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7.5

Análise do jogo "Deadlight" para X360 escrito por GameTV

Escrito por GameTV, nota 7.5 de 10, enviado por KevinsonDemon_,
KevinsonXD: Muito mais assustador do que um apocalipse zumbi estar acontecendo do outro lado da sua janela, é a epidemia de mortos-vivos que vêm assombrando a cultura pop nos últimos anos. Caberia um estudo minucioso para precisar ao certo quando tudo isso tomou as proporções que todos testemunhamos hoje em dia, mas fato é que não há sinais de que isso vá acabar a curto ou médio prazo. The Walking Dead – tanto os quadrinhos quanto o seriado de TV e jogos da TellTale – está aí para provar que um gênero extorquido até a última gota pode sim trazer originalidade e criatividade à mesa; estamos às vésperas do lançamento de um novo DLC para Left 4 Dead 2, jogo este lançado no final de 2009; REC 3 chega aos cinemas logo mais, acompanhado de uma adaptação do livro Guerra Mundial Z, produzido e estrelado por Brad Pitt e etc, etc, etc. Tudo isso é prova de que a febre por gente morta ambulante perdurará ainda por longos anos. Inferno, recentemente foi anunciado que mais de um milhão de jogadores adentraram o mundo de Arma 2, num mod não-oficial intitulado Dayz! Imagine a proporção absurda que isso alcançará quando o jogo for lançado oficialmente... Veja bem, não estou me referindo a isso tudo de forma pejorativa, muito pelo contrário: sou fã assumido do tema em questão, onde vejo uma das formas mais interessantes de tecer críticas às sociedades modernas (além, claro, de justificar litros e litros de sangue extra em suas narrativas), mas quando nos deparamos com histórias de amor envolvendo zumbis, aí é sinal de que a coisa foi longe demais. E no meio dessa pandemia assustadora, surge Deadlight, que chega com exclusividade na LIVE como parte do summer of arcade (antes de continuar, uma curiosidade: esta geração atual de consoles traz nada mais nada menos, que vinte e dois jogos com as palavras Dead ou Death no título. Só para incitar reflexão mesmo...). Sendo o debut da Tequila Works, que tem em seu elenco veteranos da Blizzard, Sony e MercurySteam, o jogo não esconde de forma alguma se inserir nessa premissa tão desgastada, surrada e paradoxalmente amada, que é o mundo tomado por zumbis. Mas o ponto em questão é o seguinte: teria Deadlight características únicas o suficiente para se destacar em um mercado multimídia tão saturado? Seattle, 1986 Na trama, assumimos o papel de Randall Wayne, um guarda florestal numa busca desesperada por sua mulher e filha, das quais se separou durante o apogeu da invasão de mortos-vivos. Chamados de sombras, as criaturas são o pano de fundo e principais antagonistas da narrativa que quase não faz esforço em explicar seu porque de ser, afinal, não é de primeira importância sabermos o que causou a praga, mas sim como os sobreviventes irão se sair diante as adversidades. Logo de cara o jogo já faz questão de se apresentar como mais uma história dentro de tantas, remetendo aos primórdios dos filmes de zumbis, onde não importavam porquês, mas sim como os sobreviventes passariam a viver neste novo mundo. Vale menção que Deadlight tenta se associar as grandes tramas do gênero, onde, em pouco tempo, o perigo apresentado pelos mortos-vivos se torna pequeno se comparado a ganância e bestialidade dos humanos que tentam sobreviver. Trazendo em suas cenas de desenvolvimento de enredo desenhos precariamente animados, a linguagem é mais ou menos a que encontramos em MGS Peace Walker, por exemplo, mas com uma qualidade bastante inferior. A dublagem faz questão de ser ruim e estereotipada como uma homenagem as diversas produções de baixo orçamento do gênero nos anos 70. Ou pode simplesmente ser mal feita mesmo, cabe a você julgar. A história ainda tenta trazer nuances oníricas, onde somos apresentados ao passado de Randall numa linguagem menos concreta do que a ordinária. Essas são as partes mais bacanas do jogo, apesar de muito simples. Deadlight também conta sua desoladora e batida história através do diário do patrulheiro, que é bastante interessante de acompanhar. É nítida a intenção do roteirista em criar dois personagens completamente distintos, o que vivia em um mundo normal e trazia