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8.9

Análise do jogo "Silent Hill: Shattered Memories" para Wii escrito por GameStart

Escrito por GameStart, nota 8.9 de 10, enviado por Giordano Trabach,
Silent Hill: Shattered Memories para Wii? Confesso que quando presenciei o anuncio, pareceu algo presunçoso. Porque você não pode sair por aí simplesmente reescrevendo os eventos de um dos maiores clássicos do horror no mundo dos videogames assim do nada, mas de alguma forma, os ingleses da Climax conseguiram fazer o que poucos conseguiriam. Eu sei, se eu chegar e dizer que, mais que um jogo, Shattered Memories é uma experiência interativa, pode soar de forma negativa, ainda mais estando no Wii após um jogo como Ju-on: The Grudge, mas tenho que reforçar o comentário, e acredite, você vai sair (se sair) da cidade amaldiçoada querendo muito mais. Como no clássico de 1998, o jogo começa com Harry Mason batendo o carro em uma estrada próxima a Silent Hill, enquanto que paralelamente, o mesmo Harry no futuro visita um psiquiatra para que este o ajude a superar os traumas que ele passou na dita cidade. ?? bastante inusitado, você se encontra respondendo perguntas pessoais e assinalando questões que envolvem desde família até sexualidade. De primeira parecem apenas perguntas sem sentido, mas basta lembrar-se da tela ante ao início do jogo (ou de nossa querida entrevista com o produtor do título), para descobrir que de fato o jogo está te avaliando a cada escolha e opção, esperando para alterar sua experiência de acordo com seu "psicológico". Diferente, não? Eu gostei. Assim, você toma o controle de Harry conforme ele narra suas desventuras pela cidade. Esqueça a neblina, esqueça o a luz do dia, e mesmo o pútrido "Other Side", a Silent Hill visionada por este novo Harry é uma cidade noturna abalada por uma tempestade de neve como aquelas que nunca veremos aqui no Brasil (pelo menos até 2012), e o "Other Side"? Agora um mundo congelado e estreito no qual criaturas inomináveis surgem, invencíveis, para arrastar o protagonista sabe-se lá para onde. O legal é que naturalmente estamos acostumados a subestimar o Wii, afinal, ele é o videogame mais fraco da geração, o que nos faz naturalmente se impressionar com o visual e o detalhamento do jogo. Já começa na sua entrevista com o doutor que te avalia, uma sala fracamente iluminada, decorada por garrafas de bebidas, livros e acessórios variados. O homem que te examina mostra expressões altamente naturais que ganham mais mistério conforme os efeitos de luz e sombra demarcam seu rosto. E sim, esta é a primeira cena. Shattered Memories mantém o nível com sua ambientação fora do comum que convida você a fazer parte daquele universo. ?? a velha história dos mínimos detalhes: lembra dos muitos cartazes e avisos que você lia nos primeiros jogos da franquia? Não mais, basta ir até eles e fazer o que você faz na vida real, ler. Porque os detalhes, apesar da escuridão e da nevasca, se mostram nítidos e limpos. Basta posicionar sua lanterna do jeito certo, claro, pois ainda que não tenha lhes dito, o jogo todo você passa acompanhado apenas de sua lanterna e celular, diga adeus para canos, facas, pistolas e derivados. Lembra que eu disse que os monstros eram invencíveis? A melhor coisa em ter que interagir utilizando estes dois acessórios está na funcionalidade. Novamente, como poucos jogos saber realmente fazer, este Silent Hill utiliza o Wiimote da forma como se deve ser que é como extensão de sua própria mão, você direciona os fachos de sua lanterna como se o controle fosse mesmo uma, ouve macabras mensagens e ligações pelo auto falante do controle, e manipula o mundo a sua volta, sendo para travar o pino de segurança de um automóvel, religar fusíveis, entre outras coisas muito menos lógicas típicas do horror de Silent Hill, que fariam falta se deixassem de existir. Você até mesmo pode checar pela presença de alterações paranormais com seu celular, tirando fotos em lugares onde ocorrem distorções para que novos segredos sejam revelados. Dizer que a falta de combate deixa o jogo menos tenso então seria algo fora de questão, como se já não bastasse a poderosa ambientação, no momento que você vê a cidade inteira se distorcendo e congelando-se (tudo em tempo real; um feito impressionante para o Wii), a coisa toma outra proporção, porque o antes vasto mundo se torna estreito e a legião de bizarrices sem nome começa a disparar para acabar com a vida de Harry. Nesse momento você tem que torcer para escalar a parede certa, agachar pelo melhor buraco e quem sabe encontrar um "flare" para acender e afastar os assassinos com o seu calor. ?? divertido e satisfatório, sem contar o sentimento de aproximação, que aos poucos você desenvolve com o jogo, conforme ele progride e você passa por mais sessões com seu psiquiatra. Cenários se alteram, personagens mudam de forma e se portam de um jeito único, e até mesmo a criaturas do "Other Side" se diferenciam de acordo com a forma que o jogo enxerga seu psicológico. Fato que automaticamente garante um fator replay ao jogo todo diferenciado, partindo do ponto que novas escolhas te farão encontrar novos personagens e percorrer partes levemente (ou bastante) distintas. Uma pena que os quebra-cabeças não se diferenciam tanto quanto os de sua inspiração. A direção de som, como acontece desde a concepção da série, demonstra um nível praticamente único de se conversar com o jogador. Não são apenas o visual e a interação que fazem um Silent Hill, e a Climax fez bem em não se esquecer disso. Bastante elaborado, a trilha sonora, os efeitos, mínimos ruídos e até a dublagem do jogo passam um mensagem opressora e misteriosa que mantém você preso. Além do mais, eu disse que o jogo não tem brigas, nem ataques surpresas, e ainda assim você fica preso. ?? o tipo de coisa que só se consegue com a harmonia entre cada um dos pilares que sustentam a obra. Juntando os estilhaços da franquia: Silent Hill: Shattered Memories, é uma aventura, ou melhor, experiência, diferente da maioria dos jogos de horror que você já viu, assim como único entre os lançamentos de Nintendo Wii. O maior defeito? Acabar rápido. Um sujeito com pressa supera os desafios da cidade em pelo menos seis horas. Claro que ele perde todos aqueles mínimos detalhes, mas não deixamos de estar falando sobre um jogo curto. No mais, qualquer um que busque um jogo fora do comum, eis o candidato, e vale a compra. ?? como um livro ou um filme extremamente envolvente que você não se incomodará de ver mais uma, ou duas vezes. [t2]Prós[/t2] [list]Alta interação com os cenários Narrativa surpreendente Visual fora do comum para a plataforma Atenção aos mínimos detalhes Sistema de alteração do jogo[/list] [t2]Contras[/t2] [list]?? curto, fazer o que Alguns puzzles não são tão diferenciados [/list]
Fonte: GameStart
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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