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Análise do jogo "Uncharted 2: Among Thieves" para PS3 escrito por Finalboss

Escrito por Finalboss, nota 10 de 10, enviado por ygorocara,
Muitos jogos tentam imitar o cinema, apresentando narrativas originais e fazendo inclusive o uso de alguns recursos presentes nas grandes filmagens. O grande problema é que, na maioria das vezes, o cinema conta com atores reais, de carne e osso. Isso lhes garante uma humanidade sem igual e faz o espectador viajar naquilo que está sendo passado na grande tela. Você fica pensando como seria a vida daquela pessoa, como se ela realmente existisse, além de tentar decifrar seus pensamentos e motivações. ?? uma interação que vai muito além do simples assistir. Isso fica ainda mais evidente em grandes séries, que contam com alguns personagens icônicos no universo da sétima arte. Personagens como Indiana Jones, Rambo, Exterminador do Futuro e muitos outros ficam na lembrança de quem assiste aos filmes, além de criar toda uma subcultura no mundo do cinema. Alguns jogos também têm este poder, mas acabam atuando de uma maneira mais parecida com que atuam as animações, como as da Pixar. Você assiste, se diverte e até se identifica com uma ou outra coisa, mas dificilmente tem a impressão de que aquilo é algo vivo e palpável. Uncharted 2: Among Thieves chega para confirmar o que já se tornava previsível no primeiro game: a série veio para mudar esta mentalidade. O título atua de uma forma cinematográfica tão autêntica que é difícil não imaginar os personagens como atores realmente. Sabe, aquela idéia de vivo e palpável. O grande diferencial neste caso é que, além de prender a atenção do jogador e fazer com que este se relacione com os personagens de uma maneira platônica, existe também a questão da interatividade. Você está participando daquilo e a progressão da história depende unicamente de você. O resultado não poderia ser diferente: Uncharted 2: Among Thieves é realmente um jogo especial. Ele age como um grande filme, daqueles que você sai do cinema empolgado, querendo escalar prédios e defender os mais fracos dos malfeitores. Ao mesmo tempo, o jogador não se sente como se ele fosse o personagem. Nathan Drake é Nathan Drake e não você. Você só dá aquela "ajudinha" especial, para que o personagem faça o que é preciso ser feito. Apesar desta distinção dos papéis, ainda existe aquela sensação de dever cumprido e de participação ativa na história. Algo gratificante. Os controles do game não contam com nenhum tipo de revolução gamística. Muito pelo contrário! Eles somente aprimoraram aquilo que já funcionava bem no capítulo anterior e acertou o que era considerado chato por alguns. Isso significa que se você jogou o primeiro game, migrar para esta segunda versão será tão natural quanto trocar para uma bicicleta com mais recursos: você já sabe como funciona o básico, só precisa saber como tirar proveito do sistema de câmbio, novos freios e aprender como chamar a atenção das gatinhas com sua super lanterna movida a dínamo. Mas como um jogo que aparentemente não traz nenhuma inovação em sua jogabilidade pode agradar tanto assim? Digamos que a jogabilidade de "Uncharted 2" não seja um fator primordial, mas sim uma conseqüência bem vinda. Conforme frisamos no início da matéria, o título possui um apelo cinematográfico espetacular. ?? como se você realmente estivesse assistindo um filme de ação, e dos bons. A história é apresentada de uma maneira tão hipnotizante que o jogador mal consegue parar de pensar no jogo. Você pode até dar uma pausa e voltar no dia seguinte, mas duvidamos que não pense, pelo menos uma vez antes de dormir, em como a história vai continuar. Tudo é dosado de uma maneira incrível, senão perfeita. ?? como ler um livro realmente envolvente, você não sente vontade de parar. E a jogabilidade neste caso serve somente como ferramenta para que esta progressão seja possível. Porém não devemos tirar o seu crédito por completo. Controlar Drake é muito bom e explorar os belíssimos cenários do game é ainda mais gratificante. Os comandos são precisos e apresentam ótima resposta. Algumas melhorias foram feitas neste sentido e o personagem consegue escalar paredes e objetos suspensos com uma naturalidade assombrosa. ??s vezes a naturalidade com que o cenário é construído é tão grande que fica até difícil identificar de primeira quais são os locais por onde o personagem pode escalar. ?? necessário ter atenção e pensar realmente como Nathan Drake, e é esse tipo de relacionamento platônico no qual nos referimos. Você torce por ele, você controla ele e muitas vezes torce pelo seu sucesso. Mas você não se sente como ele. Só o ajuda. E ainda assim é incrível. Durante sua fase de desenvolvimento, os produtores afirmaram que conseguiram lotar o disco de blu-ray até o seu último byte. Depois de terminar o game e ter uma noção mais completa sobre o seu conteúdo, fica difícil discordar desta afirmação. A quantidade de objetos e texturas presentes nos cenários é tão absurdo que nos dá até um nó no cérebro ao tentar imaginar como tudo aquilo pôde ter sido feito em tão pouco tempo. ?? muito difícil ver uma textura sequer se repetindo e se isso realmente acontece ??? e é claro que acontece ??? não temos dúvidas de que fomos enganados com êxito. Esse é um outro ponto que faz com que "Uncharted 2" consiga alcançar outro patamar: ele não tem pretensão de se parecer com um jogo. Essa afirmativa pode soar um pouco sem noção, mas nós explicamos. ?? claro que você bate o olho e vê que se trata de um game. Apesar de extremamente bem feito, o título não tem a intenção de ser fotorrealístico como Crysis. Ao contrário, existe um estilo próprio ali e você consegue identificá-lo, apesar de ser difícil descrevê-lo com palavras. Apesar disso, "Uncharted 2" não comete muitos dos erros que ainda são vistos hoje nos jogos, permitindo que estes sejam caracterizados desta forma. São coisas realmente sutis como a inexistência de paredes invisíveis ??? nós pelo menos, não vimos nenhuma ??? ou