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Análise do jogo "Guitar Hero 5" para Wii escrito por Gamerview

Escrito por Gamerview, nota 4 de 5, enviado por Pamela Trabach,
[img]hide:aHR0cDovL3d3dy5nYW1lcnZpZXcuY29tLmJyL3NpdGUvd3AtCmNvbnRlbnQvdXBsb2Fkcy8yMDA5LzA5L2hlYWRlcl9naDUuanBn[/img] Guitar Hero 5 é a quinta entrega completa da série. Mas se formos contar jogos específicos de uma banda, ???track packs??? e as versões para DS, esse número aumenta bastante. A série segue o mesmo padrão de sua rival Rock Band: com o auxílio de instrumentos de plástico (guitarras e bateria) e de um microfone USB, os jogadores podem emular o desempenho de uma banda composta por vocal, guitarra, baixo e bateria. As ???notas??? são emuladas por botões coloridos que vão descendo por uma pista. O jogador deve tocar a nota correspondente a essa cor quando o botão cruza a barra de fim da pista. No caso dos vocais, a pista é constituída de uma trilha horizontal com os tons marcados por linhas e a letra correndo simultaneamente à trilha. Esta nova entrega tem algumas novidades. A melhor delas é que todas as músicas estão disponíveis desde o começo. Sempre foi um pé no saco ter de passar pelo modo Career para desbloquear tudo. Falando no modo Carreira, a estrutura foi ligeiramente modificada, ficando muito parecida com o modo World Tour de Rock Band. Agora, os novos shows e arenas são desbloqueados de acordo com as estrelas obtidas nos shows. Além disso, foram criados os Song Challenges. São desafios específicos para as músicas, que oferecem alguns itens desbloqueáveis. O principal problema é que esses desafios são muito ???direcionados??? - os desafios de cada música são específicos para um instrumento. Por exemplo, o desafio de ???Fame??? é específico para vocal. Se você apenas toca guitarra, não pode passar desse desafio. Na jogabilidade, uma interessante modificação foi a forma como passou a ser tratada a questão da falha de um membro da banda. Em World Tour, se um membro falhava, a banda inteira caía. Agora, se um membro falha, aparece na tela um medidor de Band Revival. Os demais membros têm que conseguir uma boa performance para conseguir encher o medidor e, assim que ele chega ao topo, o membro que caiu volta a tocar. Uma alternativa bastante interessante ao uso de overdrive de Rock Band. Os modos multiplayer são os de sempre (quickplay, batalha???). A grande novidade é a opção Momentum, onde a dificuldade de cada jogador varia de acordo com sua performance - se você tem a performance boa, a dificuldade aumenta; se você começa a falhar muito, a dificuldade diminui. Além disso, existe o modo Party Play. Ao apertar um botão na tela de início, o jogo entra em um modo ???jukebox???, tocando as músicas na sequência. A qualquer momento, um jogador pode pegar um controle e começar a tocar o instrumento que desejar, escolhendo as opções sem parar a música e podendo abandonar a qualquer momento. Interessante, mas meio bizarro. Também é bizarra - mas sem ser interessante - a principal mudança na jogabilidade: não existe mais a limitação de guitarra-baixo-bateria-vocal na formação dos grupos, em nenhum modo. Você quer jogar com mais três amigos o modo Carreira, mas ninguém quer cantar e todo mundo quer jogar guitarra? Seus problemas acabaram! Vocês podem todos tocar a mesma linha de guitarra ao mesmo tempo! Qualquer combinação de quatro jogadores pode ser usada - desde que os instrumentos necessários estejam disponíveis, obviamente. O criador de músicas GH Tunes foi reformulado. Depois de ter sido colocado meio que às pressas em World Tour, agora está muito mais completo e complexo. Claro que a qualidade sonora não passa de um MIDI, mas é uma opção bastante interessante para quem quer criar sua própria música. O Wii tem dois modos exclusivos. Mii Freestyle volta do World Tour: você usa seu Mii para tocar livremente com seu instrumento. O jogo te dá uma sugestão de acordo com o estilo que você escolher (rock, blues ou metal), mas você pode tocar como quiser. Pode também salvar a sua performance e inclusive o notechart que você ???criou??? para tocá-lo depois. O outro modo exclusivo, Roadie Battle, é fantástico. ?? um modo batalha onde podem jogar até quatro pessoas, duas no Wii e duas usando Nintendo DS. Elas se dividem em dois grupos, cada um composto por um jogador de Wii e um de DS. O jogador de Wii é o guitarrista, enquanto o jogador de DS é o seu roadie. Os guitarristas duelam, de maneira semelhante ao modo Pro Faceoff. Enquanto isso, os roadies devem duelar, sabotando a performance do oponente enquanto tentam reparar os danos causados pelo adversário. As sabotagens se refletem no que os guitarristas estão tocando. Assim, sabotar o amplificador faz com que o notechart comece a piscar; estourar o volume ativa hyperspeed; sabotar os efeitos de fumaça reduz a visibilidade do notechart. ?? possível inclusive sabotar o ???encordoamento??? do oponente para ativar ???lefty flip??? (apesar de ser um ataque demorado de executar e simples de consertar). Absolutamente genial. Como vocês