preocupações triviais, e aquele que vive em um mundo que está morto. Vindo no jogo em forma de colecionáveis espalhados pelo cenário, as páginas perdidas do diário se somam a arquivos gerais que lembram aqueles encontrados na série Siren, pois podem ser investigados de forma mais aprofundada em uma opção particular no menu inicial. São sutilezas que contam uma história de forma mais implícita do que o convencional, mas que funcionam muito bem. Outro grande lance que fará você revisitar os diversos capítulos dos três atos presentes são as identidades encontradas em cadáveres, que um dia pertenceram a famosos serial killers dos Estados Unidos. É de uma perturbação mórbida e quase subliminar invadir a casa de alguém e identificar que um dos residentes mortos é Albert Fish, por exemplo. A reviravolta final de Deadlight é, infelizmente, perceptível desde muito tempo antes de sua revelação, mas certamente a trama não fará você se interessar pelo jogo, já que este se sai muito melhor em apresentar seu desolador cenário e inusitada jogabilidade, do que em contar sua mundana história. Prince of Persia? Não, não, Nosferatu Desde que foi anunciado no ano passado, Deadlight chamou atenção por ser um jogo completamente 2D em sua jogabilidade, que é, essencialmente, um jogo de plataforma. Basta controlar Randall por alguns minutos para já pensar no clássico Prince of Persia, pois a movimentação é bastante semelhante. Recentemente, Limbo fez o mesmo papel em seus controles, onde deve haver a mesma precisão em seus pulos, mas com uma diferenciação ao trazer uma aventura sombria contada através de uma jogabilidade simples, porém complexa devido a engenhosidade de seus quebra-cabeças. Associar Deadlight a estes jogos é o mais imediatista a ser feito, mas vou ser sincero: foi a Nosferatu, um pequeno grande jogo de SNES e que nunca saiu da obscuridade, que remeti seus melhores momentos. Não que Randall colecione cristais para aumentar o poder de suas sequências de golpes, mas o desespero causado por criaturas sobrenaturais é bastante parecido. Não fosse pelo péssimo sistema de punição presente, a associação seria ainda mais precisa. Mas não cabe aqui culpar o jogo por isso, já que estamos inseridos numa geração acomodada e facilitadora, onde o auto save "evoluiu" para checkpoints presentes a cada dezenas de passos. É patético abordar o jogo dessa forma, já que, sendo assim, todo seu propósito cai por terra, afinal, como pode você valorizar a vida do personagem controlado se o máximo que acontecerá caso você morra é ter que repetir alguns minutos de jogatina? A dita "precariedade" de antes, com vidas limitadas e sistema de passwords, tornava tudo mais tenebroso e havia efetivamente uma valorização daquele último pedacinho de vida. Mesmo trazendo um sistema convencional de pontos de energia (que não se recuperam sozinhos, vale destacar), é fácil encontrar kits de primeiros-socorros espalhados pelo cenário. O guarda florestal é bastante ágil e faz uso de sua limitadíssima barra de vitalidade para golpear, acelerar o passo e destruir obstruções mais leves do cenário. Apesar de haver um tutorial convencional, o jogo ensina que correr é a melhor opção de uma forma ótima: forçando o personagem a saltar sobre um carro que dispara um alarme, atraindo assim a atenção de todos os mortos-vivos das redondezas. Por mais que Randall se depare com um machado e algumas armas de fogo pelo caminho, em muitos momentos você será obrigado a fugir dos inimigos, já que, dada determinada circunstância, o jogador ou não irá contar com nenhum tipo de armamento ou não conseguirá dar cabo de tantos zumbis ao mesmo tempo. O combate corporal pode ser muito frustrante, pois muitas vezes Randall erra um golpe que não haveria porque errar, atravessando o inimigo. Talvez os produtores tenham optado por um sistema de batalha não tão preciso para incentivar a fuga, já que são muitos os momentos onde Randall é capaz de bloquear o caminho dos mortos com simples obstáculos, como estantes e caixas. As armas de fogo são mais simples de serem usadas, com a mira sendo direcionada no analógico da direita. É fácil acertar disparos na cabeça dos mortos, eliminando a ameaça de forma rápida. A quantidade de balas carregadas é bastante limitada, incentivando