ao despertar é com Ahrah, uma espada mágica falante que sempre escolhe palavras sábias para compartilhar conhecimento. A arma revela a Dust que seu destino é grandioso e que ambos devem juntar forças para deter um general nefasto que não poupa esforços para erradicar do planeta uma raça pária e transcendental, os Moonblood. E ele não irá parar nem mesmo se tiver que acabar com vidas inocentes no processo. Diferentemente de outros jogos que fazem uso de protagonistas com amnésia, Dust vai aos poucos montando pedaços de seu passado ao interagir com habitantes de vilas, criaturas das montanhas e mais um sem fim de localidades maravilhosas aventura adentro. É algo parecido com Kaim de Lost Odyssey, excetuando o fato de Dust não ter vivido mais de mil anos. Uma companhia que sempre estará ao seu lado é a pequena Fidget, uma simpática - insuportavelmente simpática - criaturinha alada protetora da lâmina sagrada. Fidget não só servirá para tecer comentários sem graça a todo momento (tenho quase certeza que Navi teria a mesma voz e seria tão chata quanto caso falasse), mas também será útil para apontar tesouros e usar mágicas que auxiliam o guerreiro azulado por toda aventura. Dust apresenta uma grande variedade de cenários que vão de densas florestas e vilas rudimentares a castelos abandonados e cavernas horripilantes. Apesar de muito belos e todos desenhados a mão, estes não se destacam ou trazem algo de novo, portanto, compará-los a qualidade artística de Odin Sphere, por exemplo, é quase desleal. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9kdXN0XzAzLmpwZw==[/img] O design de personagens também não acrescenta, sendo simples e cartunesco, apesar de ricamente animado. São os animais bípedes falantes trajando roupas e se portando como humanos que conhecemos de longa data, bem nos moldes de personagens da Disney que vemos por aí. A dublagem se destaca, trazendo boas interpretações, mas que, infelizmente, não são condizentes com o desenho de seus bonecos. É comum vermos personagens com um tom de voz diferente da expressão que revelam seus traços. A voz de Fidget, entretanto, é chatíssima e muitas vezes acaba com um suposto clima de seriedade da cena. Entenda que não quero tirar os méritos dos gráficos de Dust, muito pelo contrário: os cenários são cheios de pequenos detalhes, como borboletas e vaga-lumes nas florestas ou cogumelos luminosos nas cavernas. É tudo feito com muito carinho e dedicação, e isso é visível em cada pedaço do vasto world map do jogo. O meu problema foi mesmo com o estilo do desenhista, algo parecido com quem não vai com a cara do traço de Akira Toriyama, mas ainda assim gosta de Dragon Ball ou Blue Dragon, digamos. É digno de respeito a fluência das animações e os 60 quadros por segundo constantes, coisa que Odin Sphere nunca pôde se gabar de ter. Além disso, a ousadia em fazer um jogo completamente 2D e bem à moda antiga já ressalva a menção honrosa quase que automática. Toda essa proposta retrógrada só ajuda a tornar o sistema de batalhas de Dust um verdadeiro deleite e que é, sem dúvida, um de seus pontos fortes. [t2]1000 hits![/t2] Poucas coisas são mais importantes em um jogo de RPG do que seu sistema de batalha e Dust sequer tenta fugir dessa realidade nua e crua. O que temos aqui é algo que traz um pouco do ancestral Monster World somado a novas modernidades, como, mais uma vez, os excelentes RPGs de ação da Vanillaware. Como é fácil golpear, saltar e utilizar as magias de Fidget num sistema de auto-recuperação satisfatório, criar sequências de golpes de muitos acertos é bastante comum. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9kdXN0XzA0LmpwZw==[/img] O golpe whirlwind, que consiste no astuto guerreiro girar sua espada por tempo limitado com o apertar de um botão, pode ser somado a magia da pequena escudeira, formando assim um resultado destruidor. Bolas de fogo se transformam em grandes erupções e pequenos lampejos em trovões poderosos. Além da barra de MP que se encontra logo acima da energia do herói, é importante também notar se a coloração do pelo de Dust está diferente, avermelhando-se e indicando que é necessário um tempo de desuso da habilidade. Mesmo assim, é incrivelmente fácil combinar golpes, mandar os inimigos para o ar, usar agarrões, esquivas e finalizações com magias destruidoras para fechar a batalha com estilo e ganhar uns pontos de experiência de bônus. Infelizmente, não há nenhuma arma disponível no jogo além de Ahrah, então as combinações podem cansar depois de um certo tempo. Mesmo com novas magias e itens que aumentam o dano, os golpes desferidos serão sempre os mesmos, já que a passagem para níveis mais altos com XP ganho só serve mesmo para intensificar atributos escolhidos pelo jogador. Levando em conta a facilidade de lutar em Dust, você conseguirá facilmente chegar aos mais de mil acertos em monstros com uma resistência maior. Pena isso não ser uma constante, já que, como em muitos jogos que seguem o estilo Metroid de evolução, a dificuldade, lenta e inevitavelmente, se torna pífia. [t2]A banalização do estilo Metroidvania de ser[/t2] Se você já jogou algum jogo da franquia Metroid ou algum dos ditos "Igavanias" (aqueles Castlevania pós Symphony of the Night, concebidos por Koji Igarashi), deve estar familiarizado com o termo "Metroidvania". São aqueles jogos que forçam o jogador a revisitar cenários a fim de explorá-los por completo com novas habilidades adquiridas. