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7.8

Análise do jogo "Darksiders" para X360 escrito por GameStart

Escrito por GameStart, nota 7.8 de 10, enviado por Giordano Trabach,
Darksiders merece alguma espécie de troféu GameStart. Não por sua qualidade ou design competentemente planejado, mas por ter sido um dos poucos jogos que conseguiram enganar este ser que vos escreve análises com tamanha dedicação. Pois sim, da primeira vez que vi o projeto da THQ em parceria com o renomado Joe Madureira (desenhista dos X-Men durante a década de 90, entre outros), não enxerguei um futuro muito mais abrangente que o próprio apocalipse. Não sei, talvez foi algo com o design pré-adolescente de bombadões e demônios gigantescos, o traço e o jogo de cores digno de um "spin-off" da franquia Warcraft da Blizzard, ou mesmo sua jogabilidade altamente inspirada (para não dizer beirando o plágio) em clássicos como Ocarina of Time e God of War. Só sei que não esperava muito. E o que acontece quando começo a jogar o título? O contrário. Justamente como naqueles dias que você vai ao cinema esperando já xingar o filme, apenas para sair surpreendido. Na aventura você é War, isto mesmo, literalmente Guerra em português, e não é porque o cara é violento ou sedento por sangue, é porque ele é o primeiro dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Já ouviu falar? Pois bem, o cara é trapaceado e invocado mais cedo em nosso querido planeta Terra, o que basicamente faz o mítico fim do mundo acontecer. Agora, culpado injustamente, é dado a ele, por sua organização, o Charred Council (que garante o jogo limpo entre os exércitos do céu e do inferno), a chance para se redimir e provar sua inocência. Ele deve partir para a Terra sem seus super poderes para fazer justiça. Assim, você é jogado na vastidão pós-apocaliptica de Darksiders. Pode parecer World of Warcraft de primeira, mas sejamos realistas, o visual remete diretamente aos clássicos quadrinhos americanos, ou comics. O que acontece é que Warcraft passou a adotar o estilo desde suas aparições mais modernas - claro que não justifica terem criado um protagonista quase que idêntico a Arthas (um dos personagens mais famosos de Warcraft), mas aí já é outra história. O quadro decadente que o jogo pinta não é nada cinzento como o pós-apocaliptico de Fallout. O jogo não economiza nas cores, detalhando seus prédios destroçados, cidades dominadas pela lava e gigantescos desertos com um senso de consistência até que belo. War, apesar de ainda mais bombado que Schwarzenegger em seus dias de ouro, é bastante leve e elástico, saltando grandes alturas, desviando facilmente das mais velozes investidas inimigas e desferindo golpes quase que instantâneos com sua enorme espada. Os controles misteriosamente atrasam em momentos atípicos, fazendo com que você erre alguma das manobras ditas acima, mas isto não é comum, garantindo uma jogabilidade suave praticamente durante quase todas as mais ou menos 13 horas de Darksiders. Mas não, não foram prédios decadentes e alguns pulinhos que conquistaram esse velho de guerra aqui, foi a variedade, meu amigo - variedade. O fato do jogo nunca ser original não quer dizer que ele não é variado e, mais importante, não divirta. Leia bem, no mesmo jogo você explora um mundo gigantesco, enfrenta muito, muitos inimigos, domina novos movimentos, derrota chefes gigantescos, batalha a cavalo, enfrenta inimigos no céu em sequências como em Panzer Dragoon e resolve quebra-cabeças. Você progride como em um Zelda, ou seja, basta ter aquele item/habilidade para chegar a um lugar antes inalcançável. O sentimento Zelda também permeia cada um dos dungeons do jogo, que se resumem a áreas minadas de quebra-cabeças para serem resolvidos com um acessório específico, seja o bumerangue, um lança-gato ou mesmo uma luva que te deixa muito mais forte (é, você já viu isto, eu sei). Tudo muito típico? Sim, mas o desafio não. Sem exagerar na dificuldade, Darksiders experimenta dentro da própria fórmula, garantindo sempre algo novo em meio ao esperado. Outro agrado é que, entre todas as batalhas e viagens, o mundo do jogo guarda mistérios pelo simples fato de guardar. Existem diversas áreas que você pode visitar apenas para conhecer algo novo e estas contam com sequências únicas, com direito a inimigos e quebra-cabeças. Fato que dá muito mais credibilidade ao universo, que não se porta simplesmente como um cenário que acompanha o desenvolvimento do herói. O jogo em si é bem dirigido, e não falo só pelos monstros gigantesco que você escala e executa, mas pelo fluxo que o jogo forma, impedindo você de cair no tédio apesar de suas convenções recicladas. A trilha sonora já não impressiona, a ponto até de ficar em segundo plano. Digo o mesmo para o enredo, que começa todo pomposo, para cair em ambições ridículas de vilões altamente manjados. Não estou mentindo, você já sabe praticamente tudo que vai acontecer com 45% do jogo completo, é previsível assim. Em contrapartida, o trabalho de voz dá mais personalidade ao jogo do que ele merece, especialmente o personagem de nosso querido Mark Hammil (Luke Skywalker) que dubla o sarcástico Watcher, um ser sombrio que deve, bem, observar cada passo de War durante a aventura. O visual, como eu falei lá em cima, funciona tanto para o mundo quanto para os que o habitam. War é rico em animações e acessórios que as ativam, assim como os chefes gigantescos (os capangas nem tanto). Você não vai ver nenhum efeito que foge do normal, nem um jogo de textura revolucionário, mas o jogo cumpre a proposta. Mais ainda no PlayStation 3, pois misteriosamente a versão Xbox 360 sofre de slowdowns e visual comprometido ocasionalmente em cenários muito abertos, ou quando muitas coisas acontecem ao mesmo tempo. Copião até dizer chega: Darksiders só não fica com o nome sujo por ser uma aventura divertida e recompensadora. O jogo tem sucesso nos pontos mais importantes do game design em minha humilde opinião: estabelecer um seguimento, manter o jogador grudado na progressão por meio de mecânicas novas e a promessa de sempre algo mais interessante na esquina. As coisas ruins você já leu acima, mas saiba que Darksiders vale o seu rico dinheirinho mesmo assim. Quer dizer, com tanto que você goste de uma boa ação. [t2]Prós[/t2] [list]Mundo gigantesco a ser explorado Variedade de armas e acessórios Quebra-cabeças interessantes Sempre algo novo para se fazer[/list] [t2]Contras[/t2] [list]Slowdowns ocasionais (versão Xbox 360) Visual comprometido (versão Xbox 360) Enredo para boi dormir Controles falham às vezes[/list]
Fonte: GameStart
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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