a maneira com que o seu personagem interage com a iluminação. Se você entra em um local escuro, ele não vai ficar mais claro, de forma que a jogabilidade prevaleça. Ao invés disso, fica difícil de enxergar sua posição no ambiente, como na vida real. Isso exige que você pare e espere seus olhos se ''acostumarem'' com a iluminação mais fraca, permitindo então que possa ver melhor sob aquela condição de luz. São coisas realmente sutis, mas que fazem todo o sentido naquele contexto e que raramente são vistas em outros jogos. Outra coisa que chama a atenção: a presença de objetos aleatórios e aparentemente dispensáveis presentes no cenário. Em um dado momento, Drake entra em uma espécie de armazém em uma cidade no Nepal vitima da guerra civil. Dentro desta pequena loja temos algumas máscaras, cada uma mais exótica que a outra. Nas prateleiras também é possível ver tamancos, cada um com uma cor e estampa distintas. Alguns produtos alimentícios também estão ali, mostrando que trata-se de uma loja de artigos gerais, como os armarinhos, tão comuns aqui no Brasil. Ok, muito bacana, diferente, bonito, mas você quer saber onde queremos chegar, não é? O fato é que estes objetos são bem detalhados e só aparecem dentro deste armazém, e em mais nenhum outro lugar do game. Perceberam mais uma destas sutilezas? Isso só serve para nos mostrar o cuidado extremo que a Naughty Dog teve em desenvolver o jogo. Tudo foi pensado em seus mínimos detalhes, mesmo que aparentemente desnecessários e banais. Uma vez, o diretor de "Era do Gelo" 2 e 3, o brasileiro Carlos Saldanha, comentou sobre o processo de sincronia labial dos personagens do filme. Saldanha afirmou que a melhor sincronia labial é aquela que não é percebida. Isso não significa que ela não foi percebida por ser ruim, muito pelo contrário. Ela só parece ser natural demais. E é isso que vemos em "Uncharted 2". Tudo é muito natural, de maneira que seja realmente difícil apontar para algo e dizer ''isso está mal feito, no mundo real não é assim''. ?? claro, como todo bom filme de ação pipoca, "Uncharted 2" conta com alguns exageros em sua narrativa. Fugas miraculosas, acidentes incríveis e aparentemente fatais e alguns acontecimentos realmente improváveis na vida real. O fato é que neste caso eles não chamam a atenção por não serem reais. Eles chamam a atenção por serem incríveis, do tipo que arrancam as mais diversas exclamações de seus expectadores como ''Ca$#@, o cara conseguiu escapar!''. ?? empolgante de ver e desperta ainda mais vontade de continuar. E tudo isso de uma forma bastante natural, sem parecer forçado. Ok, mas estas cutscenes acabam tirando a participação do jogador, não é? Não neste caso. Dificilmente o jogador vai colocar o controle sobre a mesa para assistir a uma sequência de animação não interativa. A transição dos capítulos do jogo é feita de maneira totalmente dinâmica e seria imperceptível se não fosse o anúncio de que o jogador está entrando em um novo capítulo do game, apresentando o seu título na tela. O fato é que tanto o tamanho quanto o uso das cutscenes foram bastante dosados, mostrando como este recurso pode ser bem utilizado quando na frequência correta. Dificilmente você tem uma daquelas cutscenes que cortam totalmente o barato da ação, tirando o jogador do controle no momento mais intenso dos acontecimentos. Geralmente elas mostram as conseqüências daquilo que você fez durante a trama ou aparecem em rápidos momentos, que acabam ajudando a aumentar ainda mais a empolgação e a tensão durante a jogatina. Um bom exemplo disso é o novo sistema de combate corpo-a-corpo introduzido no game. Tudo não passa de curtíssimas cutscenes interativas e de grande variação e combinação. Funciona assim: ao apertar o quadrado repetidas vezes, o jogador executa uma sequência de golpes em seu adversário. Ele por sua vez pode se defender e neste momento a ação é mostrada em câmera lenta. O objetivo disso é permitir que um contra-golpe possa ser executado pelo jogador, pressionando o botão de triângulo e retomando sua sequência de golpes com o quadrado. O resultado alcançado com este sistema é belíssimo e acrescenta uma profundidade bacana ao combate, além de apelar mais uma vez para uma abordagem cinematográfica totalmente interativa, graças aos ângulos de câmera utilizados durante o processo. A duração do título é bastante satisfatória. Jogando no easy, é possível terminar o game em pelo menos 12 horas. Modos de dificuldade mais altos exigem maior habilidade e por isso podem ser um pouco mais demorados. O fato é que essas contas só servem mesmo para quem quer terminar a história principal e esquecer do game, o que é difícil. Existem ainda inúmeros destrancáveis que são liberados não só através da sua atuação através do single-player, mas também através do multiplayer. Isso porque o game usa um sistema de dinheiro virtual, onde as quantias são adquiridas de acordo com as suas ações. Assim como o primeiro, Uncharted 2: Among Thieves possui vários troféus diferentes, além de medalhas internas no próprio game. A conquista destas medalhas soma à conta do jogador uma determinada quantia em dinheiro, que pode ser utilizado na ''compra'' de alguns bônus como vídeos com making-of do game, skins personalizadas para os personagens, diferentes tipos de render e até mesmo armas e habilidades especiais que podem ser utilizadas nas partidas online do jogo. Isso adiciona uma longevidade sem igual para o título, justificando ainda mais o investimento em sua compra. E por falar em multiplayer, como será que o título se saiu? Se você já tem o game então com certeza está neste momento com dificuldades graves, aquele tipo onde você quer ''só mais uma partidinha''. A qualidade do pacote fecha um ciclo com o suporte online do game, dada a quantidade de conteúdo e a maneira com que tudo roda lisinho, lisinho. São oito modos de competição entre usuários, um modo cooperativo e um terceiro modo especial, onde é possível criar machinimas através do próprio engine gráfico do game. Para quem não sabe, Machinimas