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Análise do jogo "Bloodborne" para PS4 escrito por GameTV

Escrito por GameTV, nota 5 de 10, enviado por inuyasha302,
Depois de descer até os confins daquilo que parecia um esgoto a céu aberto, eliminar um sem fim de mortos-vivos envenenados, corvos enraivecidos e outros monstros grotescos, ali, ao longe, o túnel que levava à saída daquele inferno birlhava como ouro. Tudo perfeito, pois ao mesmo tempo, meu estoque Ecos de Sangue beirava os 15 mil e eu faria a festa evoluindo e comprando novos equipamentos. Não fosse, claro, aquele par de olhos cintilantes incrustados na escuridão. Parei, relutei e quando me dei conta, percebi que eles avançavam em minha direção. Fugi, mas não adiantou. Percebi tarde demais que o meu algoz na verdade era um porcão musculoso e tenebroso, cujo ataque me pegou desprevinido. Gritei, arranquei os cabelos e disse a mim mesmo: "Ok, chega. Amanhã será um novo dia". [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL2Nkbi91cGxvYWRzL2NvbnRlbnRzL29yaWdpbi9pbWFnZXMvQmxvb2Rib3JuZS1zY3JlZW4tMDQtcHM0LXVzLTEwanVuMTQuanBn[/img] Esse é Bloodborne. Exclusivo do PS4, sua estirpe é a mesma da famigerada série "Souls". Aquele tipo de jogo que não basta apertar o botão freneticamente, é preciso elaborar com extrema cautela o seu próximo passo, pois qualquer inimigo pode matá-lo. E é isso que o torna tão especial, e ao mesmo tempo, tão hardcore. Poucos são os que se divertem com um game que só fica "mais fácil" à medida que você evolui como jogador dentro dele. Veja o meu exemplo. Nunca havia jogado Demon/Dark Souls. Passei quase cinco horas preso no começo do jogo, o equivalente a mais ou menos seus 30 minutos iniciais. E não havia conseguido encontrar o primeiro chefe ainda, o que quer dizer que não tinha saído do "tutorial" (que explica praticamente nada!). Isto porque, só após o encontro com o primeiro chefe (e nossa eventual derrota) é que o sistema de nível do jogo é destravado e podemos evoluir nosso caçador. Caso contrário, ficamos presos eternamente no nível 10 do personagem, para todo o sempre (será que tem troféu disso?). Já estava quase desistindo quando resolvi me reinventar como jogador. Sem abandonar o meu jeito mais agressivo, mas passei a explorar mais os contra ataques, principalmente contra inimigos que eu encontrava pela primeira vez. Para os maiores, usava o cenário como vantagem, mas isso não funcionava 100% das vezes. Aos poucos, o mundo de Yharnam passou a exalar uma beleza particular, mas continuava terrível, sempre. Não se iludam, ele continua absoluto em dificuldade, mas agora é um tipo de desafio extremamente agradável e divertido (não sou masoquista), que me força a querer tentar infinitas vezes em sequência - o que pode irritar um pouco devido às longas telas de carregamento entre um game over e sua continuação. O jogo trabalha bem seu lado RPG, mascarando as tradicionais decisões de classe no formato de "Origem". De "Passado Violento", a "Tímido", "Único Sobrevivente" e até mesmo "Peso Morto", escolhemos a classe que melhor nos representa e nisso, alguns bônus em certos atributos. Bônus aliás, muito bem vindos no começo do jogo. Será que influencia no final também? Não sei nem se conseguirei chegar ao seu final um dia... [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL2Nkbi91cGxvYWRzL2NvbnRlbnRzL29yaWdpbi9pbWFnZXMvQmxvb2Rib3JuZS1IaWxscy5qcGc=[/img] Os principais elementos da série Souls retornam em Bloodborne. À exceção, claro, do uso constante do escudo, já que o novo game é focado em batalhas mais intensas, que favorecem o ataque e e esquiva em detrimento da defesa (que existe, mas achei bastante ineficiente). Estratégias de cenário, como a famosa "Ciranda-Cirandinha", que nos força a correr em volta de uma construção esperando