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Análise do jogo "Saints Row: The Third" para PC escrito por Gamerview

Escrito por Gamerview, nota 3 de 5, enviado por Anônimo,
O que dizer sobre um game em que até o tamanho do seu órgão genital é "customizável" durante a criação do personagem? Sobre um jogo em que é normal sair correndo pelas ruas, aplicando finalizações de luta-livre nos transeuntes? Sobre um título em que o pensamento mais frequente é de que toda a equipe de desenvolvimento deve usar drogas pesadas? Pois bem, este é Saints Row: The Third . A franquia Saints Row, cujo primeiro título foi lançado para Xbox 360 em 2006, sempre apresentou alguns indícios de maluquice, mesmo que em seus primórdios não fizesse muita questão de ser algo muito além do que apenas um clone barato de GTA: San Andreas . Entretanto, em The Third o game enfim assumiu seu lado nonsense, oferecendo aos jogadores as situações mais absurdas e hilárias possíveis, mascaradas sob mecânicas não tão satisfatórias assim. Ao iniciar o jogo, encontramos a gangue 3rd Street Saints num apogeu de fama e sucesso multimídia. Os criminosos são tratados como estrelas de cinema, dando autógrafos nas ruas e posando para fotos enquanto entram para assaltar mais um banco. Mas, como precisamos de motivos para atirar em pessoas, uma organização internacional denominada Syndicate resolve acabar com a farra, assumindo o controle de Steelport e desmantelando a gangue de roupas púrpura. Recomendado para maiores de 18 anos Não sei vocês, mas eu passei boa parte da minha infância frequentando locadoras de games que possuíam o magnífico sistema de "pagar para jogar". Enquanto todos os molecotes pediam para jogar GTA apenas para "atirar nos polícia" e instaurar o caos, eu era um dos únicos manés que completava as missões e prestava atenção na história. Portanto, após jogar Saints Row: The Third, cheguei a duas conclusões: 1 - Ele é o título perfeito para quem quer desligar o cérebro e se divertir despretensiosamente enquanto promove a anarquia; 2 - Eu, apesar de ter tido bons momentos, realmente não sou o público para games assim. Entenda, The Third não é um jogo ruim, muito longe disso. Ao contrário de outras obras do estilo, ele nunca nega ao jogador os brinquedos necessários para se sentir poderoso e forte o suficiente para virar a cidade do avesso, fazendo a vida daquelas pessoas um inferno. E, quando você pensou que já havia feito de tudo, ele joga mais uma máquina de destruição no seu colo, dando um tapinha no ombro de "pode ir lá fora testar". Reprodução Jogo lhe entrega as melhores armas e veículos sem muita enrolação Em um determinado momento, estava arrebentando a cabeça de um policial com um "consolo" roxo gigante nas mãos, quando parei por um momento e pensei porque raios estava fazendo aquilo. A única conclusão que cheguei foi "porque sim". E como diria o personagem de Marcelo Tas, em Castelo Rá-Tim-Bum, "porque sim, não é resposta". Saints Row me mostrou que sou uma pessoa muito mais chata do que pensava – e gostaria –, tentando procurar explicações em um jogo que não possui e não precisa de nenhuma. Nas palavras de seus desenvolvedores, The Third deve ser aproveitado como um parque de diversões para adultos. As missões servem apenas para liberar mais e mais "atrações" nesta Disneylandia politicamente incorreta, que podem ser visitadas posteriormente quando o jogador quiser. As alternativas vão desde mini-games para acumular pontos ao explodir o máximo de elementos do cenário em um período pré-determinado de tempo, até arenas de batalha, com inimigos e armadilhas a serem transpostas, como as "Olimpíadas do Faustão", só que de um jeito mais interessante. Explicando a piada Como um game que prima por ser exagerado além dos limites, The Third cansa rápido. Por mais perturbadoramente agradável que seja participar de perseguições em carroças puxadas por sadomasoquistas envoltos em couro que explodem ao serem atingidos ou ter de dirigir em alta velocidade com um tigre sentado no banco do passageiro pronto para lhe rasgar com as unhas caso não goste de alguma coisa, não consegui encarar Saints Row por muito tempo. Reprodução Show do Professor Genki é um programa da TV com armas e pessoas vestidas de animais Após as primeiras horas de jogo, um personagem vestido de cachorro-quente dançando break não é mais engraçado; ele é só mais um entre tantos deste hospício. Enquanto nos jogos "normais", os momentos absurdos se tornam memoráveis por serem destoantes do resto da obra, em The Third todo excesso acaba sendo banal. A jogabilidade do título também não o ajuda, com tiroteios genéricos e viagens de um lado a outro de Steelport que se tornam um martírio após um certo período, tendo em vista a tediosa tarefa de dirigir por vários minutos a cada missão que precisar cumprir. Entretanto, onde Saints Row acerta, e muito, é na maneira com que faz homenagens a outros produtos do entretenimento, como filmes, livros, quadrinhos, programas de TV etc. Fãs de WWE podem se preparar para uma enxurrada de piadas e referências, como "Montreal Screwjob" e o "You Can't See Me" de John Cena, além da dublagem de Hulk Hogan, uma das figuras mais clássicas do wrestling. Por fim, jogos como The Third não se preocupam se serão lembrados ou quantos prêmios poderão ganhar na escolha dos melhores no final do ano. É um game que não se leva a sério em momento algum e pretende ser apenas uma ferramenta para a diversão de adultos cansados após mais um dia complicado no trabalho. No meu caso, espero um pouco mais do que o efeito "terapia" de um jogo. Talvez esteja mal acostumado, vai saber.
Fonte: Gamerview
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