são histórias animadas criadas pelos usuários usando os personagens de um game, bolando assim as mais diversas situações. E é muito fácil participar das partidas. Assim como vários outros games, Uncharted 2: Among Thieves usa um sistema de matchmaking, onde é possível participar de salas de jogo apenas com pessoas que estejam em níveis próximos ao que você está. Isso facilita as coisas, deixando as partidas bem mais justas para quem está começando e mais competitivas para os veteranos. O sistema de níveis é totalmente baseado na aquisição de conquistas online, neste caso as medalhas do game. Existe uma lista imensa de ações que podem ser executadas durante as partidas, cada uma com um prêmio diferente para quem as conseguir. Isso dá outro sentido ao game, já que ultrapassa a limitação de ganhar dinheiro através de vitórias nas partidas. Apesar de não termos uma divisão de classes e outras divisões mais específicas, o título oferece um recurso interessante para que cada jogador conte com suas próprias características durante a partida, equilibrando e permitindo novas estratégias. São os Boosters, características únicas que podem ser adquiridas usando o dinheiro ganho durante as partidas. Eles são bastante variados e adicionam algumas vantagens bastante bem vindas durante as partidas como maior precisão em determinada arma, número maior de munição, dentre outras características interessantes. Assim é possível elaborar uma estratégia pessoal para as partidas, sempre levando em conta seu estilo de jogo. A parte gráfica dispensa comentários. ?? um dos mais bonitos jogos desta geração e facilmente o mais belo game lançado até hoje no PlayStation 3. Não nos prolongaremos muito nesta, até porque já falamos bastante sobre isso no review, mas existem alguns pontos que precisam ser melhor explorados. O primeiro deles é a qualidade das texturas. Todas estão em alta resolução e com uma excelente definição de detalhes, fora a já comentada variedade monstruosa. A iluminação do jogo também é assombrosa e isso só fica mais evidente conforme o jogador avança, dada a boa variedade de cenários presentes no game. A animação facial dos personagens é um show à parte. As expressões são super naturais, de maneira que mesmo parados, eles mudam a sua face, como um ser humano normal. Por último, podemos falar da quantidade absurda de objetos mostrados ao mesmo tempo na tela. Em alguns momentos é possível enxergar uma cidade inteira, tudo muito realista, mesmo que não apelando para este lado. A quantidade de coisas se movendo também é absurda, o que torna a experiência ainda mais viva. ?? difícil citar um jogo que seja pelo menos parecido neste sentido, com cenários tão vivos quanto e a mesma quantidade de informações presentes na tela. Certamente vai se tornar um novo padrão de comparação para a qualidade visual dos jogos presentes no PlayStation 3. O som também é de babar. As músicas são excelentes, mas o destaque vai mesmo para a quantidade de efeitos sonoros usados no título. O som das armas disparando, da interação com os objetos do cenário, do ricochete dos projéteis, das explosões, tudo foi gravado com uma definição absurda. O mesmo vale para as dublagens do game. Elas continuam topo de linha, e isso inclui os novos personagens. E a dobradinha de boas dublagens e sincronia labial está ainda mais crível do que a vista no primeiro título da série. Uncharted 2: Among Thieves é um verdadeiro marco na vida do console da Sony. O game consegue ser muito superior ao seu antecessor, em todos os aspectos possíveis. Mesclando de forma nunca antes vista técnicas de cinema como fotografia, ângulos de câmera, cortes e narrativa com uma excelente jogabilidade, o game consegue trazer a magia da sétima arte para as suas mãos. Os gráficos são divinos, junto com a excelente parte sonora, é claro. E não estranha por não termos colocado nenhum detalhe sobre a história do game em nossa análise. ?? como recomendar um ótimo filme a um amigo: você quer que ele tenha as mesmas surpresas, que torça pelas mesmas cenas e que curta a história do início ao fim. E acreditem, é uma experiência única. Muitos jogos tentam imitar o cinema, apresentando narrativas originais e fazendo inclusive o uso de alguns recursos presentes nas grandes filmagens. O grande problema é que, na maioria das vezes, o cinema conta com atores reais, de carne e osso. Isso lhes garante uma humanidade sem igual e faz o espectador viajar naquilo que está sendo passado na grande tela. Você fica pensando como seria a vida daquela pessoa, como se ela realmente existisse, além de tentar decifrar seus pensamentos e motivações. ?? uma interação que vai muito além do simples assistir. Isso fica ainda mais evidente em grandes séries, que contam com alguns personagens icônicos no universo da sétima arte. Personagens como Indiana Jones, Rambo, Exterminador do Futuro e muitos outros ficam na lembrança de quem assiste aos filmes, além de criar toda uma subcultura no mundo do cinema. Alguns jogos também têm este poder, mas acabam atuando de uma maneira mais parecida com que atuam as animações, como as da Pixar. Você assiste, se diverte e até se identifica com uma ou outra coisa, mas dificilmente tem a impressão de que aquilo é algo vivo e palpável. Uncharted 2: Among Thieves chega para confirmar o que já se tornava previsível no primeiro game: a série veio para mudar esta mentalidade. O título atua de uma forma cinematográfica tão autêntica que é difícil não imaginar os personagens como atores realmente. Sabe, aquela idéia de vivo e palpável. O grande diferencial neste caso é que, além de prender a atenção do jogador e fazer com que este se relacione com os personagens de uma maneira platônica, existe também a questão da interatividade. Você está participando daquilo e a progressão da história depende unicamente de você. O resultado não poderia ser diferente: Uncharted 2: Among Thieves é realmente um jogo especial. Ele age como um grande filme, daqueles que você sai do cinema empolgado, querendo escalar prédios e defender os