.
8.9

Análise do jogo "Demon's Souls" para PS3 escrito por GameStart

Escrito por GameStart, nota 8.9 de 10, enviado por Giordano Trabach,
Ok, posso imaginar o que muitos poderão pensar no momento que esta página se abrir: "Este jogo com este notão?" Sim, confirmo que uma olhada nas muitas imagens que um dos nossos esforçados membros da equipe juntou para você simplesmente não faz jus ao jogo batizado pela From Software de Demon's Souls. Esse Oblivion genérico merece tudo isso mesmo? Ah, e antes que você nos pergunte, não estamos atrasados, esta é nossa famosa repescagem GameStart em prol dos jogos que ficaram sem análises frente a enxurrada de lançamentos do ano passado. Pois bem, muito antes de Oblivion e seu antecessor chegar a existir, a From Software já tecia a franquia King's Field, que por si merecia muitos e muitos parágrafos, mas prefiro parar na frase - "simplesmente o dungeon crawler definitivo", para fazer jus. E falamos da época do primeiro PlayStation. Arrisco dizer que muitos aspectos de Oblivion foram de fato até baseados em King's Field. Seja como for, agora que você sabe (ou foi lembrado) da existência do ilustre. Completo dizendo que Demon's Souls é justamente a sequência, o sucessor espiritual e a evolução do conceito nascido em King's Field. Você está no Reino de Boletaria, um domínio há tempos amaldiçoado e trancado em um ciclo de mortes e reencarnações, no qual seus poucos habitantes tem de sobreviver dias escuros na opressão de demônios, mortos-vivos e aberrações saídas provavelmente do mais obscuro e profundo poço do planeta. Você, um simples guerreiro comandado a achar uma solução para a prisão eterna, deve viajar entre as áreas que formam o reino e tentar ressurgir ileso, porém, acredite, isto não vai acontecer. Porque há uma brincadeira aqui na redação do GameStart que diz que Demon's Souls não é um jogo, é uma simulação do inferno. Isto, meu amigo, não é exagero. O que de fato começa parecendo um RPG medieval genérico se torna a cada passo um ambiente opressor e aterrorizante, no qual qualquer atitude impensada causa nada menos que a cruel morte. Os primeiros momentos que você cruza corredores mal iluminados em primeira pessoa simplesmente não te preparam para a dificuldade que está por vir, acredite, sua primeira morte está próxima, de forma rápida e, aparentemente, injusta. Morrer é uma parte vital de Demon's Souls. ??, rapaz, quando eu disse ali durante o terceiro parágrafo que o reino estava trancado em um ciclo de mortes e reencarnações, não foi para deixar a sinopse mais literária e misteriosa, é a verdade pura. Você começa vivo, mas cedo ou tarde a dificuldade do jogo se encarrega de dar cabo de seu corpo, e aí o jogo começa de verdade, porque você ressurge em forma astral. A penalidade? Continuar com a metade de seu HP pelo resto da aventura. Claro que mais para frente você encontra formas de retornar ao corpo físico, mas isso não significa que você não vá morrer mais e mais, porque vai. O combate, que de início também parece simplista até dizer chega, pouco a pouco vai evoluindo numa ciência que envolve momento, planejamento, física e, claro, um pouco de sorte. ?? bater com sua espada direto nos pontos fracos, jogar seu escudo no exato momento do contra-ataque, ou mesmo evitar os dois e debandar. Você evolui conforme acumula as almas dos demônios que mata e há várias habilidades especificas por classes, entretanto, sempre existem formas de usar aquela magia, mesmo sendo um guerreiro e vice versa. O interessante mesmo é que quando você pensa que aquele esqueleto de armadura se tornou muito menos ameaçador, surge um rei-lagarto que te tonteia com suas magias e atravessa seu peito com uma adaga sem cerimônia alguma. Então surgem dragões zumbi, uma gosma formada por corpos humanos, golems de pedra e por aí vai. Você morre, morre mais um pouco e, então, morre de novo. E isto contando que seja durante as lutas, claro, porque pode muito bem ser pelas inúmeras armadilhas, quedas e perigos que surgem a cada segundo. ?? a velha tentativa e erro que frustra tantas pessoas em outros jogos. E aqui, você deve se perguntar o porquê eu não estou desferindo meus tão queridos adjetivos pestilentos. Simples: Demon's Souls, sem nem mesmo metade de um pingo da narrativa que, digamos, um Mass Effect tem, consegue se infiltrar em sua mente como faz um Metroid com o ambiente. Você descobre pistas, elementos que indicam certo passado, um acontecimento, paisagens