a oportunidade de contra-atacar com sucesso, ou derrubando os mais fortes de torres ou escadas (funciona que é uma beleza), vale tudo para sobreviver. Eu tentava alinhar todos em um corredor para evitar ataques furtivos traiçoeiros, ou utilizar aqueles probleminhas de construção de cenário, que possibilitavam o meu golpe atravessar a parede e acertar o inimigo na outra quina, mas ao ver que o inimigo podia fazer a mesma coisa, logo desisti. Os ataques dos monstros são muito mais fortes que os nossos na maioria das vezes. O jogo é difícil, mas ele também é justo, nos fornecendo ferramentas interessantes para a caçada infernal. Dentre as armas mais divertidas estão uma lança que dispara um tiro de espingarda, a espada serrote, que aparece na capa do jogo com o personagem - essa é a minha preferida, pois é possível transformá-la durante um combo, mais ou menos como um espadachim que saca a espada durante um ataque mais certeiro -, machados, cajados e chicotes (queria este, mas ainda não consegui obtê-lo). E tem também molotovs, itens de cura, e munição para sua arma de fogo. Por falar em arma de fogo, ela substitui o seu escudo no combate. Ao invés de defender, nós atiramos. E se o tiro certeiro acontecer durante o ataque adversário, criamos uma janela para um ataque devastador, normalmente 1 hit kill, que funciona em praticamente todos os inimigos (os chefes não morrem, claro). Esse é o famoso "parry" de Bloodborne, mais uma ferramenta que transforma a experiência do game, deixando-o muito mais agressivo e prazeroso. Bloodborne também tem um modo online, mas que até o término deste review, não havia sido liberado. Com ele é possivel pedir ajuda a outros caçadores, que assim como na série Souls, entram no seu jogo para ajudá-lo (ou assim esperamos...). Durante a campanha damos de cara com outros caçadores controlados pelo computador, mas quase sempre somos obrigados a enfrentá-los. E qualquer vacilo é um atestado de óbito na mesa do chefe, sem chance de revide. Tem que ficar esperto sempre. O sentimento de terror é aumentado em quase dez vezes graças as magníficas paisagens que o jogo fornece. Um visual meio gótico e sempre noturno, com quase nada de sol (este que não sei se é do amanhecer ou do anoitecer), gente morta pendurada, monstros crucificados, altares de adoração do capeta, corvos rastejantes malditos (meus preferidos) e chefões que farão você pensar duas vezes antes de enfrentá-los, mesmo sabendo que o continue é infinito. Ambientação fantástica digna dos melhores elogios. Nada supera aquele frio na espinha de vasculhar um cantinho no mapa e não perceber aquele lobisomen gigantesco pulando do telhado para encurralá-lo na espreita. Ou aqueles cachorros sarnentos correndo como loucos no meio da multidão de monstros comemorando aquela noite maldita, esperando que alguém desinformado passe entre eles. Esse alguém é você. Susto garantido, e o choro é livre. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL2Nkbi91cGxvYWRzL2NvbnRlbnRzL29yaWdpbi9pbWFnZXMvY2hhcmExMC1pbWcuanBn[/img] Uma coisa que eu acho bastante interessante é que a série Souls nunca foi popular em rodas menos hardcore. Conhecido e respeitado, sim, mas é um jogo de nicho, propositalmente difícil, beirando o impossível e que poucos conseguem realmente se divertir. No PS4, Bloodborne é um exclusivo e principal chamariz para 2015, agora que Uncharted 4 foi adiado e The Order já foi lançado. Me pergunto quanto tempo o cara que clamava por uma cópia de Bloodborne, mas que nunca tocou em um Dark Souls vai aguentar. Experiência própria: quase abandonei o game no início, mas agora sinto que fui convertido. Passei pelo batismo de fogo e comecei a me divertir para valer.
Fonte: GameTV
inuyasha302
Enviado por inuyasha302
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