mais fracos dos malfeitores. Ao mesmo tempo, o jogador não se sente como se ele fosse o personagem. Nathan Drake é Nathan Drake e não você. Você só dá aquela "ajudinha" especial, para que o personagem faça o que é preciso ser feito. Apesar desta distinção dos papéis, ainda existe aquela sensação de dever cumprido e de participação ativa na história. Algo gratificante. Os controles do game não contam com nenhum tipo de revolução gamística. Muito pelo contrário! Eles somente aprimoraram aquilo que já funcionava bem no capítulo anterior e acertou o que era considerado chato por alguns. Isso significa que se você jogou o primeiro game, migrar para esta segunda versão será tão natural quanto trocar para uma bicicleta com mais recursos: você já sabe como funciona o básico, só precisa saber como tirar proveito do sistema de câmbio, novos freios e aprender como chamar a atenção das gatinhas com sua super lanterna movida a dínamo. Mas como um jogo que aparentemente não traz nenhuma inovação em sua jogabilidade pode agradar tanto assim? Digamos que a jogabilidade de "Uncharted 2" não seja um fator primordial, mas sim uma conseqüência bem vinda. Conforme frisamos no início da matéria, o título possui um apelo cinematográfico espetacular. ?? como se você realmente estivesse assistindo um filme de ação, e dos bons. A história é apresentada de uma maneira tão hipnotizante que o jogador mal consegue parar de pensar no jogo. Você pode até dar uma pausa e voltar no dia seguinte, mas duvidamos que não pense, pelo menos uma vez antes de dormir, em como a história vai continuar. Tudo é dosado de uma maneira incrível, senão perfeita. ?? como ler um livro realmente envolvente, você não sente vontade de parar. E a jogabilidade neste caso serve somente como ferramenta para que esta progressão seja possível. Porém não devemos tirar o seu crédito por completo. Controlar Drake é muito bom e explorar os belíssimos cenários do game é ainda mais gratificante. Os comandos são precisos e apresentam ótima resposta. Algumas melhorias foram feitas neste sentido e o personagem consegue escalar paredes e objetos suspensos com uma naturalidade assombrosa. ??s vezes a naturalidade com que o cenário é construído é tão grande que fica até difícil identificar de primeira quais são os locais por onde o personagem pode escalar. ?? necessário ter atenção e pensar realmente como Nathan Drake, e é esse tipo de relacionamento platônico no qual nos referimos. Você torce por ele, você controla ele e muitas vezes torce pelo seu sucesso. Mas você não se sente como ele. Só o ajuda. E ainda assim é incrível. Durante sua fase de desenvolvimento, os produtores afirmaram que conseguiram lotar o disco de blu-ray até o seu último byte. Depois de terminar o game e ter uma noção mais completa sobre o seu conteúdo, fica difícil discordar desta afirmação. A quantidade de objetos e texturas presentes nos cenários é tão absurdo que nos dá até um nó no cérebro ao tentar imaginar como tudo aquilo pôde ter sido feito em tão pouco tempo. ?? muito difícil ver uma textura sequer se repetindo e se isso realmente acontece ??? e é claro que acontece ??? não temos dúvidas de que fomos enganados com êxito. Esse é um outro ponto que faz com que "Uncharted 2" consiga alcançar outro patamar: ele não tem pretensão de se parecer com um jogo. Essa afirmativa pode soar um pouco sem noção, mas nós explicamos. ?? claro que você bate o olho e vê que se trata de um game. Apesar de extremamente bem feito, o título não tem a intenção de ser fotorrealístico como Crysis. Ao contrário, existe um estilo próprio ali e você consegue identificá-lo, apesar de ser difícil descrevê-lo com palavras. Apesar disso, "Uncharted 2" não comete muitos dos erros que ainda são vistos hoje nos jogos, permitindo que estes sejam caracterizados desta forma. São coisas realmente sutis como a inexistência de paredes invisíveis ??? nós pelo menos, não vimos nenhuma ??? ou a maneira com que o seu personagem interage com a iluminação. Se você entra em um local escuro, ele não vai ficar mais claro, de forma que a jogabilidade prevaleça. Ao invés disso, fica difícil de enxergar sua posição no ambiente, como na vida real. Isso exige que você pare e espere seus olhos se ''acostumarem'' com a iluminação mais fraca, permitindo então que possa ver melhor sob aquela condição de luz. São coisas realmente sutis, mas que fazem todo o sentido naquele contexto e que raramente são vistas em outros jogos. Outra coisa que chama a atenção: a presença de objetos aleatórios e aparentemente dispensáveis presentes no cenário. Em um dado momento, Drake entra em uma espécie de armazém em uma cidade no Nepal vitima da guerra civil. Dentro desta pequena loja temos algumas máscaras, cada uma mais exótica que a outra. Nas prateleiras também é possível ver tamancos, cada um com uma cor e estampa distintas. Alguns produtos alimentícios também estão ali, mostrando que trata-se de uma loja de artigos gerais, como os armarinhos, tão comuns aqui no Brasil. Ok, muito bacana, diferente, bonito, mas você quer saber onde queremos chegar, não é? O fato é que estes objetos são bem detalhados e só aparecem dentro deste armazém, e em mais nenhum outro lugar do game. Perceberam mais uma destas sutilezas? Isso só serve para nos mostrar o cuidado extremo que a Naughty Dog teve em desenvolver o jogo. Tudo foi pensado em seus mínimos detalhes, mesmo que aparentemente desnecessários e banais. Uma vez, o diretor de "Era do Gelo" 2 e 3, o brasileiro Carlos Saldanha, comentou sobre o processo de sincronia labial dos personagens do filme. Saldanha afirmou que a melhor sincronia labial é aquela que não é percebida. Isso não significa que ela não foi percebida por ser ruim, muito pelo contrário. Ela só parece ser natural demais. E é isso que vemos em "Uncharted 2". Tudo é muito natural, de maneira que seja realmente difícil apontar para algo e dizer ''isso está mal feito, no mundo real não é assim''. ?? claro, como todo bom filme de ação pipoca, "Uncharted 2" conta com alguns exageros em sua narrativa. Fugas miraculosas, acidentes incríveis e aparentemente fatais e alguns acontecimentos realmente improváveis na vida real. O fato é que neste caso eles não chamam a atenção por não serem reais. Eles chamam a atenção por serem incríveis, do tipo que arrancam as mais diversas exclamações de seus expectadores como ''Ca$#@, o cara conseguiu escapar!''