que incitam a curiosidade. Você acaba querendo sempre um pouco mais. E, morrer, novamente, faz parte disso. Você morre - você aprende. Descobre uma nova tática, um novo caminho. Quando se joga conectado à PSNetwork, aí a experiência se completa. Jogando desta forma você passa a ver aparições, imagens de outras almas que tentam superar os mesmos desafios que você, algumas superando, algumas fracassando, mas sempre dando uma pista para sobreviver o segundo seguinte. Tais aparições são outros jogadores, em tempo real, sofrendo o mesmo tanto que você. Melhor que isto, ao morrerem estes deixam marcas de sangue com suas memórias finais - que ensinam os pontos fracos de seus assassinos. Melhor ainda que isto é que você, ao acionar determinado item, pode colocar seus serviços a disposição de outros jogadores, e vice-versa. Assim, entrando em forma espiritual no próprio reino destes jogadores, a sensação de enfrentar velhos inimigos em duas ou mais pessoas é algo muito mais leve e, devo dizer, necessário para não se sentir sempre acuado pela tensão que alguns inimigos exercem. O jogo não faz muita questão de disponibilizar ferramentas para a conversação, mas isto não faz diferença alguma, você se sente tão próximo de seu companheiro quanto em qualquer outro jogo, levando em consideração que um mínimo erro cometido pode custas as costas dele. E claro, compensa ir em grupo, porque você acumula muito mais almas e as chances de morrer e perder tudo que juntou são muito mais escassas. Claro que o inverso também pode ocorrer. Mais para frente você encontra um item que possibilita a você invadir o reino de outros jogadores. No momento que isto acontece, o seu também é aberto para invasões e, acredite, aí a coisa fica ainda mais opressora do que o normal. Pense bem, pior do que se preocupar com a aberração que pode surgir na próxima esquina, é estar se preocupando com isto e, de repente, receber um aviso de que um jogador ronda seu domino sorrateiramente. Porque sim, caso não tenha ficado claro, invadir o reino de uma pessoa é ir atrás dela para matar e levar seus bens. Aquela coisa bem medieval. Obviamente é muito mais divertido espreitar do que ser espreitado, mas ambas as experiências são válidas. Porém, até onde vão as capacidades on-line de Demon's Souls, a parte cooperativa é muito mais genial que sua contraparte. Presenciar aparições, aprender com marcas de sangue e parar para ler recados que os jogadores deixam em determinadas áreas (você pode até mesmo dar nota para os recados), torna o universo do jogo muito mais palpável, a ponto de você, por alguns segundos, imaginar que aquilo que vê é apenas outra realidade dentro da televisão. Falamos de um jogo incrivelmente forte. O que é irônico, considerando que a beleza gráfica dele sequer pode ser comparado com outros exclusivos, como o campeão do ano, Uncharted 2. Milagrosamente, você não se sente desfalcado visualmente e alguns já devem até saber o porquê. A direção de arte do jogo é simplesmente estupenda, aquele corredor pode ter uma construção simples, mas a iluminação está na medida certa, aquele ruído que se propaga, aquela gota d'água que pinga no momento certo. Dizer isto também não é dizer que você nunca vai se impressionar, há sim uma série de artes que te pegarão desprevenido, áreas até que não vamos citar para não estragar a surpresa de ninguém. Isso também acontece como também os inimigos, só que no caso deles, mas frequente. O design de inimigos constantemente se supera, garantindo aquele momento de admiração (e terror) antes do maldito partir para cima de você. Morrendo por esporte: Demon's Souls não é um jogo fácil de engolir. Seu trunfo é também seu maior ponto fraco: o jogo é extremamente difícil e ponto final. Não é aquele jogo para se relaxar no fim de noite, não é aquele jogo para se jogar durante um fim de semana com os amigos. ?? um jogo que exige concentração, determinação e muito, mas muito tempo. Se você não estiver exatamente querendo exercer estas três "qualidades", vai ser difícil aproveitar esta obra como ela foi concebida para ser. [t2]Prós[/t2] [list]Capacidade on-line incrivelmente original Artisticamente vitorioso Ambientação forte e caprichada Sistema de combate minucioso[/list] [t2]Contras[/t2] [list]Gráficos não são exatamente belíssimos Difícil, muuuuito difícil Não é um jogo para todos[/list]
Fonte: GameStart
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
Membro desde
23 anos, Espírito Santo
label