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9.4

Análise do jogo "Assassin's Creed II" para X360 escrito por GameStart

Escrito por GameStart, nota 9.4 de 10, enviado por Giordano Trabach,
Assassin's Creed, a proeza tecnológica da francesa Ubisoft, foi e ainda é um grande jogo. Mais que isso até. Sabe por quê? Porque apenas sendo mais que um grande jogo para se portar tão bem diante das grandes falhas que permeavam sua construção. Era desconexo, era repetitivo, era lindo, intrigante e inovador. Dois anos depois, a franquia retorna dando um exemplo. Não mais o exemplo de como um jogo pode impressionar mesmo com grandes falhas, mas como um exemplo de narrativa, variedade, capricho e, acima de tudo, de como uma desenvolvedora pode olhar para os erros do passado e melhorar. Acompanhe bem: o protagonista do jogo continua sendo Desmond Miles, o garçom que se viu enclausurado durante a história do primeiro jogo, oprimido por uma mega corporação que utiliza a fantástica maquinaria da Animus para fazê-lo reviver a vida de seus ancestrais, pessoas ligadas a um artefato misterioso capaz de mudar o rumo da história. No primeiro jogo Desmond viveu os eventos que envolveram Altair, o frio assassino que enfrentou os Templários no mundo Árabe do Século 12. Nesta sequência, Desmond mergulha muito mais a frente no tempo, precisamente durante a Renascença, viajando pelas Cidades-Estado de Veneza, Nápoles, Florença, entre outros, em uma jornada muito mais envolvente e recompensadora do que no primeiro jogo. Não porque as cidades tornaram-se ainda maiores e mais vivas, mas porque, diferente de como era com Altair no primeiro título, Ezio, o novo herói, é muito mais do que um avatar para você saltar de telhado em telhado. Ele é um personagem com seus defeitos e paixões, que se emociona e se dedica tanto quanto o jogador a resolver os mistérios que ele enxerga existir à partir do dia que executam seu pai e irmão em plena praça pública. As diferenças começam aí com este personagem carismático, rodeado por outros igualmente cativantes, que desenvolvem mecânicas, objetivos variados e, o melhor, são entrelaçados com o clima e pano de fundo que rege a narrativa. Você não mais se sente jogando um jogo no qual você tem que assassinar certos indivíduos, mas um jogo representado pelo mundo no qual o assassino Ezio existe. Sentiu a diferença? Claro que outras medidas também são tomadas para que o jogo se torne muito mais profundo, da própria interação com os cenários (sim, agora você pode nadar), até a interação com outros personagens (como no caso do sistema monetário e do seu vilarejo). O melhor de Assassin's Creed II é que você faz de tudo e este "tudo" tem sempre um motivo que, como já explicitado, te puxa sempre mais um centímetro para o universo do jogo. Ezio auxilia tamanha interação, seja com sua animação perfeita à medida que ele salta de parapeito à parapeito, assim como com suas habilidades. Para se ter uma idéia, você pode assassinar os malfeitores da forma mais clássica e limpa, com suas laminas escondidas, atirar armas à distância, envenená-los ou mesmo desafiá-los para uma briga. No combate, o que rege continua sendo as esquivas e o contra-ataque, mas desta vez você pode desarmar seus inimigos e utilizar suas próprias armas contra eles, seja esta uma lança, uma maça ou uma espada. Há também como comprar equipamentos, alterar sua vestimenta ou contratar serviços de facções, como as "acompanhantes" que distraem os soldados com seu visual para que você passe despercebido. Variedade é o que não falta em todos os sentidos. Você pode perder boa parte do seu tempo caçando procurados da justiça ou explorando catacumbas subterrâneas. Cada um traz seus frutos. A dificuldade é gradativa. Dá para perceber que, com tanto que você mantenha a calma, até mesmo a mais arriscada manobra pode ser feita de primeira. O jogo só apresenta os soldados perseguidores, que te seguem por telhados e torres facilmente, apenas quando ele tem certeza que você já está bem treinado na arte. O mesmo acontece com as missões que, diga-se de passagem, surpreendem quando você acha que já viu tudo no jogo. Não vou estragar a surpresa, mas alguma vez você pensou que iria acompanhar Leonardo Da Vinci pilotando um veículo nada convencional? Pois é, nem eu. Claro que, depois de ter passado todo este tempo falando sobre imersão, dá para dizer que nem o visual nem a parte sonora do jogo deixam a desejar. Aliás, a parte visual até pode, considerando que você seja daqueles extremamente chatos com detalhes. Digo isto porque a animação é perfeita, o visual da cidade é literalmente verossímil e os habitantes realmente parecem estar vivos, mas há sim aqueles momentos no qual você percebe que o jogo se dá muito melhor com cenários de grande escala, perdendo grande parte do seu detalhamento quando a câmera se aproxima bastante de alguns personagens e construções. Já sobre a parte sonora, não dá para reclamar nem da voz do mais falido dos capangas. Tudo, e eu digo, tudo, foi pensado e revisto de forma que o mundo pareça um retrato da Itália há cinco séculos atrás, da atividade das ruas ao barulho que o vento propaga pelos cantos, misturado às embarcações de Veneza. ?? realmente impressionante. A dublagem também merece todo o entusiasmo, embora desta vez eu vá pegar leve nos exemplos e apenas concluir que as falas sempre acertam no nível de emoção e seriedade. Destaque para a brincadeirinha que a Ubisoft garantiu durante a apresentação de Mario, o líder dos mercenários que auxiliam o herói. Aprendendo por observar o passado: Assassin's Creed II não é uma mera sequência, mas um atestado de tudo que a ilustre e pensada franquia da Ubisoft sempre mereceu e deve ser. Mais que um jogo, um mundo e uma história que intriga o jogador com críticas e questões que fazem o jogador seguir cada vez mais adiante, seja por simplesmente explorar cada detalhe, buscar aquele detalhe único do enredo, ou mesmo os dois. Variado, um jogo que não cansa nem mesmo depois que terminado, ou seja, não preciso dizer mais nada, não é mesmo? Afinal, são jogos assim que você compra sem pensar duas vezes. [t2]Prós[/t2] [list]Um mundo extremamente carismático Enredo fora de série Personagens fortes Visual impressionante Combate divertidíssimo Variedade de missões Trilha sonora de qualidade[/list] [t2]Contras[/t2] [list]Certos cenários são menos caprichados[/list]
Fonte: GameStart
Giordano Trabach
Enviado por Giordano Trabach
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