. ?? empolgante de ver e desperta ainda mais vontade de continuar. E tudo isso de uma forma bastante natural, sem parecer forçado. Ok, mas estas cutscenes acabam tirando a participação do jogador, não é? Não neste caso. Dificilmente o jogador vai colocar o controle sobre a mesa para assistir a uma sequência de animação não interativa. A transição dos capítulos do jogo é feita de maneira totalmente dinâmica e seria imperceptível se não fosse o anúncio de que o jogador está entrando em um novo capítulo do game, apresentando o seu título na tela. O fato é que tanto o tamanho quanto o uso das cutscenes foram bastante dosados, mostrando como este recurso pode ser bem utilizado quando na frequência correta. Dificilmente você tem uma daquelas cutscenes que cortam totalmente o barato da ação, tirando o jogador do controle no momento mais intenso dos acontecimentos. Geralmente elas mostram as conseqüências daquilo que você fez durante a trama ou aparecem em rápidos momentos, que acabam ajudando a aumentar ainda mais a empolgação e a tensão durante a jogatina. Um bom exemplo disso é o novo sistema de combate corpo-a-corpo introduzido no game. Tudo não passa de curtíssimas cutscenes interativas e de grande variação e combinação. Funciona assim: ao apertar o quadrado repetidas vezes, o jogador executa uma sequência de golpes em seu adversário. Ele por sua vez pode se defender e neste momento a ação é mostrada em câmera lenta. O objetivo disso é permitir que um contra-golpe possa ser executado pelo jogador, pressionando o botão de triângulo e retomando sua sequência de golpes com o quadrado. O resultado alcançado com este sistema é belíssimo e acrescenta uma profundidade bacana ao combate, além de apelar mais uma vez para uma abordagem cinematográfica totalmente interativa, graças aos ângulos de câmera utilizados durante o processo. A duração do título é bastante satisfatória. Jogando no easy, é possível terminar o game em pelo menos 12 horas. Modos de dificuldade mais altos exigem maior habilidade e por isso podem ser um pouco mais demorados. O fato é que essas contas só servem mesmo para quem quer terminar a história principal e esquecer do game, o que é difícil. Existem ainda inúmeros destrancáveis que são liberados não só através da sua atuação através do single-player, mas também através do multiplayer. Isso porque o game usa um sistema de dinheiro virtual, onde as quantias são adquiridas de acordo com as suas ações. Assim como o primeiro, Uncharted 2: Among Thieves possui vários troféus diferentes, além de medalhas internas no próprio game. A conquista destas medalhas soma à conta do jogador uma determinada quantia em dinheiro, que pode ser utilizado na ''compra'' de alguns bônus como vídeos com making-of do game, skins personalizadas para os personagens, diferentes tipos de render e até mesmo armas e habilidades especiais que podem ser utilizadas nas partidas online do jogo. Isso adiciona uma longevidade sem igual para o título, justificando ainda mais o investimento em sua compra. E por falar em multiplayer, como será que o título se saiu? Se você já tem o game então com certeza está neste momento com dificuldades graves, aquele tipo onde você quer ''só mais uma partidinha''. A qualidade do pacote fecha um ciclo com o suporte online do game, dada a quantidade de conteúdo e a maneira com que tudo roda lisinho, lisinho. São oito modos de competição entre usuários, um modo cooperativo e um terceiro modo especial, onde é possível criar machinimas através do próprio engine gráfico do game. Para quem não sabe, Machinimas são histórias animadas criadas pelos usuários usando os personagens de um game, bolando assim as mais diversas situações. E é muito fácil participar das partidas. Assim como vários outros games, Uncharted 2: Among Thieves usa um sistema de matchmaking, onde é possível participar de salas de jogo apenas com pessoas que estejam em níveis próximos ao que você está. Isso facilita as coisas, deixando as partidas bem mais justas para quem está começando e mais competitivas para os veteranos. O sistema de níveis é totalmente baseado na aquisição de conquistas online, neste caso as medalhas do game. Existe uma lista imensa de ações que podem ser executadas durante as partidas, cada uma com um prêmio diferente para quem as conseguir. Isso dá outro sentido ao game, já que ultrapassa a limitação de ganhar dinheiro através de vitórias nas partidas. Apesar de não termos uma divisão de classes e outras divisões mais específicas, o título oferece um recurso interessante para que cada jogador conte com suas próprias características durante a partida, equilibrando e permitindo novas estratégias. São os Boosters, características únicas que podem ser adquiridas usando o dinheiro ganho durante as partidas. Eles são bastante variados e adicionam algumas vantagens bastante bem vindas durante as partidas como maior precisão em determinada arma, número maior de munição, dentre outras características interessantes. Assim é possível elaborar uma estratégia pessoal para as partidas, sempre levando em conta seu estilo de jogo. A parte gráfica dispensa comentários. ?? um dos mais bonitos jogos desta geração e facilmente o mais belo game lançado até hoje no PlayStation 3. Não nos prolongaremos muito nesta, até porque já falamos bastante sobre isso no review, mas existem alguns pontos que precisam ser melhor explorados. O primeiro deles é a qualidade das texturas. Todas estão em alta resolução e com uma excelente definição de detalhes, fora a já comentada variedade monstruosa. A iluminação do jogo também é assombrosa e isso só fica mais evidente conforme o jogador avança, dada a boa variedade de cenários