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Análise do jogo "Assassin's Creed: Unity" para PS4 escrito por GameTV

Escrito por GameTV, nota 8 de 10, enviado por AlbertZero,
[img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL2Nkbi91cGxvYWRzL2NvbnRlbnRzL29yaWdpbi9pbWFnZXMvVW5pdHlfQ3JlZG8uanBn[/img] [i]Arno é um novo assassino para uma nova geração de consoles[/i] Minha iniciação em Assassin's Creed começou no segundo game da série e na primeira aparição de Ezio. Fazer parte da história de vida daquele assassino italiano, ver suas tragédias e decepções me fez curtir a saga e a luta contra os templários. Mais do que isso, me fez querer conhecer a Itália! Subir e descer em construções antigas me fez querer ver se aquilo existia de verdade. E bem, todos sabemos que existe. Aquilo foi um incentivo a querer estudar mais História. O roteirista fez um bom trabalho e a minha maior diversão era saber qual parte daquela aventura era ficção e qual era realidade. Enfim, eu acreditava que logo terminaria. Ledo engano. Cá estou eu 7 jogos mais tarde para falar do oitavo título da série. É nítido que em algum ponto da saga rolou o famoso "Money Talks" na Ubisoft e a produtora resolveu perverter [b]Assassin's Creed[/b], que tinha começo meio e fim, nessa franquia multi milionária que inclui ainda livros best sellers, figures, cds, quadrinhos e artbooks. A história do Animus, o aparelho criado pela [b]Abstergo[/b] (empresa gigante dos templários), que fazia com que descendentes dos assassinos nos dias de hoje pudessem revisitar a vida de seus antepassados morreu com [b]Desmond Miles[/b]. Depois disso tudo virou uma grande mancha cinza e é nela que convivemos. Os templários, uma Ordem Antiga que resistiu ao tempo e acreditava que para que algo novo pudesse nascer era preciso destruir o antigo deixou a história de Desmond de lado e criou um "videogame" capaz de fazer qualquer um voltar a viver como um assassino do passado. Esse "plot twist" deixou a porta aberta para que se criassem infindáveis assassinos e templários. E desde [b]Assassin's Creed 3[/b] que a luta entre o bem e o mal representada por eles deu uma grande reviravolta. Ninguém mais sabe quem é mal e quem é bom. [b]Assassinos[/b] querem ser [b]Templários[/b] e vice-versa. E é neste universo que se passa [b]Assassin's Creed Unity[/b], o primeiro game da saga feito exclusivamente para os consoles da nova geração: [b]Xbox One[/b], [b]PlayStation 4[/b] e [b]PC[/b]. Só por ser de um novo hardware, as novas tecnologias já permitiram uma grande evolução visual e de conteúdo. Isso é inegável, mas há ressalvas. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL2Nkbi91cGxvYWRzL2NvbnRlbnRzL29yaWdpbi9pbWFnZXMvVW5pdHlfbm90cmVkYW1lLmpwZw==[/img] [t2]Um assassino na Revolução Francesa[/t2] Um dos grandes chamarizes de marketing feitos pela Ubisoft para [b]Assassin's Creed Unity[/b] foi a [b]Revolução Francesa[/b]. Um dos períodos mais conturbados da história da França que gerou mudanças profundas na economia e sociedade daquele país e que culminou na abolição do poder monárquico, com a execução do Rei Luís XVI, que foi substituído pela república democrática. Enfim, uma fase de grandes transformações e o uso extensivo da guilhotina, a máquina de matar mais eficiente da história. Esse é o ambiente perfeito para que a ficção incluísse a rivalidade entre a Irmandade e os Templários. No começo do game somos apresentados ao que aconteceu ao nobre francês [b]Jacques De Molay[/b], considerado o último Grão-Mestre da [b]Ordem dos Templários[/b] que em 1314 foi condenado injustamente a fogueira por contestar falsas acusações de heresia. Historicamente se acredita que a morte de De Molay está ligada a ambição do [b]Rei Filipe IV[/b] e do [b]Papa Clemente[/b] que queriam possuir as riquezas dos templários já que no caso da condenação, os bens de um nobre passavam inteiramente para o Estado