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7.1

Análise do jogo "The Saboteur" para PC escrito por GameStart

Escrito por GameStart, nota 7.1 de 10, enviado por Giordano Trabach,
O ano é 1945. A guerra é a Segunda Grande, que abalou nosso planeta. O cenário é uma França devastada pela marcha Alemã. A sua tela: Preto e branco. Sim, com exceção da última frase, você sabe que já viu tudo de antemão e estaria a um passo de pensar "mais um jogo sobre a Segunda Guerra Mundial" se The Saboteur não se apresentasse inteiro em preto e branco. E começasse com uma corrida. Brincadeiras a parte, o último jogo da Pandemic Studios é também sua tacada mais inspirada dos últimos anos. Você encarna o irlandês Sean Devlin, um piloto profissional de carros que estranhamente é mais atlético que seus companheiros de esporte. Sem saber, após mais um dia de vitória nos circuitos, Sean e seu melhor amigo acabam por irritar um competidor que na verdade é um alto oficial do Terceiro Reich, o que significa: encrenca. Os dois vão parar em uma base militar e apenas Sean sobrevive, após ver seu amigão torturado até a morte. Sim, é assim que se cria um irlandês revoltado. Como Mercenaries foi antes, The Saboteur é também um jogo aberto, no qual você pode transitar livremente pela dominada Paris da época. A mecânica de se aliar a vários tipos de forças rebeldes e facções se mostra presente no jogo de época, mas com o diferencial de serem realmente variadas. Não digo dos objetivos, pois estes são praticamente sempre os clássicos "elimine tal membro do exército nazista" ou "derrube determinada instalação alemã". O diferencial real fica na forma como as coisas acontecem e nas reações inimigas. Você pode encarnar o Rambo e simplesmente ir atirando em todo mundo que estiver pela frente, algo que vai contra o próprio título do jogo, mas que não pareceu incomodar seus desenvolvedores nem um pouco. A mecânica de tiro é uma das que funcionam melhor durante a ação e, para piorar sua dependência desta, Sean é praticamente um dos X-Men: o cara leva bala até não poder mais, mas continua correndo e quando finalmente parece que ele está chegando às últimas, basta descansar por segundos que tudo volta ao normal. Será este o efeito colateral de ver seu melhor amigo torturado até a morte? Então, você pode optar pelo caminho aparentemente mais prudente, que é roubar um uniforme inimigo, se infiltrar na dita base e acabar com tudo sorrateiramente, assassinando inimigos por trás e nas escuras. ?? tudo muito bonito quando você está realmente sabotando alguém no jogo, mas sabe o que seria melhor? Se tais atos fossem consistente. Não foram raros os momentos nos quais eu estava lá andando furtivamente pelo território inimigo quando os soldados inimigos descobriram minha presença, com disfarce e tudo mais, nos obrigando a partir para o tiroteio já explicado acima. Você pode também resolver tudo de longe com o bom e velho sniper, o jogo recompensa seus esforços com perks relacionados à suas preferências. ?? um bom sistema, que mantém você concentrado no seu estilo de jogo, mas sem fechar os olhos para outras opções. Independente de suas escolhas, o jogo guarda sempre um momento de ação hollywoodiana para suas missões, que contrastam com o clima triste das cutscenes históricas, que vão desde perseguições com os carros da época, até Devlin correndo por dentro de um Zeppelin prestes a explodir pelos ares. Nada que você nunca tenha visto antes, mas ainda assim interessante pelo fato de o jogo te pegar de surpresa com sua escala (experimente ver as torres alemãs se despedaçando em pleno ar após um bombardeamento), deixando aparente o desejo dos desenvolvedores de entreter o jogador. Tal desejo se mostra menor durante a narrativa nada harmônica. Falamos de um jogo que em um momento tenta ser dramático e consciente sobre os horrores da guerra, para noutro se portar como um jogo ácido e invariavelmente cômico, lembrando os filmes do sempre comentado diretor Quentin Tarantino, de Kill Bill, ou o mais recente Bastardos Inglórios, que também se passa na Segunda Guerra e em Paris. Só não espere que os diálogos ou a dublagem sejam tão bons quanto. O jogo, como dito lá no primeiro parágrafo, em primeira instância se porta quase que inteiramente em preto e branco, com alguns símbolos mais fortes coloridos fortemente. Funciona e passa um sentimento opressor totalmente diferente enquanto você anda pelos telhados parisienses observando o comportamento de seus inimigos. A ação também toma um rumo um pouco diferente do esperado, já que a semi-ausência de cores faz você prestar atenção em detalhes que antes pareciam mundanos, como o facho de luz dos faróis dos carros que passam pela rua, ou o sangue rubro que jorra dos soldados conforme você dispara contra eles. Você se surpreende também a primeira vez que retoma um território antes ocupado pelos nazistas, que resulta nas cores da cidade retornando aos poucos em um efeito inusitado para um jogo do gênero. Ironicamente, com tudo colorido, você começa a ver que o gráfico e algumas construções passam um pouco longe de ser o que há de mais moderno. Não como se o choque fosse fazer você desistir da aventura, claro. Assim, conforme você vai progredindo, Paris vai se tornando uma cidade viva e colorida. E sim, caso esteja se perguntando, o jogo não segue exatamente a risca os eventos acontecidos na Segunda Guerra Mundial, alterando muito de seus eventos marcantes para risadas de alguns e desespero de outros. Devolvendo cores à cidade luz: The Saboteur desce como a verdadeira sequência do primeiro Mercenaries lançado em 2005. Divertido e inovador de uma forma própria e autêntica, mas não necessariamente impressionante. Uma aventura que diverte mais à medida que se mergulha pelas várias missões. Você vai ver sim muito das falhas citadas nos parágrafos acima, mas não será o tipo de coisa que o fará parar de jogar, considerando que quem joga goste do gênero de ação free-roaming. [t2]Prós[/t2] [list]Inusitadamente artístico. Sistema variado e divertido A forma como você desenvolve seus perks[/list] [t2]Contras[/t2] [list]Nem sempre vale a pena ser sorrateiro Gráficos podiam ser melhores Narrativa não se decide entre séria ou cômica[/list]
Fonte: GameStart
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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