presentes no game. A animação facial dos personagens é um show à parte. As expressões são super naturais, de maneira que mesmo parados, eles mudam a sua face, como um ser humano normal. Por último, podemos falar da quantidade absurda de objetos mostrados ao mesmo tempo na tela. Em alguns momentos é possível enxergar uma cidade inteira, tudo muito realista, mesmo que não apelando para este lado. A quantidade de coisas se movendo também é absurda, o que torna a experiência ainda mais viva. ?? difícil citar um jogo que seja pelo menos parecido neste sentido, com cenários tão vivos quanto e a mesma quantidade de informações presentes na tela. Certamente vai se tornar um novo padrão de comparação para a qualidade visual dos jogos presentes no PlayStation 3. O som também é de babar. As músicas são excelentes, mas o destaque vai mesmo para a quantidade de efeitos sonoros usados no título. O som das armas disparando, da interação com os objetos do cenário, do ricochete dos projéteis, das explosões, tudo foi gravado com uma definição absurda. O mesmo vale para as dublagens do game. Elas continuam topo de linha, e isso inclui os novos personagens. E a dobradinha de boas dublagens e sincronia labial está ainda mais crível do que a vista no primeiro título da série. Uncharted 2: Among Thieves é um verdadeiro marco na vida do console da Sony. O game consegue ser muito superior ao seu antecessor, em todos os aspectos possíveis. Mesclando de forma nunca antes vista técnicas de cinema como fotografia, ângulos de câmera, cortes e narrativa com uma excelente jogabilidade, o game consegue trazer a magia da sétima arte para as suas mãos. Os gráficos são divinos, junto com a excelente parte sonora, é claro. E não estranha por não termos colocado nenhum detalhe sobre a história do game em nossa análise. ?? como recomendar um ótimo filme a um amigo: você quer que ele tenha as mesmas surpresas, que torça pelas mesmas cenas e que curta a história do início ao fim. E acreditem, é uma experiência única. Muitos jogos tentam imitar o cinema, apresentando narrativas originais e fazendo inclusive o uso de alguns recursos presentes nas grandes filmagens. O grande problema é que, na maioria das vezes, o cinema conta com atores reais, de carne e osso. Isso lhes garante uma humanidade sem igual e faz o espectador viajar naquilo que está sendo passado na grande tela. Você fica pensando como seria a vida daquela pessoa, como se ela realmente existisse, além de tentar decifrar seus pensamentos e motivações. ?? uma interação que vai muito além do simples assistir. Isso fica ainda mais evidente em grandes séries, que contam com alguns personagens icônicos no universo da sétima arte. Personagens como Indiana Jones, Rambo, Exterminador do Futuro e muitos outros ficam na lembrança de quem assiste aos filmes, além de criar toda uma subcultura no mundo do cinema. Alguns jogos também têm este poder, mas acabam atuando de uma maneira mais parecida com que atuam as animações, como as da Pixar. Você assiste, se diverte e até se identifica com uma ou outra coisa, mas dificilmente tem a impressão de que aquilo é algo vivo e palpável. Uncharted 2: Among Thieves chega para confirmar o que já se tornava previsível no primeiro game: a série veio para mudar esta mentalidade. O título atua de uma forma cinematográfica tão autêntica que é difícil não imaginar os personagens como atores realmente. Sabe, aquela idéia de vivo e palpável. O grande diferencial neste caso é que, além de prender a atenção do jogador e fazer com que este se relacione com os personagens de uma maneira platônica, existe também a questão da interatividade. Você está participando daquilo e a progressão da história depende unicamente de você. O resultado não poderia ser diferente: Uncharted 2: Among Thieves é realmente um jogo especial. Ele age como um grande filme, daqueles que você sai do cinema empolgado, querendo escalar prédios e defender os mais fracos dos malfeitores. Ao mesmo tempo, o jogador não se sente como se ele fosse o personagem. Nathan Drake é Nathan Drake e não você. Você só dá aquela "ajudinha" especial, para que o personagem faça o que é preciso ser feito. Apesar desta distinção dos papéis, ainda existe aquela sensação de dever cumprido e de participação ativa na história. Algo gratificante. Os controles do game não contam com nenhum tipo de revolução gamística. Muito pelo contrário! Eles somente aprimoraram aquilo que já funcionava bem no capítulo anterior e acertou o que era considerado chato por alguns. Isso significa que se você jogou o primeiro game, migrar para esta segunda versão será tão natural quanto trocar para uma bicicleta com mais recursos: você já sabe como funciona o básico, só precisa saber como tirar proveito do sistema de câmbio, novos freios e aprender como chamar a atenção das gatinhas com sua super lanterna movida a dínamo. Mas como um jogo que aparentemente não traz nenhuma inovação em sua jogabilidade pode agradar tanto assim? Digamos que a jogabilidade de "Uncharted 2" não seja um fator primordial, mas sim uma conseqüência bem vinda. Conforme frisamos no início da matéria, o título possui um apelo cinematográfico espetacular. ?? como se você realmente estivesse assistindo um filme de ação, e dos bons. A história é apresentada de uma maneira tão hipnotizante que o jogador mal consegue parar de pensar no jogo. Você pode até dar uma pausa e voltar no dia seguinte, mas duvidamos que não pense, pelo menos uma vez antes de dormir, em como a história vai continuar. Tudo é dosado de uma maneira incrível, senão perfeita. ?? como ler um livro realmente envolvente, você não sente vontade de parar. E a jogabilidade neste caso serve somente como ferramenta para que esta progressão seja possível. Porém não devemos tirar o seu crédito por completo. Controlar Drake é muito bom e explorar os belíssimos cenários do game é ainda mais gratificante. Os comandos são precisos e apresentam ótima resposta. Algumas melhorias foram feitas neste sentido e o personagem consegue escalar paredes e objetos