francês. No game, De Molay promete vingança e diz que todos os culpados serão condenados. No game esse fato se torna um dos motivos para acontecer uma revolução. Só por curiosidade, existe uma [b]Ordem De Molay[/b], uma organização neo-templária fundada nos EUA em 1919 e que tem membros até os dias de hoje ou seja tem gente que acredita nas doutrinas do Grão-Mestre de verdade. [youtube]https://www.youtube.com/watch?v=EV2ZCaND01A[/youtube] Depois disso saltamos direto para a Revolução Francesa período que vai 1789 a 1799, onde somos apresentados a [b]Arno Victor Dorian[/b] que tem seu pai morto misteriosamente e acaba adotado por [b]François De La Serre[/b], o Grão-Mestre da Ordem dos Templários do século XVIII. A filha deste templário torna-se o par romântico de Arno, seu nome: [b]Élise De La Serre[/b]. Depois de ser preso por engano na Bastilha, Arno conhece o assassino Bellec e atrás de vingança por seu pai acaba se juntando aos Assassinos, onde passa a ter que cumprir missões para impedir que os templários causem uma revolução para derrubar o atual regime político francês. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL2Nkbi91cGxvYWRzL2NvbnRlbnRzL29yaWdpbi9pbWFnZXMvVW5pdHlfcGVvcGxlLmpwZw==[/img] [t2]Visual incrível, muito conteúdo e bugs, muitos bugs[/t2] Uma das coisas que se nota ao começar a se jogar Unity é como a França está bonita. As construções, ruas, pessoas e animais de Paris e Versalhes são impressionantes mesmo. De certa maneira parece que estas cidades tem vida e são bem populosas. O avanço na tecnologia dos novos consoles permitiu duas características estruturais que destacam este game de mundo aberto dos outros. O primeiro deles é a quantidade de gente nas ruas. Em determinado momentos é possível caminhar por mais de 500 pessoas em uma rua, cada uma realizando ações diferentes e há pouca ou nenhuma queda na taxa de frames (para quem se importa com isso). O segundo é a capacidade de entrar nas casas e prédios. Durante uma fuga, Arno não precisa escalar ou ficar dando voltas em construções, ele pode se esconder dentro de uma delas. Além disso as chamadas cutscenes, cenas que servem para explicar o que acontece no game são todas feitas com gráficos do próprio jogo, assim quando o personagem está personalizado, ele aparece exatamente com a mesma roupa escolhida pelo jogador. Quando digo que tem muito conteúdo em Unity não é brincadeira. A campanha principal tem cerca de 32 estágios divididos em 12 fases (memórias). O modo Multiplayer tem mais 18 missões longas e interessantes que podem ser jogados de 2 a 4 jogadores que usam a cidade inteira de Paris como seu refúgio. Todas estas missões tem prólogos e acontecem no meio da campanha principal, mas podem ser acessadas a qualquer momento. Assim como em [b]Watch_Dogs[/b], o jogador faz sempre o papel do protagonista, enquanto os participantes são caracterizados como assassinos que vieram apenas para ajuda-lo em sua tarefa. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL2Nkbi91cGxvYWRzL2NvbnRlbnRzL29yaWdpbi9pbWFnZXMvVW5pdHlfcGVyc29uYWwuanBn[/img] As microtransações tão populares nos games mobile também estão presentes em Unity. Na hora de personalizar o seu personagem com roupas, armas, acessórios e habilidades é possível comprar pacotes de dinheiro virtual (com dinheiro real!) para desbloquear logo de cara aquele item mais poderoso que só é possível obter no final do jogo ou depois de muito saquear ladrões e inimigos. Fora isso ainda existe um pacote de temporada que libera automaticamente futuros conteúdos e fases extras. O lado social do game também está representado por um aplicativo mobile que permite ao jogador abrir conteúdos extras no console e uma rede que dá ao jogador itens baseados no número de pontos que consegue jogando outros games da franquia cadastrados. Unity tem tudo isso e mais um montão de atividades escondidas que o jogador encontra caminhando pela própria cidade como perseguir ladrões, decifrar enigmas e até ajudar um jovem Napoleão a paquerar seu grande amor Josephine. Aliás figuras famosas como o [b]Marques de Sade[/b], [b]Robespierre[/b] e o [b]Rei Luis XVI[/b] fazem aparições em Unity. