.
9

Análise do jogo "Asura's Wrath" para X360 escrito por GameTV

Escrito por GameTV, nota 9 de 10, enviado por Anônimo,
[img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy8yMDUzMTVfNi5qcGc=[/img] Quando criança, você provavelmente sentiu aquele arrepio na espinha quando Freeza matou o Kuririn e o Goku se transformou, pela primeira vez, num Super Saiyajin. Ou então já levantou as mãos para o céu e enviou sua energia para que Goku pudesse criar a maior Genki Dama do universo e vencer Majin Buu, certo? Em Asura's Wrath você passa por situações semelhantes enquanto acompanha a história do general Asura, uma das oito entidades celestiais, traído e esquecido por 12 mil anos. Desenvolvido pelo pessoal da Cyberconnect2, os mesmos caras por trás dos jogos relacionados à linha Naruto Ultimate Ninja (Storm), eles agora nos presenteiam com uma criação que fica difícil até categorizar: seria Asura's Wrath realmente um jogo? Advogado do Diabo Antes de entrarmos nos méritos de Asura's Wrath como um jogo, é preciso ressaltar sua trama. Assim como em God of War, que um mito foi criado dentro de um universo já existente e conhecido de muitos, Asura's também brinca com sua própria mitologia. Inspirado no Asura budista (um pouco diferente do hindu), ele ganha um sentido de ser o que é. Veja bem, na mitologia budista, Asuras são criaturas vis, intoxicadas por seu orgulho, ira e qualquer tipo de obcessão, mas no game ele é um cara de bem. É sim, cabeça quente, extremista - grande parte disso é culpa do seu mestre, Augus, um dos generais celestiais - e não lida muito bem com pessoas em geral, mas tem uma esposa - irmã de Yasha, outro companheiro de batalha - e tem uma filha, Mithra, uma das pretendentes do ofício de sacerdotisa oficial dos semi deuses. Depois da grande batalha contra Gohma, entidade maligna que assola os moradores da Terra e também do Céu, seus companheiros generais resolvem trair e acabar com a vida de Asura e sua família. Deus, o líder dos generais - entenda Deus como um simples nome, pois trata-se da mitologia budista aqui -, aprisiona Mithra, joga Asura nas profundezas do Naraka (muitas vezes traduzido como Inferno mesmo) e o ignora completamente por 12 mil anos. Durante esse tempo, segundo o jogo, é que surge a lenda de que Asura é uma entidade pecadora, que sucumbiu ao próprio ódio que nutria pelas coisas, se rebelou contra seus amigos e, por isso, foi banido dos Céus. Na ilustração, Asura é caracterizado exatamente como é dito que ele é: quatro cabeças/faces e seis braços. É como se alguém pegasse a história de Lúcifer e o retratasse como um injustiçado, colocando você na pele do Anjo Caído para enfrentar as hordas celestiais de Deus (e aqui é aquele que nós conhecemos) e dando um sentido distorcido do que seria a batalha do Apocalipse, ou algo que o valha. A maior diferença nisso tudo é que os conceitos bíblicos não são aplicáveis nesse caso, já que o Budismo não distingue de forma absoluta o que é bom e o que é mal. Jogo em segundo plano [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy8yMDU4MjVfMzEuanBn[/img] Uma das peculiaridades de Asura's Wrath é o fato de toda a mecânica de jogo estar em segundo plano. Desenvolvida em cima da Unreal Engine 3, o jogo disponibiliza uma câmera solta, ataques fracos, fortes, contra-ataques, esquivas, um botão de pulo e verdadeiros momentos de shoot 'em up (quase um jogo de 'navinha'), mas nada aprofundado. Você não explora o cenário, não anda pela fase até se encontrar com um chefe e muito menos evolui as habilidades do seu personagem. Ao invés disso, temos muitos Quick Time Events que acontecem durante as CGs. Asura's não é um jogo, mas uma experiência multimídia. É nítida a falta de compromisso da CC2 com os elementos que, de fato, fazem de um jogo o que ele é, focando seus esforços em uma narrativa cinematográfica linear, mas interativa. Sua parte jogável é tão irrelevante que, mesmo errando a sequência de comandos indicados na tela durante o QTE, a cena não é impedida de acontecer - como é comum em jogos similares, como nas sequências de Ninja Blade (Microsoft) ou Naruto Ultimate Ninja Storm. Você vai assistir, independentemente de jogar ou não. O estranho é que mesmo sendo "irrelevantes", os comandos que aparecem durante as cutscenes fazem sentido. Tudo bem que é muito fácil fazer valer o martelar insandecido do X (no caso do PS3) quando Asura começa a esmurrar o dedo de Wyzen, mas é divertido colocar a alavanca para o lado no exato momento que Yasha parte louco para o combate e segurá-lo, ou quando você realiza comandos específicos para abrir os demais braços de Asura, ou entrar em posição de luta com o Yasha. E convenhamos, a CC2 é muito boa animando cutscenes que você participa da ação - vide os jogos de Naruto. Fãs, assim como nós O grande trunfo de Asura's Wrath está no exagero. Tudo é grande, tudo é violento e tudo é esperado. Hiroshi Matsuyama, presidente da CC2, é, assumidamente, um grande fã de mangás e animes. Não é difícil encontrá-lo circulando por eventos de games vestindo seu tradicional cosplay de Naruto (versão Shippuden). E esse elo que ele possui com Naurto, de ser fã da série, nós também o possuímos. A diferença é que não temos uma desenvolvedora de jogos para criarmos nossas histórias de fãs, animá-las e vendermos por aí. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL3BsYXl0dm1uZ3IvY2tlZGl0b3IvY2tmaW5kZXIvdXNlcmZpbGVzL2ltYWdlcy8yMDUzMzNfNC5qcGc=[/img] Todos os clichês encontrados em Asura's Wrath não são ruins, pelo contrário, funcionam como uma ode ao gênero. É o mesmo caso de Gurren Lagann para os animes de robôs e Os Mercenários para os filmes de ação. Quando você achava demais o Freeza explodir um planeta com apenas um dedo, ou o Goku secar um oceano com seu Ki, temos Asura vencendo um inimigo pelo dedo (já que o seu tamanho é imensurável) ou então sendo atravessado juntamente com o planeta por uma espada japonesa de proporções ridículas. É tudo tão 'anime' que os capítulos do jogo são separados como uma série de televisão. Possuem uma abertura, uma vinheta de bloco e até as cenas do próximo capítulo. (e claro, dá para notar uma grande inspiração 'narutística' em determinados momentos) Asura's Wrath é um jogo diferente e que precisa ser apreciado de uma outra maneira. Não espere combates elaborados como os encontrados em Devil May Cry, não pense que você vai poder explorar cenários e apreciar o trabalho da equipe de arte do jogo (apesar de que é possível fazer isso nas CGs, tranquilamente) e não tenha grandes esperanças pelo +New Game. No máximo, uma dificuldade extra para deixar as sequências de combate um pouco mais desafiadoras e um final secreto (adquirindo cinco ou mais 'S'). No entanto, prepare-se para uma experiência quase inédita, com uma história original, sequências de ação inimagináveis e uma belíssima arte em cel shading digna de um longa metragem. Jogue, ou assista.
Fonte: GameTV
label