ainda mais a fuga que havia citado anteriormente. Vale dizer que em alguns pontos não é possível se livrar dos zumbis, já que basta exterminar alguns para muitos outros aparecerem, então o ideal é dar o fora de lá o mais rápido possível. Apesar de haver, por vezes, uma dificuldade de disassociar diferentes planos ou até mesmo perceber se o inimigo está no seu campo de ataque ou não, isso incita ainda mais a estância de sentir-se subjugado e concluir que o melhor mesmo é correr por sua vida. O problema maior disso é por vezes não conseguir distinguir o que é chão e o que não é, já que tudo está destruído e é difícil distinguir as coisas, dada a quantidade de detalhes nos cenários. Diferentemente de Limbo, que trazia quebra-cabeças muitas vezes complexos e bem elaborados, Deadlight não vai muito além de encontrar o ponto certo para fugir daquele prédio ou desligar uma caixa de força para não morrer eletrocutado em um poste. Com exceção de um momento específico da trama, que é focado nos elementos de plataformas mais elaborados (e frustrantes), o básico do jogo não foge disso. Por um motivo misterioso, Randall não pode nadar, então evite lugares alagados a todo custo, pois a morte é tão certa quanto os espinhos são para Mega Man. O jogo ainda faz questão de indicar onde você pode subir ou com o que pode interagir, apesar de isso não ser uma certeza. Existem parapeitos que podem ser escalados mesmo sem aquela pequena e irritante setinha branca indicando o caminho. Momentos frenéticos e que acabam e muito com a exploração do primeiro ato dominam a segunda metade do jogo, mas não necessariamente colocam tudo abaixo, já que são intercalados por partes muito boas, como as do hospital e do estádio esportivo. Fazer uso de tais elementos em um jogo basicamente de plataforma, somado a inúmeras mortes instantâneas, causa uma revolta crescente, já que só é possível superar determinado momento decorando cada segundo dele. Sombras, zumbis e deslizes Os zumbis de Deadlight não são tão rápidos quanto os de Left 4 Dead nem tão lentos quanto os de Resident Evil, o que gera uma boa dinâmica de jogo. As criaturas são débeis e não conseguem se elevar a nenhuma plataforma, portanto fazer uso disso sempre que possível torna tudo muito mais interessante. Randall pode ainda gritar para chamar a atenção da mortualha: ao se ver sobre um telhado, o ideal é chamar a atenção deles até você, para assim conseguir saltar por cima dos inimigos, por exemplo. Algo que Deadlight faz muito bem é criar um senso de profundidade mesmo com uma jogabilidade 2D. Os cenários são vastos e desoladores, além de paradoxalmente vivos. Tudo está em ruínas e não há indício nenhum de que um dia as coisas vão mudar. Não há grande variedade, mas tudo é muito detalhado e traz referências a cultura pop da época e em alguns momentos até simula cenas de filmes clássicos como A Noite dos Mortos-Vivos e Zombie, de Lucio Fulci. Apesar disso, caso o jogo apontasse se desenrolar nos dias atuais, ninguém sequer notaria. É uma pena que Deadlight seja curto, traga pouca exploração após seu término e não inclua nenhum modo secundário a história principal. Há alguns minigames escondidos pelo cenário, além de não ser tão fácil assim encontrar todos os colecionáveis, mas foi decepcionante chegar a 100% de jogo com cerca de duas horas e vinte. O que resta fazer depois disso é basicamente terminar os cenários de forma mais rápida, para ingressar nos leaderboards da vida, algo que definitivamente não me interessa. Minhas expectativas eram grandes para Deadlight e mesmo que não tenham sido alcançadas em algumas coisas, a experiência como um todo foi gratificante. Os cenários detalhados, as diversas formas de reagir ao ataque dos zumbis e a jogabilidade que tem seus bons momentos, fazem com que eu recomende este jogo aos entusiasmados pelos monstros mais populares desde os vampiros dos anos 80-90. Mantenha as expectativas baixas e você não irá se decepcionar. DO QUE GOSTAMOS Belos e desoladores cenários Jogabilidade tem seus momentos Colecionáveis interessantes DO QUE NÃO GOSTAMOS Muito curto Sistema de tentativa e erro que irrita Narrativa que não passa do ordinário
Fonte: GameTV
KevinsonDemon_
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