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL2Nkbi91cGxvYWRzL2NvbnRlbnRzL29yaWdpbi9pbWFnZXMvVW5pdHlfbWljcm90cmFuc2EuanBn[/img] O grande problema com todo esse conteúdo disponível e programado separadamente (foram mais de 500 pessoas de estúdios diferentes envolvidas no projeto!) é que sabemos que resolver bugs é como procurar uma agulha no palheiro, ou seja, ainda existe um monte deles que aparecem eventualmente da forma mais esquisita possível. É meio vergonhoso dizer, mas qual AC não tem erros? Dito isso você pode estar andando e de repente ser sugado pelo cenário, ver sem querer um parisiense atravessando paredes como um fantasma ou derrubar um adversário que cai e fica tendo tremeliques esquisitos no chão. Fora que o multiplayer pode bloquear seus comandos e aí você fica congelado enquanto vê seus amigos descendo o sarrafo nos inimigos. Enfim são muitos e outros ainda mais esquisitos devem surgir. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL2Nkbi91cGxvYWRzL2NvbnRlbnRzL29yaWdpbi9pbWFnZXMvVW5pdHlfVmVyc2FsaGVzLmpwZw==[/img] [t2]Trepando por aí como um assassino[/t2] Para quem está familiarizado com a saga [b]Assassin's Creed[/b] saiba que Unity tem todos os movimentos básicos do controle. Correr, escalar fazendo parkour, usar ataques surpresa, defender-se e contra atacar. As novidades estão em novo botão adicionado que em determinadas ocasiões tem ações diferentes. Antigamente o jogador corrida, apertava e segurava dois botões para escalar um edifício. Na hora de descer no entanto ele tinha que fazer o processo de forma invertida ou saltar. Agora é possível descer de forma automática. Esse botão usado para descer também é usado na hora de uma fuga em solo. Correndo com este botão apertado Arno escorrega por debaixo de mesas e pula janelas de forma simples para escapar de inimigos que eventualmente estão em seu encalço. Além disso na hora da batalha de espadas é possível dar um rolamento e usar este botão para defender-se de um ataque adversário. Os combates permitem um movimento fatal de finalização dependendo da arma que usar e apertando o botão de ataque em um momento de descuido ou quando o inimigo estiver cambaleante. A mobilidade de Arno se parece com a humana, mas como em todos os games da saga tudo o que ele faz é roteirizado ou seja programado para ser acionado quando um botão for apertado no tempo certo. Cada movimento é feito individualmente, por isso é necessário saber a hora em que um acaba para poder fazer outro. Até certo ponto isso gera batalhas mais realistas, mas fazer os comandos acaba ficando repetitivo e aumenta a chance de errar. Em um game que coloca 500 pessoas em um único lugar, encontrar 20 ou 30 inimigos a fim de te pegar é muito fácil e lutar com um "roteiro pronto" talvez não seja a melhor opção, por isso usar a furtividade na maioria das vezes acaba sendo o melhor remédio. Em relação aos itens, além de espadas, armas longas, pistolas, rifles e três tipos de bombas (fumaça, cereja e venenosa) Arno precisa "comprar" certas habilidades para poder lutar e se deslocar pela cidade com mais fluidez. Essas habilidades podem ser adquiridas com pontos de sincronização que são ganhos ao final de cada estágio. Com uma cidade imensa como Paris, o jogador tem algumas escolhas para viajar de um ponto a outro do mapa: viajando de carroça, escolhendo a viagem rápida ou indo a pé mesmo. Não há cavalos disponíveis para correr pelo centro urbano já que ele está sempre entupido de gente dia e noite. [img]hide:aHR0cDovL3d3dy5wbGF5dHYuY29tLmJyL2Nkbi91cGxvYWRzL2NvbnRlbnRzL29yaWdpbi9pbWFnZXMvVW5pdHlfRWxpc2UuanBn[/img] [t2]E aí é bom ou não é?