suspensos com uma naturalidade assombrosa. ??s vezes a naturalidade com que o cenário é construído é tão grande que fica até difícil identificar de primeira quais são os locais por onde o personagem pode escalar. ?? necessário ter atenção e pensar realmente como Nathan Drake, e é esse tipo de relacionamento platônico no qual nos referimos. Você torce por ele, você controla ele e muitas vezes torce pelo seu sucesso. Mas você não se sente como ele. Só o ajuda. E ainda assim é incrível. Durante sua fase de desenvolvimento, os produtores afirmaram que conseguiram lotar o disco de blu-ray até o seu último byte. Depois de terminar o game e ter uma noção mais completa sobre o seu conteúdo, fica difícil discordar desta afirmação. A quantidade de objetos e texturas presentes nos cenários é tão absurdo que nos dá até um nó no cérebro ao tentar imaginar como tudo aquilo pôde ter sido feito em tão pouco tempo. ?? muito difícil ver uma textura sequer se repetindo e se isso realmente acontece ??? e é claro que acontece ??? não temos dúvidas de que fomos enganados com êxito. Esse é um outro ponto que faz com que "Uncharted 2" consiga alcançar outro patamar: ele não tem pretensão de se parecer com um jogo. Essa afirmativa pode soar um pouco sem noção, mas nós explicamos. ?? claro que você bate o olho e vê que se trata de um game. Apesar de extremamente bem feito, o título não tem a intenção de ser fotorrealístico como Crysis. Ao contrário, existe um estilo próprio ali e você consegue identificá-lo, apesar de ser difícil descrevê-lo com palavras. Apesar disso, "Uncharted 2" não comete muitos dos erros que ainda são vistos hoje nos jogos, permitindo que estes sejam caracterizados desta forma. São coisas realmente sutis como a inexistência de paredes invisíveis ??? nós pelo menos, não vimos nenhuma ??? ou a maneira com que o seu personagem interage com a iluminação. Se você entra em um local escuro, ele não vai ficar mais claro, de forma que a jogabilidade prevaleça. Ao invés disso, fica difícil de enxergar sua posição no ambiente, como na vida real. Isso exige que você pare e espere seus olhos se ''acostumarem'' com a iluminação mais fraca, permitindo então que possa ver melhor sob aquela condição de luz. São coisas realmente sutis, mas que fazem todo o sentido naquele contexto e que raramente são vistas em outros jogos. Outra coisa que chama a atenção: a presença de objetos aleatórios e aparentemente dispensáveis presentes no cenário. Em um dado momento, Drake entra em uma espécie de armazém em uma cidade no Nepal vitima da guerra civil. Dentro desta pequena loja temos algumas máscaras, cada uma mais exótica que a outra. Nas prateleiras também é possível ver tamancos, cada um com uma cor e estampa distintas. Alguns produtos alimentícios também estão ali, mostrando que trata-se de uma loja de artigos gerais, como os armarinhos, tão comuns aqui no Brasil. Ok, muito bacana, diferente, bonito, mas você quer saber onde queremos chegar, não é? O fato é que estes objetos são bem detalhados e só aparecem dentro deste armazém, e em mais nenhum outro lugar do game. Perceberam mais uma destas sutilezas? Isso só serve para nos mostrar o cuidado extremo que a Naughty Dog teve em desenvolver o jogo. Tudo foi pensado em seus mínimos detalhes, mesmo que aparentemente desnecessários e banais. Uma vez, o diretor de "Era do Gelo" 2 e 3, o brasileiro Carlos Saldanha, comentou sobre o processo de sincronia labial dos personagens do filme. Saldanha afirmou que a melhor sincronia labial é aquela que não é percebida. Isso não significa que ela não foi percebida por ser ruim, muito pelo contrário. Ela só parece ser natural demais. E é isso que vemos em "Uncharted 2". Tudo é muito natural, de maneira que seja realmente difícil apontar para algo e dizer ''isso está mal feito, no mundo real não é assim''. ?? claro, como todo bom filme de ação pipoca, "Uncharted 2" conta com alguns exageros em sua narrativa. Fugas miraculosas, acidentes incríveis e aparentemente fatais e alguns acontecimentos realmente improváveis na vida real. O fato é que neste caso eles não chamam a atenção por não serem reais. Eles chamam a atenção por serem incríveis, do tipo que arrancam as mais diversas exclamações de seus expectadores como ''Ca$#@, o cara conseguiu escapar!''. ?? empolgante de ver e desperta ainda mais vontade de continuar. E tudo isso de uma forma bastante natural, sem parecer forçado. Ok, mas estas cutscenes acabam tirando a participação do jogador, não é? Não neste caso. Dificilmente o jogador vai colocar o controle sobre a mesa para assistir a uma sequência de animação não interativa. A transição dos capítulos do jogo é feita de maneira totalmente dinâmica e seria imperceptível se não fosse o anúncio de que o jogador está entrando em um novo capítulo do game, apresentando o seu título na tela. O fato é que tanto o tamanho quanto o uso das cutscenes foram bastante dosados, mostrando como este recurso pode ser bem utilizado quando na frequência correta. Dificilmente você tem uma daquelas cutscenes que cortam totalmente o barato da ação, tirando o jogador do controle no momento mais intenso dos acontecimentos. Geralmente elas mostram as conseqüências daquilo que você fez durante a trama ou aparecem em rápidos momentos, que acabam ajudando a aumentar ainda mais a empolgação e a tensão durante a jogatina. Um bom exemplo disso é o novo sistema de combate corpo-a-corpo introduzido no game. Tudo não passa de curtíssimas cutscenes interativas e de grande variação e combinação. Funciona assim: ao apertar o quadrado repetidas vezes, o jogador executa uma sequência de golpes em seu adversário. Ele por sua vez pode se defender e neste momento a ação é mostrada em câmera lenta. O objetivo disso é permitir que um contra-golpe possa ser executado pelo jogador, pressionando o botão de triângulo e retomando sua sequência de golpes com o quadrado. O resultado alcançado com este sistema é belíssimo e acrescenta uma profundidade bacana ao combate, além de apelar mais uma vez para uma abordagem