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9kdXN0XzA1LmpwZw==[/img] O mundo de Dust é bastante extenso e traz cerca de doze grandes áreas subdivididas em áreas menores, todas fielmente reproduzidas em mapas que indicam exatamente o que você precisa saber de cada lugar. Se aquele pedaço de terra apresenta um checkpoint, o mapa estará marcado em azul; uma lojinha para abastecer seus itens, amarelo; se algum tesouro ainda estiver por ser descoberto, um círculo no centro. Todo o sistema de menus do jogo segue esse exemplo de eficácia com descrições diretas, sendo tudo de fácil acesso. Ao mesmo tempo que sistemas eficazes trazem um prazer maior ao serem descobertos, o perigo imposto pelos monstros e armadilhas dos cenários de Dust não faz frente ao quão poderoso o herói se torna. Não bastassem todas as habilidades novas adquiridas na jornada, é possível equipar uma quantidade enorme de diferentes itens, acessórios e armaduras, que atestam o convecionalismo presente e intensificam força, defesa, magia e a sorte em ganhar itens deixados por inimigos mortos. Por mais que haja uma certa adversidade nos obstáculos, a dificuldade é sempre branda. Você sempre terá uma quantidade enorme de itens parar recuperar seu HP (facilmente acessado em um botão específico) ou um checkpoint por perto, o qual deve ser acessado para que o jogo seja salvo – nada de saves automáticos por aqui. Isso frustra um pouco, mas não tira a diversão da descoberta. Lembro-me de ter sentido o mesmo ao jogar Okami pela primeira vez: um mundo enorme e fantástico para explorar, mas que não punia minha ousadia em avançar, já que as batalhas eram sempre fáceis de serem concluídas. Isso, sem dúvida, é uma decisão muito pensada e que mostra a que público o jogo foi direcionado, e se isso resultar em mais pessoas ingressando no gênero, então compro a idéia de pronto. [t2]O mundo vivo e pulsante de Falana[/t2] Com um mundo tão vasto e que incita exploração, não faria sentido não haver uma grande quantidade de missões paralelas à trama principal por aqui. NPCs com um ícone sobre suas cabeças propõe desafios e pedem ajuda ao herói, que, caso conclua os objetivos, não só será recompensado com pontos de experiência, mas também com um melhor relacionamento com tal personagem, podendo assim habilitar novas missões. Algumas das figuras encontradas em Dust são tão carismáticas que realmente vale a pena dedicar um pouco de seu tempo a elas. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy9kdXN0XzA2LmpwZw==[/img] Também recorrente aos jogos de RPG é a grande quantidade de itens encontrados. Ao derrotar inimigos ou abrir baús de tesouro (realizando um simpático minigame no processo, ao custo de uma chave no estilo Zelda de ser) Dust conseguirá matérias-primas que podem ser utilizadas para confeccionar novos acessórios e armaduras. Anéis, colares, peitorais e até mesmo um item específico para aumentar o poder de ataque de Ahrah são alguns dos exemplos do que pode ser feito, mas tudo somente a partir do momento que o trio aventureiro conhecer a simpática ferreira da história. Caso você ainda não esteja convencido de que Dust é realmente um grande jogo, saiba que a trilha sonora é algo que definitivamente merece destaque. Composta pelos talentosos músicos da equipe Hyperduck, as faixas são os únicos elementos da aventura que não foram efetivamente realizadas pelo grande gênio por trás de tudo que diz respeito a Dust. Dean Dodrill é um cara dedicado, competente e muito, muito fã de videogames. Dust é a prova definitiva disso. Além de haver um cuidado especial em sua jogabilidade que sequer tenta esconder suas fontes de inspiração, há diversas homenagens a outros jogos os quais Dean admira. Ou você acha que é a toa que o mercador misterioso diz coisas do tipo "Ah, I'll buy it at a hight price!", que um dos chefes do jogo é um monstro que lembra muito Mewtwo, ou que uma das conquistas para um combo extenso chama-se "C-c-c-c-ombo breaker!"? Se não fosse o bastante, caso você decida se dedicar de verdade a exploração dos cenários de Dust, encontrará cameos de uma série de personagens de jogos indies da Xbox LIVE. Simplesmente sensacional. É de se admirar e muito como Dust consegue entregar bons resultados em praticamente tudo o que se propõe a fazer: da exploração às batalhas, do nível da trama às histórias paralelas. Tudo é muito bem feito e é fácil notar o quão dedicado o gênio moderno Dean Dodrill foi aqui. Marque esse nome e acompanhe a carreira deste promissor produtor, pois, sem dúvida, veremos seu nome estampar grandes jogos no futuro.
Fonte: GameTV
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