[/t2] [b]Assassin's Creed Unity[/b] está longe de ser a experiência definitiva da série, mas é um bom game com algumas ressalvas. Aparentemente, a Ubisoft aplicou boas ideias ao jogo, mas que não foram implementadas de forma perfeita. Algumas quedas na taxa de quadros, muito e muitos movimentos programados além de bugs estragam um pouco da experiência, mas é um game visualmente maravilhoso e as cidades de Paris e Versalhes são incríveis. Poder entrar e sair de prédios e casas em um game de mundo aberto com tamanho detalhe deixa claro no que eles andaram perdendo seus 4 anos de desenvolvimento. Na minha opinião (você pode ter outra, tá? Não me xingue nos comentários!), a história de Arno é interessante, mas não é tão profunda quanto a que foi de Ezio. O vilão nem é tão legal nem cruel como Bórgia. Como a luta entre Assassinos e Templários virou política, vemos personagens muito mais coadjuvantes na ação do que pondo a mão na massa. E nem gosto do flerte amigável entre Templários e Assassinos. A história ficou confusa, eles não são amigos e eu não quero mais fazer parte disso. Ah, não dá pra esquecer de comentar que desta vez não temos navios, por isso quem navegou os sete mares em [b]AC IV: Black Flag[/b] vai definitivamente se sentir orfão já que voltamos a correr de um lado para o outro. Outros elementos de games anteriores se perderam, foram sendo resumidos ou sofreram uma mudança com o tempo. Por exemplo não é mais possível fabricar bombas existem três tipos e só. O jogador salva as pessoas na rua, mas não as convoca para entrarem na Ordem já que há o multiplayer. Arno não mata inocentes, só gente má! Então não adianta querer dar uma de Serial Killer por aí porque fica tudo travado. Um ponto positivo para os jogadores brasileiros é a dublagem em português que apesar de não ser perfeita é uma das melhores que já tive a chance de ouvir, mas que acaba abalada por alguns bugs que fazem metade das pessoas da cidade falarem francês, enquanto as outras falam português. De qualquer maneira Unity é o primeiro game desenvolvido para os novos consoles e vai empolgar por muitas horas aqueles que curtem a saga dos assassinos, mas não se deixe enganar pelo marketing. Todos aqueles vídeos bacanudos e originais que aparecem antes do lançamento dão um clima muito mais legal do que realmente é em termos de história. Seria a Ubisoft uma Abstergo, mas ao invés de roubar memórias passadas querem pegar o nosso dinheiro para a nova Ordem dos Templários? Até agora eles estão conseguindo. Fica a reflexão. [youtube]https://www.youtube.com/watch?v=P4ZU-7CufAE[/youtube] [b]Curiosidade:[/b] As vezes um problema no Helix, o game que jogamos e que está sendo invadido por dois hackers (Bispo e Diácono) acaba levando o protagonista para outras épocas. A minha teoria maluca é que os caras da Ubisoft Montreal devem ter ficado chateados porque a famosa Torre Eiffel não estava construída durante a revolução, então resolveram dar um jeitinho para que a gente viajasse até lá para conhece-la em diferentes época da história francesa. Essas sequências trazem um pouco mais para o game, mas não acrescentam nada ao enredo. Aliás nem a presença de Bispo e Diácono servem para explicar qualquer coisa. É puramente uma desculpa, mas que é bonito é. Veja acima! [b]DO QUE GOSTAMOS[/b] + Gráficos incríveis + É possível entrar em prédios + Personalização do personagem + Dublagem em pt-br + Escorregar por baixo das mesas + O conceito do Multiplayer é interessante [b]DO QUE NÃO GOSTAMOS[/b] - Bug, muitos bugs - Movimentos programados para cada ação - Eca, microtransações! - O grande vilão do game está longe de ser um Bórgia - Queda de framerate durante alguns momentos - Tem gato, cachorro, águia, mas não tem cavalo pra se locomover - Tem dinheiro, pontos de sincronização, pontos disso e ponto daquilo. Fácil confundir!
Fonte: GameTV
AlbertZero
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