cinematográfica totalmente interativa, graças aos ângulos de câmera utilizados durante o processo. A duração do título é bastante satisfatória. Jogando no easy, é possível terminar o game em pelo menos 12 horas. Modos de dificuldade mais altos exigem maior habilidade e por isso podem ser um pouco mais demorados. O fato é que essas contas só servem mesmo para quem quer terminar a história principal e esquecer do game, o que é difícil. Existem ainda inúmeros destrancáveis que são liberados não só através da sua atuação através do single-player, mas também através do multiplayer. Isso porque o game usa um sistema de dinheiro virtual, onde as quantias são adquiridas de acordo com as suas ações. Assim como o primeiro, Uncharted 2: Among Thieves possui vários troféus diferentes, além de medalhas internas no próprio game. A conquista destas medalhas soma à conta do jogador uma determinada quantia em dinheiro, que pode ser utilizado na ''compra'' de alguns bônus como vídeos com making-of do game, skins personalizadas para os personagens, diferentes tipos de render e até mesmo armas e habilidades especiais que podem ser utilizadas nas partidas online do jogo. Isso adiciona uma longevidade sem igual para o título, justificando ainda mais o investimento em sua compra. E por falar em multiplayer, como será que o título se saiu? Se você já tem o game então com certeza está neste momento com dificuldades graves, aquele tipo onde você quer ''só mais uma partidinha''. A qualidade do pacote fecha um ciclo com o suporte online do game, dada a quantidade de conteúdo e a maneira com que tudo roda lisinho, lisinho. São oito modos de competição entre usuários, um modo cooperativo e um terceiro modo especial, onde é possível criar machinimas através do próprio engine gráfico do game. Para quem não sabe, Machinimas são histórias animadas criadas pelos usuários usando os personagens de um game, bolando assim as mais diversas situações. E é muito fácil participar das partidas. Assim como vários outros games, Uncharted 2: Among Thieves usa um sistema de matchmaking, onde é possível participar de salas de jogo apenas com pessoas que estejam em níveis próximos ao que você está. Isso facilita as coisas, deixando as partidas bem mais justas para quem está começando e mais competitivas para os veteranos. O sistema de níveis é totalmente baseado na aquisição de conquistas online, neste caso as medalhas do game. Existe uma lista imensa de ações que podem ser executadas durante as partidas, cada uma com um prêmio diferente para quem as conseguir. Isso dá outro sentido ao game, já que ultrapassa a limitação de ganhar dinheiro através de vitórias nas partidas. Apesar de não termos uma divisão de classes e outras divisões mais específicas, o título oferece um recurso interessante para que cada jogador conte com suas próprias características durante a partida, equilibrando e permitindo novas estratégias. São os Boosters, características únicas que podem ser adquiridas usando o dinheiro ganho durante as partidas. Eles são bastante variados e adicionam algumas vantagens bastante bem vindas durante as partidas como maior precisão em determinada arma, número maior de munição, dentre outras características interessantes. Assim é possível elaborar uma estratégia pessoal para as partidas, sempre levando em conta seu estilo de jogo. A parte gráfica dispensa comentários. ?? um dos mais bonitos jogos desta geração e facilmente o mais belo game lançado até hoje no PlayStation 3. Não nos prolongaremos muito nesta, até porque já falamos bastante sobre isso no review, mas existem alguns pontos que precisam ser melhor explorados. O primeiro deles é a qualidade das texturas. Todas estão em alta resolução e com uma excelente definição de detalhes, fora a já comentada variedade monstruosa. A iluminação do jogo também é assombrosa e isso só fica mais evidente conforme o jogador avança, dada a boa variedade de cenários presentes no game. A animação facial dos personagens é um show à parte. As expressões são super naturais, de maneira que mesmo parados, eles mudam a sua face, como um ser humano normal. Por último, podemos falar da quantidade absurda de objetos mostrados ao mesmo tempo na tela. Em alguns momentos é possível enxergar uma cidade inteira, tudo muito realista, mesmo que não apelando para este lado. A quantidade de coisas se movendo também é absurda, o que torna a experiência ainda mais viva. ?? difícil citar um jogo que seja pelo menos parecido neste sentido, com cenários tão vivos quanto e a mesma quantidade de informações presentes na tela. Certamente vai se tornar um novo padrão de comparação para a qualidade visual dos jogos presentes no PlayStation 3. O som também é de babar. As músicas são excelentes, mas o destaque vai mesmo para a quantidade de efeitos sonoros usados no título. O som das armas disparando, da interação com os objetos do cenário, do ricochete dos projéteis, das explosões, tudo foi gravado com uma definição absurda. O mesmo vale para as dublagens do game. Elas continuam topo de linha, e isso inclui os novos personagens. E a dobradinha de boas dublagens e sincronia labial está ainda mais crível do que a vista no primeiro título da série. Uncharted 2: Among Thieves é um verdadeiro marco na vida do console da Sony. O game consegue ser muito superior ao seu antecessor, em todos os aspectos possíveis. Mesclando de forma nunca antes vista técnicas de cinema como fotografia, ângulos de câmera, cortes e narrativa com uma excelente jogabilidade, o game consegue trazer a magia da sétima arte para as suas mãos. Os gráficos são divinos, junto com a excelente parte sonora, é claro. E não estranha por não termos colocado nenhum detalhe sobre a história do game em nossa análise. ?? como recomendar um ótimo filme a um amigo: você quer que ele tenha as mesmas surpresas, que torça pelas mesmas cenas e que curta a história do início ao fim. E acreditem, é uma experiência única.
Fonte: Finalboss
ygorocara
Enviado por ygorocara
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