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6.3

Análise do jogo "The King of Fighters XII" para PS3 escrito por GameStart

Escrito por GameStart, nota 6.3 de 10, enviado por GameVicio,
[i]The King of Fighters XII é extremamente belo, mas também extremamente falho[/i] Talvez o grande problema de se passar muito tempo na produção de um jogo seja que, quando este finalmente chega ao fim, todos esperam ser pegos de surpresa por algo simplesmente avassalador. Quem nunca passou por isso? Quando o jogo impressiona, nada mais divertido. E quando acontece o contrário? Sim, fica um gosto amargo por um bom tempo. Basicamente é o que aconteceu com o tão esperado The King of Fighters XII, pelo menos para este que vos escreve, que reservara tantas fichas para o novo capítulo da lendária franquia de luta da SNK. Eles decepcionaram sim, e bastante. Deixe-me explicar o que aconteceu: Por décadas a série The King of Fighters agradou seus fãs, com inovações que iam de meros personagens a uma troca total de sistema. Com seu storyline nem sempre plausível, porém, deveras interessante, ela manteve os jogadores interessados (com altos e baixos) de 1994 até 2007. Não eram todos que ficavam alegres a cada edição do torneio, mas como eu disse, em geral as pessoas saíam sorrindo - só havia uma reclamação: os sprites. Caso você desconheça o termo, sprite é o conjunto de pixels (pontinhos) que forma aquele personagem que você vê na tela. Desde o primeiro jogo da franquia, lançado em 1994, a SNK havia apenas adicionado novos personagens, mas nunca parou para refazer nenhum antigo. Sendo assim, personagens como a famosa Mai Shiranui mantinham o mesmo visual por mais de dez anos. Não dava mais, e aí foi anunciado The King of Fighters XII, o dito renascimento da franquia, tudo novo. Como não empolgar? Passado o longo desenvolvimento, eis que ligo meu console, ansioso, após trailers e mais trailers mostrando o quão alta seria a resolução do novo jogo de luta. E realmente, nada como ver com os próprios olhos. De fato o jogo é muito belo, os personagens não apenas são grandes e robustos, como detalhados ponto a ponto, de Robert que arruma seu colete após uma seqüência de chutes velozes, à expressão de tédio do protagonista Ash Crimson, que em todo momento enfrenta seus oponentes com o mínimo de interesse. Os cenários também poderiam ganhar os mesmos adjetivos, são praticamente o dobro do das últimas versões e cada ponto deles derrama um detalhamento fora do comum. A jogabilidade em si mudou bastante também, um pouco mais pesada, para casar com o novo visual. Você ainda conta com os golpes especiais de seu personagem, assim como a esquiva e um golpe mais forte executado com o soco forte e o chute forte. A diferença é que desta vez foram adicionar o Guard Attack e o Critical Counter, oportunidades que, ainda que originais, quebram um pouco o equilíbrio da franquia. Ambos provocam geralmente a mesma reação, por exemplo: o Guard Attack é um movimento fácil que, feito no momento certo, faz seu lutador desviar do ataque inimigo e contra-atacar com um ataque que derruba o oponente. Parece interessante, e eu concordo, porém, a falha vem do fato que o risco de se errar tal movimento é bastante baixo em relação às chances de sucesso. O resultado? As batalhas vão ficando mais travadas, porque você sabe que a cada momento pode levar um safanão que abrirá sua guarda. O combate só tende então a ficar ainda mais travado quando o Critical Counter é descoberto, que quando acionado permite aos jogadores criarem seus próprios combos, combinações que normalmente não funcionariam, ou seja, dá a oportunidade à alguém que não é tão bom no jogo juntar vários golpes especiais para dar um dano absurdo ao oponente. Mas acredite, não é aí que The King of Fighters XII decepciona, pois sabemos que o jogo tenta um novo sistema a cada edição e, embora nos adaptemos, não dá para sair gostando de todas as inovações. Agora, o que todos, sem dúvida alguma, vão fazer questão de xingar é o sistema on-line do jogo. O atributo, facilmente uma das coisas mais importantes de um jogo do gênero na atualidade, é datado e falho. Conseguir uma luta decente, tanto no PlayStation 3 quanto no Xbox 360 é para pouco, na maioria o que você consegue são partidas travadas e impossíveis de se aplicar qualquer técnica. Posso dizer que de 12 que tentei, dez o oponente saiu da sala, provavelmente de raiva. Claro que o pessoal da Ignition já prometeu o conserto, mas até aí, lá se vai a primeira impressão. Então, quando você pensa que vai poder gastar um tempinho no modo single-player até que as falhas on-line sejam arrumadas, eis que você topa com a surpresa que guardei até agora para você. O modo single-player, também conhecido como Arcade, é uma piada. Nem mesmo Arcade de verdade ele é, mas sim um Time Attack no qual você enfrenta todos os personagens do jogo. Tendo enfrentado boa parte deles, é fim de jogo. Sem chefão final, sem cena interessante, sem personagem secreto aparecendo - nada. Agora, como é que um KOF pode ser assim? A SNK disse que este é um Dream Match (como em 1998 e 2002), portanto, o que vale é só a pancadaria. Mas espera aí, os atrativos dos Dream Matches não eram justamente a grande quantidade de personagem? Com apenas 22 a desculpa não cola. E mesmo assim, a falta de um chefão final é ridícula, justo The King of Fighters que sempre foi famoso por seus chefões extremamente apelões e super-poderosos. Enquanto há quem diga que o baixo número de personagens é o fruto da cautela no momento da criação, eu discordo. No quesito visual até vai, eles realmente são impressionantes, mas do lado da jogabilidade a realidade é outra. Metade dos personagens (leia-se Kyo, Ash, Duo Lon, Robert e etc.) são de fato complexos, possuem múltiplos golpes especiais e super especiais, mas a outra metade parece versões depressivas do que já foram no passado. Ralf sem suas jogadas; Mature, que era a rainha dos golpes velozes, com apenas três tipos de ataque; e por aí vai. O tipo de coisa que dá impressão, aliás, deixa claro, que o jogo foi terminado as pressas. Por que, SNK, por quê? Caso esteja se perguntando, não, não há modo algum além do Arcade, esqueça o completíssimo modo Challenge de The King of Fighters XI. Pelo menos a dublagem não desaponta, seja qual for a língua que você escute os gritos e provocações de cada um dos lutadores. De volta à corrida presidencial: The King of Fighters XII é literalmente muito belo, mas passado o visual, é como se o jogo não tivesse mais nada. Falta complexidade e movimentação em metade dos personagens, assim como um último chefe que imponha respeito. Então, o péssimo modo on-line cai como uma voadora para atestar a baixa qualidade de um título tão promissor. O pior de tudo é fazer tão feio semanas após o lançamento um jogo de luta tão bom, como BlazBlue: Calamity Trigger. De qualquer forma, não se pode ganhar todas (a menos que você seja a Blizzard), então, não desista SNK! E não lance os jogos antes da hora, por favor, pelo menos não pelo preço de um jogo inteiro. [t2]Prós[/t2] [list]Personagens carismáticos Gráficos acima da média[/list] [t2]Contras[/t2] [list]Apenas um modo de jogo Impossível de se ter partidas on-line Poucos personagens Ausência de um último chefe Personagens desequilibrados Jogo inacabado[/list]
Fonte: GameStart
GameVicio
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