podem ver, existem pontos fortes no jogo - além do mais, a seleção de 85 músicas é bastante boa. Tem até Superstition do Stevie Wonder - mas também tem Bring The Noise do Public Enemy, ninguém é perfeito??? Então por que dizem que eu odeio o jogo? Por um bom motivo: pela hipocrisia e falta de respeito que a Neversoft demonstra com o material em questão - que é a mitologia do rock. Quando a Harmonix criou o Guitar Hero original - e seu concorrente Rock Band, depois que perdeu o comando da franquia quando foi comprada pela MTV Games - ela criou a guitarra de plástico como um meio de aumentar a sensação de controle do jogador, fazer ele sentir como se estivesse tocando uma guitarra de verdade. Claro que tocar uma guitarra com uma ???corda??? e sem poder mover a mão para os acordes não é a mesma coisa, mas ela sempre teve o cuidado de criar seus notecharts para fazer o jogador colocar a mão em posições de acorde semelhantes às reais - em outras palavras, ela quer que você ???toque??? o instrumento. A Neversoft faz com que você toque a música. Parece a mesma coisa, mas não é. A coisa mais normal nos Guitar Hero da Neversoft é colocar teclados e pianos na pista de guitarra. No GH5, Sympathy For The Devil e Superstition são os exemplos mais explícitos. Quando a Harmonix faz isso (como fez em The Beatles: Rock Band), continuo não gostando, mas ela pelo menos coloca instrumentos minimamente similares - sitar indiano na guitarra, por exemplo. Além disso, muitas vezes você é forçado a tocar notas quando a música tem uma batida, mesmo que não haja guitarra - não consegui identificar nenhum exemplo nesta entrega, mas em Guitar Hero Metallica você toca notas de guitarra em partes onde há apenas bateria, como em Sad But True. A dificuldade também é um problema. A vantagem sobre Rock Band é que a dificuldade média é mais equilibrada (em outras palavras, não é tão ridiculamente fácil), o que faz com que o salto para o difícil e o botão laranja não seja um golpe tão forte. No entanto, a partir dessa dificuldade o acúmulo de acordes inexistentes é absurdo. Como a engine de Guitar Hero é mais leniente que o de Rock Band, tendo uma janela de acerto (tempo de tolerância para acertar a nota quando ela passa pela barra) maior do que a dos jogos da Harmonix, a Neversoft tenta compensar com um ???overcharting???, enchendo o notechart de botões e criando sequências que simulam tanto uma guitarra quanto uma partida de Genius na dificuldade mais alta. Para completar, por algum motivo, a Neversoft modificou a detecção de hammer- ons/pull-offs - as notas ???menores???, que você pode tocar simplesmente apertando o botão da mesma cor, sem tocar a ???corda???, desde que você tenha tocado corretamente a nota inicial da sequência. Antes um HOPO podia ser tocado como uma nota normal (Rock Band funciona assim). Agora, para acertar, você não pode tocar a corda, apenas apertar o botão. Ou seja, se você está jogando nas dificuldades altas e erra a primeira nota de uma sequência longa de HOPO???s, até que essa sequência termine você não pode fazer nada a não ser ver como seu medidor vai esvaziando rapidamente??? Além disso, toda a ambientação de estádios com fogos de artifícios, dragões e o escambau é exagerada, inclusive aqueles personagens clichezaços, como o punk com um moicano de 60 centímetros, o refugo do Kiss com poderes psíquicos, a riot grrl mal maquiada, o robô??? O pessoal da Neversoft deve ser aquele tipo de gente que vê This Is Spinal Tap e não entende que, debaixo da sátira e do chichê, existe o respeito. Vários desses personagens existiam no Guitar Hero original, sim, mas não eram exagerados ao ponto em que estão agora. E o que é possível fazer com ícones como Santana, Kurt Cobain e Johnny Cash, usando-os como skins para personagens e possibilitando seu uso como qualquer coisa e para qualquer música, é algo que fala por si só. Guitar Hero 5 é um grande jogo, especialmente a versão do Wii (que inclui o Roadie Battle, que por si só já justificaria a compra). No entanto, é um ???jogo de rock??? apenas por conta da música - poderia usar serrote-martelo-furadeira em vez da guitarra-baixo-bateria, chamar-se ???Marceneiro Hero??? e o coração do jogo não mudaria nada. O software transforma a guitarra em um simples controle, os notecharts não passam a mesma sensação de tocar um instrumento que existe na franquia concorrente. Ter colocado o Party Play e a possibilidade de se passar as músicas com a combinação de instrumentos que se desejar são coisas que acabam refletindo bem essa filosofia. Rock Band e Guitar Hero são dois jogos muito bons, cada um com seus pontos fortes e fracos. Mas enquanto Rock Band é um jogo de rock, Guitar Hero é apenas um jogo. [t1]Prós:[/t1] Novos modos Visual muito bom, inclusive para o Wii Dificuldade mais equilibrada Boa escolha de músicas [t1]Contras:[/t1] Falta de simulação Pouco respeito com o material base Notecharts absurdos nas dificuldades altas
Fonte: Gamerview
Pamela Trabach
Enviado por Pamela Trabach
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